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sábado, 7 de maio de 2022

 O amor de mãe vence a guerra

(Irmão Jó)


 

A cada mamãe querida,
Não só hoje, mas também
Em cada dia da vida
Eu dou o meu parabém!
 
Gerar um ser, educar
É um serviço de amor
Iniciado no lar
Por quem foi mãe do Senhor.
 
Mesmo se preciso for
Agir com severidade,
Cada mãe é, na verdade,
Insuperável amor!
 
Por isso é que a humanidade
Para toda a eternidade
Vencerá o horror da guerra
Enquanto houver mãe na Terra
 
Brasília, DF, 7 de maio de 2022.
Véspera do Dia das Mães!
 
Vocabulário:
 
Parabém [de para + bem]. S. m. V. parabéns. Dic. Aurélio da Língua Portuguesa.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

 

A SUBLIME POESIA DO ESPÍRITO MARIA DOLORES



Amor materno
 
Depois de zero hora. E a dama recordava
O filho de quem fora venturosa escrava.
 
No bairro, era o silêncio a dominar nas ruas...
Quantas horas da noite? Um tanto, além das duas...
 
E a senhora viúva, acostada no leito
Lembrava o filho amado, o jovem belo e forte,
Que o coração de mãe supusera perfeito,
Cuja fuga de casa,
Fora no pai amigo o motivo da morte.
 
Vinte anos de ausência!... e ela refletia
Em todo aquele tempo de agonia.
O filho que criara, a beijos de ternura,
De quem não descansava na procura,
A quem nunca levara o mínimo desgosto,
E a quem ela e marido haviam dado tudo,
Dinheiro, ostentação, brilho e facilidades,
Buscando adivinhar-lhe todas as vontades,
Recusara o trabalho e renegara o estudo...
 
Por fim, todo inclinado à cocaína,
Desertou porque o pai tão somente o internasse
Num colégio distinto em que se lhe evitasse
A droga deprimente...
Insone, calma e ativa,
A memória se lhe aviva,
E inacessível a calmantes,
Rememora a tragédia de anos antes.
O moço nunca mais voltara ao lar.
Ralada por extremo desconforto,
Logo após, ela vira o companheiro morto
De saudades e pesar.
 
Mudara-se de bairro e residência,
Mas nada lhe alterara as lutas da existência.
Vinte anos de pranto e de aflição
Haviam feito dela
Pobre mãe transformada em sentinela
Da casa nobre e farta, à espera do rapaz,
Que lhe arrasara a vida, a segurança e a paz,
E que ela amava ainda...
Mas enquanto pensava, ouve ruído leve.
Escutou, escutou... Alguém de passo curto
Estava em quarto próximo
Certamente na prática do furto.
 
Ao choque, ela chamou, em altos brados,
A colaboração dos empregados,
Mas o assaltante se aproxima,
A valer-se da sombra em todo o espaço estreito;
Era um homem robusto a lhe cair por cima,
Cravando-lhe um punhal no velho peito.
 
Ergue-se um dos vigias,
Vem às pressas,
De longe, liga a luz...
Eis que o quarto se fez de todo iluminado
E o salteador não foge,
Sente-se preso à mão que se lhe estende,
Contempla a vítima que o fita,
Num transporte de amor com ternura infinita...
 
Reconhece o semblante maternal
E a desfazer-se em pranto,
Ajoelha-se e grita: — "Mãe querida,
Por que cheguei a tanto,
A tanto crime e a tanto mal,
A ponto de acabar com a sua própria vida?..."
 
A dama retirou a lâmina cravada
— Doloroso empecilho
O sangue gotejou da ferida formada,
E, em seguida, exclamou: — “Ah! Meu filho, meu filho!...
Que saudades de ti, quanta saudade,
O tempo parecia a eternidade!...”
 
Entretanto, o vigia invadiu o aposento,
Vendo um homem chorando e a dama em sofrimento,
Quis gritar reagir, austero e humano,
Mas a senhora diz: — “Ouça, Germano,
Meu filho regressou, venha conhecê-lo...
Na precipitação de meu antigo zelo,
Feri-me por engano...
Caí sobre o punhal que eu trazia no seio,
No entanto, estou feliz... Olhe!... Meu filho veio...
Dê-lhe as chaves da casa,
Tudo o que tenho é dele, a minha própria vida...”
 
E conservando a mão sobre a parte ferida,
Rogou ao servidor:
— “Chame o médico amigo,
Transmita a ele tudo o que lhe digo
E explique este acidente...
Meu filhinho chegou tão de repente
Para fazer-me esta surpresa,
Que caí no punhal em que eu mantinha
Ou supunha manter minha própria defesa...
Estou feliz, Germano, mas agora...”
O servidor gritou: - “Ah! Não morra, senhora!...”
 
Entretanto, mais fraca e mais cansada,
A dama ainda falou, muito pálida e triste:
— “Germano, ajude agora ao meu rapaz
Compreendo que estou chegando ao fim,
Sê a ele fiel,
Dê a ele o respeito, a estima e a bondade
Que você sempre deu a mim...”
 
O filho ajoelhou-se, em pranto comovente,
E clamava, ao beijá-la, ansiosamente,
— “Mãe, perdoa-me e vive, mãe querida!...”
Entremostrando o anseio de falar,
Ela, porém, lhe deu o último olhar,
Deu-se, de todo, a isso, fez-se forte
E descansou, por fim, dizendo, ao entregar-se à morte:
— "Louvado seja Deus!... Deus te abençoe, meu filho!...
 
(MARIA DOLORES (Espírito). Coração e Vida. Psicog. Chico Xavier. São Paulo, SP: IDEAL, 1978, cap. 20.)

quinta-feira, 5 de maio de 2022

 

Língua Portuguesa – Por:  Irmão Jó
(Salve o Dia Mundial da Língua Portuguesa!)


Machado de Assis, fundador e primeiro presidente da 
Academia Brasileira de Letras
 
Hoje, o mundo comemora
o surgimento, na Terra,
da última flor do Lácio.

Adubada com amor
por poetas e escritores
eu te louvo com Boccacio,
mas também com o Machado,
o Bruxo do Cosme Velho,
com Camões e Cruz de Sousa,
com Malfatti e Rui Barbosa.
 
Como te amo, idioma
que aceita transformações,
ao tempo da diacronia,
e aberto às contribuições
desde a época de Roma.

Nada, porém é por lei
de qualquer ideologia,
tuas modificações
ocorrem no dia a dia
da linguagem popular...
 
Ó minha língua querida,
por muitos tão maltratada,
e por tão poucos amada!

Confirmando o que tu dizes,
és o elo patriota
que na rede mundial
enlaça vários países
à língua de Portugal.

Romance, conto, poesia,
crônicas do dia a dia,
no teu falar cordial,
entoam louvores mil
ao meu amado Brasil.

No teu dia mundial,
eu canto tua beleza
no Brasil, em Portugal...

Em tua grande riqueza,
nada aceitas que não seja
de evolução natural.
Salve! Língua Portuguesa!
 
Brasília, DF, 5 maio 2022. 
Dia Mundial da Língua Portuguesa.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

 

A SUBLIME POESIA DO ESPÍRITO MARIA DOLORES


 
 A enfermeira do além
 
Ela, a querida irmã desencarnada,
Fizera-se enfermeira,
Aliviava a dor, de estrada a estrada,
Era uma espécie de bondade inteira,
 
Socorrendo aos irmãos que a morte
Espalhava nas trevas...
Há trinta anos servia,
Sem escolher lugar, trabalho ou dias.
Naquele imenso mar de sombra, o tempo parecia
Uma chaga mental sem esperança
De melhorar ou desaparecer...
 
Certa feita, contudo, a grande obreira alcança
Uma estranha mulher, deitada numa furna;
Embora não tivesse a morada carnal,
Estava cega e só, deformada e ferida,
Patenteando a dor que lhe marcara a vida.
Ao ouvi-la gemer,
A irmã dos infelizes,
Põe-se, em campo, a cumprir
O que considerava por dever.
Impressionada, ao vê-la de mais perto,
A missionária, indaga, a peito aberto:
— Irmã, ouço-te o choro, há muitas horas,
Por que tens tanto fel nas lágrimas que choras?
A pobre murmurou, pausadamente:
— Ai de mim! O que sou e de onde venho?
A memória não dá para lembrar...
Sei mostrar simplesmente as misérias que eu tenho...
Há muitos anos, quantos já nem sei,
Fui menina feliz num grande lar...
Recordo muito mais as dores que causei...
Minha mãe me queria
Para exaltar a natureza,
Num misto de elegância e de beleza,
E falava que eu era uma rosa entre as rosas,
Fosse para enfeitar as festas deleitosas
Ou estender no mundo o aroma da alegria...
Minhas aspirações caíram, uma a uma,
Minha mãe não me quis em profissão alguma,
Vestia-me, orgulhosa, o corpo esbelto e fino,
Dizia que brilhar traçava-me o destino...
Casei-me, tive um filho e, depois de dez anos,
Troquei meu lar feliz por prazeres mundanos,
Meu esposo rogava o meu regresso em vão.
Meu filho fez-se logo um belo rapagão,
Vendo-me as aventuras, certo dia,
Ele, menino e moço, veio visitar-me,
Condenou-me os costumes sem alarme,
Falou e lamentou-se em voz severa,
De conhecer por mãe a mulher má que eu era...
De cabeça alterada em cocaína,
Revoltei-me, ataquei-o...Atrás de uma cortina
Apanhei um revolver no meu quarto,
Voltei à sala e apertei o gatilho,
Num tiro certo, assassinei meu filho!...
Depois de vê-lo morto, junto a mim,
Voltei a arma contra o próprio peito
E matei-me por fim!...
Em seguida, a pausa demorada,
Contou a própria vida e deu o próprio nome...
 
Na pavorosa mágoa que a consome
A mulher prosseguia, consternada:
— Nunca mais vi ninguém das pessoas que amei
Para mim, tudo é noite e a noite me carrega
Porque vivo sozinha, triste e cega
Decerto obedecendo alguma lei
Que não sei compreender nem explicar...
 
A enfermeira caiu em pranto ardente
E indagou da mulher, amargamente:
— E se encontrasses neste mar de trevas
Nos furacões de dor a que te levas
A mãe que te entregou à rebeldia,
Teu coração que chora a perdoaria?
— Nada tenho a perdoar —
Disse a pobre atada ao sofrimento —
Minha mãe era um anjo em forma de mulher,
Jamais a esquecerei, um momento sequer,
Ela vivia, em tudo, a trabalhar por mim
Não teve qualquer culpa de meu fim...
Se só me fez o bem, fui eu quem fiz o mal...
Do amor que ela me deu
Fiz todo um lamaçal...
Ninguém pode encontrar motivos de censura
No carinho de alguma criatura
Que nos dê uma lâmpada sublime,
Se lhe usarmos a luz para fazer um crime...
 
A enfermeira abraçou-a a encharcar-se de pranto
E quando a jovem triste e atormentada
Perguntou-lhe entre aflita e altamente intrigada,
Por que razão ela chorava tanto,
A benfeitora apenas respondeu:
— Deus louvado!... Encontrei o que procuro,
Venceremos na Terra do futuro,
Filha do coração, a tua mãe sou eu!...
 
 
(MARIA DOLORES (Espírito). Coração e Vida. Psicog. Chico Xavier. São Paulo, SP: IDEAL, 1978, cap. 25.)

terça-feira, 3 de maio de 2022

 

EM DIA COM O MACHADO 521:

TIRAR A PRÓPRIA VIDA AGRAVA O SOFRIMENTO (Jó)

 


Amigos, nunca é demais lembrar a quantidade imensa de alertas que o mundo espiritual nos tem dado sobre as tristes e angustiantes consequências do suicídio. Um desses inúmeros alertas é o do espírito poeta Honório Armond, pela psicografia de Chico Xavier. O poema é um soneto. O título é suicida. O livro é Poetas redivivos, e o capítulo é o 97.

 

SUICIDA  (Honório Armond)

 

Preso e liberto, em treva e luz, a simultâneo

Jogo de angústia e horror, junge-se à carne morta...

Varara a sepultura, agredindo-lhe a porta;

Estraçalhara a tiro as tênebras do crânio.

 

Desencarnado, enfim, mas cativo à comporta

Da consciência a esvurmar-lhe o cérebro vulcâneo,

Foge à furna e recua a terror instantâneo,

Chora e espanta-se mais, grita e se desconforta...

 

Suicida!... Morto e vivo, arrasta-se, tateia,

Ergue-se, treme, cai... Respira lodo e areia,

No recinto abismal, sofre a verdade crua...

 

E, lá fora, a esperá-lo, o caminho opulento,

O céu, a terra, o lar, a fonte, a flor, o vento...

Buscara a morte em vão... A vida continua!...

 

        O soneto é estruturado em versos alexandrinos, ou seja, com doze sílabas métricas em cada linha (chamada verso na poesia). Como ocorre em todos os poemas desse tipo, ele possui quatro estrofes: dois quartetos e dois tercetos, somando-se ao todo 14 versos. As rimas são no esquema ABBA, BAAB, CCD, EED, que exigem uma técnica apurada.

        E pensar que o Chico, psicografando, escrevia esta e outras obras primas instantaneamente, sob a influência deste e de centenas doutros espíritos. A linguagem é de um padrão elevado. Mesmo as pessoas mais cultas necessitam, por vezes, recorrer ao dicionário, para buscar-lhe o significado conotativo ou denotativo de algumas palavras no poema.

        Exemplos disso, lemos no quarto verso da primeira estrofe: "tênebras do crânio": trevas mentais (expressão figurada); no segundo verso da segunda estrofe: "esvurmar-lhe o cérebro vulcâneo": ter a sensação de pus saindo do cérebro como labaredas vulcâneas; no terceiro verso da segunda estrofe: "foge à furna": foge de local cavernoso. E "recinto abismal", citado no último verso da terceira estrofe, refere-se às profundezas da Terra, para onde costumam ir seres criminosos. Ali, em tempo somente previsto por Deus, após indefiníveis momentos de angústia e desespero, que lhes parecem eternos, atormentados por entidades perversas, esses espíritos serão socorridos. Nesse sentido, muito os auxiliam nossas orações, acrescidas de seu arrependimento e súplicas a Deus.

        Do exposto, verificamos a cuidadosa escolha das palavras pelo espírito comunicante, esforçando-se em nos mostrar o sofrimento atroz sentido pela pessoa que se mata, no caso, com um tiro na cabeça. Naturalmente que, em cada suicídio, o tipo de sofrimento varia de acordo com a noção que se tem sobre a vida física e conforme a forma buscada de destruição do corpo. Mas como esse ato lesa também o perispírito, nosso corpo espiritual, a lesão voluntária no corpo físico, programado para uma existência mais duradoura, afeta também o corpo espiritual.

        A misericórdia divina considera as circunstâncias agravantes e atenuantes em cada caso. Suicídios advindos de insanidade mental, motivados por desespero ante situação de intenso sofrimento físico, moral ou psicológico ou em risco iminente de morte, são logo socorridos pelos bons espíritos, encarregados por Deus de nos protegerem.

        Suicídios planejados meramente por fraqueza ou revolta ante as provas e expiações da existência física são injustificáveis e, portanto, levarão seu autor a sofrer com severidade as consequências de seu ato rebelde à justiça divina.

        Há também casos em que o suicida é induzido ao ato por entidades vingativas, chamadas obsessores, mas ainda aqui é preciso que o obsidiado busque socorro na prece e nos serviços de amparo espiritual dum centro espírita, aliado ao tratamento psiquiátrico. Tais pessoas precisam sobrepor sua vontade à vontade do obsessor. Nunca é demais nos lembrar destas palavras de Jesus: "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação [...]" (Mateus, 26:41). Renovação mental e atos de caridade e humildade em todos os dias de nossa vida são remédios insuperáveis...

        O suicida jamais foge, em todos os casos, é da decepção de se ver vivo e perceber que sua atitude intempestiva agravou muito mais seus sofrimentos, pois agora não mais possui a liberdade que tinha quando estava no corpo físico. É isso que os espíritos procuram mostrar-nos e alertar para que não cometamos o disparate do suicídio.        

        Paz e luz!

segunda-feira, 2 de maio de 2022

 

A SUBLIME POESIA DO ESPÍRITO MARIA DOLORES




A mensagem da rocha
 
O homem caído em fundo desalento,
Perante imensa dor, cruelmente sofrida,
Fora ao topo da rocha, a passo triste e lento,
Desejando escapar às lágrimas da vida.
 
Sentia-se cansado, em abalo profundo,
E queria fugir, ante as provas do mundo...
 
Mais de trezentos metros... E atingira
O ápice da altura
De que estava à procura
Para a queda fatal;
Mas enquanto antevia o momento final,
Fitando enorme abismo, a esperá-lo em silêncio,
Quando brando torpor lhe invade o corpo e vence-o
Surge-lhe a indecisão, lamenta-se, medita,
Quando escuta assombrado,
De alma tremente e aflita,
A voz da própria rocha,
Cujo penhasco, em cima, erguia-se-lhe ao lado:
— Para, ouve e reflete, meu amigo,
Não te mates em vão,
Por mais te fira a provação
Não olvides que Deus está contigo.
O sofrimento é vida que te apruma,
Não acharás a morte, em parte alguma...
Declaras-te infeliz, tens o peito magoado,
Afirmas que ninguém te dá valor,
Que não passas de um ser estranho e sofredor,
A morrer de amargura e desagrado;
Por maior seja a angústia em que te expresses,
Tens contigo a razão por Dom divino,
Podes modificar o teu próprio destino,
Quanto a mim, tal qual sou, não sei se me conheces...
Sou a rocha esquecida
Que deve sustentar os processos da vida...
Calço os leitos dos mares,
Carrego a Terra toda em total disciplina,
Aceito sem queixar-me a lei que me domina,
Não sei se o meu trabalho é singelo ou de vulto,
Sei, porém, que na esteira das idades,
Suporto sobre mim os campos e as cidades
Sem que ninguém me anote o esforço oculto...
Sou o piso dos rios e das fontes,
Protejo entre os arados e os tratores,
Desde o vale mais baixo à eminência dos montes,
O cultivo dos frutos e das flores.
Devo, porém, dizer-te que, além, disso,
Desde as eras passadas,
Sempre sofri com rudes marteladas...
Picaretas, formões e outros instrumentos
Arrebentam-me a forma, entre golpes violentos;
Aos que me espancam devo abrir os braços
A fim de que me arranquem aos pedaços.
Os homens que me buscam
Ferem-me sem cessar com lâminas e limas,
Fazem comigo casas e obras-primas,
Não se lembram, porém, na agressão que me alcança,
Que Deus, em mim, lhes guarda a vida e a segurança...
Agora, em minha dor, por mais gema e mais grite,
Estraçalham-me o corpo a dinamite.
Mas em nada lastimo as lutas que confesso,
Busco servir a Deus que me fez tal qual sou,
Para guardar o mundo e estender o progresso.
Sou em minha aspereza,
Por determinação da natureza,
Alto poder vencido,
Mas Deus que é tudo em todos sempre foi
O Anônimo Esquecido...
 
 
Depois de longa pausa, a rocha ainda lhe diz:
— Vive, trabalha, sofre, aprende, luta,
Não olvides que Deus te acompanha e te escuta,
Nem te esqueças que podes ser feliz.
 
O homem desanimado transformou-se,
Abraçado ao penhasco, ele, o quase suicida,
Suplicou a chorar: — Perdoa-me, Senhor!
Ouvi a voz da pedra... Agora entendo a dor
A fim de compreender a grandeza da vida.
E erguendo para o Alto os braços seus,
Traduzindo a alegria em pranto ardente,
Exclamou, reverente:
— Obrigado, meu Deus!
 
(MARIA DOLORES (Espírito). Coração e Vida. Psicog. Chico Xavier. São Paulo, SP: IDEAL, 1978, cap. 23.)

domingo, 1 de maio de 2022

 


21.2 Missão dos profetas


       Atribui-se geralmente aos profetas o dom de revelar o futuro, de modo que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, a palavra profeta tem uma significação mais ampla; ela se aplica a todo enviado de Deus, com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual.

    Um homem pode, portanto, ser profeta, sem fazer predições. Essa era a ideia dos judeus, no tempo de Jesus. É por isso que, ao ser levado à presença do sumo sacerdote Caifás, os escribas e os anciãos, que estavam ali reunidos, lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos e bofetadas, dizendo: "Cristo, profetiza para nós, e diga quem foi que lhe bateu". 

    Entretanto, houve profetas que tiveram a presciência do futuro, seja por intuição ou por revelação providencial, a fim de transmitirem advertências aos homens. Tendo-se cumprido esse acontecimento, o dom de predizer o futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.

    Tradução livre: prof. dr. Jorge Leite de Oliveira - pós-dout. cultural.

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...