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terça-feira, 13 de junho de 2017



EM DIA COM O MACHADO 267 (jorge leite)


Amigo leitor, vou narrar-lhe uma história que o deixará indignado, mas enquanto esse sentimento existir nos corações das pessoas de bem ainda haverá esperança para um mundo menos hipócrita.
Em certo país das Américas, há um tribunal chamado EST, cuja função principal é julgar, administrar e legislar tudo o que se relaciona com as eleições executivas e legislativas do país. It is the EST que averigua as condições de elegibilidade ou de inelegibilidade de um candidato a vereador, prefeito, deputado, senador, governador e presidente da república. A inelegibilidade decorre dos chamados crimes eleitorais, devidamente comprovados.
Caso seja constatada a responsabilidade de uma chapa eleitoral, o tribunal, por dever de ofício, deve cassá-la. Antes, porém, do julgamento, é nomeado um relator que, após minuciosa pesquisa dos fatos disponibilizados a todos os interessados, submete-o ao plenário do EST, composto de sete ministros, um dos quais é seu presidente e que também vota quando houver empate, por meio do chamado voto de Minerva.
E quem fiscaliza essas atividades do EST? O Ministério Público Federal e o povo.
No citado país, o poder é democrático, ou seja, o governo é do povo como reza sua Constituição, também chamada Carta Magna, Carta Maior, Lei Maior, Lei das Leis, Lei Suprema, Lei Básica, Carta da República, Texto Constitucional etc., etc., etc. E haja reza...
O poder político, exercido em nome do povo, o verdadeiro detentor desse poder, é exercido de duas formas, nessa democracia: direta ou indireta.
Falemos, inicialmente, da última dessas formas, a indireta, cujo exercício decorre da eleição de seus representantes que exercerão os cargos administrativos, fiscalizadores e legislativos por meio do voto. Os administradores são o presidente, os governadores e os prefeitos. Os legisladores são os parlamentares: vereadores, deputados e senadores. Todas as pessoas em condições legais de votar e ser votadas possuem direitos políticos, ou seja, podem escolher e ser escolhidas para o exercício de um dos cargos supracitados em cada legislatura.
Conclusão: é o povo que exerce o poder. Os governantes e legisladores são seus representantes. Quando o povo sai às ruas para manifestar sua insatisfação com algum governante, mas não quando alguns grupos agitadores, ligados a partidos políticos, se manifestam, é preciso fazer algo para atender sua vontade. Pois, repito, de acordo com o parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal da República Federativa do Brasil: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Agora, falando o português casto, e se o representante da chapa eleita nomeia para o TSE ministros para fiscalizarem a eleição na qual aquele é o presidente da República que, outrora vice-presidente, em chapa única, substituiu a presidente deposta a pedido do povo na maior manifestação popular PACÍFICA que se conhece no mundo?
E se, ainda assim, esses ministros, mesmo os que votaram a favor da não cassação, consideram que os crimes cometidos na eleição dessa chapa única são gravíssimos?
E se, exercendo o direito de seu voto de desempate a favor da chapa única contestada, que integrava o então vice-presidente da república, o presidente do TSE alega que não se cassa um chefe de governo a toda hora e vota pela permanência de quem já não representa a vontade popular, no poder, rejeitando um trabalho impecável do relator dos fatos probatórios de abuso de poder econômico e político na campanha eleitoral?
Isso não é uma vergonha? Você não se sente indignado com essa facécia infame?
Agora, e se, com base em sua prerrogativa de exercer o poder de forma direta, o povo, e não manifestantes políticos, como aquele o fez antes do afastamento da primeira mandatária desse governo espúrio, voltar às ruas e exigir a saída do presidente?
Duas consequências podem advir daí: instaurar-se uma ditadura no país, o que não seria bom para ninguém; ou ser feito um julgamento justo, posteriormente, por meio de um referendo em que o povo, manifestando sua indignação, possa rejeitar o mandato do atual presidente da República e de todos os políticos comprovadamente corruptos que infestam nossa nação.
É preciso uma limpeza ética profunda no Brasil, para que possamos ser, de fato, o “coração do mundo e a pátria do Evangelho”, como anunciou o Espírito Humberto de Campos, pela psicografia do inolvidável Chico Xavier.

Aguardemos os novos capítulos desta novela, amigos, e confiemos em Deus!

quarta-feira, 7 de junho de 2017




EM DIA COM O MACHADO 266 (Jorge leite)

Algumas coisas que não consigo entender no Brasil, meu inestimável amigo:
1ª - Por que as verbas destinadas a obras públicas não são do conhecimento do povo, que, desse modo, poderá fiscalizá-las?
Sugestão: Publicar o valor e a finalidade do repasse ou gasto federal, estadual e municipal, sempre que for destinada verba para construir qualquer obra ou atender às necessidades de investimentos em serviços públicos.
2ª - Por que os serviços públicos superfaturados não são denunciados pelos tribunais de conta antes que as pessoas (ir)responsáveis se apossem desse dinheiro e façam o uso que bem entenderem dele?
Sugestão: cobrar cada centavo desviado do fraudador e seus comparsas.
3ª - Por que a Administração Pública não adota uma isonomia salarial em todos os setores de atuação dos barnabés e também não exerce um rigoroso controle de atuação dos servidores públicos, com premiações e punições, em função de suas atividades profissionais em todas as esferas administrativas do Brasil?
Sugestão: Salário bruto máximo de trinta mil reais e mínimo de seis mil... Sem admissão de falácias e subterfúgios para majorar salários.
4ª - Por que os candidatos a cargos eletivos comprovadamente corruptos ou que legislam em causa própria continuam exercendo mandatos políticos?
Sugestão: Informar, nas propagandas eleitorais e pela internet, breve currículo do candidato, enfatizando sua ficha política, criminal ou seu nada consta.
5ª Por que o serviço público não é exercido, exclusivamente, por servidores concursados?
Sugestão: editar lei que estabeleça que nenhum servidor público, em qualquer esfera administrativa (Executivo, Legislativo e Judiciário), poderá ser nomeado para qualquer cargo, a não ser após aprovação e seleção no cargo vacante.
6ª - Por que o Governo não desmente as propagandas veiculadas na mídia, que informam ao cidadão comum, desprovido de meios comprobatórios da veracidade ou falsidade, de tais notícias, como, por exemplo, a de que o dinheiro arrecadado para pagamento aos aposentados e pensionistas é desviado para cobrir gastos estranhos a essa finalidade?
Sugestão: manter o controle que vem sendo feito brilhantemente pela Polícia Federal e Ministério Público, com a averiguação de todos os meios legais que provem a culpa ou inocência do acusado.
7ª - Por que tantos impostos e taxas em nosso país?  
Sugestão: Seria melhor que houvesse um só imposto, ainda que mensal, e nenhum outro tributo.
8ª - Por que tanto partido político, se é sabido que isso favorece a corrupção?
Sugestões:
1ª -A partir de agora e até o final do Governo Temer, não poderá haver mais do que cinco partidos políticos no Brasil.
2º - Para sanear os abusos econômicos provenientes da criação atual de grande número de partidos políticos, sugiro que os 35 partidos atuais existentes no Brasil sejam agregados em cinco, cada um incorporando, em sigla única, sete partidos dentre os existentes.
§ 1º Nenhum desses cinco partidos poderá abranger mais nem menos do que sete dos antigos partidos, mas, caso seja do interesse de alguma dessas antigas legendas, será admitida troca com qualquer outra legenda de qualquer dos cinco novos partidos, apenas uma única vez e no prazo máximo de seis meses.
§ 2º Os cinco novos partidos e as legendas a eles incorporadas serão os seguintes:
I. Partido dos Democratas Brasileiros (PDB): PMDB, DEM, PSDB, PMN, PHS, PPL e PODE;
II. Partidos dos Representantes do Trabalhador Brasileiro (PRTB): PT, PTB, PDT, PTC, PT do B, REDE e PCO;
III. Partido da Comunidade Socialista do Brasil (PCSB): PC do B, PSOL, PSD, PSB, PPS, PSTU e PSL.
IV. Partido da Diversidade Cultural (PDC): PSC, PV, PP, PCB, PEN, PMB e NOVO.
V. Partido Republicano do Progresso Social (PRPS):  PRP, PRB, PR, PROS, PSDC, PRTB e SD.
Sugestão final: O Congresso Brasileiro deverá propor Lei que torne obrigatórios os procedimentos da Administração Pública Federal, Estadual e Distrital com vistas a responder satisfatoriamente a todos os questionamentos dos itens 1 a 8 supracitados.
Disse Chico Xavier, agora nos Espaços Siderais, que “Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas todos podemos começar agora e fazer um novo fim”.
Então, amigo leitor, envie esta crônica para, pelo menos, cinco pessoas conhecidas e peça-lhes que façam  o mesmo.
Você, filiado partidário, proponha ao seu honesto político “comprar” essa ideia. Cedo-a gratuitamente ao primeiro político honesto que a queira propor aos seus pares ou ímpares.
Clique aqui e leia em Partidos políticos registrados no TSE, para saber o significado de cada sigla que está citada em cada um dos cinco novos partidos propostos: http://www.tse.jus.br/partidos/ partidos-politicos/registrados-no-tse. Acesso em 06.06.17.
Em pouco tempo, o Brasil terá um novo governo e, consequentemente, já não será ficção científica esta expressão, muito comum no encerramento dos filmes da Warner Bros:

The End

quinta-feira, 1 de junho de 2017




Em dia com o Machado 265 (jorge leite)

— Há cerca de trinta anos, Machado, eu estava dentro de um supermercado da Asa Norte, em Brasília, procurando distraidamente um saco de leite e outros alimentos perecíveis para o sustento semanal de minha família. De repente, como que saída do nada, eis que uma jovem muito bonita, microfone na mão e acompanhada por um cinegrafista, me aborda com a seguinte pergunta:
— O que você acha, atualmente, do preço dos alimentos nos mercados de Brasília?
O susto foi imenso, mas, ante aquela figura angelical, balbuciei uma resposta mais ou menos assim:
— Bem, a vida não está fácil. O preço do leite está de matar...
Antes mesmo que eu continuasse a responder-lhe, a jovem agradeceu-me pela resposta e desapareceu, com seu colega de profissão.
— Hoje, quando voltava da academia, pela calçada quebrada que fica em frente ao bloco paralelo à Via W1, carregada de pés de jamelão, avistei, não uma linda jovem, mas um rapaz mais ou menos da idade que eu tinha há trinta anos. Vi-o, à minha frente, cerca de vinte metros. Tentou entrevistar uma senhora humilde que passava, mas esta esquivou-se da pergunta e seguiu seu caminho, assustada como eu ficara décadas atrás.
Atrás dessa senhora, vinha uma jovem, que estava à mesma distância que eu do jornalista e, como o alcançamos quase ao mesmo tempo, imaginei que ele optaria por entrevistá-la, mas enganei-me, e o entrevistado fui eu, agora já prevenido...
— Boa tarde, senhor, sou jornalista da TV Bandeirantes, qual é o seu nome?
— Chamo-me Joteli, para servi-lo. O que deseja? — perguntei-lhe, ansioso para que a entrevista durasse, ao menos, 15 minutos, não sei por quê.
— Quero saber sua opinião sobre as calçadas em frente aos blocos residenciais de Brasília, como esta em que estamos. O senhor não acha que está muito perigosa?
— De fato, a calçada está toda quebrada. Isso demonstra o descaso governamental com o dinheiro de nossos impostos. Imagine se uma pessoa idosa tropeça nesses pedaços de concretos. E não é só a calçada que está toda quebrada, há também buracos para todos os lados. Sem contar a péssima ideia de plantarem jamelões ao lado da calçada. Na época dessa fruta, nossos calçados ficam roxos, ao andarmos por aqui, pois ela cai e espalha-se calçada afora. Se isso se dá em Brasília, calcule como não deve ser nos outros estados...
— Sim, mas...
— Tudo isso na Capital! Imagine então, meu jovem, o que não ocorre nos milhares de municípios brasileiros, tendo em vista a corrupção endêmica que grassa pelo nosso país afora. É por isso que sou a favor de concurso público para preencher todas as vagas de emprego em todos os escalões governamentais.
Nosso país está desse jeito por permitir a nomeação exacerbada de pessoas para exercerem atividades profissionais que caberiam a concursados. Isso quando não fraudam os próprios concursos públicos, para nomearem seus parentes, amigos e amigos dos seus amigos... Por vezes, abrem concursos, sem a mínima necessidade, apenas para arrecadar dinheiro, como ocorreu com o do IBAMA, em que meu genro foi aprovado em primeiro lugar, dentre todos os candidatos do Brasil, mas nunca foi nomeado. E quando se apela para a Justiça...
— Certo, mas...
— Enquanto não for mudada a mentalidade do brasileiro e não se instituir a obrigatoriedade de preenchimento de vagas, por concursos públicos idôneos, em todas as áreas de atividade social, nos municípios, estados e federação, o descaso com o dinheiro arrecadado com os nossos impostos continuará permitindo falcatruas e acordos espúrios de nossos governantes com empresários desonestos.
— Mas...
— Ainda tem mais, esse governo não nos representa. Tenta blindar políticos corruptos, nomeando Fulano de Tal ministro, para que ele não seja preso, e dando status de ministro a deputado amigo do presidente, para que o parlamentar não opte pela delação premiada...
— Entretanto...
— Entretanto, nossa ex-presidenta foi impedida desse ato, quando o governo anterior tentou nomear ministro um ex-torneiro mecânico, cuja digna profissão eu também exerci na Light, no Rio de Janeiro, nos anos de 1966 a 1968, embora eu não tivesse a mesma verborragia de palanques eleitorais e muito menos vocação para a política... Enfim, isso é uma vergonha! – como diria Boris Casoy, agora na REDETV NEWS.
Fazer propaganda do canal concorrente foi demais para o jovem jornalista, que encerrou a entrevista na hora.
— Joteli, esgotaste teus quinze minutos de glória. Agora, toma um piparote e cala-te, falastrão!
— Desculpa, amigo Machado, mas enquanto houver indignação neste país ele ainda tem jeito. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Em dia com o Machado 264 (jorge leite)

— Ah! o senhor é o Vicente Vítor? 
— Bem-humorado, Vicente, moço de 27 anos, disse-lhe que sim, era o próprio.
Estavam num sarau organizado pela viúva Camargo, em maio de 1884, e quem fizera a pergunta fora Sinhazinha Mota, menina de dez anos, admiradora de Vítor, pelas obras clássicas maravilhosas que este compunha.
Vicente sonhava compor música pop, embora houvesse herdado de seu pai o gosto pelos grandes clássicos: Bach, Beethoven, Chopin, Schumann, Mozart... O motivo era simples: as cantigas populares vendiam milhões de cópias, ao passo que as composições clássicas apenas eram apreciadas nas altas rodas sociais.
O produtor musical de suas obras, entretanto, bem como seus amigos e amigas, gostavam muito das composições de Vicente. Certo dia em que este compôs uma sonata, intitulou-a Viúva Camargo, nome da senhora de 28 anos com a qual sonhava casar-se e que era a linda e jovem mãe de Sinhazinha Mota. O editor, porém, discordou:
— Vicente, sua composição é sublime demais para que você não lhe dê o título de Ave Maria dos ricos de espírito.
Vicente Vítor não gostava de contrariar seu editor musical, que já lançara trinta de suas composições; por isso, sufocou sua paixão e concordou com ele. Somente impôs uma condição: que fosse gravada no disco uma dedicatória: “À Excelentíssima Senhora Marina Camargo”. Assim foi feito, e o disco alcançou enorme sucesso de público e a gratidão da viúva, que aceitou casar-se com Vítor, por quem também se apaixonou, seis meses depois.
Infelizmente, porém, a viúva era tísica e, no ano seguinte ao casamento, ou seja, em 1885, entregou sua alma a Deus.
A partir desse dia, Vicente Vítor deixou de compor os clássicos e resolveu voltar ao seu antigo sonho de produzir música pop. Entretanto, sentava-se ao piano, começava a escrever e... nada de música pop. Somente lhe ocorriam sons de chuva caindo, árias angelicais, réquiens e sonatas ao luar, entre outros acordes clássicos. O luto não o deixava, e seu produtor já o procurara, preocupado com sua falta de inspiração.
Numa manhã, ao sair de casa totalmente concentrado na ideia de produzir um grande sucesso musical country, seu mordomo perguntou-lhe se Vítor não desejaria levar o guarda-chuva, pois a natureza anunciava temporal.
Ouvindo isso, o festejado compositor clássico adentrou novamente a casa, sentou-se ao piano e compôs... mais uma música clássica. A última de sua vida.
Não me peça as cifras, amigo leitor, mas o título e a letra são estes:

Noite da Rainha

A tristeza arde no meu coração.
Morta! e o desespero arde no meu peito.
Morta! e o desespero arde no meu peito.
Não mais sentir você.
Marina!
Não mais ouvir seu sorriso.
Menina!
Não tem mais jeito.
Dor e saudade da morta querida.
Dor e saudade da morta querida.
Nunca mais ver minha mulher.
Oh, nunca mais!
Oh, nunca mais!
Jamais terei nos braços minha amada,
A musa inspiradora dos meus versos.
Oh, não se vá! fique mais um pouco.  
Oh, não se vá! não me deixe louco.
Não me abandone para sempre!
Não me deixe eternamente!
Mas eis que um vulto se aproxima,
É Marina! É Marina!
Abre seus braços e me chama:
Oh, meu amigo!
Oh, vem comigo!
Era noite,
Noite da rainha!

Foi um sucesso de venda. Nada menos de quinhentas cópias... Uma delas foi colocada no túmulo do casal que, conforme seu desejo, fora sepultado junto.


quarta-feira, 17 de maio de 2017



EM DIA COM O MACHADO 263 (JLO)

Reendereçamento da crônica de 29 de agosto de 1889 (Gazeta de Notícias).

Hão de fazer-me justiça, ainda, meus mais críticos leitores. Pois não é que, após atravessar as águas do Letes, virei feiticeiro? Aí embaixo, chamavam-me bruxo; aqui em cima, denominam-me feiticeiro. Durma-se com isso!
Agora, vou relatar-vos o que vi, do lado de cá, cuja responsabilidade por minha transformação espiritual foi fundamental. Vi o mago Merlin em frente à minha casa, colocando, num caldeirão negro, cheio de uma poção mágica enfumaçada, seis pés de galinha, seis asas de morcegos, sete rabos de arraia etc.
O conteúdo do caldeirão produzia várias bolhas, que subiam ao céu até desaparecerem. Uma delas estourou sobre minha cabeça, quando Merlin profetizou: Não és mais bruxo e, sim, feiticeiro. E o feitiço que fizeres somente uma pessoa poderá desfazê-lo: tu mesmo.
Fiquei intrigado com essa revelação e perguntei-lhe qual era o motivo de agora eu ser tido como feiticeiro, e não como bruxo. “Então não sabes a diferença entre um e outro? Pois revelar-te-ei agora: o bruxo é como eu, um mago capaz de fazer bruxarias. Atribuem-lhe poderes sobrenaturais, por desconhecimento das leis naturais da natureza; entretanto, tudo o que ele faz é um exercício de alquimia, ou seja, manipulação dos elementos químicos para produzir efeitos especiais. Já o feiticeiro faz feitiço, que é considerado coisa do diabo, mas não no teu caso. Teu feitiço é para o bem”.
Foi então que vi passar pelas minhas retinas tudo o que venho relatando-vos, leitor amigo, em 263 crônicas. E lembrei-me de ter dito alhures que o curandeirismo foi a célula da medicina. Tudo começou com as ervas, depois vieram os unguentos, os chás, as infusões e o emplasto Brás Cubas. Até que apareceram o dó-maior, o dó-menor, o ré-médio, o médico e a droga alopática. Tudo isso em nome da cura. Portanto, quem foi que disse que o curandeiro deve ser punido? Ele é pioneiro na cura das doenças. É o pai de Hipócrates e da sã medicina.
Dessa primeira conclusão decorre outra, a de que o Espiritismo é o santo remédio para um grande mal da humanidade chamado materialismo, essa fábrica de idiotas, de loucos inconsequentes... Não pode subsistir. Caso isso ocorra, cada alienado desses será capaz de causar prejuízo a milhões de cidadãos, antes de morrer e deixar no pó tesouros incalculáveis, que para ele não terão passado de alucinação e débito incalculável.
Felizmente, no meu caso, quem preparou a poção que me transformou foi Merlin, o bom mago, cujos poderes mágicos são voltados para o bem e o esclarecimento da humanidade com a sã profecia espírita.
O Espiritismo, amigo leitor, vem renovar os apelos de Jesus à humanidade: “Sede perfeitos, como vosso Pai o é”; “Amai o vosso próximo, fazendo-lhe tudo aquilo que desejais que ele vos faça”.
Só o amor permanece pela eternidade afora, o mais não passa de loucura e ignorância. Desvios da Lei Divina, que, por amor, nos fará retornar, pela dor, ao caminho do bem.
Por fim, o alerta máximo: “De que vale ao homem conquistar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” Pensai nisso, leitor, e estudai a proposta definitiva dos céus à humanidade, cuja revelação foi feita por aqueles que consideráveis mortos.
E amai-vos, com pureza total, com respeito de irmãos, com amor ao bem e ao exercício da caridade, quando percebereis que a matéria grosseira que tanto perseguis se esvai no ar como aquela bolha que estourou em minha cabeça.
Só o Espírito permanece, pois é eterno!





quarta-feira, 10 de maio de 2017



EM DIA COM O MACHADO 262 (jlo)


Reendereçamento da crônica machadiana de 7 de junho de 1889 (Gazeta de Notícias)

Não aceito que me chamem de falso profeta; então, adianto-me na publicação do que ocorrerá, no Brasil, nos próximos meses: o sapo cururu continuará cantando e a vaca permanecerá no brejo.
Evoquei Nostradamus para uma entrevista sobre o futuro brasileiro (daqui do mundo espiritual também fazemos evocações) e ele me disse que, ou o Brasil acaba com o jeitinho, ou o jeitinho acaba com o Brasil. O que não pode, mesmo, continuar é esses para lamentares no comando da situação política do país. O povo precisa unir-se e dar um basta à corrupção endêmica nacional, que alcançou, ultimamente, níveis inimagináveis em qualquer republiqueta.
Bilhões foram pelo ralo da roubalheira crassa e institucionalizada nestas últimas duas décadas. Com o montante desviado, daria para resolver os problemas da educação, da saúde, da segurança, no Brasil que, assim, ingressaria na elite das nações mais desenvolvidas do mundo.
— E qual seria a causa principal de todo esse descalabro, Machado?
— Uma praga chamada materialismo. Acabemos com ela e tudo será resolvido. O materialista utiliza-se de todos os recursos que atraem as almas ingênuas para uma vida inconsequente.
— Então, que se deve fazer?
— Investir na educação do espírito, como um todo: corpo, mente e alma.
Nos cuidados com o corpo, mostrar à criança e ao jovem a importância de uma vida sadia, pela prática de esportes, cuidados higiênicos, boa alimentação e atividades intelecto-morais. No trato da mente, educá-los para uma vida intelectual e moral elevada, buscando o apoio de uma fé que lhes satisfaça a razão e o coração. No zelo da alma, fornecer-lhes todos os recursos para o conhecimento de si, a fim de perceber o outro e desenvolver o gosto pelo bem-estar do próximo, base para o próprio bem. Valorizar o trabalho, como ocorre em países como a Dinamarca, nivelar os salários e acabar com as mordomias de agentes e servidores públicos...
— E que pode o Espiritismo fazer para contribuir com isso?
— Faço minhas as palavras de Allan Kardec: “[...] uma nação iniciada no Espiritismo tornar-se-á a mais admirável e a mais feliz das nações” (Apud FRIGÉRI, Reformador, maio 2017).
— E que ganhamos com o estudo do Espiritismo, amigo Machado?
— Meu caro Joteli, repetindo o Codificador, “[...] quem se der ao trabalho de aprofundar a questão do Espiritismo encontra nele uma satisfação moral tão grande, a solução de tantos problemas que inutilmente havia pedido às teorias vulgares; o futuro se desdobra à sua frente de maneira tão clara, tão precisa e tão lógica, que a si mesmo confessa a impossibilidade de as coisas realmente não se passarem assim [...] (op. cit.).
— E como podemos divulgá-lo melhor, Machado, uma vez que o Espiritismo é a grande mensagem do Cristo para regeneração da humanidade e extinção do mal na Terra?
— Proporcionando a todos o “livre-exame”, mas também pelos efeitos elevados sobre nossa alma que demonstrarmos a todos que nos observam. Espiritismo prático é a essência de sua propaganda. Por isso, adotou a máxima: “Fora da caridade, não há salvação” em sua bandeira. E, finalizando, com as palavras de Kardec, “[...] sua propagada se faz dizendo: vede os prós e os contras; julgai o que melhor satisfaz o vosso julgamento, o que corresponde melhor às vossas esperanças e aspirações, o que mais vos toca o coração, e decidi-vos com conhecimento de causa” (op. cit.).
Conclui Kardec que, “[...] Bem compreendido, o Espiritismo é, para a vida da alma, o que o trabalho material é para a vida do corpo. Ocupai-vos dele com esse objetivo e ficai certos de que quando tiverdes feito, para o vosso melhoramento moral, a metade do que fazeis para melhorar a vossa existência material, tereis feito a Humanidade dar um grande passo (id.).
— Machado, se o sapo cururu e os seus cúmplices houvessem tido uma educação intelecto-moral, como a proposta pela Doutrina Espírita, ou eles mudariam de profissão ou mudariam o Brasil...
— ... O mundo.

segunda-feira, 1 de maio de 2017



Em dia com o Machado 261 (jlo) – 19  de julho de 1888 (Gazeta de Notícias)

Acaba de ser dado um golpe de mestre pelos espíritas brasileiros. Apareceu no Rio de Janeiro um pesquisador de nomeada que estudou a fundo as manifestações do paranormal escocês  Dunglas Home. Os fenômenos de efeitos físicos e mediúnicos desse cidadão escocês foram amplamente documentados por Adilton Pugliese em sua obra intitulada Daniel Dunglas Home: o médium voador, publicada pela EBM Editora, em 2013.
Eu dizia, em 1888, que outro médium renomado estivera na FEB, Rio de Janeiro, a qual “não achou que o homem valesse a fama”. Referi-me ao Dr. Slade. Vá a outras fontes, leitor amigo, saiba separar, com a ajuda de pesquisadores sérios, o joio do trigo. Diversos cientistas, filósofos e beletristas responsáveis, ao longo dos séculos, têm mudado sua visão materialista pela espiritualista e, em especial, espírita.
Um deles foi Viriato Correa, renomado escritor, em sua época, membro da Academia Maranhense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro que, em 1938, foi eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras. Viriato faleceu em 1967, em avançada idade (84 anos).
Sua conferência, feita em 1925, foi publicada em artigo da revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, em três longos textos, cujo início se deu em setembro de 1970 e foi concluído em novembro desse ano. Tal é a riqueza de informações e beleza literária neles existentes que vale a pena comentar alguns dos seus pontos.
O douto conferencista iniciou narrando a fábula do coelho que vivia na toca e, sem jamais ter saído dali, foi nomeado rei. No final da história, esclarece ao leitor que, no dia de sua saída da toca, pela primeira vez, o rei coelho ficou tão deslumbrado com o que viu cá fora que abdicou do trono e foi muito mais feliz do que antes. Pois agora podia desfrutar a liberdade e os tesouros da natureza.
Viriato compara sua existência atual com a desse coelho. Diz ter sido ateu até os 42 anos, quando fatos extraordinários aconteceram com ele e, após ter lido O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, passou a ter uma nova visão sobre a vida humana e sua imortalidade. Agora, sim, compreendia Deus em sua onipotência, bondade e misericórdia, “o Deus que perdoa e consola, que não tem decisões implacáveis, que não tem infernos para penas eternas”.
E arremata, logo abaixo: “Hoje considerando as coisas, meditando sobre o tempo que passou, é que vejo o que havia de ridículo e de caricato no materialismo que me encheu tão longo período de vida”. O Espiritismo consola, esclarece e cura nossas mazelas físicas e espirituais. É o que Viriato Correia demonstra em sua conferência, rica de casos engraçados e marcantes que o fizeram abandonar completamente a visão materialista da vida, a qual nada de bom nos proporciona no futuro. Substituiu-a pela noção espírita clara, obtida, não somente por ele, mas por todo o buscador sincero da verdade.
Há fraudes? Com certeza, como em tudo o que se liga às ações do ser humano. Mas se sairmos da periferia e aprofundarmos nossas pesquisas sobre o assunto, não somente pela leitura das obras de pesquisadores honestos, como também pela observação e experimentação, que caracterizam os procedimentos científicos da Doutrina Espírita, certamente, nossa fé  tornar-se-á inabalável, e a finalidade da vida será mais bem compreendida por todos nós: evoluir para a perfeição, que nos proporcionará a felicidade dos justos.

É então que nos vem à memória a pergunta de Allan Kardec: Qual destas duas doutrinas é melhor para nós, a materialista, que não nos dá qualquer perspectiva de sobrevivência após a morte, por nos assegurar o mergulho da alma no nada, após uma curtíssima existência no mundo; ou a espírita, que nos garante a sobrevivência após a morte física e a possibilidade de evolução e felicidade eterna? Eu fico com esta. E você, amigo leitor, qual delas escolhe?

Vitória espiritual   Você crê que eu já me aposentei... Sim, se for no sentido de ganho Monetário no que eu ocupei; Não se for em trabalho t...