Páginas

quarta-feira, 17 de agosto de 2022


 
DIARIAMENTE
 
Quando te ergues, de manhã,
Para o trabalho que te espera,
É qual se começasses novamente
A jornada no mundo para a frente...
 
Anota: cada dia é um trecho da viagem,
Reclamando bagagem
Que expresse provisão
De tudo o que precises
Para seguir no culto à própria obrigação.
 
Decerto, cogitaste do alimento
Que te garanta as energias,
Do calçado da fé que a firmeza te ateste,
Da roupa de esperança que te enfeita e te veste,
Da palavra que tens, por centro de atração,
Dessa ou daquela minudência
Que te mostrem o brilho da existência
Em nobre formação...
 
Sabes, porém, que essa romagem
Que todos nós chamados dia-a-dia,
Se nos oferta lances de alegria,
Muitas vezes se faz em pedras de tropeços,
Problemas, desencantos, recomeços,
Inquietação e prova
Por entre os quais a vida se renova...
 
Por isto, eis que te rogo:
Por mais que te prepares com razão,
Pede a Deus te conceda
No preciso momento de sair,
A coragem de amar e de servir,
De ser bênção de paz, seja onde for,
Recordando que Deus, a todo instante,
É sempre o Eterno Amor,
Que tudo nos concede ao coração,
A fim de que venhamos a vencer
As lutas do trabalho e as farpas do dever
Sem exigir qualquer compensação.
 
DOLORES, Maria (Espírito). Caminhos do amor. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. São Paulo: CEU, 1983.


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

 


ESCUTA, ALMA QUERIDA
 
Escuta, alma querida!...
Se alguém te apedrejou o coração,
Não plantes ódio na alma contundida,
Nem pranteies em vão...
Sustenta, no caminho da esperança,
O perdão por dever,
Não te dês à vingança...
Esse alguém vai viver.
 
Dá sublimado amor que o mundo não descreve,
E, se alguém te despreza com mentiras,
Não repliques, de leve,
Nem lamentos profiras;
Segue à frente, na paz em que te escondas,
Abraçando a humildade por prazer.
Por maior seja o insulto, não respondas...
Esse alguém vai viver.
 
Seja onde for, se alguém te suplica,
Sob golpes brutais,
Não reclames, não percas a alegria,
Nem te azedes jamais!
Acende a fé no peito sofredor
E procura esquecer.
Infeliz de quem ri na capa de agressor!...
Esse alguém vai viver.
 
Escuta alma querida!...
Quem ofende ou se põe a revidar
Atira fogo e lama à própria vida,
Compra fel e pesar.
Cultiva a compaixão serena e boa,
Envolve todo o mal em bem-querer.
Ai daquele que fere ou que atraiçoa!...
Esse alguém vai viver.

DOLORES, Maria (Espírito). Antologia da espiritualidade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014


domingo, 14 de agosto de 2022

 



24 NÃO PONHAM A CANDEIA SOB O ALQUEIRE 

A candeia sob o alqueire. Por que Jesus fala por parábolas. Não vão para os gentios. Os sãos não precisam de médico. A coragem da fé. Carregar sua cruz. Quem quiser salvar sua vida a perderá. 

24.1 A candeia  sob o alqueire. Porque Jesus fala por parábolas 

    Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire; mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela ilumine a todos os que estão na casa (Mateus, 5:15).

    Não há quem, após acender uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; mas a põe sobre o candeeiro, a fim de que aqueles que entrem vejam a luz; pois nada há secreto que não venha a ser descoberto; nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente (Lucas, 8:16-17).

 Seus discípulos, aproximando-se, lhe disseram: Por que razão você lhes fala por parábolas? E ele lhes respondeu: Porque a vocês é dado saber os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles isso não foi dado saber. Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Falo a eles por parábolas, porque eles vendo, não veem, e ouvindo não escutam, nem entendem. Neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: “Vocês ouvirão com os ouvidos e não escutarão; olharão com seus olhos e não verão. Porque o coração deste povo se tornou pesado, e os seus ouvidos se fizeram surdos, e eles fecharam seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, para que seu coração não compreenda, e para que, tendo-se convertido eu não os cure. (Mateus, 13:10- 15). 

Estranhamos quando ouvimos Jesus dizer que não devemos colocar a luz sob um alqueire, enquanto ele mesmo esconde constantemente o significado de suas palavras sob o véu da alegoria que não pode ser entendido por todos. Ele explica-se dizendo aos seus apóstolos: “Falo-lhes por parábolas, porque não estão em condições de compreender certas coisas; eles veem, olham, ouvem e não entendem. Dizer-lhes tudo, portanto, seria inútil no momento; mas a vocês eu digo, porque lhes foi dado compreender estes mistérios”. Ele, portanto, agiu com o povo como se faz com crianças cujas ideias ainda não se desenvolveram. Com isso ele indica o verdadeiro significado da máxima: "Não se deve colocar o candeeiro debaixo do alqueire, mas sob o candeeiro, para que todos os que entrarem possam vê-lo". Isso não significa que se deva revelar todas as coisas sem reflexão. Todo ensinamento deve ser proporcional à inteligência daquele a quem é dirigido, pois há pessoas que uma luz muito brilhante ofusca sem iluminá-las.

sábado, 13 de agosto de 2022

 

EM DIA COM O MACHADO 536:
            AMAI-VOS E INSTRUÍ-VOS (Jó)

A Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil, foi construída há quase quatro séculos, ou seja, em 1635, pelo capitão Baltazar de Abreu Cardoso, proprietário da quinta onde se situava o penhasco que a sustenta. Fica próxima à entrada que leva a Petrópolis. Havia ali algumas colinas, envolvidas por grande matagal e com uma gigantesca pedra, no cimo duma delas, onde viria a ser construído o templo católico. Na época, o bairro era muito pouco habitado, o capim e as árvores eram senhores daquele espaço. Havia nascentes, muitos animais selvagens, com predomínio para os passarinhos, lagartos e cobras. A natureza ali era exuberante.
         Diz a lenda que, ameaçado por um gigantesco lagarto, Baltazar, desarmado, ajoelhou-se em frente ao penhasco e suplicou socorro a Nossa Senhora. O animal afastou-se sem o molestar e, algum tempo depois, foi erguida no alto uma capela, depois a atual Igreja da Penha. Para lá, anualmente, durante o mês de outubro, se desloca grande multidão de devotos católicos, na chamada Festa da Penha.

Foi nesse bairro que nasci e, salvo retorno de meus pais a Minas Gerais e passagem pelo Espírito Santo, onde nasceram outros dois de meus seis irmãos quando eu ainda era muito novo, convivi até os 22 anos de idade na querida Penha, citada em crônica machadiana.

Aprovado em concurso militar, fui transferido para Salvador, Bahia. Não cheguei a completar 2 anos na capital baiana e, novamente, fui transferido para Barreiras, cidade baiana que dista 620 km, aproximadamente, de Brasília. Finalmente, casado há dois anos, vim com esposa e primeira filha do casal para a Capital em 1980.

Já narrei aqui como foi que passei a frequentar uma mocidade espírita em Rocha Miranda, mas como recordar nunca é menos e sempre é mais, relembro agora como isso aconteceu.

Eu servia numa das duas companhias do quartel sede da 5.ª Brigada de Cavalaria Motorizada e ia de trem para o quartel. Certo dia, já sentado no vagão do trem elétrico, vi quando uma moça, perturbada, entrava e saía do vagão onde eu estava. Como o trem já havia dado partida, e a jovem tentava saltar do vagão em movimento, segurei-a e, sob seus protestos, outras pessoas também a contiveram e acalmaram.

Na estação seguinte, um senhor entrou no trem e, enquanto eu observava a moça agora calma, com seus novos socorristas, comecei um diálogo inesquecível com aquele senhor. Disse-me que frequentava a mocidade do centro espírita que eu, duas semanas depois, passei a frequentar, e ali permaneci até minha transferência para Salvador. Isso ocorreu em prazo próximo de dois anos, no final do qual fui nomeado presidente da Mocidade. Um ou dois meses após minha nomeação, passei o cargo para a vice-presidente e fui continuar meu aprendizado espírita na Juventude Espírita Nina Arueira (JENA), departamento do Centro Espírita Caminho da Redenção, fundado pelos tribunos espíritas Divaldo e Nilson Pereira, seu primo.

Na época, eu ainda não concluíra o atual ensino médio. O conhecimento espírita, entretanto, foi o grande impulsionador dos meus estudos, crescimento intelectual e moral, ao lado da esposa, Maria de Lourdes, que sempre esteve ao meu lado, em todos os esforços para nosso progresso material e, principalmente, espiritual.

A essa Doutrina maravilhosa, à luz do Cristianismo, devemos tudo o que somos. E o que, mercê da graça de Deus, possuímos, sem ambição pela riqueza, nos permitiu proporcionar aos agora três filhos casados uma boa educação e os melhores exemplos.

O interesse permanente para nos instruirmos, junto com o esforço do amor, que tantas bênçãos nos vêm concedendo, estão sintetizados nesta frase do Espírito de Verdade: “[...] amai-vos e instruí-vos”, que pode ser lida no capítulo 6.º d’O Evangelho Segundo o Espiritismo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022



ENCONTRO INESQUECÍVEL
 
A nossa reunião em preces começara.
Em derredor, a névoa densa...
 
Éramos oitos irmãos, ante a presença
Da inteligência rara
De antigo delinquente,
Que precisava rumo diferente.
 
Finda a nossa oração,
O instrutor exclamou, emocionado:
— Escuta, meu irmão,
Agora, és nosso convidado
Para a escola do amor.
Em nome de Jesus, cuja a paz nos alcança,
Rogamos-te esquecer os gestos de vingança
Que exerces sobre humilde lar terreno,
Hoje quase desfeito
Sem que a piedade te penetre o peito,
Semelhante a motor sustentado a veneno...
 
Um estranha e estridente gargalhada
Ecoou, sob a névoa desolada.
 
— Nunca! – disse o infeliz, mal disfarçando a ira –
Não me faleis de amor, essa eterna mentira,
Farei justiça pelas próprias mãos.
Estou cansado de preceitos vãos.
Ingênuos pregadores, que dizeis
De tudo o que sofri no relho da injustiça?
Das mistificações de vossas duras leis,
Ninguém me arrancará do ódio que me escolta,
Quero ser a vingança, o rebate, a revolta...
Pobre órfão de mãe, sem pai que me quisesse,
Para sobreviver doente, exausto e roto,
Fiz-me rato de esgoto,
Embora o homem, meu pai, amplamente soubesse
Que eu tinha sob os pés o abismo por destino...
Fui ladrão e assassino.
Temível salteador
Respondendo a sarcasmo o fel da minha dor!...
 
Ante a pausa pequena,
O instrutor indagou em voz serena:
— E Deus, irmão? Que fizeste de Deus?
 
— Eu preferi trilhar a estrada dos ateus –
replicou, apressado, o Espírito infeliz –
— Se há Deus também é um Pai que não me quis;
Sei que saí da morte e existo em outro plano,
Mas não quero ilusões do pensamento humano!...
 
— E o bem? Não queres crer na prática do bem? –
disse o orientador, paciente e amigo —
— Não desejamos obrigar-te,
Quanto possas, porém, modifica-te e vem
Ao caminho do amor que é sempre o nosso abrigo
A doar-nos socorro em qualquer parte.
 
— Tolice!... – proclamou a rebelde entidade –
O bem aduba o mal em toda a Humanidade,
A prática do bem sugere desacatos,
É a galinha a sofrer na desova de ingratos.
 
Notando-lhe a feição empedernida,
O nosso grupo em prece ao Criador da Vida
Pediu por ele apoio e proteção.
 
Assim que terminou a singela oração
Que o nosso Condutor em pranto formulara,
Veio do Azul Imenso uma luz rosicler
Que se fez, entre nós, simpática mulher...
Abraçou-nos sorrindo, em júbilo e tristeza,
Dirigindo-se após ao rude sofredor,
Falou-lhe em doce voz, repassada de amor:
— Filho, Deus te abençoe!... – E o pobre a ouvi-la,
Qual se atendesse, enfim, a invencível comando,
Cambaleou sem força e gritou, soluçando:
— Mãe, generosa mãe, rever-te me aniquila...
Não me retenhas, mãe! A treva me reclama,
Fita-me o peito em fel, a converter-se em lama...
Sou apenas um monstro, acusado e infeliz!...
 
Ela, porém, sentou-se, linda tal qual era,
Colocou-lhe a cabeça no regaço
E parecendo um anjo, acalmando uma fera, a lhe apontar a imensidão do Espaço:
— Filho, és meu ideal, o mais belo e o mais santo;
Não te sintas a sós, eu nunca te amei tanto
Quanto agora que estás desolado e sozinho
Não te creias no mal, és um filho dos Céus,
Deus não cria em ninguém o estigma dos réus.
A vida nos fará renovado caminho.
Erraste, filho meu, mas as faltas que tens
Resgataremos nós com nossos novos bens.
Retornarei à Terra e seguirás comigo,
Viveremos num lar singelo, claro e amigo;
Conforme a proteção de Afetos Imortais,
Terás comigo o amor de meus futuros pais...
No tempo que eu dormir e pequenina for
Serás junto ao meu berço,
Meu fiel companheiro e maior defensor...
E, em regressando a ser menina-criança,
Estarás junto a mim por meu sonho-esperança.
Nos bebês que eu tiver, em brinquedos do lar,
Sei que te embalarei com as canções de ninar;
E ao tornar-me mulher, sem qualquer empecilho,
Serás, então, de novo,
Ante a bênção de Deus, meu tesouro e meu filho...
Não chores mais. Agora, é o fim da longa espera,
Raiará para nós a nova primavera...
Não te importem a luta, o esforço, a prova e a dor!...
Todo lugar é Céu onde está nosso amor!...
 
Calou-se a mãe sublime. E entre nós, em seguida,
Ergueu-se a sustentá-lo com ternura,
Qual se o pobre fosse a própria vida.
Depois, a despedir-se, a nobre criatura,
Na carícia de luz, que das mães se descerra,
Partiu a carregá-lo, em direção da Terra.
 
Nosso mentor, em voz pausada e enternecida,
Agradeceu aos Céus a tarefa cumprida.
E, qual se me encontrasse, em reunião qualquer,
Exclamei, a chorar, em êxtase profundo:
— Sê louvado, meu Deus, porque deste à mulher
A chave para a vida e a redenção do mundo!...

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

 


E FALAS-ME DO TEMPO
 
E falas-me do tempo, coração,
Do tempo em que tiveste a alma ferida
Por desgostos da vida,
Quais estiletes da desilusão;
Do tempo estranho de aflição e prova
Que atravessaste em convulsões de dor,
Das horas de amargor
Que te impeliram para a estrada nova,
Na qual hoje me dizes
De quadros e lembranças infelizes...
 
E referes-te, ainda, aos dias do futuro,
Sementeira em que esperas
Outras maravilhosas primaveras
De beleza, de paz e de amor puro,
Do porvir em que aguardas
A luminosa companhia
Da perfeita alegria,
Que surgirá, por fim, de brilhantes vanguardas...
 
Ouço-te o verbo lamentoso e lindo,
Enquanto vamos nós, sonhando e agindo...
Mas embora te escute com respeito,
Peço-te permissão
Para dizer-te ao pensamento irmão
Que todo tempo encerra o seu justo proveito.
 
E, sem qualquer prurido de ensinar,
Creio que hoje é o tempo certo
De amar e compreender, servir e desculpar,
Entre o ontem passado e o futuro encoberto;
Por isso, o melhor tempo que nos vem,
Na senda em que seguimos, vida afora,
O tempo de sorrir e de fazer o bem
Tem o nome de “agora”.
 
DOLORES, Maria (Espírito). Caminhos do amor.
Psicografado por Francisco Cândido Xavier. São Paulo: CEU, 1983.


domingo, 7 de agosto de 2022

 


Não vim trazer a paz... (continuação)

Jesus, na sua profunda sabedoria, previu o que devia acontecer; mas essas coisas eram inevitáveis, porque decorriam da própria inferioridade da natureza humana, que não podia ser transformada repentinamente. Era necessário que o Cristianismo passasse por essa prova demorada e cruel, de dezoito séculos, para demonstrar todo o seu poder; porque, apesar de todo o mal cometido em seu nome, ele saiu dela puro. Jamais esteve em causa. A censura sempre caiu sobre os que dele abusaram. A cada ato de intolerância sempre se disse: Se o Cristianismo fosse melhor compreendido e melhor praticado, isso não teria acontecido.

Quando Jesus disse: “Não pensem que eu tenha vindo trazer a paz, mas a divisão” — seu pensamento era este: "Não pensem que minha Doutrina se estabeleça pacificamente. Ela trará lutas sangrentas, tendo meu nome como pretexto. Porque os homens não me haverão compreendido, ou não terão querido compreender-me. Os irmãos, separados pelas suas crenças, lançarão a espada um contra o outro, e a divisão se fará entre os membros de uma mesma família, que não terão a mesma fé. Vim lançar o fogo sobre a Terra, para consumir os erros e os preconceitos, como se põe fogo num campo para destruir as más ervas, e tenho pressa de que o fogo se acenda, para que a depuração se faça mais rapidamente, pois dela sairá triunfante a verdade. À guerra sucederá a paz; ao ódio dos partidos, a fraternidade universal; às trevas do fanatismo, a luz da fé esclarecida.

Então, quando o campo estiver preparado, eu lhes enviarei o Consolador, o Espírito da Verdade, que virá restabelecer todas as coisas, ou seja, que dando a conhecer o verdadeiro sentido de minhas palavras, que os homens mais esclarecidos poderão enfim compreender, porão fim à luta fratricida que divide os filhos do mesmo Deus. Cansados, por fim, dum combate sem solução, que só acarreta desolação e leva o distúrbio até mesmo ao seio das famílias, os homens reconhecerão onde se encontram os seus verdadeiros interesses, no tocante a este e ao outro mundo, e verão de que lado se acham os amigos e os inimigos da sua tranquilidade. Todos, então, se abrigarão sob a mesma bandeira: a da caridade, e as coisas serão restabelecidas na Terra, segundo a verdade e os princípios que lhes tenho ensinado".

O Espiritismo vem realizar, no tempo previsto, as promessas do Cristo. Entretanto, não o pode fazer sem destruir os abusos. Como Jesus, ele se defronta com o orgulho, o egoísmo, a ambição, a cupidez, o fanatismo cego, que, cercados em seus últimos redutos, tentam ainda barrar-lhe o caminho, e levantam contra ele entraves e perseguições. É por isso que ele também deve combater; mas a época das lutas e perseguições sangrentas já passou. As que ele tem de suportar são todas de ordem moral, e o fim de todas elas se aproxima. As primeiras duraram séculos; as de agora durarão apenas alguns anos, porque a luz não parte de um só foco, mas nasce em todos os pontos do globo, e mais depressa abrirá os olhos aos cegos.

Essas palavras de Jesus devem, portanto, ser entendidas, como referentes à cólera que, segundo previa, a sua Doutrina suscitaria; aos conflitos momentâneos, que surgiriam como consequência; às lutas que teria de sustentar, antes de se firmar, como aconteceu com os hebreus antes de sua entrada na Terra Prometida; e não como um desígnio premeditado, de sua parte, de semear a desordem e a confusão. O mal viria dos homens, e não dele. Ele era como o médico que veio curar, mas cujos remédios provocam uma crise salutar, ao remover os males do doente.


  DIARIAMENTE   Quando te ergues, de manhã, Para o trabalho que te espera, É qual se começasses novamente A jornada no mundo para a frente.....