EM DIA COM O MACHADO 305 {jÓ]
— Boa noite, amigos. Que a paz do Senhor Jesus esteja conosco.
Hoje, falar-lhes-ei do corpo espiritual,
também chamado perispírito, por Allan
Kardec.
— Fique à vontade, Emmanuel...
— Obrigado, Machado, que nosso Mestre amado nos inspire as
palavras, como sempre, a fim de lhe sermos o mais possível fiel.
Conforme informado a Kardec, na questão número 93 e seguintes d’O Livro dos Espíritos, todos nós,
espíritos imortais, somos envolvidos por uma substância invisível ao olhar
humano, mas suficientemente grosseira para os que estamos libertos da
influência da carne. Essa substância, tirada do fluido universal de cada globo,
e que dá forma ao espírito, é o citado perispírito.
Este é, em feliz comparação, como se fosse a roupagem do espírito, veste que se
modifica “de um mundo a outro” (op. cit., q. 94).
— Isso significa que, se um espírito habitante de um mundo
superior à Terra aqui vier, ele terá de utilizar-se de um perispírito mais denso?
— Exatamente, meu caro Bruxo. E você sabe disso tão bem quanto
eu. Já foi dito que, nesse caso, o espírito precisa revestir-se de um corpo
espiritual mais grosseiro. Algo parecido acontece quando alguém mergulha no
fundo do mar ou eleva-se ao espaço, onde não há oxigênio suficiente para sua
respiração. A pessoa precisará utilizar-se de escafandro, roupagem especial,
capacete, cilindro de ar etc. Sua movimentação, em consequência disso, ficará
dificultosa, e a criatura precisará adaptar-se ao novo ambiente.
Assim como o espírito pode modificar as propriedades do seu
perispírito e dar-lhe a forma que deseje (op. cit., q. 95), alguém que mude do ambiente
atmosférico para o submerso, ou deste para aquele, precisará utilizar a roupa
adequada ao novo espaço. Desse modo, dependendo de seu aperfeiçoamento e
objetivo, o espírito pode fazer-se mesmo visível com essa roupagem espiritual, e mostrar-se, na forma de uma criança ou de um
adulto, a alguém encarnado, sem que o espírito manifestante deixe de possuir
controle total de seus movimentos e pensamentos.
— Agora entendi por que alguns espíritos, desencarnados ainda na
infância, manifestam-se a nós como crianças.
— Perfeitamente, Bruxo. A diferença é que os espíritos elevados tomam
essa forma conscientemente, e os de menos elevação a assumem mecanicamente
durante um certo tempo, até que possam recobrar sua plena lucidez como adultos.
Há exceções, baseadas em seres de elevada condição moral, cuja lucidez torna-se
quase imediata. Leia, em Ave Cristo!,
na 2ª parte, cap. 5- 7 dessa obra, narrada por mim a Chico Xavier, o caso do
menino de 11 anos que, ao desencarnar com o pai adotivo, ambos martirizados, imediatamente reassumiu sua personalidade da última desencarnação
na idade adulta. A surpresa e emoção daquele momento fica para o leitor curioso
dessa obra, que vale a pena ler na íntegra.
— Isso mesmo, Emmanuel, vamos ler mais. A literatura espírita é
riquíssima. Na obra Nosso Lar,
psicografada pelo Chico, o espírito André Luiz informa-nos da importância dos
cuidados dispensados a esses espíritos falecidos em tenra idade. Veja o que diz
a mãe de Lísias a André: “— Quando o Ministério do Auxílio me confia crianças
ao lar, minhas horas de serviço são contadas em dobro [...]” (op. cit., cap.
20).
— Vejo que você estudou as obras de André e as minhas,
psicografadas pelo médium mineiro, Machado. Obrigado. O conhecimento do
perispírito é fundamental ao nosso discernimento sobre o processo de encarnação
e reencarnação, na Terra.
— Era sobre isso que eu estava pensando, Emmanuel. Suas
explicações suscitaram-me três perguntas: 1ª) Nos mundos superiores à Terra,
como se dá a encarnação e a reencarnação do espírito? 2ª) A encarnação de um
espírito provindo de mundo eterizado, cujo perispírito é muitíssimo menos denso
do que o nosso, teria de submeter-se às leis da Natureza de nosso orbe? 3ª) E
se essas leis estivessem previamente submetidas à sua própria vontade e direção
superior, ele poderia ou não modificá-las, quando encarnasse, por vez primeira,
nesse mundo formado por ele?
— Boas perguntas, amigo Bruxo do Cosme Velho, mas o espaço não
mais nos permite divagações. Deixemos as respostas às suas indagações para futura
crônica.
Que o Senhor da Vida continue abençoando nossos humildes
esforços no aprendizado e no exercício do amor.
— Oui, merci. A bientôt,
mon monsieur Emmanuel.
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