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quinta-feira, 9 de março de 2023

 


28.5 (5) Preces pelos doentes e pelos obsidiados

 

Pelos doentes

 

1. (77) Prefácio

 

            As doenças fazem parte das provas e das vicissitudes da vida terrestre. Fazem parte da grosseria da nossa natureza material e da inferioridade do mundo em que habitamos. As paixões e os excessos de toda espécie semeiam em nós germes malsãos, muitas vezes hereditários. Nos mundos mais avançados, física e moralmente, o organismo humano, mais depurado e menos material, não está sujeito às mesmas enfermidades que o nosso, e o corpo não é minado secretamente pela devastação das paixões (cap. 3, item 9). É necessário, pois, que nos resignemos a sofrer as consequências do meio em que nos situa nossa inferioridade, até que mereçamos mudá-lo. Isso, entretanto, não deve impedir-nos, enquanto esperamos tal mudança, de fazer o que dependa de nós para melhorar nossas condições atuais. Mas, se apesar de nossos esforços, não pudermos fazê-lo, o Espiritismo nos ensina a suportar com resignação nossos males passageiros.

Se Deus não quisesse que pudéssemos curar ou aliviar os sofrimentos corporais, em certos casos, não teria colocado recursos de cura à nossa disposição. Sua previdente solicitude, a esse respeito, confirmada pelo instinto de conservação, mostra que o nosso dever é procurar esses recursos e aplicá-los.

Ao lado da medicação ordinária, elaborada pela ciência, o magnetismo nos deu a  conhecer o poder da ação fluídica, e depois o Espiritismo veio revelar-nos outra espécie de força, através da mediunidade curadora e da influência da prece (Veja-se, a seguir, notícia sobre mediunidade curadora, item 81).

 

2. (78) Prece (Para ser feita pelo doente)

 

            O Senhor é todo justiça, e se me enviou a doença é porque a mereci, pois nunca impõe sofrimento sem causa. Coloco minha cura, portanto, sob sua infinita misericórdia. Se for de seu agrado, restabelecer-me a saúde, bendito seja seu nome; se, pelo contrário, eu tiver de continuar sofrendo, bendito seja ainda seu nome. Submeto-me sem murmurar aos seus divinos desígnios, porque tudo que faz só pode ter por fim, o bem das suas criaturas.

Faça, ó Meu Deus, que esta doença seja para mim um aviso salutar que me leve a refletir sobre minha conduta. Aceito-a como uma expiação do passado e como uma prova para minha fé e minha submissão à sua santa vontade (Veja a prece o item 40).

 

3. (79) Prece (para o doente)

 

Meu Deus, são impenetráveis os seus desígnios, e na sua sabedoria enviou a fulano uma enfermidade. Lança-lhe, eu lhe suplico, um olhar de compaixão, e digne-se por um fim aos seus sofrimentos!

Bons Espíritos, ministros do Todo-Poderoso, secundem, eu lhes peço, meu desejo de aliviá-lo. Dirijam o meu pensamento, a fim de que possa derramar um bálsamo salutar em seu corpo,  e consolação em sua alma.

Inspirem-lhe paciência e submissão à vontade de Deus; e deem-lhe força de suportar suas dores com resignação cristã, para não perder os resultados desta prova. (Ver sobre a prece, item 57).

 

4. (80) Prece (para ser dita pelo médium curador)

 

            Meu Deus, se quiser servir-se de mim, apesar de eu ser tão indigno, poderei curar esta enfermidade, desde que seja essa sua vontade, porque tenho fé no seu poder. Mas nada posso sem você. Permita aos bons Espíritos impregnar-me com seu fluidos salutares, a fim de que os possa transmitir a este doente, e afastem de mim qualquer pensamento de orgulho e de egoísmo, que lhes pudesse alterar a pureza.

quarta-feira, 8 de março de 2023

 

 


Pelos espíritos endurecidos

 

(75) Prefácio

 

            Os maus espíritos são os que ainda não foram tocados pelo arrependimento; que se comprazem no mal e não sentem nenhum pesar por isso; que são insensíveis às repreensões, repelem a prece e frequentemente blasfemam contra Deus. São essas almas endurecidas que, após a morte, se vingam nos homens pelos sofrimentos que suportam e perseguem com o seu ódio aqueles a quem odiaram durante a vida, seja obsidiando-os, seja perturbando-os com uma influência nociva qualquer (caps. 10, itens 6 e 12, itens 5 e 6).

            Entre os espíritos perversos, há duas categorias bem distintas: aqueles que são francamente maus, e aqueles que são hipócritas. Os primeiros são infinitamente mais fáceis de serem conduzidos ao bem, do que os segundos. Estes são, na maioria das vezes, de natureza bruta e grosseira, como podemos ver entre os homens, e como estes, fazem o mal mais por instinto do que por cálculo, e não pretendem passar por melhores do que são. Mas há neles um germe latente, que é necessário fazer surgir, o que se consegue quase sempre com perseverança, firmeza aliada à benevolência, através de conselhos, da argumentação e da prece. Na mediunidade, a dificuldade que têm para escrever o nome de Deus é sinal de um medo instintivo, de uma voz íntima da consciência que lhes diz que são indignos. Aquele que está ali está no limiar da conversão, e dele tudo podemos esperar: basta encontrar o ponto vulnerável do coração.

            Os espíritos hipócritas são quase sempre muito inteligentes, mas não têm no coração nenhuma fibra sensível. Nada os toca. Fingem todos os bons sentimentos para ganhar a confiança, e ficam felizes quando encontram tolos que os aceitam como espíritos bons, pois então podem governá-los à vontade. O nome de Deus, longe de lhes inspirar o menor temor, serve-lhes de máscara para cobrirem suas torpezas. No mundo invisível, como no mundo visível, os hipócritas são os seres mais perigosos, porque agem na sombra, e deles não se desconfia. Eles têm as aparências da fé, mas esta não é sincera.

 

(76) Prece

 

            Senhor, digne-se lançar um olhar de bondade aos espíritos imperfeitos, que estão ainda nas trevas da ignorância e que o desconhecem, principalmente ao espírito fulano.         

            Bons espíritos, ajudem-nos a fazê-lo compreender que, induzindo os homens ao mal, obsidiando-os e atormentando-os, ele prolonga seus próprios sofrimentos; façam que o exemplo

da felicidade de que vocês desfrutam seja um encorajamento para ele.

            Espírito que se compraz ainda na prática do mal, você ouviu a prece que fizemos por você; ela deve prová-lo que desejamos fazer-lhe o bem, embora você faça o mal.

            Você é infeliz, porque é impossível ser feliz praticando o mal. Por que então permanecer sofrendo, quando depende de você sair dele? Observa os bons espíritos ao seu lado, veja como são felizes e se não lhe seria mais agradável desfrutar também dessa mesma felicidade.

            Você dirá que isso lhe é impossível, mas nada é impossível para aquele que o quer, porque Deus lhe deu, como a todas as criaturas, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, isto é: entre a felicidade e a infelicidade, e ninguém está condenado a fazer o mal. Se você tem a vontade de o fazer, pode ter também a de fazer o bem e ser feliz.

            Eleva seus olhos a Deus; eleva seu pensamento a ele, apenas por um instante, e um raio de sua divina luz virá esclarecê-lo. Diga conosco estas simples palavras: Meu Deus, eu me arrependo, perdoe-me. Tente arrepender-se e fazer o bem em lugar do mal, e verá que prontamente sua misericórdia descerá sobre você, e um bem-estar desconhecido virá substituir suas angústias.

            Desde que tiver dado um passo no caminho do bem, o resto lhe ser fácil. Compreenderá, então, quanto tempo perdeu de felicidade por sua própria culpa. Mas um futuro radioso e cheio de esperanças se abrirá diante de você, fazendo-o esquecer seu miserável passado, cheio de perturbações e de torturas morais, que seriam para você um inferno, se tivessem de durar eternamente. Um dia chegará em que essas torturas serão tais, que a todo custo quererá fazê-las cessar; porém, quanto mais esperar para tomar uma decisão, mais difícil lhe será escapar delas.

            Não creia que ficará sempre nesse estado. Não, porque isso é impossível. Você tem duas alternativas pela frente: uma, é a de sofrer muitíssimo mais do que até agora; outra, a de ser feliz como os bons espíritos que estão a seu redor. A primeira é inevitável, se persistir na obstinação; para a segunda, basta um simples esforço da sua vontade que o afastará do mau caminho. Apresse-se, portanto, pois cada dia de atraso é um dia perdido para sua felicidade.

            Bons espíritos, façam que estas palavras encontrem acesso nessa alma ainda atrasada,  a fim de ajudá-la a se aproximar de Deus. Nós pedimos-lhes isso em nome de Jesus Cristo, que teve tão grande poder sobre os espíritos maus.


terça-feira, 7 de março de 2023

 


Pelos espíritos arrependidos

 

(73) Prefácio

 

            Seria injusto colocar na categoria dos maus espíritos os sofredores e arrependidos, que necessitam de nossas preces. Podem ter sido maus, mas já não o são, desde o momento em que reconhecem suas faltas e as lamentam; são apenas infelizes. Alguns, mesmo, já começam a desfrutar de felicidade relativa.

 

(74) Prece

 

            Deus de misericórdia, que aceita o arrependimento sincero do pecador, encarnado ou desencarnado, eis aqui um Espírito que se comprometeu com o mal, mas que reconhece seus erros e entra no bom caminho. Digne-se, Senhor, recebê-lo como um filho pródigo e perdoá-lo.   Bons espíritos, cuja voz  ele desprezou, de agora em diante ele deseja ouvi-los. Permitam-lhe entrever a felicidade dos eleitos do Senhor, para que persista no desejo de se purificar, a fim de alcançá-la. Sustentem-no em suas boas resoluções, e deem-lhe forças para resistir a seus maus instintos.

            Espírito fulano, nossas felicitações por sua modificação, e nossos agradecimentos aos bons espíritos que o ajudaram!

            Se antes você sentia prazer em fazer o mal, era porque não sabia como é doce o prazer de fazer o bem. Você se sentia muito baixo para esperar alcançá-lo. Mas, desde o instante em que pôs o pé no bom caminho, uma nova luz se fez para você. Começou a desfrutar, então, de uma felicidade que desconhecia, e a esperança brilhou no seu coração. É que Deus sempre escuta a prece do pecador arrependido, nunca repele os que o buscam.

            Para voltar novamente à graça do Senhor, aplique-se, de agora em diante, não só a evitar o mal mas, sobretudo, em fazer o bem, para reparar o mal que fez. Então terá satisfeito a justiça de Deus; cada boa ação que praticar apagará uma de suas faltas passadas.

            O primeiro passo está dado; agora, quanto mais avançar no caminho, tanto mais fácil e agradável ele lhe parecerá. Persevere, pois, e um dia terá a glória de ser contado entre os bons espíritos e os espíritos bem-aventurados.


segunda-feira, 6 de março de 2023

 


Por um suicida

 

(71) Prefácio

 

            O homem não tem jamais o direito de dispor da sua própria vida, pois só a Deus cabe tirá-lo do cativeiro terreno, quando o julgar oportuno. Entretanto, a justiça divina pode abrandar seus rigores, conforme as circunstâncias, mas reserva toda a sua severidade para aquele que quis fugir às provas da existência. O suicida é como o prisioneiro que escapa da prisão antes de cumprir sua pena, e que ao ser preso novamente será tratado com mais severidade. Assim acontece com o suicida, que acredita escapar das misérias presentes e cai em maiores desgraças (cap. 5, item 14 e segs.).

 

(72) Prece

 

            Sabemos, Senhor, qual a sorte que espera os que violam sua lei, para abreviar voluntariamente os dias deles; mas sabemos também que sua misericórdia é infinita. Digne-se estendê-la sobre o espírito de fulano. Possam nossas preces e sua comiseração abrandar as amarguras dos sofrimentos dele, por não ter tido a coragem de esperar o fim de suas provas.        

            Bons espíritos, cuja missão é assistir os infelizes, protejam-no; inspirem-lhe o remorso pela falta cometida. E que sua assistência lhe dê a força de enfrentar com mais resignação as novas provas que terá de sofrer, para repará-las. Afastem dele os maus espíritos, que poderiam levá-lo novamente ao mal, prolongando seus sofrimentos, e fazê-lo perder o fruto de suas provas futuras.

            E a você, cuja desgraça motiva nossas preces, que nossa comiseração possa aliviar suas amarguras, fazendo nascer em você a esperança de um futuro melhor! Esse futuro está nas suas próprias mãos; confia na bondade de Deus, que espera sempre por todos os que se arrependem, e só é severo para os de coração endurecido.

domingo, 5 de março de 2023

 


Por um criminoso

 

(69) Prefácio

 

            Se a eficácia das preces fosse proporcional ao seu tamanho, as mais longas deveriam ser reservadas para os mais culpados, porque estes têm mais necessidade do que aqueles que viveram santamente. Recusá-las aos criminosos é faltar à caridade e desconhecer a misericórdia de Deus. Pensar que são inúteis, porque um homem cometeu qualquer falta, seria prejulgar a justiça do Altíssimo (cap. 11, item 14).

 

(70) Prece

 

           Senhor, Deus de Misericórdia, não rejeite esse criminoso que acaba de deixar a Terra! A justiça dos homens pode tê-lo atingido, mas isso não o livra de sua justiça, caso seu coração não tenha sido tocado pelo remorso.

     Tire-lhe a venda dos olhos que lhe oculta a gravidade de suas faltas. Possa seu arrependimento merecer a sua graça, para que se aliviem os sofrimentos de sua alma! Possam também nossas preces e a intercessão dos bons espíritos levar-lhe esperança e consolação, inspirar-lhe o desejo de reparar suas más ações, numa nova existência, e dar-lhe a força necessária para não sucumbir nas novas lutas que terá de enfrentar!

         Senhor, tenha piedade dele!


sábado, 4 de março de 2023

 

EM DIA COM O MACHADO 565:
MISÉRIA MATERIAL E MORAL (Irmão Jó)

 


            Almas irmãs, vou contar-lhes um caso interessante, após a definição dos espíritos sobre o que é a miséria.

            No item 707 d’O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: “É comum faltarem a certos indivíduos os meios de subsistência, mesmo quando cercados pela abundância. A que se deve atribuir esse fato?”

            Resposta: “Ao egoísmo dos homens, que nem sempre fazem o que devem. Na maioria das vezes, porém, deve-se atribuir esse fato a eles mesmos. Buscai e achareis. Estas palavras não querem dizer que basta olhar a terra para encontrar o que se deseja, mas que é preciso procurar com ardor e perseverança, e não com indolência, sem se deixar desanimar pelos obstáculos, que muitas vezes são simples meios de experimentar a vossa constância, a vossa paciência e a vossa firmeza.”

            Em seguida, Kardec faz diversas considerações sobre a miséria e cita, como exemplo de esforço para erradicá-la, os “povos mais adiantados”, que tudo fazem para “melhorar a condição material dos homens”.

            Ainda sobre o tema, transcrevo as perguntas e respostas contidas nos itens 814 e 815 d’O Livro dos Espíritos:

            814. Por que Deus concedeu a uns a riqueza e o poder, e a outros a miséria?

            “Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos que, no entanto, nelas sucumbem frequentemente.”

            815. Qual das duas provas é mais perigosa para o homem, a da miséria ou a da riqueza?

            “Ambas o são igualmente. A miséria provoca as queixas contra a Providência; a riqueza leva a todos os excessos.”

            Esta história, ouvi de um amigo aqui de Brasília:

            — Estávamos, eu e a esposa, tomando uma sopa num self service da Asa Norte, à noite, quando se aproximou de nós um senhor mal vestido, que nos pediu uma ajuda, segundo ele, para comer, alegando estar com fome. Penalizado, mas cauteloso, separei as torradas, ainda intocadas por nós, juntamente com um pequeno pote de creme, também não mexido, como primeiro socorro, pronto para tirar da carteira pequeno valor monetário, como acréscimo de ajuda, haja vista que alguns clientes também não negam auxílio aos necessitados que sempre vão ali.

            O pobre homem, sentindo-se humilhado e sem saber qual era minha intenção, falou-nos, agressivamente: “— Não sou cachorro, para comer resto de alimentos”. E afastou-se. A esposa, assustada com aquela grosseria, ouviu quando ele disse mais adiante: “— Miserável!”

            E desapareceu na noite.  Aqui termina, meu amigo, seu relato.

            Como dizem os espíritos, diversas pessoas causam a própria miséria, mas revoltam-se contra quem os quer ajudar, quando se julgam humilhados. Outros agradecem e ainda dizem: “Que Deus o abençoe!”, o que desencadeia um acréscimo de compaixão e auxílio de quem é abençoado.

            Para isso, é necessário crer em Deus, mas também crer nos homens e mulheres de bem, sendo humilde e agradecido, nas pequenas coisas, o que não fazem os revoltados. Muitos deles nem ao menos creem em Deus. Se cressem, perceberiam que o Senhor socorre seus filhos em provas e expiações por meio doutros filhos que já superaram a desgraça material e, principalmente, a miséria moral.

           


 


Por um inimigo que morreu

 

(67) Prefácio

 

            A caridade para com nossos inimigos deve acompanhá-los no além-túmulo. Devemos pensar que o mal que eles nos fizeram foi para nós uma prova, que pode ser útil ao nosso adiantamento, se a soubermos aproveitar. Pode mesmo ser mais útil ainda que as aflições de ordem puramente material, por nos permitirem juntar, à coragem e à resignação, a caridade e o esquecimento das ofensas (caps. 10, it. 6; cap. 12, itens 5 e 6).

 

(68) Prece

 

            Senhor, foi de sua vontade chamar antes de mim a alma de fulano. Perdoo-lhe o mal que me fez e as más intenções que alimentou a meu respeito. Possa ele arrepender-se disso, agora que não está mais sob as ilusões deste mundo.

            Que sua misericórdia, meu Deus, se estenda sobre ele, e afaste de mim o pensamento de alegrar-me com sua morte. Se também fui mau para com ele, que me perdoe, como me esqueço do que tenha feito contra mim.


Vitória espiritual   Você crê que eu já me aposentei... Sim, se for no sentido de ganho Monetário no que eu ocupei; Não se for em trabalho t...