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sexta-feira, 31 de julho de 2026

 

Nova servidão no Brasil
 
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri. — Castro Alves, in: Navio Negreiro
 
Foi em terras do Rio de Janeiro
Que um dia, atendendo ao clamor
Do povo, da igreja e dos terreiros,
Soldados combateram o terror.
 
Após sangrentas lutas, o Brasil
Foi governado pelos militares,
Que devolveram ao poder civil
A paz e o respeito aos nossos lares.
 
Durante 21 anos, portanto,
A pátria brasileira esteve em ordem.
De lá pra cá, mudou-se a ordem tanto
Que agora a ordem se chama desordem.
 
E volta Castro Alves a dizer:
“Auriverde pendão da minha terra...
Que a brisa, no Brasil, nos faz sofrer,
Quanta maldade este governo encerra...”
 
E encerra, o Poeta dos Escravos,
Após ver a prisão de cidadãos
Por outros militares cruéis, bravos,
Insensíveis aos gritos dos irmãos:
 
“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é mentira... se é verdade
Tanto horror perante os céus...”
 
Irmão Jó
Brasília, DF, 31 de julho de 2026.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

 

Da treva para a luz
 
Desde as eras remotas do meu tempo,
Eu persistia em treva insidiosa.
Mergulhado no pleno e torpe exemplo,
Minha vida era inútil, tenebrosa...
 
Até que conheci um lindo templo
Onde passei a ouvir sublime prosa
E ansioso aguardava cada evento...
Minha vida mudou pra pressurosa.
 
Passei a estudar Allan Kardec
Para entender melhor a Boa Nova
Praticada e ensinada por Jesus.
 
E a vazia existência do moleque
Passou a ter sentido a toda prova,
Pois me tirou da treva para a luz!
 
Irmão Jó
Brasília, DF, 29 de julho de 2026.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Anota 


No papel ou na máquina, a ideia elevada.
Cada ser é um projeto de Deus que o criou,
Desde o átomo ao anjo em extensa jornada,
Que o leva à perfeição, como o Cristo falou.
 
E cada aspiração da alma anotada
De poder ou riqueza, que ambicionou
Junto ao belo por Deus já lhe foi contemplada,
Mas o homem, coitado, de tudo abusou.
 
Anota, pois, agora o que é mais relevante
Para tua ascensão ao reinado de Deus
E, sem tardar, prossegue humilde a todo instante...
 
Perdoa os que te fazem mal, não obstante
Trabalha, sem cessar, em prol dos irmãos teus,
E encontrarás, com Cristo, a rota triunfante.


Irmão Jó

Brasília, DF, 28 de julho de 2026.


 


segunda-feira, 27 de julho de 2026

 
O dia do bom cristão (Irmão Jó)
 
O dia tem 24 horas.
Alguns dormem o dia todo,
Outros estão sempre ativos;
E há os que madrugam, muito embora
Tenham rotinas tediosas,
Fazendo sempre a mesma cousa...
 
Mas quase ninguém, porém, ousa
Mudar sua rotina diária,
Porque se dizem mui cansados
Em praticarem sempre o mesmo
Nos seus passatempos passados.
 
Anda-se diariamente a esmo;
Nada se faz para mudar...
Então, não se sai do lugar,
E, desse modo, se entedia
Nas 24 horas do dia.
 
Faço, portanto, meu convite
A quem deseje aproveitá-lo:
O bom cristão nunca desiste
Do bem, e sempre a praticá-lo
Vive contente e a alegria
O acompanham no dia a dia!
 
Leia as obras de Allan Kardec,
Saia da ignorância e preconceito,
Pratique a caridade e a prece
E seu dia será perfeito!
 
Irmão Jó
Brasília, DF, 27 de julho de 2026.


domingo, 26 de julho de 2026

 

A Cura

Por quase trinta anos, eu sofri
De otorreia sem saber por que
Putrefação ali a escorrer
Num corpo belo desde que nasci.

Num hospital ao qual eu recorri,
Um otorrino veio-me atender
E o que ele disse fez-me mais sofrer:
— Tu não tens nada. Por que vens aqui?
 
Depois pediu alguém para lavar
Os meus ouvidos com pura água fria.
E, ao sair, lutei pra não chorar.
 
Pedi a Deus, então, me abençoar,
Pois, com certeza, o Pai me curaria.
E hoje agradeço a Deus por me curar.
 
Irmão Jó
Brasília, DF, 26 de julho de 2026.

sábado, 25 de julho de 2026

 

A transformação

“O verdadeiro espírita se reconhece pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações.” — Allan Kardec
 
Eu nascera bem próximo da igreja
Lá no bairro da Penha, cujo nome
É o mesmo do templo, mas consome
Inumeráveis crimes e pelejas.
 
Fora criado em plena natureza;
Valorizado como bravo homem,
Comi do prato pobre donde comem,
Dez da família plena de pobreza...
 
Ali crescera sem temer ninguém,
Pois me dissera o pai que eu não voltasse
Chorando, se espancado por alguém...
 
Muito bati e apanhei também,
Ninguém, porém, que me desrespeitasse...
Agora espírita, só faço o bem!
 
Irmão Jó

Brasília, DF, 25 de julho de 2026.

 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Poemas de Jó

Quando nasci...


No dia em que nasci, todos diziam:
- Esse menino é lindo, que gracinha!
Por certo, há de brilhar, desde a pracinha
Aos palácios de reis e de rainhas.

Meus olhos quase verdes reluziam;
A tez, do corpo e rosto, mui branquinha,
Era o encanto de todas as vizinhas,
Que das janelas sempre me sorriam.

Ninguém, porém, sabia que o menino
Que os atraía, desde pequenino,
Trazia dois vulcões nos seus ouvidos.

E, ao descobri-lo triste e fedentino,
O elogio tomava outro destino,
Alterado por mau cheiro e gemidos.

Irmão Jó

Brasília, DF, 24 de julho de 2026.







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