EM
DIA COM O MACHADO 127 (jlo)
Estávamos curtindo uma
bela praia, plena de manjares dulcíssimos quando, inexplicavelmente, veio do
céu uma onda gigantesca sobre nós e apenas escapei, eu e mais três amiguinhas,
por estarmos uns 2.000 metros acima de
nossas amigas, em tão grande número que parecia um formigueiro naquele espaço.
Foi muito triste o que
ocorreu com todas aquelas filhas de Deus. Que mal fizeram elas para morrerem
assim, brutalmente? Seu único desejo era curtir a doce vida que o Senhor lhes
proporcionara, refrescar-se um pouco, alimentar-se do manjar caído do céu e
amar sadiamente umas às outras numa convivência harmoniosa e pacífica.
E outra coisa, por que
somente nós conseguimos escapar? Não éramos diferentes em nada de nossas irmãs,
salvo pelo fato de desejarmos alcançar os píncaros
daquela montanha feita de mármore. Agora, cabia-nos a nós continuar a
reprodução de modo um pouco mais vantajoso do que a de Adão e Eva no paraíso e
povoar o mundo, que, para nós é infinito.
De fato, como pode ter
fim algo que você, em toda a sua vida andarilha, isto é, de corredora,
percorre, percorre e nunca alcança mais do que alguns insignificantes quilômetros?
Não preciso de outro
meio de transporte que não sejam minhas pernas, mas se houvesse um Nicolau
Copérnico entre nós, ou um Galileu Galilei, por certo que seus astrolábios não
divisariam o fim de nosso mundo e este seria considerado infinito.
Ah, sim, li na
Wikipédia que faço parte de um só gênero, com 12.585 espécies (isso até meados
de 2010); além disso, nosso peso supera o peso de toda a humanidade. Teríamos
surgido no período cretáceo, há 100 milhões de anos, e nosso gênero é chamado
Formicidae.
Agora a boa notícia:
Não estou tão preocupada com o balde de água fria que Joteli jogou sobre nossas
irmãs, na bela praia formada por seu tanque de lavar roupas, porque, como
formiga rainha, em apenas uma semana, sou capaz de produzir outros 300.000
novos insetos.
Peço a Olavo Bilac,
presente à fala da monarca formiga, que lhe faça alguns versos, e ele manda este, intitulado "As
formigas":
Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando…
Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.
Entre os calhaus vão abrindo
Caminho estreito e seguro,
Aqui, ladeiras subindo,
Acolá, galgando um muro.
Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.
Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma para cansada.
Vede! enquanto negligentes
Estão as cigarras cantando,
Vão as formigas prudentes
Trabalhando e armazenando.
Também quando chega o frio,
E todo o fruto consome,
A formiga, que no estio
Trabalha, não sofre fome…
Recorde-vos todo o dia
Das lições da Natureza:
O trabalho e a economia
São as bases da riqueza
É disto que o povo brasileiro precisa:
obrar como as formigas, unidas, solidárias, fraternas e confiantes de que a
união de todas, em torno de um líder competente, é fundamental a um país
economicamente estável. Só então e, aí sim, terá como ser solidário com as
demais nações do planeta. Sem arrumarmos primeiro nossa casa, como pretendermos
pôr em ordem a casa alheia?
Nenhum comentário:
Postar um comentário