Liberdade Religiosa para Nossos Filhos?
Jorge
Leite de Oliveira
Meus filhos,
Alguns
jovens afirmam que seus pais lhes dão total liberdade na escolha de suas
religiões. Estariam certos esses pais?
Para
melhor entendimento sobre o assunto, gostaria que vocês refletissem
amorosamente nos argumentos do seu pai que, se não é o melhor do mundo, nunca
deixou de amá-los muito.
Há
poucos dias, ouvi uma palestrante dizer que era espírita desde criança, embora
tenha frequentado, na mocidade, diversas igrejas e haja chegado à conclusão de
que somente o Espiritismo lhe responde a todas as indagações necessárias à sua
paz e crescimento espiritual.
Na
ocasião, dissera ela que seus pais sempre lhe permitiram liberdade de escolha
religiosa, desde pequenina. Optara pelo Espiritismo por ter presenciado, ao
longo de sua vida, a conduta paterna elevada em consonância com a Doutrina
Espírita.
Então,
pergunto: será que o Espiritismo pode ser responsabilizado pelos atos de seus
seguidores em desacordo com os princípios elevados da religião que professam? Do
meu humilde ponto de vista, não! Até porque, o modelo a ser seguido é Jesus,
como nos mostram todas as religiões cristãs, entre as quais se inclui o
Espiritismo. Isso não significa que nós, como seus pais, não estejamos nos
esforçando para fazer o melhor, no campo da exemplificação dos nossos
conhecimentos espíritas.
Estamos
todos tentando acertar. E por vezes erramos. Mas, como nos ensina Allan Kardec:
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos
esforços que emprega para domar suas inclinações más.” ¹ Reflitamos. Ele não
diz que o espírita deve ser santo, mas que deve estar sempre procurando crescer
moralmente e se esforçando para não cometer erros. Entretanto, quando errar,
tem que ter a humildade de reconhecê-lo e prosseguir no ideal do bem.
Vejamos
o que diz o iluminado Espírito Emmanuel, com relação à educação religiosa dada
pelos pais espíritas, na questão 113 do livro O Consolador, psicografado
por Francisco Cândido Xavier e editado pela FEB:
Os pais espíritas devem ministrar a
educação doutrinária a seus filhos ou podem deixar de fazê-lo invocando as
razões de que, em matéria de religião, apreciam mais a plena liberdade dos
filhos?
— O período infantil, em sua
primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais
espíritas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos,
nas grandes revelações da vida. Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das
lutas terrestres deve ser encarada com indiferença.
O pretexto de que a criança deve
desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves
perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do delator. A
própria reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à
independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo?
Além disso, os pais espíritas devem
compreender que qualquer indiferença nesse particular pode conduzir a criança
aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência
de amor à verdade.
Deve nutrir-se o coração infantil
com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus. Agir
contrariamente a essas normas é abrir para o faltoso a mesma porta larga para
os excessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime.
Os pais espíritas devem compreender
essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se
fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde,
por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.²
Isso,
meus filhos, quem disse foi o Espírito Emmanuel, com milenar experiência no
assunto, como pai, sacerdote e educador. E, sendo o Espiritismo o Consolador
prometido por Jesus, nada mais natural que desejar-lhes o melhor ainda que nós
mesmos, como pais, ainda tenhamos muito o que aprender no campo do amor e da
renúncia em favor de nós mesmos.
É
certo que muitos pais permitem a seus filhos a escolha religiosa, mas, em
geral, quando o fazem, eles próprios não seguem seriamente suas religiões,
quando as têm, ou não refletem ainda que o melhor para si deve ser também o
melhor para seus filhos, dos quais são os primeiros educadores.
Ignoram,
quando espíritas, as informações transmitidas pelos Espíritos superiores.
Não
refletem ainda que, nas primeiras idades do Espírito encarnado, compete aos
pais e responsáveis cuidar da formação moral e intelectual de seus filhos. É,
pois, dever daqueles oferecer a estes o ensejo para a aquisição dos elevados
princípios religiosos proporcionados pelo Espiritismo — Cristianismo redivivo —
a todos os seus dedicados seguidores.
Essa
decisão não implica intolerância para com as outras religiões, que podem ser
examinadas por todos nós. Em especial, após já termos razoável conhecimento
espírita, o que, geralmente, só ocorre quando atingimos a maioridade.
Mas
se já conhecemos o Consolador, e se nele estão as respostas a tudo o de que
necessitamos para a nossa felicidade, por que não empregar nosso tempo
estudando a vasta mensagem da Doutrina Espírita?
Se a base de todas as
religiões cristãs deve ser o amor, não existe melhor definição dessa virtude
que esta máxima da Codificação Kardequiana: “Fora da caridade não há salvação”.
Atualmente,
todas as religiões vêm buscando sua união em torno de um ponto comum: o amor.
Segundo o Evangelista João (13:34), as seguintes palavras foram ditas por
Jesus: “Novo mandamento vos dou; que vos ameis uns aos outros; assim como eu
vos amei, que também vos ameis uns aos outros.”
E
o Espiritismo tem por máxima exatamente o amor, como vemos exposto em O
Evangelho segundo o Espiritismo, cap VI, item 5: “Amai-vos, este o primeiro
ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”³
Se
a base de todas as religiões cristãs deve ser o amor, não existe melhor
definição dessa virtude que esta máxima da Codificação Kardequiana: “Fora da
caridade não há salvação”. Caridade, meus filhos, é o amor posto em prática. E
o primeiro, depois do amor a Deus, é o amor aos nossos pais.
Por
todo o exposto, creio que, enquanto jovens, não é bom para suas mentes o
envolvimento com as inúmeras concepções religiosas humanas antes do exame
profundo e refletido da mensagem espírita.
O
Espiritismo, meus queridos, fez-me ver a necessidade da prática incessante do
amor e do conhecimento elevado como bases para uma vida melhor. Estou me
esforçando nesse sentido, ainda que nem sempre lhes possa garantir
aproveitamento integral, pois não passo de aprendiz dessas verdades eternas.
Uma
coisa, porém, lhes posso garantir, em todas as forças da alma: sou muito feliz,
graças ao conhecimento espírita e à luta contra as minhas imperfeições. As
forças para tal combate foram-me proporcionadas por essa Doutrina Consoladora.
Então, como Paulo, posso afirmar-lhes: “Aprendi a viver contente com tudo o que
tenho.”⁵
E
o que tenho, filhos do meu coração, devo muito à mensagem espírita, bênção
maior de Deus em minha vida e legado maior deixado a vocês por mim e por sua
mãe: o tesouro moral, que as traças não roem, a ferrugem não consome e os
ladrões não roubam.⁶
¹ KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
115. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1988. p. 276.
² XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17.
ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995. p. 74-75, item 443.
³ KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 115. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1998. p. 130.
⁴ Idem, ibidem, op. cit., p. 248, 251 e 252.
⁵ Paulo. (Filipenses, 4:11.)
⁶ Jesus. (Mateus, 6:19.)
Outubro, 2001.
Reformador.
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