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domingo, 23 de julho de 2017



EM DIA COM O MACHADO 273 (Jó)

Amigos, relendo a obra As mesas girantes e o espiritismo, encontrei riquíssima informação a respeito dos pareceres de eminentes filósofos, cientistas e padres sobre a “invasão organizada dos espíritos” na América e na Europa. Um desses reverendos, o padre Raulica, ao investigar os fenômenos, concluiu que aquele era “o mais importante acontecimento do século”. Sim, dizia ele, os fenômenos são autênticos. Sim, reafirmava, os acontecimentos são reais. Sim, ratificava, não há fraudes, não há mistificações, não existem burlas nas manifestações dos espíritos. Deus permitiu que tal ocorresse para nos provar a realidade da vida espiritual. Louvado seja Deus! Estávamos no século XIX...
Entretanto, Raulica falava também aos quatro cantos que as manifestações eram do diabo. Tudo verdade, mas tudo proveniente das forças satânicas, para iludir os homens e conduzi-los ao inferno, onde haveria “prantos e ranger de dentes”. Desaconselhava, pois, aos leigos que se envolvessem com tais artimanhas de Lúcifer.
Também a Academia Francesa indicou diversos pesquisadores para verificarem o que havia de verdade nas manifestações mediúnicas, verdadeira infestação de supostas almas dos mortos a revelarem-nos que a vida continua além do Véu de Ísis. Reis, rainhas, duques, marqueses, delegados, juízes, cientistas, teólogos, ex-ateus do meio acadêmico e outras autoridades presenciavam os chamados “fenômenos das mesas girantes” e outros, decorrentes desses. Todos os que investigavam seriamente e sem ideias preconcebidas as manifestações dos chamados mortos convertiam-se ao espiritualismo.
Mas, embora os cientistas indicados pela Academia Francesa houvessem confirmado a realidade das manifestações espíritas, seu relatório jamais foi divulgado. Ficou arquivado em alguma gaveta acadêmica que, quando consultada, dizia ao curioso: — Não se aproxime! Aqui jaz o maior enigma do universo. Caso você se converta, será ridicularizado. Caso você creia e perceba um sentido para a vida, todas as pessoas o chamarão de louco.
Ao que o curioso responderá à gaveta: — Mas, afinal, as manifestações são ou não são verdadeiras? E ela ficará muda, como sói acontecer a todo objeto inanimado, pois gaveta e mesa só falam quando impulsionadas por vozes do Além, e o Aquém não quer intromissão em sua vida profana. — Fiquemos aquém da morte... Não vamos além! Isso é para os loucos ou santos.
Então, a curiosa pessoa dirá: — Bem, deixemos que os padres, os pastores e os visionários se ocupem dos problemas da alma e gozemos a vida, pois ela é curta e apenas uma certeza queremos ter: estamos vivos! Que os mortos enterrem seus mortos, como dizia o Sublime Galileu, que acabou crucificado por nos ter garantido o Céu, após morrer por nós. Aceitemo-lo, portanto, como Salvador, e curtamos a vida o melhor possível.
Quando Allan Kardec desencarnou, deixou-nos uma obra extraordinária: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo e A Gênese, além da Revista espírita. Você pensa que a Igreja não conhece essa obra? Claro que conhece. E por que não a incorporou à sua doutrina como fonte de esclarecimentos complementares à Boa Nova do Cristo? Porque a conveniência em manter sua ascendência sobre as mentes humanas predominou. Até hoje, a “fé” é artigo de aceitação cega e inquestionável, imposto pelos padres e pastores cristãos. O mesmo se diz das academias...
É conveniente que a sociedade viva o presente, case-se ou não, constitua ou não família, coma, beba, divirta-se, durma e, cousa dura, trabalhe. Assim, quem resolver rebelar-se contra isso acabará nas “profundas do inferno”, senão do lado de lá, também do lado de cá.
E mais não digo por ora.

quarta-feira, 19 de julho de 2017


Martim Gouveia, moço ainda, afeiçoara-se a pilhar residências incautas, subtraindo o que pudesse, sem nunca ter caído nas mãos das autoridades.
Naquela noite namorara atentamente uma casa fechada qual se ninguém residisse ali.
Pé-ante-pé galgou o muro do quintal e forçou a porta dos fundos.
Abriu-a com habilidade, penetrando na moradia.
Passou pela cozinha e ganhou o interior.
Procurou um dos quartos onde esperava encontrar valores maiores e empurrou de leve a porta.
Nisso, contudo, ouviu respiração estertorosa.
Julgando ser alguém que dormia ressonando, avançou mais ainda.
Admirado, vê então um vulto que se esparrama num leito.
O intruso leva a mão ao punhal.
Mas ouve a voz fraca e entrecortada de um homem deitado que o vislumbra no lusco-fusco.
O desconhecido alonga os braços e fala sob forte emoção.
- Oh! Graças a Deus! Você escutou os meus gemidos, meu filho? Foram os Espíritos! Você é um enviado dos Mensageiros Divinos!...
Martim Gouveia, surpreso, abandona a ideia da arma.
Adianta-se para o velhinho que pode agora distinguir sob a luz mortiça do luar através da vidraça.
O ancião repete maravilhado:
- Oh! Graças a Deus! Meu filho preciso muito de você... Sou paralítico e sem ninguém... Não tenho forças para gritar... Há muito tempo não recebo visitas. Você me ouviu!...
Depois de pequena pausa continuou...
- Busque um remédio... Sinto muita falta de ar... Leia algo que me conforte... Para não morrer sozinho... Você é um enviado dos Espíritos...
E por que o enfermo lhe estendesse um livro, Martim Gouveia, condoído, acendeu a luz e dispôs-se a ler, emocionado...
Era um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ensebado de suor e de lágrimas.
O hóspede imprevisto leu e releu, até alta madrugada e, desde aquele instante, desistiu de assaltos e de furtos, cuidando do velhinho, administrando-lhe remédios, prestando-lhe assistência e lendo com ele os livros espíritas da sua predileção.
Após cinco meses, o doente desencarnou em clima de paz, deixando-lhe como herança a casa e os bens e sua alma renovada pelo exemplo de fé nos Bons Espíritos.

XAVIER, Francisco Cândido. Ideal espírita. Pelo Espírito Hilário Silva. Cap. 62. 

sexta-feira, 14 de julho de 2017



Em dia com  o Machado 272 (Jó)


Esta eu ouvi do meu concunhado Carvalho. Apenas troquei os nomes das personagens: Joaquim, também conhecido como Kincão, dono de uma mercearia que também vendia materiais de obras, era amigo de Manuel, ou Mané, homem de poucas letras, mas bem conceituado proprietário de um restaurante na cidade de Barreiras, BA, onde ambos mantinham seus negócios e residiam.
Certo dia, em que faltara algo em seu comércio, Manuel escreveu um bilhete a Joaquim, solicitando-lhe envio do produto em escassez.
Ao ler o bilhete, Joaquim estranhou: — Ué, o Mané está reformando seu restaurante? Pensou.
Entretanto, como o pedido era para atendimento urgente, chamou o motorista do caminhão de transporte da loja, pediu-lhe para colocar, no carro, cinco sacos de cal, com trinta quilos cada, e levá-los ao amigo rapidamente.
Uma hora depois, o próprio Manuel entrou nervoso no comércio de Joaquim e perguntou-lhe: 
Kincão, por que você não atendeu ao meu  pedido e ainda me enviou cinco sacos de cal?
— Ora, Manuel, não foi o que você me pediu no bilhete?
— De jeito nenhum, pedi-lhe cinco sacos de sal e não de cal.
— Pois então, releia o que você escreveu: 
"Amigo Kincãu, mandi intregá nu meu restorante cinco saco de cal".
Ao que o Mané respondeu:
— Mas, amigo, só pur causu qui faltô uma cobrinha embaixo do “c” ocê num intendeu? 
E "corrigiu" cal para "çal".

                                                                       *
Consultando Machado sobre como escrever bem, ele disse-me que, antes de mais nada, é preciso ler muito, os mais diversos gêneros textuais: artigos, crônicas,  contos, romances, piadas, comerciais, artes, composições musicais, poemas, relatórios, resumos, resenhas, E-mails, WhatsApps...
— Que tal você sugerir-nos que fazer ou não em nossos textos, amado guru? pedi-lhe.
Ele, então, disse-me que escrever e falar bem é abrir a porta do sucesso. Entretanto, a fala é menos rigorosa do que a escrita, em relação à norma padrão de qualquer idioma. Por isso, disse, ao escrever, precisamos observar cinco requisitos básicos: clareza, concisão, coerência, correção e originalidade. E passou-me estas dicas que, segundo ele, não abordam tudo, mas o essencial numa redação:
A clareza é irmã da concisão. Não use palavras rebuscadas, utilize frases curtas. Seja objetivo, evite adjetivação exagerada. Cada período deve possuir apenas uma ideia central. Fuja da generalização no que escrever.
A coerência é irmã da lógica. É preciso haver nexo entre os termos e frases do período escrito, sem o que podemos contradizer-nos. Para o nexo, é necessário o uso correto dos conectivos: pronomes, conjunções, preposições, numerais, artigos...
A correção gramatical requer considerável conhecimento linguístico e também muita atenção no que se pensa e no que, de fato, está escrito. Para isso, é preciso revisar diversas vezes o que escrever, antes de submeter seu texto a outro leitor, ou então ter um bom revisor, como é seu amigo Astolfo...
Em textos que exigem o predomínio da norma culta, deve evitar-se o uso de gírias, palavras estrangeiras ou vulgares. Caso seja indispensável sua presença, elas devem ser destacadas; com itálico, no caso de estrangeirismos, ou com aspas, nos demais casos.
Você pode redizer ou reescrever qualquer coisa, todavia o modo como o faz é que estabelece a diferença. Isso é que eu chamo originalidade. 
Assim concluiu o Bruxo do Cosme Velho: Por vezes, um pouco de ironia, na literatura, faz um bem enorme...
E eu continuo lendo, escrevendo e aprendendo...

terça-feira, 11 de julho de 2017



Em dia com o Machado 271 (Jó)

Amigo leitor, acabei de ler na revista Seleções Reader’s Digest, deste mês, que o riso nos faz suportar melhor a dor do que o não riso; o canto nos ajuda a evitar resfriado; mascar chicletes melhora nossa memória; reprises restauram-nos a energia mental e usar meias na cama melhora o sexo.
Vamos por parte: o canto nos ajuda a evitar resfriado. Talvez você não saiba, mas meu secretário, Joteli, adora cantar, ainda que nada conheça sobre música. Vai do som celestial da Ave-Maria, de Schubert, ao eco telúrico da Princesa, de Amado Batista.
Não sei por que ele vive resfriado... Será por que canta desafinado? Oh, rima infame!
Ignoro... diz ele que, na juventude, fez parte de um coral de mocidade espírita-cristã, e, ali, diziam ser ele um ótimo tenor.
Porém, de dois anos para cá, já contraiu duas pneumonias, ainda que não pare de cantar. Talvez isso seja um problema de DNA (rimou de novo).
Para quem não sabe, DNA= data de nascimento antiga.
Por incrível que pareça, nunca, a não ser por brincadeira, seus familiares se queixaram dele cantando... no banheiro. Dizem que o amam muito!
Quanto ao riso, que, hipoteticamente, nos auxilia a suportar a dor, após ler o escrito acima, não tente colocar a mão em água quente, amiga leitora. Não vale a pena arriscar, mesmo que seu senso de humor seja elevado e o frio esteja intenso no Centro-Oeste.
Em relação a mascar chicletes, deve realmente melhorar a memória. Nunca me esqueceu um colega de escola, quando eu era adolescente. Sabe por quê? Vi-o engasgar-se com essa goma, que grudou em sua garganta, e tornei a vê-lo após ele ser submetido a uma traqueostomia, ou seja, um furo no pescoço seguido de cirurgia para retirada do plástico.  
A imagem da cicatriz do amigo jamais me saiu das retinas. Como isso ocorreu há cinquenta anos, e nunca mais nos vimos, atribuo a causa de minha lembrança ao chiclete que ele mascava; o resto foram efeitos...
Falemos, agora, das reprises. Será que restauram mesmo a energia mental?
Não sou adepto de replays, mas creio em sua eficácia de restauração da mente.
O leitor há de concordar, entretanto, que algumas reprises não são nada agradáveis para o equilíbrio de nosso ser. Um exemplo: qual é o torcedor brasileiro que, não sendo masoquista, gostaria de assistir, novamente, ao jogo Alemanha 7 x 1 Brasil?
Quanto a deitar-se de meias, ainda não sei se melhora o sexo, pois é certo que, com a friagem em Brasília, nestes últimos dias, tenho dormido muito bem calçado com elas.
Carola também...
Depois desta crônica, vou pediu meu cachê à Seleções.




quinta-feira, 6 de julho de 2017




Em dia com o Machado 270 (Jó)

Amigo leitor, estive dia destes no lar de Emmanuel, após ter nosso amigo prometido conceder-me entrevista sobre o amor. Desse encontro, resultou o seguinte diálogo:
— Nobre amigo Emmanuel, diga-me o que é o amor!
— Sou apenas teu humilde servidor, Machado, mas posso dizer-te que o amor é divina força do Universo.
— Como se deve cultivar o amor?
— Com pleno conhecimento e com todo o discernimento, para que se alcance a plena felicidade. Para isso, jamais devemos parar de aprender, pois, se para a existência realizada no plano material, a cultura do intelecto é imprescindível, para a vida no plano espiritual o realce moral é garantia de alegria imarcescível.
— Em que se torna alguém que se dedica predominantemente a cultuar os bens materiais?
— Em um avaro, cuja existência é nula, o qual, para superar o apego à matéria, passará pelas mais diversas provas, até aprender que seu maior tesouro é o da prática da caridade.
— E as paixões mundanas exacerbadas, são também causas de muitas dores?
— Profundas, meu caro bruxo! Não podemos esquecer que nada, na vida física, nos pertence. Pais, filhos, consortes são, antes, tanto quanto nós mesmos, filhos do Amor Divino, que os empresta a nós, seus irmãos, para aprendizados mútuos. Bens materiais são recursos provisórios, que hoje estão conosco e amanhã passarão a outras mãos. Nem mesmo o corpo, essa veste temporária da alma, é nossa propriedade. Nos planos espirituais, as imagens mentais dos causadores de crimes passionais são por demais exacerbadas, desesperadoras.
Por isso, aconselho-te: desapega...
— Os vícios, então...
— Ah! os vícios... Suas consequências, quando não começam no próprio corpo somático, expandem-se na mente do viciado, causando-lhe terrível dependência, que lhe mina as forças e extermina-lhe a vontade. Com isso, não somente o organismo material, como também o órgão espiritual sofrem sequelas de doloroso tratamento.
— Mas, e se a paixão derivar do sentimento de perda de uma pessoa amada, por quem se faria qualquer sacrifício? E se se está na defesa do que possui e teme ser subtraído?
— Nesse caso, meu amigo, esse nosso irmão é simplesmente um egoísta. Uma das duas grandes chagas da humanidade.
— E a outra chaga, qual é?
— É o orgulho. Combatamos esses dois sentimentos, permutando-os pelo altruísmo e pela humildade e teremos dado o grande passo para resolver o problema da fome e das demais desigualdades no mundo.
A maior das carências, todavia, é a do amor; e a causa das opressões, no mundo, é a ignorância.
— Como, então, manifestar o amor do modo mais elevado?
— Pelo aprimoramento moral e pela cultura intelectual, requisitos básicos para a completa manifestação do amor, cujo império de sublimação nos aproxima do Pai Nosso que está no Céu, mas também em nossas consciências e em toda a parte.
— Obrigado, amigo Emmanuel, por tão esclarecedores conceitos.
— Pois então, esforça-te para colocá-los em prática no cotidiano de tua vida. Busca o amor em tudo o que pensas, falas e fazes com toda a tua alma e de todo o teu entendimento. A felicidade é o fruto mais opimo do amor!

Clique aqui e ouça uma bela canção sobre o amor interpretada por Renato Russo: https://www.letras.mus.br/renato-russo/176305/    

sexta-feira, 30 de junho de 2017



Amor à Primeira Vista  (Wislawa Szymborska. Poemas. Tradução: Regina Przybycien)

Ambos estão certos
De que uma paixão súbita os uniu.
É bela esta certeza,
mas ainda é mais bela a incerteza.

Acham que por não terem se encontrado antes
Nunca havia se passado nada entre eles.
Mas e as ruas, escadas, corredores
nos quais há muito talvez se tenham cruzado?

Queria lhes perguntar,
se não se lembram —
numa porta giratória talvez
algum dia face a face?
um “desculpe” em meio à multidão?
uma voz que diz “é engano” ao telefone?

— mas conheço a resposta.

Não, não lembram.

Muito os espanta saber
que já faz tempo
o acaso brincava com eles.

Ainda não de todo preparado
para se transformar no seu destino
juntava-os e os separava
barrava-lhes o caminho
e abafava o riso
sumia de cena.

Houve marcas, sinais,
que importa se ilegíveis.
Quem sabe três anos atrás
ou terça-feira passada
uma certa folhinha voou
de um ombro a outro?
Algo foi perdido e recolhido.
Quem sabe se não foi uma bola
nos arbustos da infância?

Houve maçanetas e campainhas
onde a seu tempo
um toque se sobrepunha a outro.
As malas lado a lado no bagageiro.
Quem sabe numa noite o mesmo sonho
Que logo ao despertar esvaneceu.

Porque afinal cada começo
é só continuação
e o livro dos eventos
está sempre aberto ao meio.

Disponível em: www.blogdacompanhia.com.br. Acesso em 30 jun. 2017.



terça-feira, 27 de junho de 2017



EM DIA COM O MACHADO 269 (jlo)

— Amigo Tonhão, quero agradecer-lhe pelo envio semanal de uma mensagem psicografada pelo melhor brasileiro de todos os tempos: Francisco Cândido Xavier, o nosso inolvidável Chico Xavier, como ficou mundialmente conhecido.
A última, que acabei de ler, versa sobre a proposta do Espírito Bezerra de Menezes, na lição 21 do livro Brilhe a vossa luz.
Afirma o amigo espiritual que o ensino divino não encontra guarida nos moldes tradicionais de combate, usualmente empregados na Terra. A Misericórdia Divina, prossegue Bezerra, não se coaduna com os processos, mais de vingança do que de correção, utilizados no mundo.
Aqui na Terra, o que se considera mal é repelido com críticas acerbas e “pragas”; a Lei Divina, todavia, propõe o revide à violência com o exercício “edificante do bem”. E prossegue o mentor espiritual com as sínteses propostas, que comentaremos, em relação aos modos de correção de rumos existentes na Suprema Vontade:
A primeira é esta: a correção da ignorância é a instrução. Ao que acrescento: Não essa “instrução” voltada para o cultivo de ideologias humanas equivocadas, mas aquela que se baseia nos Ensinamentos Crísticos, cuja lei áurea manda que “façamos a outrem tudo aquilo que desejamos que ele nos faça”; ou seja, que façamos sempre o bem. Para isso, é imprescindível conhecermos a lei de ação e reação que dá, segundo Jesus, “a cada um, segundo as suas obras”.
Ao ódio, contrapõe Bezerra o amor. Mas é preciso distinguirmos o que é amor. Ele não se confunde com o apego ou a paixão mundana, mas com um estado de perfeita identificação do próximo como nosso irmão.
E continua Bezerra, explicando de que modo Deus, nosso Pai, corrige seus filhos:

A necessidade: com o socorro;
O desequilíbrio: com o reajuste;
A ferida: com o bálsamo;
A dor: com o sedativo;
A doença: com o remédio;
A sombra: com a luz;
A fome: com o alimento;
O fogo: com a água;
A ofensa: com o perdão;
O desânimo: com a esperança;
A maldição: com a bênção.

Em seguida, termina o benfeitor amigo com este comentário iluminado:

Somente nós, as criaturas humanas, por vezes, acreditamos que um golpe seja capaz de sanar outro golpe. Simples ilusão. O mal não suprime o mal.
Em razão disso, Jesus nos recomenda amar os inimigos e nos adverte de que a única energia suscetível de remover o mal e extingui-lo é e será sempre a força suprema do bem.


            Como disse Pitágoras: "Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens". A verdadeira educação, entretanto, está calcada nas Verdades Eternas pregadas pelo Carpinteiro crucificado, que nos trouxe o modelo mais perfeito de formação integral do espírito, com a sua Boa-Nova, que reforçou n’O Evangelho Segundo o Espiritismo: “[...] amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.