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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016



Em dia com o Machado 193 (jlo)

Começo com uma frase de Noam Chomsky, linguista: “Se não acreditamos em liberdade de expressão para gente que desprezamos, não acreditamos nela de forma nenhuma”. (Seleções Reader’s Digest, jan. 2016, p.35). Para muitas pessoas, nada é mais irritante do que serem contrariadas em suas ideias, especialmente no que se refere à política ou à religião.
Hoje, falar-lhe-ei, caro leitor, sobre o primeiro tema. Tenho um amigo que foi militar do Exército durante mais de duas décadas. Exatamente 22 anos. Em plena “ditadura”.
Está falando de cátedra, portanto, quando se refere à instituição de uma das três Forças Armadas. Segundo Joteli (ou você pensou que era outro o amigo, meu prezado leitor?), a instituição militar é um verdadeiro modelo no que tange à disciplina e à hierarquia. Em sua época, o Estatuto dos militares – E1, era o seu terror, tal o rigor das normas disciplinares desse regulamento.
Joteli serviu, no Rio de Janeiro, na 5ª Brigada de Cavalaria Motorizada, na época, comandado pelo Gen. Walter Pires de Carvalho e Albuquerque, cujo rigor militar era deveras conhecido. Certa vez em que meu secretário estava de plantão, o comandante, ao passar pelo sentinela do quartel e observar que este estava um pouco relaxado em sua posição de sentido, mandou dobrar a guarda.
Ah, você não sabe o que é “dobrar a guarda”? É ficar mais 24 horas de plantão no quartel depois de um período igual, já bastante cansativo e mal dormido.
Hoje em dia, apenas para citar um exemplo, um cidadão com três passagens pela polícia joga o carro em cima de uma família, que passeava com um carrinho de bebê na calçada, simplesmente por ter o carrinho encostado, acidentalmente, em seu carro e o delegado diz que vai ouvir o criminoso, pois ele poderá alegar (e já diz o que este pode dizer como justificativa) que "fez isso só para assustar a família, mas não tinha intenção de machucar ninguém". A mãe da criança ficou com a perna ralada e ainda se encontra ralada de raiva, só para usar uma figura de linguagem chamada aliteração. Ainda bem que não aconteceu nada com o bebê que estava no carrinho.
Sabe no que vai dar o caso, cidadão? Deixo a resposta a você.
A honestidade dos militares e seu amor à Pátria, entretanto, são outras características que os credenciam como cidadãos altamente confiáveis, caso seja necessária sua convocação para manter a segurança ordeira e disciplinada de nosso povo, quando esses mandriões da pátria forem daqui defenestrados, mas nova "ditadura", nem pensar! Por isso, é de entristecer o fato de atualmente ouvirmos o brado de altas patentes militares indignados (silepse de gênero) com o rumo tomado por nosso país, ante os desmandos de um governo sem ética e corrupto.
O último manifesto, proveniente do Clube Militar, é o de um general carioca que intitula seu comunicado como “E o crime venceu uma vez mais”.
Entre outras constatações, arrola Sua Excelência as seguintes:
a) o fracasso da segurança pública no Rio de Janeiro, com a vitória do crime organizado, o que obriga as unidades de polícias pacificadoras – UPPs a fazerem acordos informais com criminosos;
b) queixas de policiais sobre a falta de apoio, de munição, alimentação adequada e atraso de salários;
c) receio do general de que se não forem definitivamente “extinguidos” os marginais “nos destroem”.
Por fim, constata que o Rio não está em condições de sediar um evento global como são as Olimpíadas”.
Data vênia, discordo, general, de sua constatação final (rimou sem querer, Excelência). O Rio de Janeiro tem, sim, plenas condições de sediar esse e outros eventos internacionais.  Com o dinheiro da Petrobras que está sendo “repatriado” por nossa presidenta, com o aumento dos impostos e da gasolina, com a convocação das três Forças Armadas, do Ministério Público, das polícias militares, civis, federais, paraquedistas e corpo de bombeiros para darem cobertura aos atletas dos quatro cantos do mundo, com certeza, esse será o período de maior calmaria nos ventos, mares e terras cariocas.
O problema é que depois das Olimpíadas, como diria V. Exª, “tudo ficará como dantes, no quartel de Abrantes”. Então, general, acalme-se, pois, como dizem os americanos: “o crime não compensa”.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016


Em dia com o Machado 192 (jlo)


Amigo leitor, falar-lhe-ei hoje sobre um assunto muito sério: a fraude das comunicações supostamente mediúnicas.
Há alguns anos, foram publicadas duas obras pretensamente ditadas por mim a duas médiuns brasileiras. Fraude, pura fraude. Não acredite em nenhuma delas.
Imitaram a forma, mas não o estilo. Uma vergonha. Numa das obras, minha madrasta, com quem convivi muito pouco, foi tida como alguém que exerceu grande influência e ascendência moral sobre mim, durante muitos anos.
Pura desinformação da pessoa que se disse psicógrafa de meus ditados espirituais. Se não houve má fé de sua parte...  Na outra obra, a médium narra uma história cheia de erros gramaticais e com expressões formais copiadas das minhas produções literárias...
Há médiuns extraordinários, que psicografaram obras ditadas pelos meus amigos do além com quase 100% de acerto. Sem citar as cerca de 500 obras baseadas na psicografia de Chico Xavier, lembro os nomes de Fernando de Lacerda, médium português, Wera Krijanowsky, médium russa, e, ainda no Brasil, as médiuns Zilda Gama e Yvonne do Amaral Pereira entre outros. Um excelente médium, ainda envolto na vestimenta carnal, é Divaldo Pereira Franco. Nesses e em poucos outros medianeiros da atualidade você pode confiar, meu leitor assíduo e honesto.
Nenhum dos médiuns brasileiros citados recebeu um único centavo em benefício próprio, em virtude dos trabalhos mediúnicos que protagonizaram, embora o verdadeiro autor estivesse do lado de cá, ou seja, no espaço metafísico.
Esses esclarecimentos são um alerta, em especial ao incipiente leitor amigo, para preveni-lo das mistificações na área da literatura espírita.
Nos últimos dias, um autossugestionado autor, que se faz passar por médium do espírito Dr. Inácio Ferreira, segundo informação do douto José Passini, no site O Consolador, do nosso amigo Astolfo, chegou ao cúmulo de publicar uma obra supostamente mediúnica intitulada Reencarnação no mundo espiritual. Ridícula atitude, pois se é reencarnação isso só é possível no mundo material.
Outros escritores espertos voltaram a publicar uma obra cujo título não vem ao caso citar aqui, para não fazer sua propaganda, que nada mais é do que uma cópia dos princípios básicos do Espiritismo permeados de ideias mirabolantes e falsas inexistentes na Doutrina Espírita. Obras como tais visam, principalmente, explorar a boa fé do leitor e ganhar dinheiro desonestamente. Cuidado, amigo, com esses "médiuns", Contra eles, Jesus recomendou-nos cautela.
Não acredite no que dizem esses falsos “profetas”. Eles falam do que está repleto seu coração: cobiça, desejos impuros, sede de notoriedade, riquezas espúrias, má fé e, principalmente, desonestidade com Deus, com o próximo e consigo mesmos.
Se você, amigo leitor, quer conhecer, de fato, o Espiritismo, comece pelo começo: leia, estude, compare e reflita sobre o conteúdo das cinco obras codificadas por Allan Kardec: O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese. Leia, depois, as obras psicografadas por Chico Xavier, Divaldo Franco, Zilda Gama, Yvonne Pereira e outros médiuns confiáveis, cujo conceito e boa fé, no movimento espírita brasileiro, os recomende.
O resto é imitação fraudulenta e mistificação inaceitável em nome de uma Doutrina que é puro amor e caridade para com todas as criaturas de Deus: o Espiritismo cristão.
Desejo-lhe saúde e luz em 2016.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015


Em dia com o Machado 191 (jlo)

Boa noite, leitora amiga.

Hoje eu comecei dirigindo-me à leitora, mas o leitor amigo, que está aqui do meu lado, entenderá que o bate-papo é com ele, assim como a leitora inteligente que me lê perceberá que é a ela que me refiro. Dito isso, vamos ao que nos interessa.
Ainda ressoam em nossos ouvidos os suaves dobres natalinos.
Deixada de lado a controvérsia de historiadores sobre se Jesus Cristo nasceu de três a cinco anos antes do ano primeiro e também se foi ou não num dia 25 de dezembro, o que importa é que ele nasceu, viveu entre nós e morreu como qualquer um de nós tem de morrer, embora o como faça a diferença. Uns morrem placidamente deitados em sua cama, em idade avançada, como Chico Xavier, que desencarnou aos 92 anos de idade; outros não chegam nem mesmo a dar um suspiro e já retornam à pátria espiritual tão logo saiam do ventre materno. Outros, ainda, como o profeta nazareno, são brutal e covardemente assassinados em plena juventude, com pouco mais ou menos três décadas de vida, pois, como sabemos, Jesus foi crucificado aos 33 anos de idade. A diferença é que, cumprindo sua promessa, três dias depois, o Cristo estava novamente entre seus discípulos e, dias após, apareceu e falou, do alto do monte, aos 500 da galileia, antes de subir definitivamente ao Reino de Deus.
Não sem antes prometer que ficaria conosco até o fim dos tempos.
Embora não reste nada escrito por Ele, pois a única vez que escreveu algo o fez na areia, após lhe perguntarem se deveriam ou não apedrejar a adúltera, os três anos de seu trabalho diuturno nas terras palestinas foram suficientes para separar as eras em antes dele (a.C.) e depois dele (d.C.).
Agora, amiga leitora, não só você como eu ficamos curiosos: o que teria escrito o Mestre na terra, quando lhe disseram ter surpreendido a mulher em adultério e lhe indagaram se deveriam ou não a apedrejar, como previa a lei de Moisés?
Inicialmente, escrevia na terra com a cabeça inclinada e nada respondia. Porém os escribas e fariseus insistiram; e o Mestre, erguendo-se, propôs-lhes que atirasse a primeira pedra aquele que estivesse sem pecado.
Nenhum deles se atreveu a tanto.
E, voltando a inclinar-se, Jesus ainda anotou algo mais na terra, antes que, um por um, os acusadores da mulher se retirassem cabisbaixos, desde o mais velho até o mais novo. (João, 8:3-9.)
Resolvi, então, perguntar a João, único evangelista a relatar esse caso, o que teria escrito o Cristo. Eis o que ele me respondeu:
— Da primeira vez que se abaixou, para que seus interlocutores tivessem tempo de refletir, escreveu o seguinte: “Não faça a outrem o que não deseja que lhe seja feito”.
 — E após ter dito para atirar a pedra quem estivesse sem pecado, estimado evangelista, o que o Cristo escreveu? Perguntei ao apóstolo, que me respondeu com uma síntese do que o Evangelho espera de cada um de nós:
— Quando quiser julgar seu irmão, volte seu olhar para dentro de si mesmo, e consulte sua consciência se você, na situação dele, não teria feito igual ou pior.
E nada mais perguntei. E nada mais me foi dito.
Afastou-se João volitando em direção a todos os demais evangelistas, apóstolos e Moisés, que o aguardavam no alto do monte Sinai e dali todos eles estenderam suas bênçãos sobre nós...
Que em 2016, querida leitora, possamos trabalhar em nosso íntimo o sentimento de piedade e tolerância para com o nosso próximo, assim como as desejamos para nós mesmos.


Ps: “Machado” sugere-lhe que confira as palavras acima de João no vol.4, cap. 8 da obra de J. B. Roustaing intitulada Os quatro evangelhos, publicada pela Federação Espírita Brasileira. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015


Em dia com o Machado 190 (jlo)

Minha proposta para a moralização política, econômica e social do país é muito simples: forma monarquista e sistema de governo parlamentarista tripartite subdividido em democrático, liberal e conservador. O rei e seus familiares participarão dos três partidos sem privilegiar nenhum deles. 
Para reinar sobre esta nação, é preciso que o monarca e sua família morem no palácio adredemente construído para si e seus familiares no local onde atualmente é o Palácio da Alvorada, em Brasília, sem quaisquer outros gastos além dos previstos em lei. O salário do rei nunca excederá a dez salários mínimos. O transporte e coisas públicas não poderão jamais ser propriedades do monarca e, sim, do país, que os cederão nas mesmas condições cedidas a seus súditos.
A atual Carta Magna, respeitadas as suas cláusulas pétreas, será substituída por outra, a ser elaborada por nova Constituinte com a inclusão das seguintes novas cláusulas pétreas próprias da Constituição Monarquista:
Art. t. Doravante, fica proibida qualquer iniciativa de mudança da forma de governo do Brasil.
§ 1º. Qualquer tentativa pessoal ou de grupos nesse sentido será punida com prisão e extradição para um dos países que mantenham acordo extraditório com o nosso.
§ 2º. Incluem-se nessa extradição todos os políticos corruptos atuais, dos três poderes, independentemente de partido ao qual se filiem e ainda que estejam sem partido.
Art. u. Ninguém poderá ter lucro pessoal maior do que o do rei, inclusive na iniciativa privada.
§ 1º. Fica proibida qualquer remessa de dinheiro para o exterior, em qualquer moeda, ou metais preciosos, a não ser em caso de transação comercial autorizada pelo primeiro ministro, se aprovada pelo rei.
§ 2º. Os salários de ministros, governadores, deputados, vereadores, juízes, advogados, procuradores, médicos, professores e agentes de segurança (militares, policiais civis e federais, corpo de bombeiros, polícia militar), serão fixados após rigorosa classificação em concursos públicos, e nunca poderão ser inferiores a seis e nem superiores a dez salários mínimos.
§ 3º. O salário mínimo mensal será de 3.333 reais com paridade com o dólar atualizado.
§ 4º. O imposto de renda será único e seu percentual máximo nunca ultrapassará 11% (onze por cento), mesmo teto previsto para os juros máximos anuais.
Art. v. Os salários estabelecidos pelo artigo anterior serão regidos por leis próprias federais ou estaduais, conforme o caso.
Art. w. Todo aquele que atentar contra o monarca e/ou sua família será severamente punido.
Parágrafo único. Ninguém será submetido, no Brasil, a tortura e a qualquer tratamento que fira os direitos humanos.
Art. x. Os casos omissos nesta lei serão resolvidos pelo rei.
Art. y. Esta Lei entrará em vigor tão logo a nova forma de governo seja referendada pelo povo.
Parágrafo único. A transmissão de Poder e posse do rei será feita no prazo impostergável de quinze dias após o referendo popular.
Art. z. Revogam-se as disposições em contrário.
Por fim, sugiro o filósofo grego Diógenes para procurar, até encontrar, no prazo de trinta dias, o homem ad referendum popular, que reúna as condições morais para ser o soberano do Brasil.
E não falemos mais em república.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Em dia com o Machado 189 (jlo)

Bom dia, querida leitora. E a você também, amigo leitor. Em minha última crônica comecei pedindo aos deuses para impedir o advento da República no Brasil e concluí com o Pai Nosso comentado dirigido ao Deus único, Nosso Pai. Agora, reinicio o tema conforme o prometi.
Com a monarquia, ao contrário da república, os projetos de longo curso têm continuidade. Não se começa uma obra, no governo monárquico, na qual se investirá milhões, para deixá-la inacabada; não se constrói uma estrada, como a Belém-Brasília, para depois abandoná-la e deixar as centenas de populações, formadas ao longo dela, isoladas por crateras que também impedem o escoamento de nossa produção comercial etc. etc.
Na monarquia, não é preciso fingir que o acesso aos poderes governamentais é facultado a qualquer cidadão do povo, quando se sabe que somente aqueles filiados escolhidos pelo partido têm condições para isso. Na monarquia, não se permite que bilhões sejam roubados e depositados em paraísos fiscais internacionais em benefícios pessoais ou de grupos corruptos. A casa régia não permitirá a evasão de divisas, com o consequente empobrecimento do seu reino. E, por fim, se o monarca se mostra incapaz, sua própria família, interessada no progresso do país, que também é o seu, o interditará e substituirá pelo primeiro herdeiro da linha sucessória da casa do rei e assim por diante.
O ideal para o Brasil seria a criação de uma monarquia parlamentarista.
Numa monarquia parlamentarista, o monarca exerce a chefia de Estado, cujos poderes e funções de moderador político são determinados pela Constituição. A Carta Magna pode estabelecer como atribuição exclusiva do monarca, em cláusulas pétreas, a resolução dos impasses políticos, a proteção da Constituição e a defesa dos seus súditos contra projetos-de-leis que contradigam as legislações vigentes ou não integrem os planos econômicos e sociais equânimes para todos os cidadãos.
A chefia de governo será exercida por um primeiro-ministro nomeado pelo monarca, dentre os indicados e aprovado pelos parlamentares, após a apresentação do seu gabinete ministerial e do seu plano de governo, podendo ser cassado pelo rei, a pedido do Parlamento e por meio de uma moção de censura. 
Por fim, o rei só poderá alterar a constituição por decisão majoritária do parlamento formado pelos três poderes: executivo, legislativo e judiciário independentes e harmônicos entre si.
Faça uma pesquisa, meu caro leitor, verifique quais são os países mais prósperos do mundo e você se surpreenderá: entre as quinze mais ricas nações do mundo, ao menos dez são monarquistas. 
As maiores ditaduras de todos os tempos foram republicanas. Exemplifico citando apenas três: a República Socialista Russa, a Nazista da Alemanha e a Comunista da China.
No Brasil, em nome da República, instalaram-se as mais corruptas des-governanças de nossa história.
Atualmente, foi institucionalizada a corrupção, no governo, e sua total inversão de valores éticos. Com isso, o Ministério Público e o Poder Judiciário jamais tiveram tanto trabalho como agora, em que até um senador se encontra preso. E não é um senador qualquer. Ele foi líder do Governo petista. Os três poderes atuais da República têm, em seus quadros, membros suspeitos de corrupção e improbidade administrativa. 
Por tudo isso sugiro o retorno da monarquia para o bem do Brasil ad referendum popular. (Conclusão no próximo número.)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015



Em dia com o Machado 188 (jlo)

Eu pedi aos deuses para que não permitissem ao Brasil se tornar uma República porque esse dia seria o do nascimento da mais insolente aristocracia que o sol jamais alumiou” (crônica de 5 de março de 1867).
Há quem diga que o rei não existe, mas a maioria dos súditos confirma a existência do soberano. Outros dizem que ele não governa, mas ninguém melhor do que ele para nomear os governantes, que são substituídos por ele mesmo, de tempos em tempos, para o bem do país e de sua honra, fortuna e dignidade. De mais a mais, sendo vitalício seu cargo e sendo transmitido por herança a seus descendentes, apenas estes ficarão ricos com os estipêndios generosos que lhes forem assegurados por direito de nobreza e não por assalto aos cofres públicos de milhares de sanguessugas da nação, qual acontece nas repúblicas, em especial nas presidencialistas.
Então, quando se diz que o rei não existe, respondo que também se costuma dizer, nos meios profanos, que Deus não existe, embora a maioria dos brasileiros discorde disso. E a maioria tem sempre razão. Acreditam em Deus, Inteligência Suprema, Arquiteto do Universo, nosso Pai até mesmo os escritores, como eu, que leio as Escrituras Sagradas todos os fins de semana; ou Augusto dos Anjos, que praticava sessões mediúnicas em sua residência[1]; ou Mikhail Bakhtin, que era católico ortodoxo[2]; ou Nietzsche, que aderira ao budismo, antes de enlouquecer[3], e muitos outros escritores e filósofos considerados niilistas, agnósticos, ateus, só porque se deixaram rotular assim enquanto “a indesejada das gentes” não os procurou, ou simplesmente por conveniências econômicas. Era e é chique dizer-se ateu num mundo em que, em nome da religião, foram mortos mais seres humanos do que em todas as guerras político-econômicas de toda a história mundial.
Então, despeço-me da estimada leitora e leitor amigo com um comentário da oração dominical, também chamada Pai Nosso, a Quem rogo a proteção para o nosso país arruinado pela República:
Pai Nosso, tu estás em nossas consciências, nas dos homens e mulheres bons, dos marginais, criminosos e dos políticos, portanto não podemos negar tua existência, estando, como estás, dentro de nós. Exceção apenas para os psicopatas, que necessitam de cuidados especiais de todos os teus filhos lúcidos, a quem deste livre-arbítrio, mas submetes à lei de ação e reação.
Santo, Santo é o teu nome, Pai de pobres e de ricos, poderoso e boníssimo, que faz nascer o sol sobre os bons e sobre os maus.
Que o teu Reino de Amor venha a nós, para que possamos entender que somente vivendo para o bem seremos felizes, sem a ninguém lesar, pois quem lesa será lesado, quem rouba será roubado, quem mata será morto e quem mente tem ideias curtas.
Que seja feita a Tua Vontade, pois ela é sábia e sabe das nossas necessidades, antes mesmo que a sintamos, quer estejamos na Terra, por breves anos, quer voltemos ao Mundo Espiritual...
Dá-nos o pão diário, mas que não tenhamos o “olho maior do que a barriga” e avancemos no pão do vizinho ao lado, pois isso é um grande e inaceitável pecado. Que aprendamos a repartir com todos o que sobeja em nossa mesa.
Perdoa-nos as dívidas na exata medida que aprendermos a perdoar as dívidas do nosso próximo para conosco.
E não nos deixes cair nas tentações da cupidez, do desvairamento sexual, da ignorância voluntária, da preguiça, da ambição desregrada, da sede inconsequente pelo poder, de todo o mal que nos faça mal e ao nosso próximo, enfim... Amém. (Continua no próximo número.)




[1] MACHADO, Ubiratan. Os intelectuais e o Espiritismo. 2. ed. Niterói: Lachâtre, 1996, p.214- 215.
[2] TODOROV, Tzvetan. In: BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal: introdução e tradução do russo Paulo Bezerra; prefácio à ed. Inglesa Tzvetan Todorov. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. XXIX.
[3] LEFRANC, Jean. Compreender Nietzsche. 3. ed. Petrópolis: Vozes, p. 192- 194. Apenas um reparo: Nietzsche foi simpático ao Budismo, que não aceita Deus como os cristãos...

terça-feira, 1 de dezembro de 2015




Em dia com o Machado 187 (jlo)

Amiga leitora e paciente leitor. Como vocês puderam observar, em minha crônica nº 185, de futebol eu não entendo nada... Também pudera! O que ali está nada mais é do que a representação do meu pseudo pessimismo. Nunca joguei em minha vida, nem mesmo apostei em corridas de cavalos. Não poderia, realmente, se concretizar o que disse daquele jogo Brasil 3 X 0 Peru, como já ocorrera em “previsão” que eu fizera em crônica anterior, durante a Copa do Mundo de futebol no Brasil. O que ali está nada mais é do que uma constatação: o futebol brasileiro, ganhando ou perdendo, está decadente e os 7 a 1 que a seleção alemã nos aplicou deixou marcas para sempre. Por isso, não é preciso ser entendido de futebol para dizer que vai ser dura a classificação do futebol brasileiro nas eliminatórias para o mundial da Rússia, pois qualquer comentarista de botequim sabe disso.
Entremos, agora, na porta aberta para esta crônica, antes que ela se feche, como ocorre com a porta de Margaret Atwood desde sua primeira estrofe:
A porta se abre de repente,
Você espia.
Está escuro lá dentro,
Provavelmente aranhas:
Nada que você queira.
Sente medo.
A porta se fecha de repente.[1]

Quanto a mim, estou como diz Pseudo-Makaire: “(...) ces hommes sont loin d’eux-mêmes, comme ivres de boisson, ivres em esprit de mystère et de Dieu.”[2]  Entretanto, em seu estudo sobre meu “testamento estético”, Eugênio Gomes[3] chega a uma conclusão que me não faz justiça ao temperamento. Afirma o nobre crítico que minha ironia “desaconselha, porém, qualquer afirmativa antecipada e concludente” a respeito de minhas “intenções”, em especial “quando a religião esteja em causa”, em virtude de minha “atitude agnóstica [...] na linha de Renan”, que eu teria mantido sempre. Não leu, por certo meu texto intitulado “A paixão de Jesus” publicado no Jornal do Comércio em 1 de abril de 1904. Nele, faço um resumo de tudo o que há de mais importante na vida de Cristo, com base nos escritos de seus evangelistas, nos quais deposito minha fé e concluo dizendo o seguinte: “A doutrina produzirá os seus efeitos, a história será deduzida de uma lei, superior ao conselho dos homens”. A frase final é condicional: “Quando nada houvesse ou nenhuma fosse, a simples crise da Paixão era de sobra para dar uma comoção nova aos que leem neste dia os evangelistas”. Em carta a Joaquim Nabuco, de 20 de novembro de 1904, na qual relato o meu pesar pelo falecimento de minha adorável Carolina, digo-lhe o seguinte: “Tudo me lembra a minha meiga Carolina. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei muito tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará”. Não afirma tal coisa quem é agnóstico. Hoje, que reencontrei Carola, continuamos trabalhando literariamente, “pelas mãos de Joteli”, para desvendar ao mundo a verdadeira natureza de seus habitantes.
A porta se abre de repente. A porta se fecha de repente. A porta se abre. A porta se fecha. A porta se abre... A vida é eterna, leitor amigo, crê nisso, aproveita bem a vida, e sê feliz!



[1]  ATWOOD, M. A porta. Trad. Adriana Lisboa, Rio de Janeiro: Rocco, 2013, p. 123.
[2] Pseudo-Makaire. Homélies spirietuelles. In: LACARRIÈRE, J. Les hommes ives de Dieu. France: Librairie Artehème Fayard, 1975. Epígrafe. Tradução livre de Joteli: “Esses homens estão longe de si mesmos, como embriagados pelo álcool, ébrios em espírito do mistério e de Deus”.
[3] GOMES, E. O testamento estético de Machado de Assis. In: ASSIS, M. de. Machado de Assis. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, v. 3, p. 1.097.

Vitória espiritual   Você crê que eu já me aposentei... Sim, se for no sentido de ganho Monetário no que eu ocupei; Não se for em trabalho t...