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segunda-feira, 15 de maio de 2023

 EM FAMÍLIA (15 de maio, Dia Internacional da Família)

 


"A família consanguínea é a lavoura de luz da alma, dentro da qual triunfam somente aqueles que se revestem de paciência, renúncia e boa vontade. 

De quando a quando, o amor nos congrega, em pleno campo da vida, regenerando-nos a sementeira do destino. 

Geralmente, não se reúnem a nós os companheiros que já demandaram à esfera superior, dignamente areolados por vencedores, e sim afeiçoados menos estimáveis de outras épocas, para restaurarmos o tecido da fraternidade, indispensável ao agasalho de nossa alma, na jornada para os cimos da vida. 

Muitas vezes, na condição de pais e filhos, cônjuges ou parentes, não passamos de devedores em resgate de antigos compromissos. 

Se és pai, não abandones teus filhos aos processos evolutivos da natureza animal, qual se fora menos digno de atenção que a hortaliça da tua casa. 

A criança é um "trato de terra espiritual " que devolverá o que aprende, invariavelmente, de acordo com a sementeira recebida. 

Se és filho, não desprezes teus pais, relegando-os ao esquecimento e subestimando-lhes os corações, como se estivessem em desacordo com os teus ideais de elevação e nobreza, porque também, um dia, precisarás da alheia compreensão para que se te aperfeiçoe na individualidade a região presentemente menos burilada e menos atendida. 

A criatura no acaso da existência é o espelho do teu próprio futuro na Terra. 

Aprende a usar a bondade, em doses intensivas, ajustando-a ao entendimento e à vigilância para que a tua experiência em família não desapareça no tempo, sem proveito para o caminho a trilhar. 

Quem não auxilia a alguns, não se acha habilitado ao socorro de muitos. 

Quem não tolera o pequeno desgosto doméstico, sabendo sacrificar-se com espontaneidade e alegria, a benefício do companheiro de tarefa ou de lar, debalde se erguerá por salvador de criaturas e situações que ele mesmo desconhece. 

Cultiva o trabalho constante, o silêncio oportuno, a generosidade sadia e conquistarás o respeito dos outros, sem o qual ninguém consegue ausentar-se do mundo em paz consigo mesmo. 

Se não praticas no grupo familiar ou no esforço isolado a comunhão com Jesus, não te demores a buscar-lhe a vizinhança. a inspiração e a diretriz.* 

Não percas o tesouro das horas em reclamações improfícua ou destrutivas. 

Procura entender e auxiliar a todos em casa, para que todos em casa te entendam e auxiliem na luta cotidiana, tanto quanto lhes seja possível. 

O lar é o porto de onde a alma se retira para o mar alto do mundo, e quem não transporta no coração o lastro da experiência dificilmente escapará ao naufrágio parcial ou total. 

Procura a paz com os outros ou a sós. 

Recorda que todo dia é dia de começar." 

Emmanuel (Psicografado por Chico Xavier. Livro: Família. São Paulo: Cultura Espírita União, 1981.                               

* Referência à importância do culto do evangelho no lar.

 


PÁGINA DE GRATIDÃO
 
Agradeço, alma querida e boa,
A presença e o carinho
Com que vens partilhar a festa da amizade,
Espargindo esperança ao longo do caminho.
 
Sei que deixastes obrigações ao longe
Para colaborar
No alívio aos companheiros que carregam
Solidão, abandono, infortúnio, pesar...


Trocaste as horas de refazimento,
De alegria e lazer,
Para aceitar conosco o amparo aos semelhantes
Por sublime dever.
 
A ternura fraterna que nos trazes
Lembra clarão de renascente aurora,
Dissipando, de chofre, a sombra que domina,
A dor que se tresmalha e a penúria que chora.
 
Por mais rebusque o mundo das palavras,
Não consigo compor
A frase que enalteça ou que defina
O teu gesto de amor.
 

Por isso, digo apenas,
Ante a luz da oração que nos bendiz:
 Deus te guarde, alma irmã, Deus te compense,
Deus te faça feliz!...  

 
Psicografia em Reunião Pública. Data – 29-8-1971.
Local – Chá Beneficente, em favor das obras assistenciais da Comunhão Espírita Cristã, em São Paulo – Capital.
ESPÍRITOS Diversos. Taça de luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier, Uberaba, 1972.


 


MÃE, DEUS TE ABENÇOE!... 


Quero, mãezinha, agradecer-te, em festa, por tudo o que me dás ao coração, entretecer-te uma canção modesta, mas todo esforço é vão...

Se pudesse dizer a gratidão que sinto por teu santo carinho protetor, precisaria conhecer na essência toda a glória do Amor.

Tens o segredo da Bondade Eterna, Deus me acena e sorri por tua face... Não há sábio no mundo que defina o Sol quando aparece, o lírio quando nasce!...

Falar de ti, mostrar-te? Isso seria como explicar da Terra, olhando a Altura, a doce maravilha de uma estrela a guiar o viajor em noite escura.

Converto em prece o reconhecimento, que em meu peito humilde se extravasa, rogando ao Céu te envolva em rosas de ventura, anjo sustentador de nossa casa!...

Deus te guarde, mãezinha, pelo berço, descuidado e risonho, em que me acalentaste para a vida, como flor de teu sonho.

Deus te engrandeça pelos sacrifícios e pelos sofrimentos que te impus, quando em pranto escondido te arrasavas para ser minha Luz.

Deus te compense pelas noites tristes de aflição que te dei, pelo perdão de tantas vezes, tantas!... Quantas foram, não sei...

Deus te enalteça a fonte de ternura, que nunca se enodoa e nem se cansa, pelo cuidado com que me restauras, ante o dom do trabalho e a forca da esperança! 

Perdoa se te oferto unicamente, na minha devoção de todo dia, o meu ramo de flores orvalhadas nas lágrimas que choro de alegria! 

Com júbilos divinos, Mãe querida, que a celeste bondade te coroe!... Por tudo o que nos dá nos caminhos da vida, Deus te exalte e abençoe!... 

DOLORES, Maria (Espírito). In: ESPÍRITOS Diversos. Luz no lar. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro: FEB, 1968, cap. 65.


domingo, 14 de maio de 2023

 


AMOR PARA SEMPRE 

A senhora viúva, dia a dia,
Sob os efeitos de uma hemiplegia,
Trazia a própria vida concentrada
Na cadeira de rodas, manejada
Por amiga enfermeira.
 
Dos parentes mais íntimos
Um filho lhe restava, um filho só,
O filho que ela amava enternecidamente...
Marido, pais, irmãos, chamados pela morte,
Deixaram-lhe na vida
Muita emoção frustrada
E aquele moço forte
Que não lhe confortava a existência dorida,
Muito embora abastada.

Achando-nos na véspera do dia
Que marcaria o enlace do rapaz,
A mãezinha doente
Num misto de alegria,
De esperança e de paz
Entregou-lhe, feliz, tudo quanto possuía:
A fazenda, as ações de grande companhia,
Os créditos de banco e a linda moradia,
 A dizer-lhe, contente:
 — Filho, tudo o que tenho é seu...
 De amanhã para a frente,
 Passo a morar no estreito pavilhão
 Que seu pai construiu ao fundo da mansão.
 Desejo ver você e a jovem companheira
 Sempre felizes, sem cuidados...
 Toda alegria agora para mim
 Será sabê-los sossegados,
 Ante a bênção de Deus, na visão do futuro...
 
 O filho comovido
 Beijou-lhe as mãos num gesto de amor puro
 E agradeceu a doação materna,
 Prometendo-lhe em voz macia e terna,
 Pela jovem com quem se casaria
 Segurança, carinho, convivência
 Para todas as horas da existência
 Que desejava fossem
 Adornadas de paz e de alegria.
 
Depois do enlace, a enferma recebia
Cartões lindos da Europa...O casal de viajores
Via a lua-de-mel por um mundo de flores...
Ambos davam notícias da beleza
De Lisboa e Paris, de Florença e Veneza...
 
 Mas de retorno ao lar, após a festa
 De comemoração do regresso feliz
 A dama recebeu na vivenda modesta
 O jovem par... E a nora exigente lhe diz:
 — Minha sogra, ouça bem!...
 Seu filho e eu
 Pensando em seu descanso,
 Resolvemos agora transferi-la
 Para um lar de repouso, um abrigo claro e manso
 Onde a senhora viva mais tranquila.
 Precisamos aqui viver a sós,
 Não pretendemos tê-la junto a nós.


 Porque a pobre espantada procurasse
 O olhar do filho amado para ver
 A atitude interior que lhe viesse à face,
 Ele mesmo aduziu:
 — É um pouso geriátrico, mãezinha,
 A senhora, por lá, não estará sozinha.


 Nada disse a velhinha, posta a um canto,
 Tão somente mostrou silêncio e pranto...
 
 No dia imediato,
 Mudara-se-lhe o trato...
 Internada num belo casarão,
 Apesar da gentil acompanhante,
 Eis que saudade enorme a domina e consome...
 O recinto de luxo para ela,
 Alma nobre e singela,
 Tinha apenas um nome:
 "Exílio e solidão".
 
 Seis meses transcorreram, lentamente,
 Não mais tornou a ver o filho ausente
 E sem que a pompa, em torno, a reconforte,
 A velhinha mais triste e mais doente,
 De mágoa em mágoa, vagarosamente,
 Entregou-se, de todo, às mãos da morte...

 Ante as indagações do verniz social,
 Deu-se-lhe sobre a Terra um lindo funeral...
 
 A pobre repousou num sono longo e raro;
 Mais tarde, despertou solicitando amparo.
 Junto dela, um Emissário de Vigia,
 Descortinou-lhe os Céus, comentando a alegria
 Que a esperava na Altura...

 A pobre mãe, porém, perguntou com ternura:
 — E meu filho onde está?

 — Sem dúvidas quaisquer – falou-lhe o mensageiro –
 Tanto quanto ficou, seu filho ficará
 Por muito tempo ainda em franco cativeiro,
 Tem muito que lutar, nos encargos que leva,
 Entre as forças da Luz e as tentações da treva...
 Mas você, minha irmã, pode elevar-se agora,
 Pelo sacrifício e devoção ao Bem,
 Mundos da Eterna Aurora
 Esperam-na no Além...
 
 A senhora, porém,
 Expressando respeito àquelas diretrizes,
 Disse, calma e sincera:
 — Não aspiro a viver entre os mundos felizes!...
 Voltar a ver e acompanhar meu filho,
 Sem qualquer empecilho,
 É todo o Céu de minha longa espera.
 
 O Mensageiro que lhe conhecia
 Os tempos de doença e de agonia
 Anotou com brandura:
 — Irmã, descer da Altura Imensa
 A fim de trabalhar sem recompensa
 Em favor dessa ou daquela criatura
 É conquistar maior merecimento...
 Para estar com seu filho, em constante união,
 Precisará viver
 Sob o regime da reencarnação...
 E, acaso, aceitará por mãe a própria nora?
 
 — Como não, anjo bom? – replicou a senhora –
 Se Deus me consentir, assim regressarei,
 Creio que a luz do amor é o princípio da Lei;
 Se tenho no meu filho a bênção que procuro,
 Como menosprezar a jovem que ele adora?
 Amá-lo-ei melhor por minha nora
 De quem devo ser filha no futuro...
 Hei de amá-la também, voltando a ser criança,
 Sempre encontrei no amor divina maravilha,
 Minha nora no lar me acolherá por filha,
 Serei nos braços dela uma nova esperança...
 Envolverei meu filho e ela em meu sorriso,
 Todo berço na Terra aponta o Paraíso...
 
 Cinco anos passaram sobre o Tempo...
 Hoje anotei um trio encantador:
 Ante a filhinha: - luz recém-nascida –
 Disse o pai ao beijá-la: "Minha vida!"...
 A criança sorriu no berço cor-de-rosa
 E a mãezinha, a enfeitar-lhe o corpinho de flor,
 Exclamou comovida e venturosa:
 — "Deus te abençoe, meu anjo, meu amor!..."


sábado, 13 de maio de 2023


 

DESPEDIDA MATERNA 

Recordo, filho meu... A tarde se enovela.
Quase noite... Nós dois e a dor indefinida...
Os soluços de mãe, na extrema despedida...
Os soluços do filho ao separar-se dela.
 
Crisântemos no chão e vozes na capela...
Abraças-me na sombra... Abraço-te vencida,
Arrasada de pranto... É a hora da partida...
Sinto os braços de alguém, rente à cova singela.
 
Quanto tempo se foi!... Hoje, volto a beijar-te,
Filho do coração que vejo em toda parte...
Não te lamentes mais!... Ama, espera, confia!
 
Finda a saudade atroz, na jornada insegura,
Deus nos envolverá na suprema ventura,
De um novo lar de luz na celeste alegria!...
 
DOLORES, Maria (Espírito). Estrelas no chão. In: ESPÍRITOS Diversos. 3. ed. São Bernardo do Campo, SP: Grupo Espírita Emmanuel — GEEM, 2010, p. 37.

 


 

EM DIA COM O MACHADO 575
O TRABALHO MOVE O MUNDO (Jó)

 


 

 

        Alma irmã, vinha eu caminhando por uma  pista de entrequadras de Brasília, quando de repente, não mais que de repente, como diria o poeta Vinicius de Morais em seu Soneto de Separação, vi uma cena maravilhosa: pequena formiga transportava folha 20 vezes maior e mais pesada que ela.

        Evitei esmagá-la com o pé, quando a formiga já atravessava meio metro da pista de cerca de dois metros de largura. Em seguida, refleti na grandeza de Deus, que “faz nascer o sol e cair a chuva sobre  justos e injustos”, como disse Jesus. Retrocedi vários passos, almejando (palavra rebuscada em troca de desejando) fotografá-la. Tudo inútil, a formiga já desaparecera do outro lado da pista com sua gigantesca folha verde.

        Mais tarde, lembrei-me da fábula da cigarra e da formiga. Sabe por quê? Ambas trabalhavam, mas só uma cantava, embora a lição que por décadas nos tenha sido passada fosse a de que o canto da cigarra representaria pura preguiça de obrar.

        Negativo! A cigarra canta com dois propósitos: amar para procriar e “anunciar a chegada da primavera”. A pobrezinha inda paga caro pelo seu encantador canto, ao atrair pássaro que a devora.

        Ai do mundo sem a sublimidade das canções!

        Voltando ao trabalho da formiga, também refleti numa frase muito falada como incentivo a certas pessoas: “Deus não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos”, o que se parece com a “doutrina da graça”. Tremenda injustiça, se visto pelo crivo de existência única e de diferentes aptidões na mesma existência.

        Albert Einstein, a quem é atribuída a frase, diria mais: “Fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança”. Agora, sim, dá para perceber que é de nosso esforço que vem a ajuda divina. Se nos acomodarmos na lamentação e preguiça, invejando os que, a nosso ver, são  mais capazes que nós, é porque não perseveramos como tais pessoas e não por um privilégio divino.

        A resposta da questão 133 d’O Livro dos Espíritos mostra-nos, claramente, a inexistência de privilégios e sim merecimento baseado nos esforços individuais: “Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corpórea. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e sem trabalho e, por conseguinte, sem mérito”.

        Como vimos, no início, desde suas mínimas criaturas, é por meio do trabalho que Deus impulsiona a vida. Tendo essa certeza foi que Machado de Assis, “o Bruxo do Cosme Velho”, afirmou numa de suas crônicas: “O trabalho move o mundo”.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

 


MÃE
 
Procurei ansiosamente
Um símbolo do amor de Deus no mundo,
Carinho permanente,
Amor que nada mais pedisse à vida,
A fim de estar contente,
Que o dom de ser amor sublimado e profundo...
 
Vi o Sol trabalhando sem cansaço
Doando-se sem pausa, alto e bendito,
O astro imenso, porém, pedia espaço,
De maneira a brilhar nas telas do Infinito.
Julguei achar na fonte esse traço perfeito,
Fitando-lhe a corrente a servir sem parar,
Mas a fonte exigia a hospedagem do leito
A fim de prosseguir à procura do mar.
Fui à árvore amiga e anotei-lhe a lição:
Conquanto a se entregar tanto aos bons quanto aos brutos,
Precisava defesa e vínculos nos chão
Ao fornecer, sem paga, a riqueza dos frutos.
Vi a abelha no favo a pedir mel às flores,
Nuvens para servir solicitando alturas,
Escolas em função buscando professores
E o lar para ser lar exigindo estruturas.
Toda força do bem que ao bem se entregue
Em bondade constante e em contínua grandeza,
Assegura-se, vive, auxilia e prossegue,
Algo requisitando ao Mundo e à Natureza.
 
Em ti, unicamente, Mãe querida,
Encontro o amor que nasce e cresce, em suma,
No sacrifício puro, acalentando a vida,
Sem reclamar da Terra cousa alguma.
 
Eis porque sobre todo amor que existe
As Mães são guias, anjos, cireneus,
Cujo brilho por si nos protege e persiste
Em ser somente amor, no excelso amor de Deus.
 
Estrela, Deus te guarde em teu fulgor celeste!...
Agradeço-te a luz, o carinho e o perdão...
Bendita sejas, Mãe, porque me deste
A presença de Deus no coração.
 
DOLORES, Maria; MEIMEI. (Espíritos). Somente amor. 1. ed. – Impressão pequenas tiragens. Brasília: FEB; São Paulo: IDEAL, 2022.


Vitória espiritual   Você crê que eu já me aposentei... Sim, se for no sentido de ganho Monetário no que eu ocupei; Não se for em trabalho t...