Páginas

quinta-feira, 12 de março de 2020


Allan Kardec, a educação e o educador
Jorge Leite de Oliveira (12/3/2020)

            Na “[...] antiga família lionesa, católica, de nobres e dignas tradições”[1], nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail, o futuro Allan Kardec, no dia 3 de outubro de 1804, em Lyon, e desencarnou em 31 de março de 1869, na cidade luz de Paris, na França. Seus pais chamavam-se Jean-Baptiste Antoine Rivail e Jeanne Louise Duhamel. A família residiu na Rua Sala, nº 76. Sua casa desapareceu quando foi inundada essa rua em 1840 e, dessa data até 1852, segundo Henri Saussi, a rua foi alargada.[2]
            Quando tinha dez anos, Rivail foi matriculado no Instituto Yverdun, fundado e dirigido pelo famoso pedagogo João Henrique Pestalozzi, considerado “o educador da Humanidade”, como consta em epitáfio do monumento construído à sua memória em Birr (cantão de Argóvia).[3] O Instituto, localizado na Suíça, era na época a mais renomada escola da Europa. Ali estudou Roger de Guimps, que escreveu um livro sobre a obra pestalozziana,[4] e várias outras grandes personalidades destacadas do passado, que também escreveram sobre a excelência do Instituto.
Os fundamentos da educação, para Pestalozzi, eram a disciplina e o amor. Em seu Instituto, “[...] não havia castigos nem recompensas. Pestalozzi não queria a emulação nem o medo. Só admitia a disciplina do dever, ou melhor, a da afeição, do amor”, segundo Gabriel Compayré.[5]
Acrescenta Wantuil, em seguida, que Pestalozzi,

Nas admoestações que fazia, sempre indiretas, punha tanta bondade e compreensão em suas palavras, que não raro os alunos se retiravam com lágrimas nos olhos, de sincero arrependimento. Além de receberem excelente preparo físico, intelectual e moral, os escolares eram igualmente educados para a vida em sociedade, de modo a poderem enfrentar o mundo em qualquer situação ou circunstância.[6]

            Pestalozzi, embora protestante, educava jovens de outras crenças com base na tolerância e distante “[...] dos preconceitos e das paixões religiosas” de seu tempo. Para ele, o importante era a prática da “[...] moral ativa e intuitiva e não a moral de cartilha [...]”.[7]
            Para o pedagogo suíço, o ensino e a prática da moral, antes da instrução, deveria ser a base da educação. Mais tarde, o agora compilador, organizador e comentador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, diria que somente o ensino moral dos Evangelhos estaria livre de controvérsias e se constituiria na base para que nos tornássemos verdadeiros cristãos e cidadãos de bem.
            Assim foram os primeiros anos do jovem Denizard Rival. A tradição de sua família era a de que a transformação da sociedade teria por base o lema da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade, fraternidade” e, sobretudo, respeito à vida. E isso só seria possível com a educação que se iniciasse pela elevação do caráter da criança e do jovem, jamais pela violência, nunca pela discriminação à crença, etnia, sociedade ou cultura de alguém.
            Tendo na educação o mais eficaz instrumento de elevação moral, sem o qual a instrução não passaria de letra morta, a influência pestalozziana na formação de Rivail seria de tal modo marcante que este criou, em Paris, o primeiro instituto semelhante ao de Yverdun, substituído, em 1835, pelo Liceu Polimático. Neste último lecionou, durante quinze anos, diversos cursos gratuitos, como os de Química, Física, Astronomia e Fisiologia.[8]
            Autor e tradutor de várias obras, pois falava e escrevia fluentemente o alemão, tão bem como o francês, além de outros idiomas, Rivail, aos vinte anos,  publicou a obra intitulada Curso prático e teórico de aritmética, que, somente no primeiro ano de sua publicação, teve duas edições, e por mais de cinquenta anos foi reeditada e adotada na França.[9]
            Zêus Wantuil, op. cit., p. 26 a 30, relaciona dezenove obras publicadas e onze diplomas recebidos pelo professor Rivail em sua atividade de fundador, diretor de escola, professor, escritor e tradutor. E conclui:

Entre outras matérias, lecionou, como pedagogo de incontestável autoridade: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês. Era dado a estudos filológicos e de gramática da língua francesa. Conhecia profundamente o alemão, o inglês, o holandês, assim como eram sólidos seus conhecimentos do latim e do grego, do gaulês e de algumas línguas novilatinas, como a italiana e a espanhola, as quais falava fluentemente.[10]

            Kardec também estudou o magnetismo durante cerca de trinta anos. Na Revista Espírita de março de 1858, diz ele que

O magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e o rápido progresso desta última doutrina se deve, incontestavelmente, à vulgarização das ideias sobre a primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas não há mais que um passo; tal é sua conexão que, por assim dizer, torna-se impossível falar de um sem falar do outro.[11]


            Esse foi o período inicial da formação do educador, Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, por mais de trinta anos, se empenhou na educação de crianças e jovens parisienses com base na didática pestalozziana, que adaptou e tornou conhecida na França. Como atento observador que sempre fora, porém, sonhava contribuir para a unidade de crença no mundo.
Entretanto, ele conhecia bem o espírito de intolerância religiosa de todos os tempos, em especial no que observou durante sua época de aluno do Instituto de Pestalozzi, quando católicos e protestantes não se entendiam. Daí sua não estranheza, quando constatou que a Igreja, instituição da tradição religiosa de sua família, não percebeu nas manifestações dos Espíritos a inauguração de uma nova Era para a Humanidade.
            O Espírito Zéfiro informou a Rivail que, em reencarnação ocorrida, provavelmente, há cerca de dois mil anos, o nome deste fora Allan Kardec, sacerdote druida na sociedade celta das Gálias. A partir dessa revelação, é com esse nome que o mundo passa a conhecê-lo. A revista Reformador, de novembro de 1976, p. 331 a 333, traz informações detalhadas sobre os motivos da adoção do pseudônimo pelo qual seria conhecido o Codificador do Espiritismo. Esse e outros periódicos mais antigos podem ser acessados no site www.febnet.org.br.[12]
            O sonho de Kardec jamais fora fundar uma nova crença, mas ver a unificação do aspecto moral em todas as religiões promovendo sua união. Com o advento dos fenômenos mediúnicos e sua revelação superior, esforçou-se em mostrar ao mundo a Filosofia e Ciência do Espírito, como a Nova Revelação cristã, sob a direção do Espírito da Verdade. E propunha a todas as religiões promover o ecumenismo religioso no qual imperasse a tolerância, a fraternidade, o amor e a caridade segundo o modelo de Jesus, o Messias Divino.  
Desse modo, ao citar João, 10:16, que termina anunciando a existência de “um só rebanho e um só pastor”, Kardec comenta o seguinte:

Por essas palavras, Jesus anuncia claramente que os homens um dia se unirão por uma crença única; mas como poderá efetuar-se essa união? A tarefa parece difícil, tendo-se em vista as diferenças que existem entre as religiões, os antagonismos que elas alimentam entre seus respectivos adeptos e a obstinação que manifestam em se acreditarem na posse exclusiva da verdade. Todas querem a unidade, mas cada uma se vangloria de que essa unidade se fará em seu proveito e nenhuma admite a possibilidade de fazer qualquer concessão às suas crenças.[13]


            Em seguida, o Codificador do Espiritismo explica, cheio de otimismo, que a unidade religiosa ainda ocorrerá, assim como a união entre os povos, pelos laços de fraternidade e pela evolução da razão humana. E conclui o novo parágrafo dizendo: “Se é certo que a Ciência demole, nas religiões, o que é obra dos homens e fruto de sua ignorância das leis da Natureza, também é certo que não poderá destruir, apesar da opinião de alguns, o que é obra de Deus e eterna verdade”.[14]
            É preciso que as religiões não se imobilizem e, sim, façam concessões e sacrifícios maiores ou menores para se unirem em torno de um “[...] terreno neutro, se bem que comum a todas”. Esse espaço é o da moral mais pura, mais lógica e “[...] mais de harmonia com as necessidades sociais, o mais apropriado, enfim, a fundar na Terra o reinado do Bem, pela prática da caridade e da fraternidade universais”.[15]
            Assim sonhava Kardec, assim sonhamos todos nós, espíritas e não espíritas que acreditamos na educação pelo amor como base de um mundo melhor. Informa Wantuil que ano antes de desencarnar, o Codificador mantinha, ainda, intacto seu ideal de mocidade quando escreveu:

A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos, pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos pelos outros como inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados em vez de irmãos a serem amados.[16]


“O Espiritismo foi a obra de minha vida”, diria Allan Kardec, cujo tempo, fortuna, repouso e saúde sacrificara pelo desejo de contribuir, humildemente, como instrumento de divulgação e exemplificação das mensagens trazidas ao Mundo pelos Espíritos Superiores, sob a direção amorosa do Cristo.
Plenamente consciente sobre a importância da educação intelecto-moral, esse humilde servidor de Jesus e missionário maior da Terceira Revelação, comenta o seguinte, em O evangelho segundo o espiritismo:

O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir, goza ele enquanto aqui permanece. Desde, porém, que é forçado a abandonar tudo isso, não tem a posse real das suas riquezas, mas, simplesmente, o usufruto. Que possui ele, então? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, o conhecimento, as qualidades morais. Isso é o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, porque, daquilo que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura.[17]

            Foi isso que Allan Kardec aprendeu desde criança e dedicou toda a sua vida missionária a transmitir ao próximo, como verdadeiro espírita e cristão que ele sempre soube ser. Ao tomar conhecimento de sua missão, como verdadeiro apóstolo do Cristo, ele expressou-se, em resposta ao Espírito Verdade, cheio de júbilo e gratidão ao Criador:

Espírito Verdade, agradeço os teus sábios conselhos. Aceito tudo, sem restrição e sem ideia preconcebida.
Senhor! já que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! A minha vida está nas tuas mãos; dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa vontade não desfalecerá, mas talvez as forças me traiam. Supre a minha deficiência; dá-me as forças físicas e morais que me forem necessárias. Ampara-me nos momentos difíceis e, com o teu auxílio e o amparo dos teus celestes mensageiros, tudo farei para corresponder aos teus desígnios.[18]

            Que o exemplo desse extraordinário missionário nos sirva de incentivo para que jamais aleguemos falta de tempo ou de bom ânimo ante a necessidade de aprender para melhor servir. E que jamais nos esqueçamos de que sem humildade, abnegação, perdão e devotamento ao próximo não teremos compreendido bem sua obra sintonizada com a do Espírito Verdade.
Cristo espera de nós o bom cumprimento dos pequenos compromissos, para que sejamos dignos de missão mais elevada, como foi a de Allan Kardec, o educador espírita da Humanidade.



[1] WANTUIL, Zêus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: o educador e o codificador. 2. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004, v. 1, p. 21.
[2] Loc. cit.
[3] Id., p. 29.
[4] Id., p. 31.
[5] Apud. WANTUIL; THIESEN. Op. cit., p. 34.
[6] Loc. cit.
[7] Id., p. 71.
[8] WANTUIL, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1969, p. 18 e 22.
[9] Id., p. 21.
[10] Id., p. 30.
[11] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Ano I, 1858. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 5. ed., 1. imp. Brasília: FEB, 2014, p. 147.
[12] FEDERAÇÃO Espírita Brasileira. Rivail – o direito de ser Kardec. Disponível em: . Acesso em 7 de julho de 2018.
[13] KARDEC, Allan. A gênese.  Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013, p. 327.
[14] Loc. cit.
[15] Id., p. 328.
[16] WANTUIL, Zêus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: o educador e o codificador. 2. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004, v. 1, p. 83.
[17] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017, cap. 16, it. 9, p. 216.
[18] KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed., 1. imp. Brasília: FEB, 2016, 2. Parte: Minha missão, p. 252.

Publicado em Reformador/FEB, out. 2018.

segunda-feira, 9 de março de 2020




EM DIA COM O MACHADO 409:
 sexualidade atormentada... (Jó)

Segundo o Espírito Philomeno de Miranda, a "desmistificação" das funções sexuais, pelos "estudiosos da sexologia",  é a causa de muitas perturbações... A "liberação sexual, exagerando as suas licenças morais, vem trazendo transtornos graves e desarmonias profundas" às criaturas humanas.
Miranda inicia seu relato com o drama de um jovem sacerdote, mas antes alerta-nos de que

O sexo, mal conduzido, em razão do envolvimento emocional e das dilacerações espirituais que produz em outrem, como naquele que o utiliza mal, abre campo para terríveis conúbios obsessivos [...][1].

         O padre Mauro, com aproximadamente trinta anos de idade, lutava tenazmente "contra as tendências infelizes do passado". Além de combater as próprias inclinações inferiores, ainda recebia as influências espirituais de um obsessor pertinaz.
Mauro assumiu o sacerdócio sem possuir inclinação para suas funções. Julgava que, tornando-se seminarista, conseguiria dominar suas fortes tendências sexuais aberrantes.
         Após ordenar-se sacerdote, esforçou-se, no início, em exercer com dignidade seu ministério. Com o tempo, porém, influenciado por diversas mídias, como a TV, além do obsessor, foi dominado pelos desejos lascivos, em especial os da pedofilia, que passou a cultivar.
         Em existência passada, Mauro fora jesuíta e atuara cruelmente em organização religiosa, cujo objetivo principal era evangelizar os indígenas. Entretanto, ao invés disso, ele cometera diversos crimes contra silvícolas e pessoas consideradas inimigas da Igreja. Agora, sofria as consequências espirituais de seu passado criminoso.
         Ao dormir, Mauro era constantemente atraído para locais vergonhosos, nos quais havia todos os tipos de aberrações morais, tais como sexo em grupo, pedofilia, homossexualidade e bestialismo. Cansado desse comportamento, e sob a intercessão do Espírito de sua mãe, o padre buscara na oração o socorro para sua alma atormentada. Dirigia o grupo socorrista, do qual participava Miranda, o Espírito Anacleto.
         O obsessor que perseguia o padre, em sua existência atual, zombava dele, quando o via orar. Philomeno registrou o momento em que aquele Espírito dizia a Mauro, antes de arrastá-lo para um antro de perturbação espiritual, na área do sexo, durante o sono: "Por que buscas Deus, miserável? [...] Quanto cinismo!".
         Sob a influência desse Espírito e da própria alma desajustada moralmente, Mauro seguiria em seu desvairamento moral. Surpreendido pela diretora de escola tentando praticar sexo com um menino de cerca de oito anos, também obsidiado, precisou ser amparado espiritualmente para não se suicidar (op. cit., p. 61).
Como atenuante à sua conduta, estava o passado, em que o próprio pai o violentara sexualmente, quando Mauro tinha a idade do menino que ele quase vitimara. Entretanto, sob a assistência espiritual da mãe desencarnada, foi-lhe recomendado esforçar-se na prática da caridade, a fim de se libertar do seu desequilíbrio sexual.
Submetido a uma regressão de memória, após dormir, Mauro conheceu todo o seu passado sombrio. O obsessor do padre fora prejudicado por este naquele triste passado. Agora, comprazia-se em arrastar o antigo algoz para os desvios da sexualidade, em especial na pedofilia. Entretanto, o obsessor foi doutrinado no plano espiritual, ainda que contra sua vontade, e afastado, pois, como explicou Anacleto, o livre-arbítrio é uma concessão que nos é feita por Deus com "caráter relativo".
A solução para a atitude de Mauro, orientada espiritualmente à diretora da escola, foi transferi-lo... Com isso, era-lhe dada oportunidade de se regenerar e mudar de atitudes. Ciente de que todos os acontecimentos, desde a violência sexual praticada pelo pai, na infância, até sua inclinação à pedofilia, resultavam de seus comprometimentos na existência passada, o jovem padre agora recebia a oportunidade de um recomeço...
Toda a assistência prestada ao padre Mauro iniciara com a proteção do Espírito que fora sua mãe na atual existência, como também por seu arrependimento e oração, ainda que estivesse sob a influência negativa de Espírito obsessor, a quem prejudicara outrora. Mauro ainda  passaria momentos difíceis, mas a mãe jamais o abandonaria. Em vista disso, diz Miranda: "Pude então refletir que, enquanto houver mães no mundo, o amor de Nosso Pai estará refletido nos seus atos de extrema abnegação e renúncia" (op. cit., p. 243).
É que o sentimento feminino das mulheres, que no último domingo, 8 de março, teve seu dia comemorado, reflete o Amor Divino a nós, seus filhos réprobos, jamais desistindo de nos elevar das trevas para a luz.
Concluo com a frase erroneamente atribuída a Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim"[2].
        


[1] MIRANDA, Manoel Philomeno (Espírito). Sexo e Obsessão. Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2002, p. 12.

[2] HAMMED (Espírito). Um modo de entender: uma nova forma de viver. Psicografia de Francisco do Espírito Santo. Catanduva, SP: Boa Nova, 2004.

sexta-feira, 6 de março de 2020

O Evangelho Segundo o Espiritismo (trad. livre)
Prof. Dr. Jorge Leite de Oliveira



Continuação do cap. 8

Escândalos 


Deve haver escândalo no mundo, disse Jesus, porque as pessoas imperfeitas na Terra estão inclinadas a fazer o mal, e as árvores ruins dão frutos ruins. Portanto, devemos entender com essas palavras que o mal é uma consequência da imperfeição das pessoas, e não que haja para elas uma obrigação de o praticar.
E necessário que o escândalo venha, porque as pessoas, estando em expiação na Terra, se punem a si mesmas pelo contato de seus próprios vícios, dos quais são as primeiras vítimas, e cujos inconvenientes acabam por compreender. Quando estiverem cansadas de sofrer devido ao mal, buscarão o remédio no bem. A reação desses vícios serve, pois, ao mesmo tempo de castigo para uns e de prova para outros. É assim que Deus faz sair o bem do mal, e que as próprias pessoas aproveitam as coisas ruins ou sem valor.
Se é assim, dir-se-á, o mal é necessário e durará sempre, pois se viesse a desaparecer, Deus seria privado de um poderoso meio de corrigir os culpados. Logo, é inútil procurar melhorar os homens. Mas, se não houvesse mais culpados, não haveria necessidade de castigos. Suponhamos a humanidade transformada em pessoas de bem: nenhuma pensará fazer mal a seu próximo, e todas serão felizes por serem boas. Tal é o estado dos mundos adiantados, dos quais o mal foi excluído. Tal será o estado da Terra, quando ela houver progredido suficientemente. Mas enquanto certos mundos avançam, outros se formam, povoados por Espíritos primitivos, e que servem  de morada, de exílio e de lugar de expiação para os Espíritos imperfeitos, rebeldes, obstinados no mal, e que são rejeitados pelos mundos que se tornaram felizes.
Mas ai daquele por quem venha o escândalo. Quer dizer que o mal sendo sempre o mal, aquele que serviu, sem o saber, de instrumento à Justiça divina, sendo utilizados os seus maus instintos, nem por isso deixou de fazer o mal, e deve ser punido. É assim, por exemplo, que um filho ingrato é uma punição ou uma prova para o pai que sofre com isso, porque esse pai talvez tenha sido um mau filho, que fez sofrer seu pai, e agora sofre a pena de talião. Mas o filho não terá desculpas por isso, e deverá ser castigado por sua vez, através dos seus próprios filhos ou de outra maneira.
Se sua mão lhe serve de causa de escândalo, corte-a: figura enérgica, que seria absurda se tomada ao pé da letra, e que significa simplesmente a necessidade de destruirmos em nós todas as causas de escândalo, ou seja, do mal. Arrancar do coração todo sentimento impuro e todo princípio vicioso. Quer dizer ainda que mais vale para o homem ter a mão cortada, do que esta ser para ele o instrumento de uma ação ruim; ser privado da vista, do que seus olhos lhe servirem para maus pensamentos. Jesus nada disse de absurdo, para quem saiba compreender o sentido alegórico e profundo das suas palavras. Porém, muitas coisas não podem ser compreendidas sem a chave que lhes dá o Espiritismo.

quinta-feira, 5 de março de 2020



O Poder de Deus em Nós
Jorge Leite de Oliveira

Em diversos versículos bíblicos, temos a afirmação de que Deus está com o Cristo e com todos nós, pois Deus é nosso Pai, e Jesus é nosso irmão, como Ele confirmou, quando, após sua ressurreição, apareceu a Maria Madalena e lhe disse: “Não me toques [...]. Vai, porém, a meus irmãos e dize-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus” (João, 20:17). Essa verdade é ratificada por Paulo: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós” (I Coríntios, 3:16-17).
            Diz Camille Flamarion (1979, p. 383) que “A ignorância havia humanizado Deus, e a Ciência diviniza-o”. Não somente a Ciência dos homens sábios, como também a Ciência do Infinito, expressa nas vozes dos Espíritos que, sob a coordenação do Cristo, legaram à Humanidade a Doutrina Espírita após o advento da Boa Nova.
A primeira questão d’O livro dos espíritos, formulada por Allan Kardec com grande sabedoria é: “Que é Deus?” Ele não pergunta, como sempre foi comum ser indagado pelos religiosos, “quem”, e sim, “que” é essa Consciência Divina que tudo pode, tudo sabe, tudo dirige no Universo, com extrema sabedoria e bondade. E a resposta foi objetiva e igualmente sábia: “Deus é a Inteligência Suprema, causa primeira de todas as coisas” (KARDEC, 2018, q. 1).
            Os Espíritos ainda nos informam que a Lei de Deus está escrita em nossa consciência (KARDEC, 2017, q. 621). Pouco adiante, confirmam que nosso guia e modelo é Jesus (id. q. 625). Em seguida à resposta obtida, Kardec esclarece-nos que Jesus é “o mais perfeito modelo” que Deus nos concedeu; é a “expressão mais pura de Sua Lei” e “o mais puro ser já surgido na Terra”. Pois “o Espírito Divino o animava” (destaquei).
            Este comentário de Kardec respalda o anúncio de João:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem Ele nada foi feito. O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam (João, 1:1-5).

            O Verbo Divino estava com Cristo, por ser Ele Espírito puro. E Deus encarregou-o de trazer-nos o Evangelho Divino, após Jesus presidir, com seus Exércitos angelicais, a criação mineral, vegetal e animal da Terra, segundo Emmanuel (XAVIER, 2008, cap. I).
Naturalmente, não é nosso propósito aqui abonar a tese da Igreja sobre a trindade universal de Deus em Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é único, e Jesus Cristo é seu Filho unigênito, ou seja, perfeito em relação a nós, que também somos deuses, conforme o Cristo afirmou e está em João, 10:30-36, confirmando as palavras do profeta Asaf, no Salmo 82. Eis o que diz o salmista:

Deus preside, na assembleia divina, em meio aos deuses Ele julga: “Até quando julgareis falsamente, sustentando a causa dos ímpios? Protegei o fraco e o órfão, fazei justiça ao pobre e ao necessitado, libertai o fraco e o indigente, livrai-os da mão dos ímpios! Eles não sabem, não entendem, vagueiam em trevas: todos os fundamentos da Terra se abalam. Eu declarei: vós sois deuses, todos vós sois filhos do Altíssimo [...] (Salmo, 82:1-6).
           
            O Espírito Emmanuel fala-nos da grandeza do Espírito Divino e da condição de Jesus como Seu representante maior na Terra. O Cristo é um desses deuses da assembleia divina citada por Asaf. Mas quem julga “falsamente” são os seres humanos, limitados em sua justiça.
A Justiça Suprema — diz Emmanuel — governa sobre todo o Universo. E Sua Lei Maior sempre foi e será a do Amor. Cristo, como um dos “seus filhos mais eminentes, no plano dos valores espirituais” é essa “fonte de extraordinária luz” em cujo “coração augusto e misericordioso está o Verbo do princípio” (XAVIER, 2008, p. 15- 16).
            Jesus — confirma Emmanuel —

é a Luz do princípio e nas suas mãos misericordiosas repousam os destinos do mundo. Seu coração magnânimo é a fonte da vida para toda a Humanidade terrestre. [...] Toda as coisas humanas passaram, todas as coisas humanas se modificarão. Ele, porém, é a Luz de todas as vidas terrestres, inacessível ao tempo e à destruição (id., p.16- 17).

            Ele é um dos Espíritos puros encarregados pelo Senhor Supremo do Universo, não somente para nos trazer “a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção” (op. cit., p. 19-20), como também de direção espiritual na formação da Terra e seu satélite, após o deslocamento “do bloco de matéria informe, que a sabedoria do Pai deslocara do Sol para suas mãos augustas e compassivas”. Auxiliando o Cristo, estavam “suas legiões de trabalhadores divinos” (op. cit., p. 24).
            Jesus é, pois, o encarregado por Deus para o surgimento da vida em nosso planeta, após a solidificação da crosta terrestre e das águas marítimas, com base na manipulação do “elemento viscoso que cobria toda a Terra”. Eis como Emmanuel conclui o primeiro capítulo de A caminho da Luz: “Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens” (op. cit., p. 26).
            Essas observações e estudos de Emmanuel, feitos no Plano Espiritual superior, confirmam a revelação do apóstolo e evangelista João: “Tudo foi feito por meio d’Ele; e sem Ele nada foi feito” (João, 1:3). Eis o que diz Emmanuel:

Os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminoides, as amebas e todas as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos. [...] Os reinos vegetal e animal parecem confundidos nas profundezas oceânicas. Não existem formas definidas nem expressão individual nessas sociedades de infusórios; mas desses conjuntos singulares formam-se ensaios de vida que já apresentam caracteres e rudimentos dos organismos superiores. (op. cit., p. 28).

           
São os seres autótrofos e os seres heterótrofos. Os autótrofos são vegetais capazes de sintetizar o próprio alimento. Os primeiros autótrofos foram as algas unicelulares antecessoras dos vegetais. Os heterótrofos deram origem aos fungos, à maioria das bactérias e aos animais, inclusive, os seres humanos. Pode-se também encontrar organismos com características vegetais e animais, diz Emmanuel, desde o surgimento da vida na Terra.
            Existem diversas hipóteses científicas sobre a origem da vida terrena, até mesmo a extraterrestre, ou seja, provinda de outro mundo que, por possuir os mesmos elementos orgânicos que os nossos atuais, não invalidam seu aparecimento aqui mesmo e até confirmam a informação dos Espíritos a Kardec sobre a habitabilidade de outros mundos (KARDEC, 2018, q. 55 e 172) .
Dentre as diversas hipóteses de surgimento da vida terrena, a que mais se aproxima das afirmações de Emmanuel e, anteriormente, dos Espíritos a KARDEC (2018, q. 43-45), é a hipótese do bioquímico russo Aleksandr Ivanovitch Oparin (1894-1980), entre outros, que é aceita atualmente no meio científico:

Os primeiros seres vivos da Terra eram unicelulares, heterotróficos e alimentavam-se de substâncias existentes nos oceanos. [...] Surgiram, então os primeiros seres autotróficos, que produziam o alimento necessário para manter a vida na Terra. Foi a partir desses dois tipos de seres que se desenvolveu a vida na Terra (PORTAL, 2019).

            Ligados aos corpos orgânicos estão “[...] os seres inteligentes da Criação” (KARDEC, 2018, q. 76). Mas, qual ocorre com Jesus, somos filhos de Deus, como é explicado a Kardec na questão seguinte. Como individualização do princípio inteligente, os Espíritos estão sempre sendo criados por Deus (KARDEC, 2018, q. 79 e 80).
            Temos, assim, Deus; a matéria “[...] laço que prende o espírito[1][...], instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação”;  e o espírito “[...] princípio inteligente do Universo” (KARDEC, 2018, q. 22a e 23).
            Isso significa que, pelo aspecto material e moral, Jesus recebeu de Deus a delegação de presidir a formação dos seres e reinar sobre a Terra. E, no tocante ao Espírito[2], originário da inteligência universal, que povoa o “Universo fora do mundo material”, o trabalho é Divino. É o que consta na questão 76 e seguintes de O livro dos espíritos (KARDEC, 2018). Isso lembra-nos as palavras de Jesus: “— Meu Pai trabalha até agora; e Eu também trabalho” (João, 5:17).
            A Lei de Deus manifesta-se em nossa consciência, como dissemos acima. O seu Amor concede-nos o livre-arbítrio, a fim de que, no exercício da vontade e da liberdade de escolha entre o bem e o mal, sempre aprendamos com as consequências de nossos atos.
            Explica-nos o Espírito André Luiz que

[...] a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentalização indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota infortúnio ou felicidade (XAVIER, 1981, p. 47).

            E, logo adiante, complementa:

Emitindo uma ideia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir (id., p. 48).

Informa-nos, ainda, o Espírito André Luiz que “Desde a chegada do Excelso Benfeitor ao planeta, observa-se-lhe o pensamento sublime penetrando o pensamento da humanidade” (XAVIER, 1981, p. 182). Assim, o Poder de Deus em nós manifesta-se pela observação da moral pregada por Jesus, por seus profetas, e reforçada pelos seus enviados do Mundo Espiritual, desde o século XIX, quando Kardec codificou a Doutrina Espírita, em cumprimento da promessa do Cristo de enviar-nos o Consolador para ficar conosco eternamente.  
Estar com Deus, conclui André Luiz, é identificar-nos com o Evangelho de Jesus, como

[...] o Código de Princípios Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, a todas as comunidades, a todas as raças e a todas as criaturas, porque representa, acima de tudo, a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus Cristo empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem, a fim de que as leis humanas se purifiquem e se engrandeçam, se santifiquem e se elevem para a integração com as Leis de Deus (XAVIER, 1981, p. 188).
      
            Em João, 14:12-13, lemos esta promessa de Jesus: “Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que faço e fará até maiores do que elas, porque vou para o Pai. E o que pedires em meu nome eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”. Em seguida, promete-nos a vinda do Consolador para ficar eternamente conosco. “Nesse dia, compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós”. Este Consolador, como lemos nas obras codificadas pelo sábio professor lionês, Allan Kardec, é o Espiritismo cristão (João, 14:15-20).
            Ficará eternamente conosco, pois não é obra dos homens e, sim, do Espírito de Verdade e demais Espíritos de Luz. E o pedido a que se refere Jesus está condicionado à nossa vontade de ser mansos e humildes de coração. De amar o nosso próximo no limite de nossas forças e possibilidades.
            Por isso, Lísias disse a André Luiz, quando este manifestou-lhe saudades de sua mãezinha, no Plano Espiritual:

Quando alguém deseja algo ardentemente, já se encontra a caminho da realização. Tem você, nesse particular, a lição do próprio caso. Anos a fio rolou, como pluma, albergando o medo, as tristezas e desilusões, mas, quando mentalizou firmemente a necessidade de receber o auxílio divino, dilatou o padrão vibratório da mente e alcançou visão e socorro (XAVIER, 2016, p. 50).
           
            Com grande entusiasmo pelo esclarecimento recebido, André disse o seguinte: “— Desejarei, então, com todas as minhas forças... ela virá... ela virá...” (id., ibid.).
            O enfermeiro espiritual sorriu inteligentemente e, antes de se despedir, completou:
“— Convém não esquecer, contudo, que a realização nobre exige três requisitos fundamentais a saber: primeiro, desejar; segundo, saber desejar; e, terceiro, merecer, ou, por outros termos, vontade ativa, trabalho persistente e merecimento justo” (id. ibid.).
            Concluamos estas singelos recortes sobre a grandeza de Deus, que nos enviou o Cristo para nos guiar e conduzir a Ele com estas palavras do Espírito Joanna de Ângelis, sob o título Sempre com Deus:

Na treva exterior e íntima, Deus é claridade. Na guerra incessante e impiedosa, Deus é paz. Na soledade e no abandono, Deus é companhia. No sofrimento, no problema e na amargura, Deus é solução. No trabalho e na dificuldade, Deus é apoio. Na emergência e no desespero, Deus é auxílio. No fracasso e na queda, Deus é misericórdia.
Em qualquer circunstância, na dor ou na felicidade, no abandono ou no amor, na glória ou no insucesso Deus é o Pai amoroso de todos os instantes, velando e zelando, paciente e incansável, desde antes dos tempos e dos espaços, em favor de todos nós (FRANCO, 1978, cap. I, it. 9).
           
REFERÊNCIAS

BÍBLIA de Jerusalém. Trad. Euclides Martins Balancin et. al. 3. imp.  rev. e amp. São Paulo: Paulus, 2004.
FLAMMARION, Camille. Deus na natureza. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1979.
FRANCO, Divaldo Pereira. Rumos libertadores. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador (BA): LEAL, 1978.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2018.
PORTAL Brasil. Os seres vivos, origem. Disponível em: www.portalbrasil.net/educacao. Acesso em 9 jul. 2019.
XAVIER, Francisco Cândido. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 37. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
______. Nosso lar. Pelo Espírito André Luiz. 64. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2016.
______. VIEIRA, Waldo. Mecanismos da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1981.

Publicado em Reformador/FEB de out. 2019.  
Republicado neste blog com inserção de imagem em 5 de março de 2020.





[1] Espírito aqui e abaixo ainda não se trata da individualidade, como está em O livro dos espíritos, por isso esse vocábulo é escrito com inicial minúscula nesse caso.
[2] Espírito como ser inteligente, individualização do princípio inteligente universal.

segunda-feira, 2 de março de 2020




EM DIA COM O MACHADO 409:
em torno de tormentos... (Jó)

Brasília, terça-feira, 3 de março de 2020.

O livro Tormentos da obsessão, psicografado por Divaldo Franco,  é verdadeiro manual de psiquiatria espiritual, que nos alerta sobre as imensas responsabilidades de quem detém uma missão, em especial no campo da Doutrina Espírita, que nos exige coerência entre o que pensamos, falamos e fazemos. Os casos citados lembram-me, guardadas as proporções, as experiências que tive, há 47 anos, no pavilhão de neuropsiquiatria do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro quando ali estagiei, durante curso de enfermagem militar, na juventude.
Era com imenso carinho que eu observava e cuidava dos enfermos internados, nesse pavilhão, que apresentavam distúrbios mentais. Durante cerca de um mês, comparecia ali, diariamente. Meu respeito e compaixão para com aqueles internos granjeou a simpatia e gratidão do sargento de saúde responsável pelo setor. Minha profunda admiração pelos profissionais da psiquiatria, que eu considerava semideuses, começou ali, embora jamais me sentisse capaz de, um dia, formar-me em medicina e especializar-me em psiquiatria ou mesmo psicologia.
Atuei, sim, dez anos mais tarde, e durante 22 anos, com turmas de Psicologia, no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Mas ali lecionava a disciplina Língua Portuguesa aos alunos que iniciavam o curso. Foram eles que me sugeriram a adoção de um livro, de minha própria autoria, destinado a pesquisas e produção de textos. E foi o que fiz. Após três edições pessoais da obra Texto Técnico, a Editora Vozes aceitou minha proposta de publicar o trabalho com novo título: Texto Acadêmico, que, no ano passado, a editora reimprimiu sua décima edição...
Após pausa para o comercial, retomo a narração.
Um dos médicos militares que conheci, no hospital citado na introdução, era espírita, o que aumentou minha admiração por ele, em virtude dos subsídios espirituais por ele obtidos na compreensão e tratamento dos internos, além de seus conhecimentos acadêmicos relevantes.  Como eu, então, já me iniciara nos estudos espíritas, refletia em que, no mundo físico, a terapia dos enfermos mentais e do cérebro baseia-se, predominantemente, na administração das drogas psicotrópicas, ainda que a essa terapia também possa ser associado o tratamento psicanalítico.
No plano espiritual superior, todavia, os recursos energéticos e os que são voltados à reestruturação mental do Espírito enfermo é que predominam. Exemplo disso, encontramos no capítulo 16, página 219 desta obra[1].
Os eletrochoques que o Espírito Dr. Ignácio Ferreira cita, na página 218, também, em casos extremos, eram aplicados aos pacientes agressivos do hospital em que estagiei. Na época, tal recurso era comum em qualquer nosocômio psiquiátrico... Lembro-me, ainda hoje, da expressão de horror dos internos que se dirigiam à sala desses tratamentos. No entanto, eles pareciam conformados em que, na sua situação, somente assim estariam livres, ao menos por algumas horas, dos seus tormentos mentais.
Certo dia, um jovem militar em tratamento, a quem eu perguntara como se sentia, respondeu-me que era incomodado por inúmeros pensamentos em sua cabeça. Tranquilizei-o com a informação de que isso, até certo ponto, era normal, mas recomendei-lhe que orasse, até se sentir melhor. Ele agradeceu-me e, já ali, senti quanto são importantes os recursos espirituais da prece, do passe e da água energizada, recomendados nas obras espíritas, como o livro em análise, em complemento ao tratamento dos enfermos mentais, quase sempre vítimas de entidades obsessoras.
Miranda informa-nos que suas experiências durante o mês em que estagiou no Hospital Esperança auxiliarão  todas as pessoas infelizes, porque as "[...] despertarão para os elevados compromissos assumidos perante a Consciência Cósmica e os seus guias espirituais ante o renascimento físico" (FRANCO, 2013, p. 13).
Vale a pena, não somente ler, mas estudar e refletir sobre tudo o que Divaldo Franco psicografou em Tormentos da Obsessão. Não à toa, esse médium fora do comum, nonagenário, continua lúcido e bem informado sobre todos os problemas psicológicos, psiquiátricos e espirituais que assolam a sociedade atual. Seus mentores sabem o que dizem, e ele vivencia o que aprende.
                     






[1] MIRANDA, Manoel Philomeno de (Espírito). Tormentos da Obsessão. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. 10. ed. Salvador, BA: 2013.

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...