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sexta-feira, 3 de abril de 2026

 

O Espiritismo é a Religião que contribui com todas as religiões

Jorge Leite de Oliveira[1]

Segundo Allan Kardec,

O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido que também se diz: a religião da amizade, a religião da família.

Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.

[...]

 

Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na equitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamento, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciências, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritos sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.

Os Espíritos que nos cercam aqui são inumeráveis, atraídos pelo objetivo que nos propusemos ao nos reunirmos, a fim de dar aos nossos pensamentos a força que nasce da união. Ofereçamos aos que nos são caros uma boa lembrança e o penhor de nossa afeição, encorajamentos e consolações aos que deles necessitem. Façamos de modo que cada um recolha a sua parte dos sentimentos de caridade benevolente, de que estivermos animados, e que esta reunião dê os frutos que todos têm o direito de esperar.

            Em seu prefácio à obra Religião dos Espíritos, seu autor espiritual Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, esclarece-nos:

[...] cremos poder afirmar, com o título deste volume, que o primeiro livro da Codificação Kardequiana [O livro dos Espíritos] é manancial tão rico de valores morais para o caminho humano que bem pode ser considerado não apenas como revelação da esfera superior, mas igualmente como primeiro marco da Religião dos Espíritos, em bases de sabedoria e amor, a refletir o Evangelho, sob a inspiração de Nosso Senhor Jesus Cristo (Emmanuel, Espírito, 2008, p. 13).

            Respondendo a consulta que lhe foi feita sobre qual dos três aspectos: científico, filosófico e religioso é o melhor, o Espírito Emmanuel, sem qualquer contestação à condição especial do Espiritismo, como religião, assim responde:

— Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado desse modo, como um triângulo de forças espirituais.

A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu. No seu aspecto científico e filosófico, a Doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam ao aperfeiçoamento da Humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual (Emmanuel, Espírito, 2013, p. 10).

             Na questão 108 dessa obra, lemos o seguinte:

 108. Onde a base mais elevada para os métodos de educação?

— as noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida, constituem a base de toda a educação, no sagrado instituto da família (op. cit., p. 75).

E, para confirmar o alto conceito do Espírito em relação à religião, cito a seguir a questão 260 da obra O Consolador e o que ele responde:

 260. Em face da Ciência e da Filosofia, como interpretar a Religião nas atividades da vida?

­— Religião é o sentimento divino, cujas exteriorizações são sempre o Amor, nas expressões mais sublimes. Enquanto a Ciência e a Filosofia operam o trabalho da experimentação e do raciocínio, a Religião edifica e ilumina os sentimentos.

As primeira se irmanam na sabedoria, a segunda personifica o amor, as duas asas divinas com que a alma humana penetrará, um dia, nos pórticos sagrados da espiritualidade (Emmanuel, Espírito, 2013, p. 179).

 

 

EMMANUEL (Espírito). Religião dos Espíritos. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 21. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008.

EMMANUEL (Espírito). O Consolador. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 29. ed. Brasília: FEB, 2013.

KARDEC, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1868. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, p. 483-495

.______. Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, cap. 23 O Espiritismo é uma Religião?



[1] As citações estão destacadas, aqui, em itálico. Os destaques do autor da obra citada, em tipo normal.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 



Liberdade Religiosa para Nossos Filhos?  

                                                                                                              Jorge Leite de Oliveira

Meus filhos,

Alguns jovens afirmam que seus pais lhes dão total liberdade na escolha de suas religiões. Estariam certos esses pais?

Para melhor entendimento sobre o assunto, gostaria que vocês refletissem amorosamente nos argumentos do seu pai que, se não é o melhor do mundo, nunca deixou de amá-los muito.

Há poucos dias, ouvi uma palestrante dizer que era espírita desde criança, embora tenha frequentado, na mocidade, diversas igrejas e haja chegado à conclusão de que somente o Espiritismo lhe responde a todas as indagações necessárias à sua paz e crescimento espiritual.

Na ocasião, dissera ela que seus pais sempre lhe permitiram liberdade de escolha religiosa, desde pequenina. Optara pelo Espiritismo por ter presenciado, ao longo de sua vida, a conduta paterna elevada em consonância com a Doutrina Espírita.

Então, pergunto: será que o Espiritismo pode ser responsabilizado pelos atos de seus seguidores em desacordo com os princípios elevados da religião que professam? Do meu humilde ponto de vista, não! Até porque, o modelo a ser seguido é Jesus, como nos mostram todas as religiões cristãs, entre as quais se inclui o Espiritismo. Isso não significa que nós, como seus pais, não estejamos nos esforçando para fazer o melhor, no campo da exemplificação dos nossos conhecimentos espíritas.

Estamos todos tentando acertar. E por vezes erramos. Mas, como nos ensina Allan Kardec: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” ¹ Reflitamos. Ele não diz que o espírita deve ser santo, mas que deve estar sempre procurando crescer moralmente e se esforçando para não cometer erros. Entretanto, quando errar, tem que ter a humildade de reconhecê-lo e prosseguir no ideal do bem.

Vejamos o que diz o iluminado Espírito Emmanuel, com relação à educação religiosa dada pelos pais espíritas, na questão 113 do livro O Consolador, psicografado por Francisco Cândido Xavier e editado pela FEB:

 

Os pais espíritas devem ministrar a educação doutrinária a seus filhos ou podem deixar de fazê-lo invocando as razões de que, em matéria de religião, apreciam mais a plena liberdade dos filhos?

— O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais espíritas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida. Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com indiferença.

O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do delator. A própria reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo?

Além disso, os pais espíritas devem compreender que qualquer indiferença nesse particular pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade.

Deve nutrir-se o coração infantil com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus. Agir contrariamente a essas normas é abrir para o faltoso a mesma porta larga para os excessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime.

Os pais espíritas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.²

 

Isso, meus filhos, quem disse foi o Espírito Emmanuel, com milenar experiência no assunto, como pai, sacerdote e educador. E, sendo o Espiritismo o Consolador prometido por Jesus, nada mais natural que desejar-lhes o melhor ainda que nós mesmos, como pais, ainda tenhamos muito o que aprender no campo do amor e da renúncia em favor de nós mesmos.

É certo que muitos pais permitem a seus filhos a escolha religiosa, mas, em geral, quando o fazem, eles próprios não seguem seriamente suas religiões, quando as têm, ou não refletem ainda que o melhor para si deve ser também o melhor para seus filhos, dos quais são os primeiros educadores.

Ignoram, quando espíritas, as informações transmitidas pelos Espíritos superiores.

Não refletem ainda que, nas primeiras idades do Espírito encarnado, compete aos pais e responsáveis cuidar da formação moral e intelectual de seus filhos. É, pois, dever daqueles oferecer a estes o ensejo para a aquisição dos elevados princípios religiosos proporcionados pelo Espiritismo — Cristianismo redivivo — a todos os seus dedicados seguidores.

Essa decisão não implica intolerância para com as outras religiões, que podem ser examinadas por todos nós. Em especial, após já termos razoável conhecimento espírita, o que, geralmente, só ocorre quando atingimos a maioridade.

Mas se já conhecemos o Consolador, e se nele estão as respostas a tudo o de que necessitamos para a nossa felicidade, por que não empregar nosso tempo estudando a vasta mensagem da Doutrina Espírita?


Se a base de todas as religiões cristãs deve ser o amor, não existe melhor definição dessa virtude que esta máxima da Codificação Kardequiana: “Fora da caridade não há salvação”.


Atualmente, todas as religiões vêm buscando sua união em torno de um ponto comum: o amor. Segundo o Evangelista João (13:34), as seguintes palavras foram ditas por Jesus: “Novo mandamento vos dou; que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.”

E o Espiritismo tem por máxima exatamente o amor, como vemos exposto em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap VI, item 5: “Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”³

Se a base de todas as religiões cristãs deve ser o amor, não existe melhor definição dessa virtude que esta máxima da Codificação Kardequiana: “Fora da caridade não há salvação”. Caridade, meus filhos, é o amor posto em prática. E o primeiro, depois do amor a Deus, é o amor aos nossos pais.

Por todo o exposto, creio que, enquanto jovens, não é bom para suas mentes o envolvimento com as inúmeras concepções religiosas humanas antes do exame profundo e refletido da mensagem espírita.

O Espiritismo, meus queridos, fez-me ver a necessidade da prática incessante do amor e do conhecimento elevado como bases para uma vida melhor. Estou me esforçando nesse sentido, ainda que nem sempre lhes possa garantir aproveitamento integral, pois não passo de aprendiz dessas verdades eternas.

Uma coisa, porém, lhes posso garantir, em todas as forças da alma: sou muito feliz, graças ao conhecimento espírita e à luta contra as minhas imperfeições. As forças para tal combate foram-me proporcionadas por essa Doutrina Consoladora. Então, como Paulo, posso afirmar-lhes: “Aprendi a viver contente com tudo o que tenho.”⁵

E o que tenho, filhos do meu coração, devo muito à mensagem espírita, bênção maior de Deus em minha vida e legado maior deixado a vocês por mim e por sua mãe: o tesouro moral, que as traças não roem, a ferrugem não consome e os ladrões não roubam.⁶


¹ KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 115. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1988. p. 276.
² XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. p. 74-75, item 443.
³ KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 115. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. p. 130.
⁴ Idem, ibidem, op. cit., p. 248, 251 e 252.
⁵ Paulo. (Filipenses, 4:11.)
⁶ Jesus. (Mateus, 6:19.)

Outubro, 2001.
Reformador.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 Você quer uma dica sobre a influência do Evangelho de Jesus em nossas vidas?

Decore esta sigla: COMESA (som fonético: /começa/.

Segundo o Espírito Alcíone na obra Renúncia, excelente romance espírita psicografado por Chico Xavier, baseado em fatos reais: “O Evangelho de Jesus precisa ser conhecido, meditado, sentido e aplicado”. Então, COMESA, que significa CONHECIDO, MEDITADO, SENTIDO e VIVIDO.

Gostou da dica? Então, começa, ou melhor, comesa: co: conhecido; me: meditado; s: sentido; v: vivido.



sábado, 14 de fevereiro de 2026

 Novo Salmo 23
(Irmão Jó)
O Senhor é o meu Pai
E, se eu buscar me esforçar,
Ele, certamente, vai
minha vida abençoar.
Permite que eu me deite
em um colchão confortável
e na cama eu aproveite
de descanso agradável.
Lembra-me de conservar
águas tranquilas nos rios,
que não polua o mar
e nem terrenos vazios.
Em boas ações me guia,
orienta-me os passos
e da injustiça me desvia
para a vida nos seus braços.
Se eu no escuro caminhar,
nenhum mal irei temer,
sua luz me guiará
no caminho a percorrer.
Ante mesmo os inimigos,
desfrutarei dum banquete
fazendo deles amigos
naquele e noutro deleite.
Minha cabeça estará
ungida a todo o momento,
pois Ele me proverá
de alegre e bom pensamento.
Misericórdia e bondade,
perdão, como indulgência,
são atos de caridade
de Deus em nossa existência.
Brasília, DF, 14 de fevereiro de 2026.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

 

10 de fevereiro - Dia do Atleta Profissional

 

No futebol ou basquete,

no vôlei ou natação,

no tênis de quadra ou mesa,

o atleta profissional

quer ser grande campeão.

 

Mas há também outro esporte

que sugiro aos campeões:

é o de tornar-se bem forte

no domínio de emoções,

e superar más paixões.

 

Atleta profissional

nunca despreze alguém,

seja com todos leal,

no exercício do bem,

em qualquer competição.

 

E ao egoísmo vença,

supere sua aversão,

ao rival que a desavença

dá azo à desunião,

E serás um campeão.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 

9 de fevereiro - Dia do frevo

 

O frevo é muito mais que uma dança,

é pura expressão de resistência,

herança cultural que, com cadência,

faz da alegria um grito de esperança.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

 

8 de fevereiro - Dia do magistério militar

 

Com disciplina, amor e devoção,

o militar transmite a seus discentes,

valores de lealdade e retidão,

condutas responsáveis permanentes.

 

Parabéns, professores militares

cuja arte nobre molda o bom caráter

do cidadão e cidadã exemplares

no respeito à família e à pátria mater.

 

  O Espiritismo é a Religião que contribui com todas as religiões – Jorge Leite de Oliveira [1] Segundo Allan Kardec, O laço estabele...