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sábado, 24 de junho de 2023

 

EM DIA COM O MACHADO 581:

TROPEÇOS LINGUÍSTICOS PARA LAMENTAR SEM JUÍZO (Jó)

 


            — Que Deus nos ajuda a resolver os graves problemas morais desta nação! Assim começa o breve discurso daquele parlamentar, o que é para lamentar. Se ainda fosse “nos acuda”...

            Mas Ele acudiu-o. Enviou-me a esclarecer-lhe que todos os verbos terminados em “ar”, na terceira pessoa do singular do presente do subjuntivo, devem ser flexionados com terminação em “-e”. Exemplos: ajudar, comprar e pensar: Que Deus (ele) nos ajude; que ela compre; que ele pense...

            Já os verbos com terminações –er, -ir: comer, fazer, sair, fugir, acudir, entre outros, da segunda e terceira conjugações, devem ser flexionados, na terceira pessoa do singular do presente do subjuntivo, assim: Que ela coma... Que ele faça... Que ela saia... Que o D. não fuja e que o Senhor nos acuda...

            É nessas horas que Deus nos ajuda... Muito bem, Jó, aqui você está usando o presente do indicativo, e não o presente do subjuntivo citado acima.

            Continuando sua peroração, o deputado diz: — vinte anos atrás, eu estive em Cuba... E eu monologo baixinho:

            — Mas se foi “há” vinte anos, por que o “atrás”, se os gramáticos nos ensinam que o verbo haver, no sentido de tempo passado, dispensa o advérbio atrás? Bastar-lhe-ia dizer: — vinte anos, estive em Cuba... Também a própria flexão do verbo em primeira pessoa já indica quem esteve em Cuba: “eu estive”... Nesse caso, o “eu” é opcional.

            Mais adiante, o membro do legislativo sai-se com esta: — Neste país, houveram muitos avanços na área da medicina...

            E eu digo para o meu umbigo:

            — Coitado, não aprendeu na escola que o verbo “haver” com o significado de “existir”, “ocorrer”, não se flexiona no plural; caso contrário, ele diria que houve muitos avanços... Por outro lado, se ele não está no país a que se refere, deve dizer “Naquele país”, “Nesse país”, e não “Neste país” (Cuba).

            Corrigindo o congressista: Nesse país (Cuba, onde ele esteve vinte anos atrás), houve muitos avanços na medicina... Percebeu, leitor, que, na frase entre parênteses, dispensei o e apenas mantive o atrás? Quando o está presente na referência a tempo passado, não precisa do atrás; e o contrário também é certo: havendo atrás não é necessário na indicação de tempo passado. A objetividade é outra qualidade importante da comunicação, por isso, cortei o “há” na frase corrigida acima.

            Outro problema de muita gente boa é com a pronúncia de certas palavras. Um juiz disse à sua secretária num tribunal:

            — Dona Tempesta, peça ao Dr. Epílogo para apor sua rúbrica na petição.

            Como é que pode? O homem chegou a juiz, está sempre falando uma palavra usual no fórum equivocadamente e jamais o chamaram à parte para lhe dizer:

            — Excelência, a pronúncia desta palavra não é “brica” e, sim, “rubrica”.

             Com economia de palavras, o juiz poderia dizer: “[...] peça ao Dr. Epílogo para rubricar a petição”.

            O promotor, para não ficar atrás do magistrado, acusou o réu com a seguinte catilinária:

            — Esse cabra é um delinguente que assassinou sua vítima com “ineksorável” crueldade.

            Delinquente, doutor, corrigiu-o o defensor público em particular. E outra coisa, a pronúncia de “inexorável” não é com “ks”, mas sim com “z”. Escreve-se com “x”, mas pronuncia-se com “z”. Assim, ó: “inezorável”. Volte lá e peça desculpas pelo “açaçinato” do “indioma”.  

            Amigo leitor, na dúvida da pronúncia ou grafia dum vocábulo, consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, o quase desconhecido VOLP, ou um bom dicionário atualizado do idioma pátrio. Eles trazem, entre barras, a letra indicadora da pronúncia do x, que ora pode ser /ks/, como em anexo, ora /ch/, como em xícara, ou /z/ como é o caso de inexorável.

            Até aqui, tudo bem, o problema foi quando o defensor pediu ao juiz:

            — Excelência, “desiguína” outra testemunha para depor...

            E o promotor deu-lhe o troco:

            — Também o nobre colega errou na pronúncia de “designa”; então, estamos quites, pois esta palavra se pronuncia /dezígna/.

            Ansioso pelo fim do caso, o juiz ordenou à secretária:

            Hajam vistas os graves gravames idiomáticos dessa seção, decido suspendê-la para que, somente após esclarecidos todas as dúvidas linguísticas, eu a possa concluir.  Destarte, determino à dona Tempesta que faça a revisão de nossos textos e nos encaminhe, tempestivamente, uma cópia da sentença dessa audiência.

            Antes de ser demitida, a secretária entregou ao seu chefe o seguinte texto:

            Haja vista a nossa ignorância, somente haverá o epílogo desta sessão quando um bom professor de língua portuguesa nos facultar que sejam esclarecidas todas as dúvidas linguísticas desta audiência.

            Coitada, foi punida por ser a única que sabia escrever corretamente e com estilo.

          Agora, tenta inutilmente ser contratada como professora de português naquele fórum. Porém, desde então, quem, diariamente, passa por aquela vara lê o seguinte aviso: “Audiência ‘só mente’ amanhã”.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

 


ONDE ESTIVER JESUS
 
Onde estiver Jesus, alma querida e boa,
Ilusão, erros, falhas apareçam embora,
Ainda mesmo que o mal em torno desarvora,
Esclarece, ilumina, ampara, aperfeiçoa.
 
Onde estiver Jesus, nada se diz à toa,
O engano pede luz onde a verdade mora,
A caridade reina, a esperança, hora a hora,
Alteia-se mais bela; o trabalho abençoa.
 
Onde estiver Jesus, humilhado ou sozinho,
Nas desfigurações ou nos aleives do caminho,
Inflama-te de amor – sol ardente e fecundo!...
 
Onde estiver Jesus... Eis que Jesus te espera
A bondade, o perdão, a decisão, a paz, a fé sincera.
Para a glória da vida e a redenção do mundo.

DOLORES, Maria (Espírito). Antologia da espiritualidade. Psicografado por: Francisco Cândido Xavier. 6. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

 


ROGATIVA DE PAZ
 
Onde estiveres no mundo,
Não te queixes, nem te irrites,
Não há sombra sem limites,
Nem sofrimentos em vão;
Suporta com paciência
Qualquer toque de amargura,
A provação nos procura
Trazendo renovação.
 
Trabalha, serve, perdoa,
Se alguém te enlameia o nome,
Que a tolerância te tome
Por mestra de amor e luz;
Ninguém passa pela Terra,
Caminhando indiferente,
Esse luta, outro é doente,
Cada qual na própria cruz.
 
Às vezes, quem te deprime
Quem te ofende ou desprimora
Carrega chagas, embora
O lindo porte que traz;
Muita gente que parece
Felicidade e barulho,
Vício, pompa, inveja e orgulho,
É pranto pedindo paz.
 
Compadece-te e caminha
Na fé com que Deus te alcança,
Não apagues a esperança
No coração de ninguém.
Recorda que o Céu te busca
Não para ver pedra e espinho
Mas para ser no caminho
O apoio vivo do bem.
 
DOLORES, Maria (Espírito). Maria Dolores. Psicografado por Chico Xavier. 1. ed. Imp. pequenas tiragens. Brasília: FEB; São Paulo: IDEAL, 2022.

terça-feira, 20 de junho de 2023

 







 

LUZ NO CAMINHO
 
Eleva-te na fé, alma querida e boa...
Do caminho em que estás, observa, porém:
Tudo o que se faz luz, ante o Reino do Bem,
É doação de amor que nos serve e abençoa.
 
Contempla a labareda, entregue à disciplina,
Nos turbilhões de força que a consomem:
É a matéria, ao morrer, escravizada ao homem,
A fazer-se clarão na chama que origina.
 
A candeia a luzir, nas conquistas que levas,
— Gênio do mundo antigo em mágico produto -
é óleo reprimido em vaso diminuto,
na renúncia total, ao dissipar as trevas.
 
A vela a desfazer-se, humilde e acesa,
— Pingo de sol marcando a estrada escura —
É o pavio a esvair-se na clausura
Por agente de auxílio à Natureza.
 
Toda a eletricidade, em sentido profundo,
Que vibra presa ao fio e se agiganta e brilha,
É poder que se dá, lâmpada e maravilha,
Conquistando o progresso e iluminando o mundo.
 
Procurando servir nos sonhos teus e meus,
Sejamos nós também, alma boa e querida,
Um caminho de amor no coração da vida
Ligando a vida humana ao coração de Deus.
 
DOLORES, Maria (Espírito). In: Marcas do caminho. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 1. ed. – 1.ª impr. por demanda (P.O.D.). Brasília: FEB, São Paulo: IDEAL, 2021.


segunda-feira, 19 de junho de 2023

 



CANTIGA DA GRATIDÃO 

Já não quero senão entendimento.
 Graças te dou, Jesus, porque me ensinas
 Que o teu amor, em tudo, é sempre grande,
 Ainda mesmo quando se te expande
 Na beleza das cousas pequeninas.
 
 Sei que vivo distante do heroísmo
 Que vejo fulgurar, entre as almas de escol,
 Mas posso ser o apoio em que se tente
 Socorro e proteção a uma planta doente
 Para que não lhe falte a carícia do Sol.
 
 Não consigo extinguir a penúria na Terra,
 Entretanto, Senhor,
 No espinheiral de luta em que ainda me embrenho,
 Posso partir, sem mágoa, o pão que tenho
 Para um gesto de amor.
 
 Quantas lições me mostras no silêncio!...
 A da semente enriquecendo o chão,
 A das provas cruéis numa prece a vencê-las,
 A da vela na noite sem estrelas,
 Expulsando a tristeza e a escuridão...
 
 Lembro a história de antigo fio d'água
 Que criou no deserto amorável jardim...
 Lembro a lagarta e a seda, nobre e rara,
 A perola e a concha que a formara
 Por lágrima de luz crescida em dor sem fim...
 
 Penso na areia resguardando o rio,
 Na pedra que se oculta, assegurando o lar,
 Na raiz da roseira, às vezes, sob estrume,
 Para que a rosa em vagas de perfume
 Possa elevar-se à vida, existir e bilhar.
 
 Observo e registro os meus empeços
 Que o passado de débitos me traz,
 Mas posso ser na fé que hoje me alcança
 Uma simples tarefa, um toque de esperança,
 Uma palavra boa e um sorriso de paz!...

 Estou feliz, Senhor, porque me ergueste,
 Serva que por teus servos se conduz,
 E porque rogo luz sem que a treva me tome,
 Por trazer em minh’alma a bênção de teu nome,
 Agradeço, Jesus!...
 
DOLORES, Maria; MEIMEI. (Espíritos). Somente amor. 1. ed. – Impressão pequenas tiragens. Brasília: FEB; São Paulo: IDEAL, 2022.


sábado, 17 de junho de 2023

 
EM DIA COM O MACHADO 580:
À LUZ DA FÉ (Irmão Jó)



 
            Alma amiga, hoje retomamos um tema que sempre me atraiu: Fé e vida, o mesmo de obra inédita de Chico Xavier, publicado recentemente pela Federação Espírita Brasileira.
            O que é a fé? Na visão das religiões, é a crença em dogmas e “artigos de fé”. Ela pode ser cega ou raciocinada, segundo o entendimento espírita.
            A fé cega, diz Allan Kardec, “produz o fanatismo”. Mas “não basta ver”, explica ele, “é preciso, sobretudo, compreender”. Por fim, o codificador da Doutrina Espírita afirma que “Fé inabalável é somente a que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.
            Segundo um espírito protetor, no capítulo 19 d’O Evangelho segundo o Espiritismo, a fé é humana e é divina. Somos movidos pela vontade. O que faz a diferença, em nossa vida, é o querer. Por isso diz o provérbio: “querer é poder”, ou seja, precisamos nos manter sempre motivados, pois quando se perde a motivação, pouco a pouco vamos perdendo tudo, até mesmo a vontade de viver. Nesse tempo, a fé já não está conosco.
            Negar a vida, porém, é simples perda de tempo, pois viveremos eternamente, e a evolução é nosso destino. A vida é dom divino que não exclui nenhum filho de Deus, que todos nós o somos, creiamos ou não nisso.
            Esta é a fé humana: a confiança em si mesmo... Como disse o espírito supracitado: “O Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação”.
            Se o homem se esforça na conquista de um objetivo, e sente em si mesmo que possui as forças necessárias para alcançá-lo, isso o torna confiante na vitória. Assim também ocorre com quem possui fé na vida post mortem e resolve dedicar sua existência corporal ao bem. Essa fé divina permite a quem a possui realizar prodígios de devotamento e de abnegação ao próximo, o que caracteriza o verdadeiro entendimento do que seja a caridade, ou amor em ação.
         O espírito Emmanuel demonstra o poder da fé e do amor humanos quando diz: “Compreendendo-se que a Justiça divina ignora privilégios, todos aqueles que se decidem a servir são escolhidos por efeito da própria escolha” (in: Fé e vida, cap. 3).
            Como acabas de ler, alma amiga, Deus não privilegia quem diz ter a fé religiosa e, sim, aquele em quem a fé se expressa em obras. A diferença está apenas na vontade. Se esta é a de César, permanecerá com ele, na Terra; se é a de Deus, realizará prodígios não só na Terra como também no Céu, onde as “almas eleitas” se encontram e usufruem da felicidade dos justos.      
            Eis o que diz o espírito Maria Dolores sobre a fé, na obra cujo título é seu nome, psicografada por Chico Xavier: Palavras da fé
 
Nunca te dês por inútil,
Mesmo em ação de alto nível,
Não afirmes: “impossível”,
Nem te digas sem valor,
Deus em ti é a própria vida,
Mantendo-te, instante a instante,
Em doação incessante,
Por fonte viva de amor.
 
Não és um astro, no entanto,
Tens a força estranha e bela
De acender a luz da vela,
Dissipando a escuridão.
Não inventaste a semente,
Nem a romã cetinosa,
Não sabes tecer a rosa,
Mas podes assar o pão.
 
Não fulguras qual brilhante
Nem tens a força do vento
Em redemoinho violento,
Quando ruge a destruir;
Mas tens o conhecimento
De quem guia a natureza,
Exterminando a tristeza,
No dom de fazer sorrir.
 
Não esmoreças no mundo,
Trabalha, ajuda, esclarece,
Tens o verbo, a voz, a prece,
São sem conta os dotes teus;
Ampara, acalma e perdoa,
Qualquer migalha do bem,
Na Terra e no Mais Além,
É benção do amor de Deus.
 
            Vem, pois, comigo à luz da fé em nossa vida imortal, alma irmã!


Vitória espiritual   Você crê que eu já me aposentei... Sim, se for no sentido de ganho Monetário no que eu ocupei; Não se for em trabalho t...