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sábado, 6 de abril de 2019




O Evangelho Segundo o Espiritismo – tradução livre da terceira edição francesa (JLO) Continuação:










1.4 Aliança da ciência com a religião

A ciência e a religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a outra as do mundo moral. Mas ambas, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma das outra, uma estaria necessariamente errada e as outra certa, porque Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade que se acredita existir entre essas duas ordens de ideias provém de uma falha de observação e do excesso de exclusivismo de parte a parte. Daí haver um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância.

Os tempos são chegados em que os ensinamentos do Cristo devem  ser completados; em que o véu lançado intencionalmente sobre algumas partes dos ensinos deve ser levantado; em que a ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; e em que a religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marcharão juntas e apoiar-se-ão uma na outra. Então a religião, não mais desmentida pela ciência, adquirirá um poder inabalável, porque estará de acordo com a razão e já não se lhe poderá opor à irresistível lógica dos fatos.

A ciência e a religião não puderam se entender até hoje, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Faltava algo para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Essas relações, uma vez constatadas pela experiência, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão, que nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido. Mas nisto, como em todas as coisas, há pessoas retardatárias, até que sejam arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se quiserem resistir em vez de o seguirem. É toda uma revolução moral que se opera neste momento  e trabalha os Espíritos. Após ser elaborada durante mais de dezoito séculos, ela chega à sua plena realização e vai marcar uma nova era para a humanidade. As consequências dessa revolução são fáceis de prever: ela deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais, contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de Deus e  resultam da lei do progresso, que é uma lei de Deus.

Acesse quando puder estes links:  
1. blog Espiritismo Século XXI – http://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com.br/
2. revista O Consolador - http://www.oconsolador.com  
3. jornal O Imortal - link d' O Imortal
5. Site da FEB: www.febnet.org.br
6. Site do Prof. Dr. Alexsandro da UFAM:







"Nem direita, nem esquerda. Nem capitalismo, nem comunismo. Não haverá verdadeira justiça social enquanto homens e mulheres não trabalharem em prol da evolução espiritual (individual e coletiva)." Prof. Alexsandro M. Medeiros, mestre e doutor em Filosofia. Universidade Federal do Amazonas. Site: Sabedoria Política.




SÍNTESE DA DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO

I – O homem é uma alma encarnada. Antes de sua encarnação, existia unida aos tipos essenciais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo. Separa-se deles ao encarnar-se e, recordando seu passado, é mais ou menos atormentada pelo desejo de a eles retornar.
Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência entre o princípio inteligente e o princípio material. É, além disso, a doutrina da preexistência da alma; da vaga intuição que ela conserva sobre a existência de outro mundo, ao qual aspira; de sua sobrevivência à morte do corpo; de sua saída do mundo espiritual, para encarnar-se; e do seu retorno a esse mundo, após a morte. É, enfim, o germe da doutrina dos anjos decaídos.

II - A Alma se transvia e se perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que são, por sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla sua própria essência, ela se volta para o que é puro, eterno, imortal, e sendo ela da mesma natureza, permanece nessa ligação tanto tempo quanto possa. Cessam então as suas perturbações, e esse estado da alma é o que se chama sabedoria.
Assim, o homem que considera as coisas de baixo, terra a terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para apreciá-las com justeza, é necessário vê-las do alto, isto é, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, portanto, de algum modo, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do espírito. É o que ensina o Espiritismo (cap. II, it. 5).

segunda-feira, 1 de abril de 2019




Em dia com o Machado 361 (Jó)

Em conversa com Emmanuel, Machado de Assis indagou-lhe:
— Bondoso apóstolo desencarnado do Cristo, algo que alguns teóricos atuais do espírito têm contestado é o livre-arbítrio humano. Que achas disso?
Em resposta, ouviu do ex-mentor espiritual de Chico Xavier o seguinte:
— Sinto-me muito pequenino, meu caro Bruxo do Cosme Velho, para ser cognominado de “apóstolo do Cristo”. Ainda possuo grandes débitos do passado a quitar com o Senhor Supremo da Vida. Entretanto, responder-te-ei conforme o entendimento corrente nesta cidade espiritual onde nos encontramos e na qual venho obtendo, em séculos de estudo, os conceitos que transmiti ao bondoso médium mineiro.
Alega-se que se é tão livre na Terra quanto um papagaio na gaiola. E as pessoas que assim pensam negam o livre-arbítrio com base no grande número de grilhões que lhes tolhem a liberdade, quais sejam:  deveres familiares,  regras de convivência social, atribuições trabalhistas,  legislação... Olvidam, porém, que sem disciplina não há escola que permaneça de pé.
Ocorre, ainda, que nem sempre nossa liberdade de fazer o que queiramos condiciona-se à de fazer o que devemos. Daí decorrem os males da alma e do corpo.
Por isso mesmo, o apóstolo Paulo escreveu: “Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá: quem semear na sua carne, da carne colherá corrupção; quem semear no espírito, do espírito colherá a vida eterna. Não desanimemos na prática do bem, pois, se não desfalecermos, a seu tempo colheremos” (BÍBLIA de Jerusalém. Aos Gálatas: 6:7- 9).
Foi então que entrei na conversa e disse a Emmanuel e ao Bruxo:
— Quando jovem, fui intuído a compor  letra musical soprada ao meu ouvido, que intitulei de Cuidado com as pedras!
Em resposta, o ex-guia espiritual do Chico pediu-me:
— Encaminha-a aos teus leitores, para que entendam melhor o que é livre-arbítrio.
— Não me faço rogado. Eis a letra:

Eu preciso caminhar,
Mas, vigilante, tenho que
Olhar o chão que for pisar
Para ao solo não cair.

“Cuidado com as pedras
Que encontrares no caminho,
Cuidado, também,
Que poderás pisar espinho.”

Meu protetor me disse isso
Que acabei de lhes dizer
E, prevenindo-os, eu quero
Também então me precaver.

“Cuidado com as pedras
Que encontrares no caminho,
Pois podes cair
E ter que te erguer sozinho.”

Nós precisamos vigiar
A nossa estrada a seguir,
Porque o mal está no ar
E quer até nos destruir.

Precisas andar
No caminho que conduz
Em cada vitória
Mais um passo até Jesus.

Eu preciso caminhar,
Mas, vigilante, tenho que
Olhar o chão que for pisar — bis
Para ao solo não cair.


Só então vim a saber que a composição musical me fora inspirada pelo Bruxo quando eu estava com cerca de vinte anos de idade. Com lágrimas nos olhos, despedimo-nos.
A música da letra vai depois, a pedido, desde que meus créditos sejam respeitados. Entretanto, a quem possa interessar, esclareço que a composição mais parece um mantra...
Peça aqui: jojorgeleite@gmail.com




sexta-feira, 29 de março de 2019



Continuação da tradução livre da terceira edição francesa d'O Evangelho Segundo o Espiritismo (JLO)


1.3 O Espiritismo




O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra não mais como coisa sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente atuantes na natureza, como a fonte de uma infinidade de fenômenos até então incompreendidos e por isso relegados ao domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo se refere em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que Ele disse permaneceram ininteligíveis ou foram falsamente interpretadas. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo  se explica com facilidade.

A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés; a do Novo Testamento, em Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não está personificado em nenhuma individualidade, porque ele é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, em todas as partes da Terra e por multidão inumerável de intermediários. É, de certo modo, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz aos homens o tributo de suas luzes, para lhes fazer conhecer esse mundo e a sorte que os espera.

Assim como que disse o Cristo: "Não venho destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento", também diz o Espiritismo: "Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento". Nada ensina contrário ao que ensinou o Cristo, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo o mundo, o que foi dito sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar o cumprimento das coisas futuras. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside, como  igualmente anunciou, à regeneração que se opera e que prepara o Reino de Deus sobre a Terra.



terça-feira, 26 de março de 2019




Em dia com o Machado 360 (Jó)
(Trabalhe para o bem alheio e... adeus, depressão)

[...] se alguém nos perguntar qual o melhor recurso para restabelecer ou preservar o equilíbrio, físico ou psíquico, responderemos, sem hesitar: trabalhe e trabalhe! Não perca a bênção das horas, tesouro de valor inestimável que o Senhor nos concede para edificação de nossas almas. /Revele interesse pelas tarefas que lhe foram confiadas; realize pequenos serviços no lar; escreva aos amigos; consagre-se à leitura nobre; estude as obras espíritas; consulte o Evangelho./ Integre-se no serviço do bem, movimentando as pernas na visita ao enfermo; os braços no labor da fraternidade; os lábios na exaltação do otimismo e da tolerância; a mente no cultivo da prece e da meditação; o coração na prática do amor e da caridade. (SIMONETTI, Richard. Para Viver a Grande Mensagem. Rio de Janeiro: FEB. Cap.: Profilaxia da indolência).

Tempo atrás, dissemos aqui que, aos sábados, um grupo de voluntários da Federação Espírita Brasileira (FEB) desloca-se de sua sede, em Brasília, para Santo Antônio do Descoberto, GO. Nesta cidade, a Casa de Ismael desenvolve um trabalho assistencial do seu núcleo denominado Guillon Ribeiro, que funciona em escola pública. Diversos trabalhos são realizados por voluntários da FEB, no local, destinados a adultos, jovens e crianças, tais como: distribuição de cestas básicas, passes, aulas de evangelização e temas relacionados à saúde, orientação jurídica e visitas de assistência espiritual às casas mais sofridas. Participamos desta última atividade.
Em geral, nossa equipe vai, pela manhã, aos lares de seis ou sete famílias. Há mais de um ano, visitamos o Sr. Z. De início, estava estirado numa cadeira de rodas. Seu estado dava dó. Quase se não podia mexer. Em sua casa, como nos demais lares visitadas, cantamos música cristã, ao toque do violão, lemos e comentamos página de livro de mensagens cristãs-espíritas e aplicamos passes aos necessitados.
Com o tempo, observamos melhora sensível na situação do citado senhor. Já não estava mais na cadeira de rodas e, sim, deitado em sua cama. Por fim, levantou-se e passou a ir a pé ao centro Guillon Ribeiro. Então, já nos recebia sentado ou em pé, e sua fisionomia era de alguém grato e recuperado da doença que o acometera no passado.
Ao final do ano, as atividades dos voluntários febianos é suspensa, nas férias escolares, pois nossos trabalhos são realizados durante o ano letivo da escola com a qual a FEB mantém convênio de funcionamento.
No início de março deste ano, reiniciamos as visitas, começando pela casa do Sr. Z. Durante os primeiros sábados de nossa visita, observamos que ele nos recebera deitado num colchão em frente a sua casa de amplo e vazio quintal.
Sábado passado, ao chegarmos a sua casa, lá estava o Sr. Z deitado no colchão. Seu pequeno cão vira-latas, como sempre, recebeu-nos festivo. A aparência do seu dono, entretanto, era de quem estava bem fisicamente, embora permanecesse triste e estirado.
Abrimos o Livro de Respostas, psicografado por Chico Xavier, com mensagens do Espírito Emmanuel, na página intitulada Em ação no bem, e, antes de sucinto comentário, lemos o seguinte:

Se te propões à realização de qualquer tarefa vinculada à construção do bem, conta com problemas e dificuldades que te habilitem as forças para isso.
Luta é o outro lado da vitória.
Lembra-te: o aço é o ferro trabalhado pelo fogo.
As boas obras nascem do amor temperado pelo sofrimento.
Deus não te retirou a oportunidade de continuar trabalhando.

         Em breves comentários, disse ao nosso querido assistido, entre outras coisas, o seguinte: “o corpo humano foi feito para se mover e não para ficar parado. Caso contrário, nossos órgãos atrofiam-se e morremos por inanição”.
         Ao final dos nossos dizeres, do passe e da prece, o Sr. Z levantou-se, sentou-se no colchão e insistiu para que o aguardássemos fazer um cafezinho para nós.
         Agradecemos-lhe pelo convite e, como  ainda teríamos de visitar outras casas, prometemos-lhe que, noutra oportunidade, aceitaríamos seu café. Após abraçá-lo fraternalmente, seguimos viagem rumo aos novos compromissos.
Não há depressão que resista ao trabalho no bem.
É isto, amigo leitor: em vez do desânimo da vida e da vitimização, trabalhemos incansavelmente em favor do próximo. Desse modo, nossa vida terá valido a pena, pois a quem deseje servir nunca falta trabalho.  

domingo, 24 de março de 2019



8 Não vale a pena

Antônio Sampaio Júnior, valoroso tarefeiro do Centro Espírita Regeneração, do Rio de Janeiro, era humilde servidor num escririo. Zeloso, correto, madrugador.
Certa feita, mal havia espanado os móveis pela manhã, para sentar-se à máquina de escrever, foi procurado por amigo situado no comércio do Rio.
Sampaio, disse o visitante, sem rebuços, sei que você é espírita e esfalfa-se, muito tempo, enfrentando dificuldades. Quanto você ganha mensalmente?
Quatro mil cruzeiros.
O homem fez um gesto irônico e observou:
Não vale a pena.
E prosseguiu:
Não ignoro que você tem deveres de caridade na instituição que frequenta, socorrendo órfãos e amparando viúvas... Como é que você arranja numerário para esse fim?
Gasto o que posso, e, quando a despesa ultrapassa os recursos, tenho amigos... Faço listas, apelos...
Não vale a pena. Estou informado de que você visita os infortunados nos morros, às vezes com sacrifício da própria saúde... Aproveita decerto o carro de alguém...
Não disponho dessa facilidade. Temos bonde à porta e, depois do bonde, faz sempre bem uma caminhada a ...
Não vale a pena. Disseram-me continuou o homem que você, às vezes, passa noites à cabeceira de enfermos... Naturalmente, o diretor faz concessões... Boa cama no dia seguinte, ponto facultativo...
Não é bem assim, falou Sampaio, humilde, nem sempre posso visitar os doentes, mas se o faço, meu dia de serviços corre normal...
O amigo meteu a mão no bolso interno, trouxe à luz um documento e abriu-se, por fim:
Pois é, Sampaio, admirando você, como sempre, resolvi auxiliá-lo de vez. É tempo de você melhorar. Preciso de um sócio para um negócio da China... Três miles de cruzeiros. Você assina comigo a papelada e acompanharei todo o assunto... Gastaremos talvez uns quinhentos contos na tramitação do processo... É um navio velho que vamos desencravar... Tudo pronto, você e eu ficaremos provavelmente com mais de um milhão cada um. Basta só que você assine...
Sampaio, sem desejar ofender, perguntou:
Creio na lisura da iniciativa, mas há algum inconveniente a considerar?
Bem, o assunto envolve alguns interesses de repartições blicas, mas temos noventa e nove probabilidades a nosso favor...
E se falharem as noventa e nove? ...
Ah! se vier o contra, informou o amigo, evidentemente desapontado, teremos entrevista no Distrito Policial.
Sampaio, sem perder a serenidade, falou, simples:
Não vale a pena.
E recomeçou a espanar.

XAVIER, F. C.; VIEIRA, W. A Vida Escreve. Brasília: FEB, Médium Chico Xavier, 2. parte.

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...