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sábado, 10 de maio de 2014


Em dia com o Machado 103 (jlo)
 

Caro leitor, há milhares de anos, o ser humano vem sendo assassinado por nefastos animais. Perguntará você se essas feras seriam os leões, os jacarés, a cobra cascavel, a sucuri, os enormes elefantes ou os tubarões. Ante nossa resposta negativa, imaginará ferozes cães (Nenhuma intenção de rimar com tubarões, é claro.). E eu lhe responderei: “Não, não e não”.

Para tirá-lo do suspense, meu caro, dir-lhe-ei que as feras assassinas são de tal modo subestimadas por nós que as chamamos de insetos, mais precisamente, mosquitos da dengue, da malária, da febre amarela... Não há piquenique que não seja atrapalhado por eles. Também, por analogia, denominamos assim as pessoas desprezíveis, insignificantes, como este mísero escrivão que lhe tenta transmitir minhas luminosas ideias, com pífio sucesso.

Pois bem, tentando controlar a proliferação de insetos, inventamos o DDT, cujos efeitos colaterais têm sido devastadores para a natureza e para a saúde humana. Na busca de uma alternativa ao combate da multiplicação das moscas, cientistas analisaram, no laboratório da Universidade Rockefeller, os processos sensoriais por meio dos quais os mosquitos escolhem suas vítimas.

Agora vem a parte científica da coisa (Que coisa!): para estudar o modo de pousar, picar e alimentar desses insetos, os pesquisadores enfiam o braço na toca dos mosquitos e se deixam picar. As picaduras vão depender de dois quesitos: genética do mosquito e característica da pele do cientista.

A new chapter in our life. Tão logo descubram o que leva os mosquitos a nos picar ou deixar em paz, as soluções irão de pulseiras repelentes a armadilhas para reduzir drasticamente as populações desses insetos. Quando isso acontecer, muita coceira e muitas mortes serão evitadas. Ainda bem que as cobaias têm como se prevenir desses efeitos colaterais, não é mesmo, leitora paciente?

Curiosamente, os machos não são hematófagos; só as fêmeas se alimentam do nosso sangue. Os machos são hematófobos. Na civilização atual, a inversão de gostos sexuais tem sido uma verdadeira epidemia. Será por que o número de picados pelas moscas tem provocado uma mutação genética entre os humanos? Não sei, nem quero saber. Afasta-te de mim, satanás.

É por isso que nosso orgulho é perda de tempo. Um simples inseto mata mais gente no mundo do que todos os grandes animais reunidos. Com todo o respeito aos cientistas que se expõem às picadas, eu é que não dou meu braço à picadura de mosca alguma. Prefiro picar as moças.

sexta-feira, 9 de maio de 2014


O SEMEADOR DAS ESTRELAS

(Por: Jorge Leite)

 
O semeador saiu a semear,
Mas das sementes que ele semeou
Umas vão certamente prosperar
E florescer quando Jesus chegar.

 
Quando Jesus chegar aos corações,
Quando Jesus chegar às consciências,
Quando Jesus chegar às orações,
Quando Jesus chegar às vãs ciências.

 
Semeará nos corações sofridos,
Semeará na terra fértil e boa,
Semeará também a endurecidos
Que o verão fazer o que apregoa.

 
Quando Jesus chegar aos nossos lares,
Quando Jesus chegar na primavera,
Quando Jesus chegar dos patamares
Onde reside a luz de altas esferas.

 
E tanto o bom Divaldo semeará
Que um dia, como Elias, vai aos céus
E mesmo dos espaços estará
Amando e semeando junto a Deus.

 

 Homenagem a Divaldo Pereira Franco, "o semeador de estrelas", extraordinário orador espírita e médium psicógrafo de mais de duzentas obras espíritas, que completou 87 anos no dia 5 de maio de 2014.

 

 

 

quarta-feira, 7 de maio de 2014


COMUNICAR É PRECISO IX (Jorge Leite)                        

Fora da educação não há segurança (Joteli).

 
Você já ouviu falar em anacoluto? É a figura de construção (ou de sintaxe) que consiste em se interromper uma frase com a continuação por outra. Foi o que ocorreu com a frase lida por nós outro dia: “O alemão ele começou a aprender em 1900”.

Outro exemplo, muito popular: “Pobre, quando come frango, um dos dois está doente”.

Outras figuras de construção:
 
1. Assíndeto: ocorre quando os palavras ou orações de um período se sucedem sem a ligação da conjunção coordenativa.
Exemplo: "A barca vinha perto, chegou, atracou, entramos." (Machado de Assis. Obras completas, I, 1067. In: CUNHA, 2008, p. 643)

2. Elipse: é o termo ou oração que foi omitido na frase por estar facilmente entendido.

Exemplos: a) Tenho feito estudos sobre a vida e obra machadianas. Ou seja, e sobre a obra...
b) Fiquei satisfeito com o trabalho e meu professor também. Ou seja, e meu professor também ficou satisfeito com o trabalho.
 
3. Antonomásia: é a utilização de um nome comum em substituição a um nome próprio e vice-versa.

Exemplos: a) O Bruxo do Cosme Velho escreveu mais de seiscentas crônicas (Bruxo do Cosme Velho = Machado de Assis);
b) O Cisne Negro escreveu sonetos de rara beleza. (Cisne Negro = Cruz e Sousa).

4. Onomatopeia: é a repetição de palavras com vistas a imitar o som ou a voz natural dos seres.

Exemplos: a) Seu coração batia sem parar: tique-taque, tique-taque, tique-taque, quando o passarinho do relógio cantou: cuco-cuco-cuco;
b) Foi então que José ouviu cantar no rádio: “Isso me dá tique-tique nervoso, tique-tique nervoso, tique-tique nervoso”.

5. Pleonasmo: repetição redundante ou enfática de um termo ou a mesma ideia da oração.

Exemplos: a) Coragem verdadeira é a que encara frente a frente os obstáculos. (Encarar é “olhar para a cara de alguém, olhar de frente, ou nos olhos de alguém”, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.);
b) “Toda a velha papelada saiu cá fora, e rimos juntos.” (Machado de Assis. Dom Casmurro, LIV);
c) “Vi, claramente vista, a meia dobra da véspera.” (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas, LI).

 
6. Polissíndeto: repetição proposital da conjunção coordenativa.

Exemplos: a) “E zumbia, e voava, e voava, e zumbia.” (Machado de Assis. A mosca azul. Poesias completas. Ocidentais);
b) “E fraca e magra e transparente e esguia,” (Cruz e Sousa. Tuberculosa. In: SOUSA, Cruz e. Missal e broquéis. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 176).

 
7. Inversão: alteração da ordem sequencial dos termos ou orações.

Exemplos: a) “Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (Mário Quintana. In: Porta giratória, 1988).
b) “Um dia, há bastantes anos, lembrou-me produzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga rua de Matacavalos.” (Machado de Assis. Dom Casmurro. Cap. II).

 
8. Repetição: é o uso reiterado de palavras ou orações com vistas a enfatizar o que foi dito.

Exemplos: a) “Passai, passai, desfeitas em tormentos,” (Cruz e Sousa. Dilacerações. In: SOUSA, Cruz e. Missal e broquéis. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 179);
b) “Canções, leves canções de gondoleiros,
Canções do Amor, nostálgicas baladas,
Cantai com o Mar, com as ondas esverdeadas,
De lânguidos e trêmulos nevoeiros!” (Cruz e Sousa. Sonata. In: SOUSA, Cruz e. Missal e broquéis. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 194).

 
9. Silepse: concordância com a ideia aos termos associada em nossa mente e não com os termos expressos.

Pode ser: a) de gênero: “Vossa Excelência será informado sobre a segurança da copa, Sr. Presidente.”.
b) de número: A gente fomos à festa de formatura do Carlitos.
c) de pessoa: Todos os espíritas somos reencarnacionistas.

 

REFERÊNCIAS

 ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 5. ed. São Paulo: Global, 2009.

ASSIS, Machado de. Machado de Assis. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973. Obra completa, vol. 3.

CARVALHO, Castelar de. Dicionário de Machado de Assis: língua, estilo, temas. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 26. ed. São Paulo: Nacional, 1985.
 
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008. De acordo com a nova ortografia.
 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010.
 

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
 

SOUSA, Cruz e. Missal e broquéis. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
 

QUESTÕES VERNÁCULAS

Edição 7

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@oconsolador.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)
 

Na língua portuguesa, o som das letras “e” e “o”, quando presentes em uma sílaba tônica, ora é aberto, ora é fechado.

Nos vocábulos seguintes, o som da vogal tônica é aberto:
1.    amorfo (ó)
2.    anelo (é)
3.    antolhos (ó)
4.    apostos (ó)
5.    às avessas (é)
6.    blefe (é)*
7.    canoro (ó)
8.    caroços (ó)
9.    cassetete (é)
10. cervo (é)*
11. cetro (é)
12. ciclope (ó)
13. coeso (é)*.

 *Obs.: segundo o VOLP atualizado pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: blefe (é ou ê); cervo (é ou ê); coeso (é ou ê).

Diferentemente dos casos acima, nestes vocábulos o som da vogal tônica é fechado:
1.    acervo (ê)*
2.    adrede (ê)
3.    alcova (ô)
4.    algoz (ô)*
5.    algozes (ô)*
6.    almeja (do verbo almejar) (ê)
7.    alvoroços (ô)
8.    ambidestro (ê)*
9.    aposto (ô)*
10. arrotos (ô)
11. avessa (ê)
12. bodas (ô)
13. bolo, bolos (ô).

*Obs.: segundo o VOLP, 5. ed. 2009: acervo (é ou ê); algoz(es) (ô, ó); ambidestro (é ou ê); aposto (ô) adj. S. m.; f. (ó); pl. (ó); cf. aposto, fl. do v. apostar.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 2 de maio de 2014


                                                           

A ERA DO ESPÍRITO (Jorge Leite)

                                                        Castro Alves
Os Espíritos têm dois objetivos principais com suas comunicações mediúnicas: demonstrar, com as provas possíveis, sua sobrevivência após a morte e contribuir com nossa evolução espiritual. O que vamos fazer da certeza obtida com isso cabe a cada um de nós. É por isso que os médiuns podem variar, mas o estilo do Espírito que se tornou famoso nas artes quando encarnado, continua o mesmo. E Castro Alves está presente no condoreirismo e na preocupação dos temas sociais que tanto o caracterizaram quando encarnado. Confira num dos seus poemas mediúnicos abaixo:


NA ERA DO ESPÍRITO


O caos invadira a França,
− Olimpo do pensamento.
O ódio − lobo famulento,
Range as presas com furor.
Nas ruas − Paris descansa;
Em casa − chora em segredo;
Gigante, arrosta, com medo,
As iras do Imperador.
 
A Nação encarcerada
Lança em nota clandestina
As safras da guilhotina
E explode: − “Revolução!”
Recorda a Bastilha irada,
Lê Rousseau, à luz da vela,
Esmurra as grades da cela,
Protesta rugindo em vão.

A crença herdada do Cristo
Caíra no sorvedouro
− Turbilhão de pompa e ouro −,
Dobrada ao tacão dos reis.
Em tormento jamais visto,
Nos frios templos, o povo
Exorava aos Céus, de novo,
Novos rumos, novas leis.

A Ciência − clava forte − ,
Contra as cadeias medievas,
Partia os grilhões das trevas
Em sarcástico festim,
A exprobrar de sul a norte,
Por tirana revoltada:
− “Dominemos! Deus é nada!”
A morte − o portal do fim !”

Ninguém na fé militante...
Mavorte, em fúria, galopa
Nos campos de toda a Europa!
Na África − a abjeção!
Na Austrália − o progresso infante!
Na Ásia − o suor dos párias
Rola em bagas milenárias!
Na América − a escravidão!

Mas o Espaço se descerra!
Jesus, no esplendor dos sóis,
Recruta gênios e heróis
A iluminar o porvir.
De polo a polo, na Terra,
Flamejam etéreas lampas,
Mensagens brotam das campas,
Ao toque de ressurgir!
 
Aos clarões da Imensidade,
Kardec chega e inaugura
A Doutrina viva e pura
Da razão à luz do bem.
O Espírito de Verdade
Semeia Divina Messe,
O Evangelho reaparece
Nas Vozes do Grande Além!

Falam tumbas, dançam mesas,
Nascem livros, surgem almas,
Luzem preces, chovem palmas,
Hosanas aqui e ali!
Consciências dantes presas
Rompem torva cidadela;
Pastor guiando a procela,
Jesus conclama: − “Servi!”
 
Ante a ribalta terrestre,
O Direito renovado
Deixa, ao tropel do passado,
Distinções de raça e cor!
Em triunfo, volve o Mestre,
E acende na mente humana,
Desde o palácio à choupana,
O facho do Eterno Amor!...
 
O mundo voga num misto
De infortúnio e de esperança,
Pranteia a sorrir e avança
Nas Bênçãos do Excelso Pai!
Kardec reflete o Cristo;
Desfralda, em bandeira à frente,
O convite permanente:
− “Espíritas, trabalhai!...”

(Médium : Waldo Vieira. In: XAVIER, Francisco  Cândido; VIEIRA, Waldo.  Antologia dos Imortais. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, p. 117.)
 
Como desdobramento oportuno ao clamor de Castro Alves para que vençamos o mal com o bem, nada melhor do que a transcrição de trechos da mensagem do Espírito Joanna de Ângelis, psicografada por Divaldo Franco a seguir:

“Ninguém tem coisa alguma no mundo: nem corpo, nem valores amoedados, nem pessoas sob domínio... A in­cessante transformação, vigente no Cosmo, tudo altera a cada instante, e o vivo de agora estará morto logo mais; o dominador torna-se vítima; o corpo se dilui; os objetos passam de mãos...
 
Todo aquele que busca a posse, o ter e reter, perma­nece vazio de sentimentos e, porque nada é, enche-se de artefatos e coisas brilhantes, porém mortas, prosseguindo cheio de espaços e abarrotado de preocupações afligentes. [...]
Ser consciente de si mesmo é a meta existencial, con­seguindo o autoamor que desdobra a bondade, a compai­xão, a ação benéfica em favor do próximo.
[...]
Senhor do discernimento, o homem descobre que co­lhe de acordo com o que semeia, e que tudo quanto lhe acontece, procede, não tendo caráter castrador ou punitivo. Sente-se emulado a gerar novos futuros efeitos, agindo com consciência e produzindo com equidade. Tal conduta pro­porciona-lhe a alegria que provém da tranquilidade da rea­lização, considerando que sempre é tempo de reparar, e pos­tergação é-lhe prejuízo para a economia da sua plenificação.
O homem que se conquista supera os mecanismos de fuga, de transferência de responsabilidade, de rejeição e ou­tros, para enfrentar-se sem acusação, sem justificação, sem perdão.

Descobre a vida e que se encontra vivo, que hoje é o seu dia, utilizando-o com propriedade e sabedoria. Não tem passado, nem futuro, neste tempo intemporal da relativi­dade terrestre, e a sua é uma consciência atual, fértil e rica de aspirações, que busca a integração na Cósmica, que já desfruta, vivendo-a nas expressões do amor a tudo e a todos intensamente.
 
A conquista de si mesmo é lograda mediante o querer.

Jesus afirmou que se poderia fazer tudo quanto Ele fez, se se quisesse, bastando empenhar-se e entregar-se à reali­zação. Para tanto, necessário seria a fé em si mesmo, nos valores intrínsecos, que seriam desenvolvidos a partir do momento da opção.

Francisco de Assis, o santo, assim quis e o conseguiu.

Apóstolos do Bem, da Ciência e da Fé, do pensamen­to e da ação quiseram, e o lograram.

Homens e mulheres anônimos entregaram-se aos ideais que lhes vitalizaram as existências e, superando-se, autoconquistaram-se.
 
A conquista de si mesmo está ao alcance do querer para ser, do esforçar-se para triunfar, do viver para jamais morrer” (FRANCO, Divaldo P. / Joanna de Ângelis. O ser consciente. Salvador: LEAL. Cap. 10.)

Atentemos para a beleza desses convites, emanados da espiritualidade superior e esforcemo-nos para que o trabalho incessante no bem nos proporcione a felicidade só encontrada por quem já entendeu, em plenitude, a Boa-Nova do Cristo.
 
Fomos criados para a luz, mas o esforço de superar as trevas das paixões e dos vícios que tanto nos atormentam na Terra cabe a cada um de nós. Isso se chama livre-arbítrio.
 
Deus não tem pressa, todavia, quanto mais nos acomodamos na miséria moral, menos avançamos na verdadeira riqueza, que é a espiritual. Conheçamo-nos e busquemos vigiar, trabalhar no bem, sendo úteis à sociedade, e orar o tempo todo, para que as tentações do mundo não nos impeçam alcançar a paz do Cristo, que está dentro de nós.
Nesse dia,  o reino de Deus estará definitivamente implantado no íntimo dos seus filhos; e todos compreenderão que o bem feito ao seu irmão é o que deseja para si. Consequentemente, o mal feito a qualquer criatura viva é a origem do mal ao seu causador.
Quando a maioria da população terrestre estiver na condição elevada superior de retribuir o mal com o bem, teremos chegado à era do Espírito.
 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Em dia com o Machado 102 (jlo)
— Estimado amigo, aqui vai um alerta: muita mentira é postada na internet, como esta frase, atribuída a mim: “O problema da internet é que nunca se sabe se o crédito é verdadeiro”.
Ora, meu caro, em minha época, no século XVIII, ainda nem existia a lei que regula os direitos autorais, no Brasil, como então se falar de crédito autoral? Informe-se, meu amigo; informe-se...
 
Leia minhas obras gratuitamente no site www.dominiopublico.gov.br e faça delas o uso que desejar, sem consultar-me. Afinal sou um autor-defunto e, como tal, não exijo consultas prévias quanto à autorização ou não de publicação dos meus textos. De duas coisas, porém, faço questão: veracidades da informação e do nome do autor.
 
Pessoas até mesmo bem intencionadas podem, sem conferir a procedência dos e-mails a mim atribuídos, postá-los como se fossem verdadeiros. Por isso, ainda sou mais a letra cursiva, a psicografia ou a velha máquina de datilografia quando desejo me comunicar, ora pois...
 
Falemos, agora, sobre a Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Será que o investimento financeiro terá retorno? Doze estádios foram construídos ou estão prestes a ser inaugurados, ao preço total de cerca de oito bilhões de reais. Imagine quanto não se investirá em educação, saúde e segurança...
 
O bom de tudo isso é que teremos melhores rodovias, modernos aeroportos, comércio em alta, empregos a residentes ou não, médicos estrangeiros... Ô, coisa boa! O circo está sendo montado, e o pão vem com a bolsa-família cheia; o fogo, porém, ninguém sabe de onde vem...
 
— O valor dos ingressos e a cobertura televisiva, com certeza, vão cobrir esses gastos, meu caro Bruxo.
 
— Não, meu barato Joteli, o lucro maior com a transmissão e ingressos dos jogos é da Fifa.
 
tá brincando, Machado... A Copa não é aqui? Os investimentos financeiros na construção e administração dos estádios, aeroportos, rodovias, segurança não são feitos 97% pelo Governo do Brasil?
 
— Sim, pobre senhor, todavia nunca, jamais se viu uma propaganda tão positiva em relação ao paraíso (fiscal, é bem verdade) que é nosso país. É a França falando bem; são os EUA enaltecendo a glória tupiniquim; é a Espanha querendo ganhar o torneio com a ajuda de um grande atacante brasileiro naturalizado espanhol... Até os japoneses rasgam elogios a nós.
Aqui em Brasília, sede de alguns jogos, o campeonato local tem tido pífia participação dos torcedores; mas durante e depois da Copa você vai ver como isto aqui ficará. Se viver, verá...
 
— Vou ver é o estrago que está sendo feito à minha nação, Machado. Pobre país, pobre povo que só vive de sonhos, “deitado eternamente em berço esplêndido”, e não quer acordar. Levanta, Brasil! Lucros da Fifa... Não vejo graça nenhuma nisso...
 
— Quer um exemplo da desproporcionalidade entre custo e benefício do evento, reles secretário? Dou-to agora: há poucos dias, ocorreu um jogo do campeonato local de Brasília, entre os times Legião e Atlético Ceilandense, que teve como público pagante nove pessoas. Entretanto, o público não pagante foi sete vezes maior.
É por isso que sou contra as torcidas organizadas. Elas não pagam ingressos e ainda agridem jogadores, destroem o patrimônio dos clubes, etc.
 
— Atualmente, tais pessoas são chamadas de vândalos, Machadinho.
 
— Quanto é mesmo nove vezes sete? 63? Ah!, sim, entendi... Pode-se até fazer um paralelo com o que ocorrerá na Capital do Brasil. Estima-se que a média de público dos jogos do campeonato local fique em torno de mil pessoas; contudo, o estádio construído para os sete jogos da Copa na Capital tem capacidade para receber 71.000 pessoas.
 
— Se toda a renda vai para a Fifa, que lucro teremos com isso, Bruxo? Ainda tento entender...
 
— Incremento do turismo, Jo... Já pensou o que acontecerá quando o mundo inteiro descobrir a Praia do Francês, em Alagoas e a Praia do Rosa, em Santa Catarina? E a melhor festa junina do mundo, em Campina Grande, Paraíba? Já pensou nisso? Temos, também, a Praia de Atalaia e o Mercado de Aracaju, em Sergipe... Fernando de Noronha é um paraíso!
 
— Só tem um problema, Machado: em nenhum desses lugares haverá jogos da Copa.
 
— Mas isso não tem importância, abestado; com a infraestrutura aeroviária construída e os trens- bala não haverá um só cantinho do Brasil que não seja conhecido.
 
— Por falar em trens-bala, Machado, creio que não só a polícia civil e militar, como também todas as  Forças Amadas de nossa “pátria armada” precisam estar alerta nesses dias de grande paixão. Vai que os torcedores não aceitem uma ou outra derrota do escrete canarinho e resolvam pôr fogo nos estádios. Já pensou no prejuízo que teremos?
 
— Isso é coisa de vândalos. Não falemos mais em Copa. Adeus.
Ah! Antes que eu me esqueça: o que é mesmo internet?
 
 

 

 

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...