Nova servidão no
Brasil
Presa
nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri. — Castro Alves, in: Navio Negreiro
Foi em terras do Rio de Janeiro
Que um dia, atendendo ao clamor
Do povo, da igreja e dos terreiros,
Soldados combateram o terror.
Após sangrentas lutas, o Brasil
Foi governado pelos militares,
Que devolveram ao poder civil
A paz e o respeito aos nossos lares.
Durante 21 anos, portanto,
A pátria brasileira esteve em ordem.
De lá pra cá, mudou-se a ordem tanto
Que agora a ordem se chama desordem.
E volta Castro Alves a dizer:
“Auriverde pendão da minha terra...
Que a brisa, no Brasil, nos faz sofrer,
Quanta maldade este governo encerra...”
E encerra, o Poeta dos Escravos,
Após ver a prisão de cidadãos
Por outros militares cruéis, bravos,
Insensíveis aos gritos dos irmãos:
“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é mentira... se é verdade
Tanto horror perante os céus...”
Irmão Jó
Brasília, DF, 31 de julho de 2026.
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri. — Castro Alves, in: Navio Negreiro
Que um dia, atendendo ao clamor
Do povo, da igreja e dos terreiros,
Soldados combateram o terror.
Foi governado pelos militares,
Que devolveram ao poder civil
A paz e o respeito aos nossos lares.
A pátria brasileira esteve em ordem.
De lá pra cá, mudou-se a ordem tanto
Que agora a ordem se chama desordem.
“Auriverde pendão da minha terra...
Que a brisa, no Brasil, nos faz sofrer,
Quanta maldade este governo encerra...”
Após ver a prisão de cidadãos
Por outros militares cruéis, bravos,
Insensíveis aos gritos dos irmãos:
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é mentira... se é verdade
Tanto horror perante os céus...”
Brasília, DF, 31 de julho de 2026.