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terça-feira, 8 de abril de 2014

Em dia com o Machado 98 (jlo)

Bom-dia, amiga leitora! Como passou a noite? Sonhou bastante? What about your dreams? Então acorde para a realidade. O que você foi ontem já não é hoje. Está em questão sua identidade cultural.
A ideia de Descartes de que minha existência está comprovada pelo ato de eu pensar acaba de ser contestada. Eu penso porque há, no espaço em que habito, inúmeros outros pensamentos com os quais me identifico em determinado contexto. Não sou original, capto a noção que mais se ajusta ao momento. Ou melhor, aproprio-me das ideias segundo minha conveniência.
— Mas nada há de você em seu pensamento, Machado?
— Há a vontade. Já nascemos com ela. O bebê, quando emite seu primeiro choro, indica a todos que tem vontade de viver.
A partir daí, o choro vai indicar muitas outras coisas mais:
chora porque quer mamar;
chora porque sente cólica;
chora porque quer o afeto materno;                   
chora porque quer dormir;
berra porque sente desconforto.
Depois, maiorzinho, surgem outras vontades:
a vontade de usar aqueles sons que transmitem outras vontades, ou seja, as falas;
a vontade de mostrar para a mamãe que já sabe se virar sozinho, no pinico ou no prato;
a vontade de andar, quando o instinto manda, primeiro, engatinhar;
a vontade de ter todos os brinquedos do mundo e com eles brincar;
a vontade de ter amiguinhos,
a vontade de ter o mundo só para si,
pois a principal vontade é a de ter:
ter mamãe;
ter papai;
ter tudo que tiver vontade de ter.
Mais tarde, adulto, continua com a vontade de ter, ter, ter...  Ter amigos, ter roupas bonitas, ter casa espaçosa, ter carros, ter uma família feliz, ter o poder...
A única coisa que não se gosta muito de ter é trabalho, mas se tiver que ter, que seja o melhor emprego, o mais alto salário; ter, enfim, quem trabalhe para ele, mas ter o sucesso só para si.
Desse modo, surge a apropriação.
Algumas pessoas se apropriam dos gestos que admiram em outras, do modo de falar e até do modo de pensar de outrem.
— Falta-lhes originalidade, Machado!
— E sobra-lhes esperteza, quando percebem que isso lhes dará uma posição de destaque na sociedade.
— Mas, e se o que imitam nos outros é negativo?
— Essa não deixa de ser uma forma de se identificar com o que desejam fazer sobressair em seu comportamento. Por trás disso está a vontade de se apropriar do modo patife de ser do outro, pois há pessoas que adoram ser canalhas.
— Esse modo de agir, entretanto, não indica uma opção central, um pensamento direcionado a um objetivo?
— Depende do objetivo e da conveniência. A mesma pessoa pode ora ser patife, ora ser boazinha. Em dado momento, manifestar perfeita identidade com seus amigos nas elucubrações malignas, visando a um fim comum; e, em outra ocasião, trair as maquinações antes apoiadas ou, descobrindo-se desmascarada, aliar-se aos donos da situação.
— Isso acontece muito na política, Bruxo do Cosme Velho...
— E como acontece. A demagogia rege as relações políticas. Mas não é apenas no Congresso que vemos isso. A política está presente em toda relação social onde haja interesses comuns.
— Exemplifique, Machado, por gentileza.
— Se desejo apropriar-me de um cargo de chefia em minha empresa, procuro ser amigo de todos os colegas de trabalho, puxo o saco do meu chefe, o qual acompanho em todas as suas decisões e andanças, muitas vezes após ouvir a maioria dos colegas, mas sempre evitando contrariar o mandachuva empresarial e, aliado a um trabalho presencial intenso procuro inteirar-me de todas as necessidades e complexidades da firma.
Depois, uma intriguinha aqui, outra ali, uma difamação lá, outra acolá, sempre disfarçadas de um zelo pela instituição, vão somando seus pontinhos.
— Mas isso não seria puro interesse pessoal?
— Evidentemente, Joteli, mas a vontade está na base de tudo: motivação, interesse, fidelidade ou infidelidade, lealdade ou deslealdade, paixão...
— A isso, acrescem-se as promessas, fruto da interação de minha vontade com as vontades alheias, o que não significa que, assumido o cargo de chefe, eu lhes atenda aos anseios. Estou certo, Bruxo amigo?
— Certíssimo! Primeiramente, satisfeita minha vontade, buscarei, na medida do possível, satisfazer a vontade de meus entes queridos: familiares e amigos. Enfim, as identidades são descentralizadas, mas a vontade é central. Primeiro eu, depois os meus...
— É por isso que algumas pessoas, mais positivistas, repetem o bordão: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, o rigor da Lei”, não é mesmo, Machado?
— Alguns vão além e dizem: “Eu sou a lei. O que satisfizer a minha vontade é legal, o que não satisfizer, mesmo que tenha sido prometido por mim, “é ilegal, imoral ou engorda”.
— Aliada à vontade do poder está a da riqueza, não é mesmo Bruxo? Não mora aí o perigo?
— É verdade, amigo, mas a vontade-mãe é a da conquista do poder, seja ele material, seja espiritual. E isso serve tanto para os que creem na existência do espírito quanto para os que não o creem. Para estes últimos, aliada à hipocrisia e aos interesses pessoais, basta a presença de espirito na captação das vontades coletivas às quais sobrepõe a sua.
A única coisa real em nós é a vontade. Transitamos de uma identidade cultural a outra com a mesma facilidade com que trocamos de roupa. E assim, reina absoluta a vontade na luta pela realização dos nossos sonhos de poder.
— E o descentramento da identidade, Machado?
— Ora, Joteli, então você ainda não percebeu? Keep your eye on the target. Todos nós somos movidos, unicamente, pela vontade. O resto são conveniências... 

domingo, 6 de abril de 2014

COMUNICAR É PRECISO VI (Jorge Leite)
                   
Aprende — humildemente. / Ensina — praticando.
[...] Corrige — com bondade. / Perdoa — sempre.
(XAVIER, F. C. Pelo Espírito André Luiz. Agenda cristã. 32. ed.
Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1996.)                                                                   

Ouvido numa emissora de TV: “Nos dias da Copa, os servidores serão dispensados ao meio-dia e meio...” Correção: meio-dia e meia... (meio dia + meia hora).

Informado por e-mail de uma amiga a outra: “É bom está com você”.
Percebeu o equívoco? Nossa amiga esqueceu-se de que o verbo está não estar flexionado, rs. Brincadeirinha: o verbo estar não está flexionado. É o correto.
Agora, sem brincadeira, a frase correta: “É bom estar com você”.

Por vezes, se você ver algo repetido é por causa que os erros se repetem. Correto?
Nããão! O certo é: Por vezes, se você vir algo repetido é porque os erros se repetem...

Ouvido de passagem: “Nóis vai de a pé na igreja”.
Lindo, maravilhoso, principalmente se falado por uma caipirinha linda.
Correção: Nós vamos aà igreja.

No caso da expressão “de a pé” estão sendo usadas duas preposições para ligar o verbo “vamos” ao substantivo “igreja”: “de” e “a”. Basta uma; no caso o “a”: “vamos a pé”.

O caso de “na igreja” é semelhante a “no banco”, já mencionado por nós na semana passada.
Quem vai, vai a algum lugar e não em algum lugar.

E por que não é “à pé”?
Porque só existe “a” preposição antes da palavra masculina “pé”. Assim, a pé é o correto.

Se disséssemos em outra frase: “O barco navegou à matroca[1] ocorreria crase porque a palavra matroca é feminina e definida pelo artigo a ao qual se junta a preposição a. Logo: à = a prep. + a art. fem. que define a palavra feminina matroca.

Muita explicação para pouca coisa, não é mesmo, amiga leitora? Mas se você acompanhar o raciocínio desde o início entenderá que, por vezes, o “a” pode ser preposição, por vezes, artigo.
Há casos, ainda, em que ele é pronome.
Exemplo: — O que fizeste de minha sandália?
— Dei-a àquele mendigo que passou em frente à minha casa.
Primeiro “a”: pronome.
Segundo e terceiro à (a+ a)= “a” preposição e “a” artigo definido feminino.

Ainda temos, na frase acima, àquele= a prep. + aquele= pronome demonstrativo.

Frase lida em mensagem de defesa da democracia: “Caso a democracia não se defende pela educação de seus filhos, tudo está perdido”.
Onde está o erro?
Resposta: o verbo defender está sendo conjugado no modo subjuntivo ou condicional. O correto, gramaticalmente, é escrever “Caso a democracia não se defenda [...]” (pres. do subj..).
Vamos conjugar verbos, minha gente!

LEIA, TAMBÉM, QUESTÕES VERNÁCULAS (4ª edição)

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@oconsolador.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)


Comecemos a seção lembrando inicialmente alguma coisa relacionada com a grafia dos vocábulos:
      1. Adentro - Constitui uma palavra só. Ex.: Ele entrou mata adentro; o rapaz dançou noite adentro.
      2. Afora – A exemplo de adentro, também é uma única palavra. Ex.: A mulher viajou pelo país afora.
      3. Aficionado – Esta palavra é escrita assim; não existe “aficcionado”.
      4. Bochincho ou bochinche – É assim que se escrevem estes vocábulos; não existe bochicho nem buxixo.
      6. Dar à luz – Com o significado de “pôr no mundo”, é assim que se escreve esta expressão. Ex.: A mãe deu à luz um lindo menino (e não “deu a luz a um lindo menino”).
      7.  Décimo terceiro – Na grafia deste numeral não há hífen.
      8.  De vez que – Embora usada por diversos autores espíritas de renome, esta locução não existe e deve ser substituída por “uma vez que”. Ex.: Uma vez que ele obteve o que pretendia, é hoje outro homem.
      9.   Digladiar – É assim que se escreve este vocábulo; não existe degladiar.
     10. Embaixo – Trata-se de uma palavra só. Ex.: Ele pôs os sapatos embaixo da cama.







[1] à matroca: à toa, ao acaso, de qualquer maneira. Dic. Aurélio da Língua Portuguesa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Em dia com o Machado 97 (jlo)


Amigo leitor, falemos agora sobre os impasses da pós-modernidade.
Se você declara imposto de renda e o fisco desconfia de suas informações, retém sua declaração com o que teria direito à devolução e, até o ano seguinte, quando já tem de declarar novamente seus rendimentos, você ainda não foi chamado para comprovar o que declarou e receber o que acredita ter direito com comprovante e tudo. A fila da “malha fina” é muito grande e não se consegue nem mesmo agendar uma data para levar os documentos solicitados no sítio da Receita...
Se você cadastrou uma senha, pela internet em um serviço público ou particular, trocou seu e-mail e esqueceu a senha, adeus... Não vai conseguir mais ter acesso ao serviço, pois o link não lhe dá opção de mudar o e-mail e o sistema lhe informa que a nova senha será enviada para o seu endereço eletrônico que não mais existe.
Se você adere a um serviço telefônico e, algum tempo depois, esse plano é reduzido pela metade do valor que você paga, nenhuma propaganda da empresa baixará pela metade sua conta a pagar, a não ser que você encerre a conta atual e faça novo contrato com a empresa. Entretanto, para encerrar seu contrato, terá de pagar uma multa que inviabiliza administrativamente a nova opção.
Se você não confere e contesta cobranças ilegais dos bancos, você vai sendo lesado, semana a semana, mês a mês, ano a ano, em conta gotas. O prejuízo em sua conta é aparentemente pequeno, mas o lucro do banco baseado em descontinhos a milhões de correntistas é fabuloso.
Se você percebe em acesso à sua conta pela internet que lhe foi descontado um valor por uma compra jamais feita por você, pois estava num estado e a conta foi feita, naquele momento, em outro, o aborrecimento que terá a partir de então para acessar sua conta eletrônica será absurdo. Funcionário do banco fará inúmeros bloqueios em seu acesso e sua ida à agência, durante muito tempo, passará a ser uma rotina.
Outro dia, a esposa de Joteli comprou uma dúzia de copos pela internet. Todos chegaram inteiros e a satisfação foi grande. Meu secretário pegou um dos copos, encheu-o com água meio gelada, colocou-o sobre um lenço de papel, para não molhar a mesa de trabalho e, dez minutos depois, percebeu que a mesa estava ficando toda molhada. Olhou para o copo e este estava meia boca, não somente com relação ao conteúdo da água, como também sobre sua integridade vítrea: uma rachadura ocupava o copo de cima a baixo.
No dia seguinte, resolveu pegar outro copo da mesma marca para tomar água e... Surpresa! Metade do copo ficou no armário e a outra metade ficou em sua mão. E assim ocorreu com todos aqueles copos adquiridos pela internet...
O trabalho que dá para entrar em contato com a empresa, comprovar a fraude, etc., por vezes, não compensa a reclamação, pois o valor dos copos foi baixo. Pense, entretanto, em quantas pessoas foram lesadas com esse material? O lucro da empresa é certo, o prejuízo dos compradores também.
Enfim, amigo leitor, se a luta pelo direito é um direito de todos, o desgaste físico e emocional também. Ainda bem que temos o Ministério Público, o Procon, a Justiça Volante e a Polícia Federal, entre outros mecanismos para nos defender, não é mesmo, leitor amigo?

sábado, 29 de março de 2014

COMUNICAR É PRECISO V (Jorge Leite)                                         
                                                           
Quando ensinar, não seja arrogante.
E não se esqueça de que o aprendizado dura a vida toda.                                                                 (PASTORINO, Carlos Torres. Minutos de sabedoria.)
                                              
                                                                      
As palavras ou expressões destacadas estão corrigidas entre colchetes ao lado da frase.
Ouvido numa rádio baiana, em 9 de janeiro de 2009, às 13h20:
“O sequestro da menina Eloá trouxeram à tona a situação do seu pai.” [trouxe]
Dito por um jogador: Nós se atrasamos... [Atrasamo-nos...]
Ouvido em outra rádio há três dias: Ela foi no banco e não achou o dinheiro... [foi ao banco]
“Lido no face: Se você não quer ser esquecido quando morrer, escreva coisas que vale a pena ler.” (Benjamin Franklin). [coisas que valham a pena]
Agora, outra frase postada facebook:
Aonde está o erro dessa frase?” [Onde estão os erros desta frase?] (A frase estava toda errada, rs.)
Onde/aonde
Onde é advérbio que se usa com verbos que expressam situações estáticas: “Onde está você?”
Aonde expressa situações de movimento: Aonde você vai?

Pra onde vou
(Jorge Leite)

Pra onde vou,
Quando vou,
Como vou,
Por onde vou?

É o que mais desejamos
Da vida saber
Antes mesmo de nascer.

De onde vim,
Quando vim,
Como vim,
Por onde vim?
[...]

E agora, José? Pra onde, ou Pra aonde vou? Por onde, ou Por aonde?

Observe que, antes dos advérbios, já há as preposições “para” e “por”. Nesses casos, se juntarmos a preposição “a”, teremos  duas preposições antes do advérbio. Por isso o “pra onde” e não “pra aonde”, “por onde” e não “por aonde”. 
É o nosso entendimento. Se houver vozes mais doutas, que nos corrijam com fundamentação melhor.

ESTE/ESSA, DESTA/DESSA, AQUELE(A)

Há três usos para os pronomes demonstrativos, segundo Dad Squarisi:
1º quando se referem a situações espaciais:
este(a) e variações: informam proximidade do ser ou coisa com quem se fala ou escreve. Ex.: Esta bíblia é minha, Paula. (a bíblia que está comigo)
esse(a) e variações: esclarecem que o ser ou objeto estão próximo da pessoa com quem se fala. Ex.: Essa bíblia é sua, Paula. (a bíblia está com a Paula)
aquele(a): aponta para algo distante das pessoas do discurso. Ex.: Aquele jatobá é enorme. (a árvore está longe nós)
2º quando se referem a situações no tempo:
este e variações: tempo atual ou presente. Ex.: Neste domingo haverá o jogo entre Flu. e Vasco. (amanhã)
esse(a), aquele(a) e variações: esse(a) se o tempo passado é recente; aquele(a), se é distante. Ex.:
Em 2013, fomos à França. Nesse ano, visitamos também Portugal e fomos ao convento de Santa Isabel de Aragão, que reinou durante o século XIII. Naquele século, a Igreja instaurara a Inquisição.
Lembrete: o tempo é psicológico; nesse caso, o emprego de esse(a), aquele(a) vai depender de cada enunciador.
3º quando indicam situação textual:
este(a) e variações: expressam fato posterior a uma citação. Exemplo: O senador disse esta frase: “A política é feita de demagogia”;
esse(a) e variações: referem-se ao que foi dito antes, na frase. Exemplo: A Petrobrás perdeu 70% de seu valor comercial. É de arrepiar, saber que nossa maior empresa está nessa situação...

Lembrete útil: no texto, noventa por cento das vezes, estão presentes esse, essa, desse, dessa, nesse, nessa... vez que, de ordinário, o que se diz vai ficando para trás. Não se esqueça dessa dica.
Até...

REFERÊNCIAS

ACADEMIA Brasileira de Letras. Vocabulário ortográfico da língua portuguesa. 5. ed. São Paulo: Global, 2009.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
SQUARISI, Dad. Dicas da Dad: português com humor. Brasília: Correio Braziliense, 2001.
OLIVEIRA, Jorge Leite de. Texto acadêmico: técnicas de redação e de pesquisa científica. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. Reimpressão em 2013.
OLIVEIRA, Jorge Leite de (org.); CRAVEIRO, Manoel; CAMPETTI SOBRINHO, Geraldo. Guia prático de leitura e escrita. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

QUESTÕES VERNÁCULAS (3ª edição)
           
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@oconsolador.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)



Veremos hoje e nas semanas seguintes uma relação dos erros mais comuns que se verificam na construção de textos em nossa língua:
1.     Entre eu e ela não existe mais nada.
2.     Está tudo bem entre tu e teu pai?
3.     Há dez anos atrás eu comecei a estudar.
4.     Vou assistir o filme com meus amigos.
5.     Prefiro ler do que praticar esporte.
6.     Joana caiu e quebrou o óculos.
7.     Nunca lhe vi mais gordo.
8.     Chegamos em Londrina bem cedo.
9.     O atraso implicará em uma multa pesada.
10.  Pedro vive às custas do pai.

Eis os textos corrigidos e, entre parênteses, as explicações pertinentes:
1.            Entre mim e ela não existe mais nada. (Depois das preposições “entre” e “para” não se usa o pronome “eu”, mas sim o pronome oblíquo “mim”.)
2.            Entre ti e teu pai está tudo bem? (A mesma restrição citada no item anterior aplica-se ao pronome “tu”, devendo-se usar no caso o pronome oblíquo “ti”.)
3.            Há dez anos eu comecei a estudar. (A frase “há dez anos” já implica a ideia de passado; por isso, o vocábulo “atrás” é inteiramente redundante.)
4.            Vou assistir ao filme com meus amigos. (O verbo assistir, com o sentido de presenciar, pede objeto indireto. Quando o sentido é a assistência a uma pessoa enferma, aí sim o objeto será direto: O enfermeiro assistiu meu pai com muito carinho.)
5.            Prefiro ler a praticar esporte. (Toda vez que se usa o verbo preferir, a preposição “a” se torna inevitável, como se vê nestes dois exemplos: Prefiro andar a ficar sentado. Prefiro feijoada a pizza.)
6.            Joana caiu e quebrou os óculos. (O vocábulo óculos usa-se sempre no plural e o artigo concorda com ele, indo também para o plural.)
7.            Nunca o vi mais gordo. (O verbo ver pede objeto direto. A gente vê algo, e não vê a algo.)
8.            Chegamos a Londrina bem cedo. (O verbo chegar exige a preposição a em construções desse tipo: Chegou à cidade. Chegou ao país. Chegou à repartição. A única exceção admitida é quando se refere à casa: Chegamos em casa.)
9.            O atraso implicará uma multa pesada. (O verbo implicar, quando usado com esse sentido, pede objeto direto. Existe ainda “implicar com”, usado nestes exemplos: Ela vive implicando com o pai. João implica com todo mundo.)
10.         Pedro vive à custa do pai. (À custa, e não “às custas”, é o correto.)


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quarta-feira, 26 de março de 2014

Em dia com o Machado 96 (jlo)
“Influem os Espíritos em nossos pensamentos e atos?
Resposta: Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto,
que, de ordinário, são eles que vos dirigem." (KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 459.)

— O que é isso, Machado? Você agora só pensa em espíritos e em Espiritismo?
— Amigo, releia minha obra em prosa. Não poucas vezes, ela transpira Espiritismo. Releia minhas crônicas, meus contos, meus romances. Há neles inúmeras referências aos fenômenos mediúnicos ou ao Espiritismo. Só não lê quem não quer ver. E muitos estão cegos...
— Mas por que você citou a questão 459 d’O Livro dos Espíritos?
— Para tentar abrir-lhes os olhos entrevados... Keep your eye on the target. Ser perfeito é a meta da felicidade eterna.
Lembra-se da passagem citada por Jesus na parábola do rico e de Lázaro, o mendigo? Vou refrescar-lhe a memória e sintetizá-la: O rico vivia nababescamente. O mendigo nada tinha para comer e se contentava com as sobras dos banquetes do rico, as quais dividia com os cães. O rico morreu. Lázaro, o mendigo chaguento, também. O primeiro foi para as regiões infernais, que existem sim, como criações mentais da pessoa culpada. O segundo foi para as regiões felizes. Então, ao ver pai Abraão, ao longe, o rico pede-lhe para deixar Lázaro ao menos molhar a ponta de seu dedo na água e passá-lo nos seus lábios, para refrescá-lo um pouco dos tormentos da chama consciencial. Pai Abraão responde-lhe que isso não seria possível, pois o rico tivera tudo na existência física, enquanto Lázaro se alimentara com os restos de comida destinada aos porcos da faustosa residência daquele. Ouvindo isso, o rico pede a pai Abraão para enviar Lázaro a seus cinco irmãos, “vivos”, a fim de alertá-los sobre as consequências futuras de seus atos egoístas. A resposta é um primor de sabedoria: “— Eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos”. Ante a insistência do rico, diz Abraão: — “Se não ouvem Moisés e os profetas, em nada mais crerão, ainda que algum dos mortos ressuscite”.
— E um dos “mortos” que ressuscitaria de modo incontestável fora o próprio contador da parábola, Jesus Cristo, não é mesmo, Machado?
 — Exato, amiga leitora, e as palavras simbólicas da parábola acima se concretizaram. Todos sabemos que Ele ressuscitou, mas poucos temos a coragem de seguir sua moral superior.
Jesus é o Amor encarnado, concedido por Deus à humanidade, como seu modelo e guia.
Também encarregado pelo Pai de reger nosso planeta, o Mestre enviou-nos sempre, mas principalmente após o surgimento do Espiritismo, os novos profetas, que são os espíritos superiores, com a missão de relembrar seus ensinos elevados. Desse modo, não podemos alegar nossa ignorância sobre as verdades espirituais, com a desculpa de que as revelações dos profetas antigos e de Moisés foram deturpadas pela tradição oral ou não passam de mitos.
— Não seria, então, melhor, que todos tivéssemos a mediunidade ostensiva, como a de muitas pessoas que veem e até conversam com os espíritos, Bruxo?
— Nem todos estão preparados para essa missão, leitor amigo, mas não nos faltam as mensagens mediúnicas de grande número de médiuns, em especial as centenas de mensagens psicografadas por Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, José Raul Teixeira, entre outros expoentes canais mediúnicos da espiritualidade superior.
O crente inteligente, ao ler qualquer obra de mensagens evangélicas, seja no centro espírita, na igreja ou no culto do evangelho no lar, observará a notável “coincidência” de que ali está a orientação para a nossa correção de rumo, com vistas a uma vida melhor. E é incontestável que cada mensagem, lida ou ouvida, traz sempre um esclarecimento sobre como lidar com nossas imperfeições, assim como tratar bem o nosso próximo ou familiar.
Obras como Pão Nosso, Vinha de Luz, Caminho, Verdade e Vida, Fonte Viva, Agenda Cristã e muitas outras, psicografadas por Chico Xavier, estão calcadas em comentários de versículos dos evangelhos de Jesus e sempre são instrumentos da Espiritualidade superior utilizados como resposta aos nossos conflitos sociais.
Quer exemplos?
1º - Zeca, irmão mais velho de Juca, quebra um vaso de estimação de sua mãe, que, ao ver o vaso quebrado, lhe pergunta quem destruiu seu objeto. Com medo de ser repreendido, Zeca responde-lhe ter sido seu irmão o causador do prejuízo. Juca é severamente repreendido pela mãe, por mais que negue não ser verdadeira a acusação. À noite, no culto do evangelho no lar, a mãe pede a Zeca para abrir ao acaso e ler uma página da obra Pão Nosso. A página aberta é a da primeira mensagem do livro, que traz, abaixo do título No serviço cristão, o seguinte versículo de Paulo, II Coríntios, 5: 10: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal do Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito, estando no corpo, o bem ou o mal”.
Significativa mensagem, não é mesmo, amigo leitor? Agora se o culpado vai ou não buscar atribuí-la a si é outra questão. O normal é que se diga: — Essa mensagem serve direitinho para o Juca, que quebrou o vaso e ainda mentiu dizendo não ter sido ele...
Enquanto isso, Zeca, o verdadeiro culpado fica em silêncio e finge que não é com ele... Nada, porém, do que fazemos na vida fica sem suas consequências. Sábio é quem procura viver de acordo com os ensinos morais elevados; o seu será um céu de brigadeiro.
2º - No trabalho, Farias é informado, por escrito, sobre a necessidade de avisar um colega de serviço para desligar a luz da sala do diretor ao término do expediente da sexta-feira. Não avisa, e a sala fica iluminada durante todo o fim de semana. Na segunda-feira, o diretor  pergunta-lhe se deixou de dar o aviso ao colega e, como este é seu subordinado, Farias responde, na presença deste, que lhe deu ordens para apagar a luz.
O colega não se defende, mas frequenta o mesmo centro espírita que Farias, no qual haverá uma reunião de estudos evangélicos, naquela noite, sob a direção deste, à qual não faltará aquele.
No horário da reunião, Farias abre a página de Caminho, Verdade e Vida e lê, envergonhado ou não, a mensagem nº 49 – Saber e fazer: “Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes” — Jesus (João, 13: 17).
Os exemplos são tantos que não cabem nesta crônica. Basta-nos continuar lendo, observando e aprendendo, pois o Espiritismo é uma ciência de observação e de experimentação.
As conclusões sobre as companhias espirituais dos personagens acima deixo-as a você, amigo leitor. Lembro-lhe, apenas, que o verdadeiro aprendiz se destaca, sobretudo, como nosso Mestre Jesus Cristo, não pelo que prega, mas pelo que faz.
Nas mínimas coisas...


Ps: as obras citadas, nos exemplos acima, foram psicografadas por Chico Xavier, ditadas pelo espírito Emmanuel e editadas pela Federação Espírita Brasileira.

sábado, 22 de março de 2014

COMUNICAR É PRECISO IV (Jorge Leite)
                           
                                                                       “Todos nós sabemos alguma coisa.
                                                                       Todos nós ignoramos alguma coisa.
                                                                       Por isso aprendemos sempre.” -  
                                                                       Paulo Freire.

Outro dia, li o seguinte aviso num e-mail enviado por uma respeitável instituição jurídica:
“Caso não gostaria de receber mais nossas correspondências [...]”. Estranhou? Eu também.
Correção: “Caso não queiras receber mais nossas correspondências [...]”.
Um amigo nosso, muito culto, costuma escrever: “Vou um aviso aos companheiros.”
Comunicou? Claro. Mas e o português? Escuro como água turva...
Corrigindo: “Vou dar um aviso aos amigos, assistentes sociais, colegas de trabalho, etc..”
Companheiros? Nada haver com a política (?). Certo?
Errado. O certo é: Nada a ver com a política...
A não ser que outro contexto exija a inexistência de algo na política. Mas então dir-se-ia, por exemplo: A senadora disse quase nada haver na política que não seja motivo de escândalo em nosso país.
Aviso de elevador: “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar.”
Certo? Bem, dá para entender. Então, comunicou.
Formalmente, porém, a frase contém duas impropriedades:
1ª – “o mesmo” não é sujeito de nenhuma frase e deveria ser substituído por “ele”;
2ª – quando o emissor distante se dirige a um destinatário, o pronome a ser utilizado é “esse” e não “este”. Exemplo: Encaminho a V. Sª esse dicionário...
Então, no aspecto formal, a frase deveria ser corrigida para:
Antes de entrar no elevador, verifique se ele está nesse andar.
O se conjunção atrai o se pronome. Nesse caso, a frase poderia ser a seguinte:
Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra nesse andar.

Referências
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
CIPRO NETO, Pasquale. Inculta e bela 1. 4. ed. São Paulo: Publifolha, 2002, p. 134- 135.

QUESTÕES VERNÁCULAS (2ª edição)

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@oconsolador.com.br
Londrina, Paraná (Brasil)

Veremos nesta semana algo sobre construção de frases, grafia e pronúncia de algumas palavras bem conhecidas:
1.      “Havia muitas pessoas no local” e não "Haviam muitas pessoas...”, porque o verbo haver, no sentido de "existir", mantém sempre a forma singular.
2.      Em razão disso, devemos dizer sempre: “Houve muitos convidados na festa”, e não “Houveram muitos convidados na festa”. “Pode haver problemas”, e não “Podem haver problemas”.
3.      “A partir de agora vou mudar”, e não “À partir de agora vou mudar”, porque a crase só se compreende quando a palavra que se segue for feminina, esteja ou não oculta. “Partir” é verbo e, portanto, repele o artigo “a”, que forma a crase ao fundir-se com a preposição “a”.
4.      “Isto veio para eu ler”, e não “para mim ler”, porque o pronome pessoal “eu” é o único cabível em construções dessa natureza. Da mesma maneira que ninguém diria: “Isto é para ti fazer”, é impensável dizer: “Isto é para mim fazer”.
5.      Se não houvesse o verbo “ler” na frase mencionada no tópico anterior, aí sim o pronome seria “mim”. Exemplos: “Isto veio para mim”, “Ela enviou esta carta para mim”, da mesma forma que diremos “Isto veio para ti”, “Este e-mail é para ti”.
6.      “Ficamos com um grande dó”, e não “Ficamos com uma grande dó”, porque a palavra “dó” quando feminina significa uma das sete notas musicais.
7.      “Problema” lê-se tal como se escreve: “problema”. Não é poblema nem pobrema, como alguns notórios políticos gostam de falar.
8.      CD-Rom lê-se CD mais Rom, como pronunciaríamos a palavra Roma sem o “a”. Não é CD-Rum. 
9.      Hall lê-se “ról”, e não “rau” nem “au”.
10.   Em vez de dizer: “Eu vou ESTAR mandando, vou ESTAR passando, vou ESTAR verificando”, como é praxe nos atendentes de telemarketing, digamos de maneira direta e mais simples: “Vou mandar, vou passar, vou verificar”.
11.   No uso dos verbos SER e ESTAR no modo subjuntivo, digamos sempre: “Seja o que Deus quiser”, jamais “Seje o que Deus quiser”. Da mesma forma, diga “esteja”, nunca “esteje”.


quinta-feira, 20 de março de 2014

Relacionamentos Saudáveis


Livro: Vida - Desafios & Soluções
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco


Ninguém consegue viver sem a harmonia do grupo social no qual se encontra. Animal gregário, o ser humano nutre-se da vibração e da presença de outro igual, que o estimula para avançar na busca da sua auto-realização.

O relacionamento social é de grande importância para desenvolver os valores que se encontram adormecidos nos refolhos do inconsciente, aguardando os estímulos que os fazem exteriorizar-se, e isso, somente é possível, na convivência com outros indivíduos da mesma espécie.

O isolacionismo é sintoma de desajuste emocional, portanto de psicopatologia que necessita seja aplicada uma terapia competente.

Na convivência com o próximo, o ser humano lima as arestas anteriores e ajusta-se ao grupo, aprendendo que a sua perfeita sintonia com os demais resulta em produção e aperfeiçoamento moral para todos. O seu crescimento é conquista geral, o seu fracasso é desastre coletivo. Nesse mister, portanto, descobre a beleza da harmonia, que resulta da perfeita identificação com os componentes do conjunto.

Quem duvide do valor da renúncia pessoal em favor do aperfeiçoamento do grupo social, observa, numa orquestra, qualquer instrumento que se destaque, por exibicionismo, destoando da pauta musical, e teremos a tragédia do esforço de todos.

Assim, portanto, há uma necessidade ética, psicológica, moral, em favor do relacionamento entre as criaturas, particularmente quando este pode ser saudável. A sua proposta se faz mediante o intercâmbio fraternal, aspirações culturais, doações dignificadoras, que se convertem em esforço de construção de momentos enriquecedores.

Os estímulos humanos funcionam de acordo com os propósitos agasalhados, porque a mente, trabalhando os neurônios cerebrais, estimula a produção de enzimas próprias aos sentimentos de solidariedade ou às reações belicosas. Assim, portanto, aspirar e manter idéias de teor elevado, constitui meio seguro de conseguir-se relacionamentos saudáveis.


  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...