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sexta-feira, 11 de setembro de 2020



Medo da Morte
Jorge Leite de Oliveira

Amanhã estaremos todos mortos: meditação sobre vida e morte | Instituto  Loureiro de Desenvolvimento Humano

Ao referir-se ao problema de nosso futuro, como Espíritos, após citar trecho da famosa frase do personagem Hamlet, de Shakespeare: "ser ou não ser", entre outras coisas, reflete Allan Kardec:

Haverá algo mais desesperador do que essa ideia da destruição absoluta? Afeições caras, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo despedaçado, tudo perdido! De nada nos serviria, portanto, qualquer esforço para nos tornarmos melhores, para reprimirmos as nossas paixões, para ilustrarmos os nossos espíritos, desde que nada aproveitássemos de tudo isso, considerando-se a opinião de que amanhã, talvez, isso já não nos serviria para coisa alguma! Se fosse assim, a sorte do homem seria cem vezes pior do que a do animal, porque este vive inteiramente do presente, com vistas à satisfação dos seus apetites materiais, sem aspiração para o futuro. Uma secreta intuição, porém, nos diz que isso não é possível (KARDEC, 2013, cap. I, p. 17).

Estamos atravessando mais uma pandemia, nome que se dá a uma infecção epidêmica, que se espalha por vários países e continentes do mundo. Em geral, como ocorre atualmente, ela é causada por vírus. Somente no Brasil, já houve milhares de mortos e de infectados por Coronavírus, um dos nomes do vírus da doença pandêmica denominada Covid- 19. O país mais infectado são os Estados Unidos. Entretanto, em alguns estados brasileiros, a situação é séria. Em diversas regiões, os hospitais públicos já se encontram sobrecarregados. Há pacientes graves internados até em unidades básicas de saúde. Grande número de profissionais da área estão infectados, e outros vieram a óbito.
O medo dos profissionais de saúde diretamente relacionados com os pacientes vitimados, em países como EUA, Itália, Espanha, França e Reino Unido, é muito grande. Mas embora faltem respiradores para os pacientes, a equipe médica, nesses países, possui suficiente número de equipamentos de proteção individual. O mesmo não se pode dizer que ocorre no Brasil, onde, só em São Paulo e Rio de Janeiro, estados com maior número de casos, centenas de profissionais de saúde já foram infectados.
A preocupação com a própria saúde é justa, e de modo nenhum podemos negligenciar a proteção à vida física do ser humano, seu bem maior, segundo a Constituição Federal do nosso país. Porém, se, ainda que sejam tomados todos os cuidados com nossa saúde, viermos a correr risco de vida, é muito importante que nos preparemos para o mais grave que possa vir depois.
No título Mundo normal primitivo, questões 84 a 86 de O livro dos espíritos, Allan Kardec informa-nos de que interexistimos em dois mundos: o físico (corpóreo) e o dos Espíritos (incorpóreo). O mundo corporal poderia não mais existir, entretanto isso não implicaria a extinção do mundo espírita, pois  este "preexiste e sobrevive a tudo".
No capítulo II de O céu e o inferno, ao referir-se ao "temor da morte", de modo coerente com a convicção proporcionada pelo método da observação e do consenso universal das mensagens dos Espíritos, Kardec deduz:

Para libertar-se do temor da morte, é preciso que o homem a encare sob o seu verdadeiro ponto de vista, isto é, que tenha penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma ideia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um certo desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria. Naqueles que não progrediram suficientemente, a vida material prevalece sobre a espiritual. Como se apega apenas às aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, embora na alma esteja a vida real. Aniquilado o corpo, tudo se lhe afigura perdido, desesperador. Se, ao contrário, em vez de concentrar o pensamento no corpo ele se reportasse à alma, fonte da vida, ser real que sobrevive a tudo, lastimaria menos a perda da vestimenta canal, fonte de tantas misérias e de tantas dores. Para isso, porém, o Espírito necessita de uma força que só pode adquirir com a maturidade (KARDEC, 2013, p. 26).

            Logo abaixo, encontramos alento à nossa convicção sobre a imortalidade, quando estudamos essas informações da mais alta importância para nossa evolução moral e, consequentemente, da Humanidade. Diz o insigne codificador da Doutrina Espírita que

O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio de que a destruição do corpo seja a destruição da alma, velado ainda pela incerteza. Esse temor decresce à medida que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é completa (KARDEC, op. cit., loc. cit.)

O conhecimento da revelação espírita, que veio confirmar as palavras de Jesus, permite-nos encarar com serenidade qualquer catástrofe na Terra, como a pandemia atual. Adquirida a certeza sobre nossa imortalidade e prosseguimento da vida, no plano espiritual de onde viemos e para onde vamos, por que, então, ter medo da morte e ficarmos tristes quando não pudermos nos despedir de um ente querido que se vai para o outro lado da vida eterna? Não temos que temer os vírus ou quaisquer outras causas de nossa desencarnação, pois, como nos orientava Jesus, não devemos ter medo dos que matam nossos corpos físicos; antes temamos os resultados de nossa vida temporária, no mundo físico, quando eles não são consequentes ao seu bom aproveitamento. Entretanto, nesse caso, já desde aqui, colheremos o que semeamos. Ou seja, a opção inteligente é vivermos para o bem, deixando para trás o que fizemos de errado, mas aprendendo com isto a fazermos o que é certo.
Esclarece-nos Richard Simonetti, autor de dezenas de livros espíritas e de grande quantidade de apreciadas palestras espíritas, que também foi articulista durante anos da revista Reformador, desencarnado em 3 de outubro de 2018, que

A iminência da morte dispara um curioso processo de reminiscência. O moribundo revive, em curto espaço de tempo, as emoções de toda a existência, que se sucedem em sua mente como um prodigioso filme com imagens projetadas em velocidade vertiginosa.
É uma espécie de balanço existencial, um levantamento de débito e crédito na contabilidade divina, definindo a posição do Espírito ao retornar à Espiritualidade, em face de suas ações boas ou más, considerando-se que poderão favorecê-lo somente os valores que "as traças não roem nem os ladrões roubam", a que se referia Jesus, conquistados pelo esforço do bem.
Há médicos que vêm pesquisando o assunto, particularmente nos Estados Unidos, onde se destaca o doutor Raymond A. Moody Júnior, que no livro Vida depois da vida descreve experiências variadas de pessoas declaradas clinicamente mortas.
Vale destacar que esses relatos confirmam as informações da Doutrina Espírita. Os entrevistados reportam-se ao "balanço" de suas existências [...].
As pesquisas revelaram que tais fenômenos são frequentes, envolvendo pacientes variados, e que estes geralmente silenciam a respeito, temendo ser julgados mentalmente debilitados.
Em O evangelho segundo o espiritismo, Allan Kardec comenta que a universalidade dos princípios espíritas (concordância nas manifestações dos Espíritos, obtidas através de múltiplos médiuns em diversos países), garante sua autenticidade, já que seria impossível uma coincidência tão generalizada.
Da mesma forma a autenticidade das pesquisas do Dr. Moody é demonstrada estatisticamente pelos relatos de centenas de pacientes que retornaram do Além, abordando os mesmos aspectos a que nos referimos, não obstante professarem diferentes concepções religiosas, situarem-se em variadas posições culturais e sociais e residirem em regiões diversas.
A experiência de reviver a própria existência em circunstâncias dramáticas pode representar para o redivivo uma preciosa advertência, conscientizando-o de que é preciso investir na própria renovação, a fim de não se situar "falido" no Plano Espiritual quando efetivamente chegar sua hora. (SIMONETTI, 1987, p. 29- 32).

            Salvo quando a pessoa que desencarna é de índole má e não faz o mínimo esforço para corrigir suas más tendências, todos nós, ao nos despojarmos do corpo físico, que nada mais é do que a veste temporária do Espírito, somos amparados pelos amigos espirituais que nos acompanham durante a vida e procedem ao desligamento de nossa alma do corpo físico, como foi citado por Simonetti. Como exemplo, citamos o caso de Lucinda, boa esposa e boa mãe, que foi amparada pelo Espírito Dr. Arquimedes, assistido por outros bons Espíritos, como Philomeno de Miranda, que narra assim a parte final do processo:

Quando ocorreu a parada cardíaca, o monitor disparou, atraindo um enfermeiro e, logo depois, a cardiologista, que deram início ao processo de ressuscitamento por massagens, prosseguindo com os aparelhos específicos, aplicando choque e respirador automático. Tudo em vão, naturalmente, porque o fenômeno era desencadeado de nossa Esfera para o mundo físico, antecipando um pouco a ocorrência normal... (FRANCO, 2005, p. 91).

            Na conclusão da "desencarnação total", explica Miranda como presenciou a extinção gradual do fluido vital e exteriorização do perispírito de Lucinda, que, por ser merecedora, nada sofreu no momento final de sua existência física: "Um símile perfeito do corpo somático foi-se formando diante de nós, ensejando-nos acompanhar a constituição espiritual da senhora desencarnada [...]" (id., p. 91). Esse corpo espiritual é o que Kardec denomina perispírito (questão 135a, item 3º de O livro dos espíritos).
            O Espírito Lucinda, inconsciente do que acontecera, seria transportado para o local onde estava acampada a equipe espiritual por outros dois Espíritos. Posteriormente, seria removida para a Esfera espiritual. Vemos nesse relato, que os cuidados são semelhantes ao nosso renascimento. O bebê nasce cercado de cuidados hospitalares, em geral, e, assim que é possível, segue com sua mãe para o seu lar. Depois, é tudo alegria!
            Lembrando-nos de que, intuitivamente, todos sabemos que somos imortais e continuaremos, no plano espiritual, nossa jornada ascensional em direção às estrelas, diz Richard Simonetti o seguinte:

A Terra é uma oficina de trabalho para os que desenvolvem atividades edificantes, em favor da própria renovação; um hospital para os que corrigem desajustes nascidos de viciações pretéritas; uma prisão, em expiação dolorosa, para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores, uma escola para os que já compreendem que a vida não é mero acidente biológico, nem a existência humana uma simples jornada; mas não é o nosso lar. Este está no plano espiritual, onde podemos viver em plenitude, sem as limitações impostas pelo corpo carnal (SIMONETTI,  1987, p. 15).

REFERÊNCIAS

FRANCO, Divaldo Pereira . Entre os dois mundos. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Salvador, BA: LEAL, 2005.

KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. l. imp. Brasília: FEB, 2013.

______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.

SIMONETTI, Richard. Quem tem medo da morte? 1. ed. Bauru, SP: Gráfica São João Ltda., 1987.

(Publicado em Reformador de julho de 2020, periódico da Federação Espírita Brasileira.)


quarta-feira, 9 de setembro de 2020


EM DIA COM O MACHADO 435:
CASOS CONFIRMADOS SOBRE REENCARNAÇÕES

Não vale transmitir tão somente aquilo que venha às nossas mãos, através da misericórdia dos benfeitores encarnados e desencarnados. É indispensável dar de nós mesmos, com plena adesão de nossa mente no labor do bem. Agar (Espírito). Cartas do Coração. Psicografado por Chico Xavier.


                                     





    Finalizo minhas pesquisas sobre alguns dos atuais cientistas que comprovaram, com pesquisas minuciosas, em várias partes do mundo, a existência da reencarnação.

O fundador das pesquisas científicas modernas sobre a reencarnação foi o doutor Ian Stevenson, nascido em Montreal, Canadá, em 1918 e desencarnado em Virgínia, EUA, em 2007, onde foi cientista e professor universitário. Suas pesquisas enfocavam o relacionamento da mente com o cérebro, a continuação da vida após a morte e a reencarnação. O objeto de seus estudos eram crianças com memórias espontâneas de vidas passadas.

        Stevenson, inicialmente, fez pesquisas na Índia e no Sri Lanka. Anos depois, foi patrocinado para prosseguir seus trabalhos em diversos países, como África do Sul, Índia, Líbano, Turquia, Brasil etc.

        As crianças pesquisadas eram as que, na idade de 2 a 4 anos, se lembravam de sua encarnação anterior. Como elementos comprobatórios, Stevenson registrou testemunhos familiares, registros médicos de sinais de nascença, defeitos físicos etc.

        Dos mais de dois mil casos pesquisados, publicou vinte, que considerou não haver dúvida sobre o que foi observado e confirmado. Sempre cauteloso, porém, intitulou a obra como Vinte Casos sugestivos de Reencarnação. A primeira capa acima é da segunda edição da Editora Vida e Consciência.

        Para não tornar cansativo o relato, vou citar apenas outros dois autores norte-americanos e suas obras sobre o assunto: o psiquiatra  Jim B. Tucker, que escreveu Life Before Life (Vida Antes da Vida), traduzida pela Editora Pensamento, e a psicóloga, terapeuta e educadora Helen Wambach, que documentou mais de mil casos de pessoas que se lembravam de suas vidas anteriores e publicou a obra Recordando Vidas Passadas, editada no Brasil também pela Editora Pensamento.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

 


11.5 A fé e a caridade

Espírito Protetor

Cracóvia, 1861

 

Eu disse-lhes recentemente, meus queridos filhos, que a caridade sem a fé não seria suficiente para manter entre os homens uma ordem social capaz de torná-los felizes. Deveria ter dito que a caridade é impossível sem a fé.

Poderão encontrar, é verdade, impulsos generosos entre as pessoas sem religião. Mas essa caridade austera, que só pode ser exercida pela abnegação, pelo sacrifício constante de todo o interesse egoísta, nada a não ser a fé poderá inspirá-la, porque nada além dela nos faz carregar com coragem e perseverança a cruz desta vida.

Sim, meus filhos, é  em vão que o homem, ávido de prazeres, se iluda quanto ao seu destino terreno, pretendendo que lhe seja permitido ocupar-se apenas da sua felicidade. Certamente, Deus nos criou para sermos felizes na eternidade, entretanto, a vida terrena deve servir unicamente para o nosso aperfeiçoamento moral, o qual se conquista mais facilmente com a ajuda do corpo físico e do mundo material. Sem levar em conta as adversidades comuns da vida, a diversidade de seus gostos, de suas tendências, de suas necessidades, que são também um meio de se aperfeiçoarem, exercitando-se na caridade. Porque somente à custa de concessões e de sacrifícios mútuos, é que vocês podem manter a harmonia entre elementos tão diversos.

Vocês têm razão, entretanto, em afirmar que a felicidade está reservada ao homem neste mundo, se a procurarem não nos prazeres materiais, mas  na prática do bem. A história da cristandade fala dos mártires que caminhavam para o suplício com alegria. Hoje, na sua sociedade, para ser cristão, não é preciso enfrentar o holocausto do martírio, nem o sacrifício da vida, mas única e simplesmente o sacrifício do seu egoísmo, orgulho e vaidade. Vocês triunfarão, se a caridade os inspirar e a fé os sustentar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

 

manifestações espíritas

Jorge Leite de Oliveira

Manifestações dos Espíritos - Físicas e Espontâneas - Espiritismo na Prática 

O livro dos médiuns, de Allan Kardec, desenvolve o aspecto científico do Espiritismo. O conteúdo dessa obra abrange duas partes. A primeira intitula-se Noções Preliminares; a segunda chama-se Manifestações Espíritas. É sobre isto que trataremos.

  Kardec informa-nos sobre as aptidões especiais de alguns médiuns: “Ao lado da aptidão do Espírito, existe a do médium, que é, para o primeiro, instrumento mais ou menos cômodo [...] e no qual ele descobre qualidades particulares [...]” (KARDEC, 2009, it. 185). Há duas categorias de médiuns: a) de efeitos físicos; b) de efeitos intelectuais (id., it. 187).

Tendo em vista que os “efeitos físicos” foram pesquisados, observados, analisados e, por fim, confirmados, em sua autenticidade, por diversos sábios, enfocaremos abaixo alguns desses fenômenos. São eles: a) translações e suspensões; b) aparições; e c) transportes.

A translação aérea e a suspensão de corpos no espaço, neste último caso incluindo os do próprio médium, são fenômenos mediúnicos bastante raros, informa Kardec (2009, it. 189). Ao lhe ser perguntado se fenômenos como esses não contrariariam as leis naturais, o Espírito São Luís responde ao Codificador que só os Espíritos superiores estão em condições de conhecer todas as leis da Natureza (op. cit., it. 74).

Kardec explica, em seguida, que o fluido universal, agente básico das manifestações, por conter o “princípio da vida”, responsável pelo fenômeno de suspensão de corpos no espaço ou de translação aérea, recebe a impulsão fluídica do períspirito do Espírito ou do médium. A emanação do “fluido animalizado” pode ser mais ou menos farta e sua combinação, além de nem sempre ser fácil, é intermitente. Por isso, nem sempre ocorre o fenômeno, que também não depende apenas da vontade do médium para se realizar.

Ao ser movimentado, erguido ou atirado ao ar um objeto, “O Espírito o satura, por assim dizer, com o seu fluido, combinado com o fluido do médium, e o objeto, momentaneamente vivificado desta maneira”, por não possuir “[...] vontade própria, segue o impulso que lhe dá a vontade do Espírito” (op. cit., it. 77).

As propriedades do períspirito é que permitem ao agente desencarnado, como ao encarnado, esse fenômeno. Kardec cita, como exemplo, o “poderoso médium de efeitos físicos”, muito conhecido em sua época, Daniel Dunglas Home, e conclui que, se o Espírito pode “[...] levantar uma poltrona, também é capaz, se tiver força suficiente, de levantá-la com uma pessoa sentada nela. Aí está a explicação do fenômeno que o Sr. Home produziu inúmeras vezes consigo mesmo e com outras pessoas” (id, ibid., it. 80).

Em defesa do médium Dunglas Home, que foi, por vezes, criticado em sua época, sem que jamais encontrassem prova concreta de fraude provocada por ele, esclarece Kardec que Home nunca aceitou pagamento pelos fenômenos provocados por sua mediunidade. Nunca fez de sua mediunidade meio profissional, ciente de que “[...] Não há um só médium no mundo que possa garantir a produção de um fenômeno espírita num dado momento, donde forçoso é concluir que a pretensão contrária dá prova de absoluta ignorância dos mais elementares princípios da ciência [...]” (KARDEC, 2004a, p. 55 O Sr. Home em Roma).

Um dos estudiosos sobre a vida e mediunidade de Home foi Arthur Conan Doyle. Diz este que em mais de uma centena de ocasiões, com claridade boa e ante respeitáveis testemunhas, Dunglas Home levitou. E prossegue dizendo:

 

Em 1857, num castelo próximo de Bordeaux, Home foi levantado até o teto de uma sala alta, em presença de Madame Ducos, viúva do ministro da Marinha, do conde e da condessa de Beaumont. Em 1860, Robert Bell escreveu, no Cornhill, um artigo intitulado Mais estranho do que a ficção. “Ele elevou-se de sua cadeira [diz Bell] quatro a 5 pés do solo. Vimo-lo passar de um lado a outro da janela, com os pés para frente, deitado horizontalmente, no ar”. Dr. Gully, de Malvern, médico muito conhecido, e Robert Chambers, autor e editor, eram as outras testemunhas (DOYLE, 2013, cap. 9, p. 168- 169 A carreira de Daniel Dunglas Home).

 

            Home foi o médium mais completo de translações e suspensões de corpos no espaço, durante o século XIX. Adilton Pugliese (2013) organizou obra sobre a importância desse médium, que teve o reconhecimento, não apenas de Kardec, mas de muitos outros pesquisadores dos fenômenos espíritas. Em sua apresentação, Pugliese sintetiza a grandeza de Home com as seguintes palavras do Sr. Webster: “Ele é o mais maravilhoso missionário dos tempos modernos e da maior de todas as causas, e o bem que ele tem feito não pode ser avaliado. Quando Mr. Home passa, derrama em seu redor a maior de todas as bênçãos – a certeza da vida futura” (op. cit., p. 22).

            A mediunidade de aparições é a que pode “provocar aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Excepcionais”, diz Kardec (2009, it. 189). É quase sempre espontânea e necessita de uma faculdade especial, para que o Espírito se manifeste a alguém (op. cit., cap. 6, it. 100, perg. 27).

            Allan Kardec esclarece que, nesse caso, quando o Espírito deseja mostrar-se com a aparência física, em certos casos, pode tornar-se tão real que é possível tocá-lo, apalpá-lo, senti-lo com a mesma resistência que possui um corpo humano normal. Isso, porém, não impede seu desaparecimento com a mesma rapidez que o seu surgimento. Desse modo, tanto a visão, como o tato são utilizados por quem o Espírito deseja se manifestar. Ainda que se pudesse “atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a aparição simplesmente visual, a dúvida já não seria possível quando conseguimos segurá-la, palpá-la, e quando ela mesma nos segura e abraça” (KARDEC, 2009, it. 104).

            Alexandre Aksakof (1978) demonstra à saciedade a inconsistência das teorias materialistas para contestar tal manifestação do Espírito, cujo objetivo principal foi comprovar-nos sua sobrevivência após a morte do corpo físico. A excelente obra de Aksakof refuta as teorias do filósofo alemão, Dr. Eduardo von Hartmann, que atribuiu os fenômenos de aparições e materializações à alucinação e criou a teoria do animismo para explicar todas as manifestações mediúnicas.

            Em defesa do caráter não alucinatório da materialização de um Espírito, Aksakof utiliza quatro argumentos: 1º) o “testemunho visual simultâneo de muitas pessoas”, entre as quais sábios como ele, Ernesto Bozzano, Willian Crookes, Charles Richet etc.; 2º) o “testemunho visual e tátil, simultâneo, de muitas pessoas”, em geral sob rigorosas condições preestabelecidas pelos sábios presentes. Por vezes, até mesmo com sacrifícios físicos proporcionados ao médium, para evitar sua fraude, como amarrá-lo a uma cadeira, colocá-lo dentro de cabines rigorosamente fechadas etc., como fizeram, no Pará, com a médium Anna Prado; 3º) a “produção de efeitos físicos”. Refutando a teoria de Hartmann sobre ser esse um fenômeno meramente alucinatório, Aksakof informa que “o deslocamento de objetos, verificado após a sessão, pode servir de prova de que esse deslocamento foi real, objetivo”; 4º) “produção de efeitos físicos duradouros”, como o dos moldes em gesso de mãos fechadas que só poderiam ser retiradas do molde, sem lhe provocar dano algum, se as mãos se desmaterializassem, qual ocorria. Alguns desses moldes, até os dias atuais, se encontram intactos, como os que vimos, há alguns anos, na sede histórica da Federação Espírita Brasileira, na Av. Passos (RJ).

            Outra mediunidade excepcional é a de transporte, variedade de médiuns motores e de translações, segundo Allan Kardec. Esses médiuns podem servir como auxiliares dos Espíritos que desejam transportar, de locais fora do ambiente em que estão, objetos materiais diversos.

            Explica Kardec (2009, it. 96) que o Espírito que produz tal fenômeno é de boa índole. O Espírito traz, espontaneamente ou a pedido, objetos que não se encontram no local onde são observados, tais como “flores”, “frutos”, “doces”, “joias” etc.

            Esse tipo de mediunidade precisa ser muito bem comprovado, para evitarem-se fraudes. Para a produção do fenômeno, é necessário haver perfeita combinação entre o fluido fornecido pelo perispírito do médium e o do Espírito (op. cit., it. 99). Aksakof cita o caso do transporte de uma fotografia de Londres a Lowestoft, cidades inglesas distantes 175 km uma da outra (AKSAKOF, 1978, p. 211).

            O século XIX, especialmente a partir de sua quarta década, foi destinado por Jesus Cristo a combater o materialismo e trazer ao mundo as provas da imortalidade espiritual e das consequências boas ou más do uso que fizermos do nosso livre-arbítrio. São muitas, as obras de pesquisadores sérios, além de Allan Kardec, que relatam os fenômenos mediúnicos de efeitos físicos, com provas baseadas na observação e experimentação, que são os métodos científicos propostos pelo Codificador do Espiritismo para comprovar a sobrevivência da alma e sua comunicação após a vida física.

Atualmente, algumas correntes científicas e filosóficas materialistas tentam negar o domínio da vontade individual sobre as manifestações físicas, baseados em desorganização cerebral provocada por doenças. Entretanto, se lessem com atenção as respostas dos Espíritos a Allan Kardec sobre o assunto, veriam que estão tomando o efeito pela causa.

Quando Kardec refere-se à questão da influência dos órgãos sobre as faculdades mentais, em O livro dos espíritos, recebe este esclarecimento fundamental a que não tenhamos dúvida alguma sobre a interdependência espírito-matéria: “Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm-na muito grande sobre a manifestação das faculdades, mas não são eles a origem destas [...]”. Ao que Kardec comenta, logo abaixo:

 

Importa se distinga o estado normal do estado patológico. No primeiro, o moral vence os obstáculos que a matéria lhe opõe. Há, porém, casos em que a matéria oferece tal resistência que as manifestações anímicas ficam obstadas ou desnaturadas, como nos de idiotismo e de loucura. São casos patológicos e, não gozando nesse estado a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a isenta da responsabilidade de seus atos (KARDEC, 2013, q. 372).

 

            O Espiritismo, diz Carlos Imbassahy (1983, p. 385), tem o objetivo de proporcionar o “aperfeiçoamento de Humanidade”, com a demonstração cabal da sobrevivência de nossa alma, após a existência física, pelos Espíritos. Todo esse trabalho, que vem aperfeiçoando-se, atualmente, é presidido pelo Espírito da Verdade, representante de Jesus Cristo entre nós.

            Kardec (2004b, p. 504) prevê seis períodos para o Espiritismo: o primeiro foi o da curiosidade, em que as manifestações físicas se propagaram em toda parte; o segundo, com o surgimento de O livro dos espíritos, foi o filosófico, que deu origem ao terceiro, o de luta, justamente com o ataque às manifestações mediúnicas. Esse período originou o religioso, e ainda dois outros períodos foram previstos: o intermediário e o da regeneração social.

            Tais períodos, entretanto, misturam-se, como ocorreu com o das manifestações físicas, necessário à satisfação, não somente da curiosidade, como também da investigação e das consequências filosóficas e morais. Ainda hoje, porém, o Espiritismo trava uma “guerra surda”, como foi anunciada pelo Espírito Erasto, em que a tortura será moral, com armação de ciladas,

 

[...] tanto mais perigosas quanto usarão mãos amigas; agirão na sombra; recebereis golpes, sem que saibais de onde partem, e sereis feridos em pleno peito pelas setas envenenadas da calúnia. Nada faltará às vossas dores; suscitarão defecções em vossas fileiras e os pretensos espíritas, perdidos pelo orgulho e pela vaidade, se prevalecerão de sua independência, exclamando: “Somos nós que estamos no reto caminho!”, a fim de que os vossos adversários natos possam dizer: “Vede como são unidos!” Tentarão semear o joio entre os grupos, provocando a formação de grupos dissidentes; cooptarão os vossos médiuns para fazê-los entrar no mau caminho ou para os desviar dos grupos sérios; empregarão a intimidação para uns, a captação para os outros; explorarão todas as fraquezas. Depois, não esqueçais que alguns viram no Espiritismo um papel a desempenhar, e um papel de primazia, que hoje experimentam mais de uma desilusão em sua ambição. Prometer-lhes-ão de um lado o que não puderem achar no outro. Depois, enfim, com dinheiro, tão poderoso em vosso século atrasado, não poderão encontrar comparsas para representar indignas comédias, visando a lançar o descrédito e o ridículo sobre a doutrina?

[...]

Coragem e perseverança, meus filhos! pensai que Deus vos olha e vos julga; lembrai-vos também de que os vossos guias espirituais não vos abandonarão enquanto vos acharem no caminho certo. Aliás, toda esta guerra só terá um tempo e se voltará contra os que julgavam criar armas contra a Doutrina. O triunfo, e não mais o holocausto sangrento, irradiará do Gólgota espírita [...] (Erasto. In: KARDEC, 2004b, p. 508- 9 Instrução dos Espíritos, it. A guerra surda).

 

             Já se antecipando a esse período de lutas, que não ocorreria somente em sua época, mas ainda nos tempos atuais, diz Kardec, na conclusão de O livro dos espíritos: “Falsíssima ideia formaria do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais e que, portanto, obstando-se a tais manifestações, se lhe terá minado a base. Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso [...]” (KARDEC, 2013, it. 6, p. 467). Confiemos em Deus, em Jesus e façamos como nos recomenda o Espírito Erasto, na bela mensagem transcrita acima: oremos e vigiemos, pois Jesus segue à frente, e a vitória é do Bem.

 

REFERÊNCIAS

 

AKSAKOF, Alexandre. Animismo e espiritismo. Trad. Dr. C. S. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978, 2 v.

DOYLE, Arthur Conan. A história do espiritualismo. Trad. José Carlos da Silva Silveira 1. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013.

IMBASSAHY, Carlos. O espiritismo à luz dos fatos. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1983.

KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

______. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. hist. Brasília: FEB, 2013.

______. Revista Espírita 1864.Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004a.

______. Revista Espírita 1863.Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2004b.

MAGALHÃES, Samuel Nunes. Anna Prado, a mulher que falava com os mortos. Brasília: FEB, 2012.

PUGLIESE, Adilton. Daniel Dunglas Home, o médium voador. Santo André, SP: EBM, 2013.

 

(Publicado em Reformador, periódico mensal da FEB, em abril de 2018.)

terça-feira, 1 de setembro de 2020


Em dia com o Machado 434:
a reencarnação confirmada...

Reencarnação ou ressurreição?


Acabei de ler na internet a informação de Gregório Faria sobre a crença em ideologias que, mesmo sendo reiteradas vezes um fracasso, persistem em ser levadas a sério por diversos acadêmicos. Faria cita Yuval Harari, o qual, no seu livro Sapiens, afirma que o ser humano teria sido, noutras palavras, programado para crer. Quando isso não ocorre, o vazio deixado pela crença religiosa é ocupado por ideologia que se torna fé a ser defendida com fanatismo irracional.
No caso da crença espírita, um dos países mais refratários à lei natural da reencarnação foram os Estados Unidos. Curiosamente, nesse tempo em que as ideologias ocupam seus espaços nas universidades, é de lá, da chamada terra do Tio Sam, que têm vindo as pesquisas e relatos mais contundentes sobre a lei do retorno. Infelizmente essas pesquisas, mesmo tendo sido realizadas por pessoas sérias, são menosprezadas pelos adeptos das ideologias humanas que insistem em afirmar que "viemos do pó e ao pó voltaremos" no seu sentido literal.
Nada disso nos deve preocupar. A luz brilhará para todos...
Jesus foi enfático ao dizer: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". O ser humano ainda está na infância espiritual, se considerarmos que a Terra possui em torno de 4,5 bilhões de anos e aqui só iniciamos nossa jornada há aproximadamente trezentos mil anos. Mas há milênios vimos recebendo as orientações sobre nossa natureza espiritual pelos enviados divinos, chamados profetas ou messias, como Krishna, Buda, Confúcio, Moisés,  Isaías, Sócrates e, por fim, o maior de todos eles, por ter sido encarregado por Deus de presidir à organização da vida na Terra: Jesus Cristo.
Se não houvesse a reencarnação, a evolução intelectual e moral desses Espíritos, sempre muito superior às dos seus contemporâneos, e mesmo ainda hoje, não teria explicação somente pelas leis da matéria. E por que ainda há tantas pessoas asselvajadas no mundo? Perguntará o leitor. Porque a maioria de nós ainda está na infância espiritual, conforme dissemos acima. Só os que se esforçam em superar o instinto animal com base nas qualidades do espírito: conhecimento e amor, avançam em direção ao Reino dos Céus, conforme Jesus deixou bem claro em seu Evangelho.
Já falamos de Brian Weiss, em nossa crônica anterior. Agora, vamos começar pela americana Jenny Cockell que nunca esqueceu sua encarnação anterior noutro país.  Ela se recordava, desde criança, do nome e formato da igreja da cidade, das suas ruas, do comércio, da casa e do nome dos familiares da existência anterior, alguns destes ainda vivos.  Quando adulta, as lembranças persistiram e ela resolveu conferir, na cidade de Malahide, na Irlanda, onde nunca estivera, se isso não seriam fantasias. Ali, todas as suas recordações corresponderam ao que viu, inclusive os familiares da existência passada que ainda viviam.
Sua história, apenas mais uma dentre inúmeras outras, confirmadas por cientistas responsáveis, inspirou filme, e a Federação Espírita Brasileira publicou seus relatos na obra Minha vida em outra vida. E nós diríamos: haverá coisa mais importante, para o incentivo ao nosso progresso intelectual e moral do que adquirir a certeza de que somos imortais e de que fomos criados para ser felizes? Por saber disso é que Jesus nos recomendou: Sede perfeitos!...


  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...