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terça-feira, 13 de abril de 2021

 

EM DIA COM O MACHADO 466:

fora da reencarnação não há justiça divina

 


Sobre a reencarnação já foram escritos diversos livros. Na Bíblia, tanto no antigo quanto no novo testamento há diversas passagens sobre o tema, que não cabem no espaço duma crônica ou mesmo dum artigo. O assunto é vasto. Somente n'O Livro dos Espíritos há 86 subtemas relacionados ao tema (descritores do tema relacionados no índice dessa obra).

Começarei pela citação de parte dos comentários de duas perguntas dessa obra: a 171 e a 222. Na questão 171, após a informação do Espírito de Verdade de que a reencarnação tem por base a justiça de Deus e a revelação, Kardec faz alguns comentários. Nos dois últimos parágrafos, explica, primeiro, que a "doutrina da reencarnação", que nos faz retornar a "muitas existências sucessivas", é a única que nos satisfaz à ideia que podemos ter da "Justiça de Deus". Ele termina com este parágrafo, a meu ver, de brilhante conclusão, ao menos para quem acredita na preexistência da alma e na continuidade da vida após a morte:

 

O homem que tem consciência da sua inferioridade haure na doutrina da reencarnação uma esperança consoladora. Se crê na Justiça de Deus, não pode esperar que venha a achar-se, por toda a eternidade, em pé de igualdade com os que agiram melhor do que ele.  A ideia de que aquela inferioridade não o deserdará para sempre do supremo bem, e que poderá conquistá-lo mediante novos esforços, o sustenta e lhe reanima a coragem. Quem é que, no final da sua carreira, não lamenta ter adquirido tarde demais uma experiência de que já não pode aproveitar? Essa experiência tardia não fica perdida; ele a aproveitará numa nova existência.1 

 

Na questão 222, Kardec faz considerações em dez páginas sobre a reencarnação, inclusive com a citação de passagens bíblicas em que se leem informações sobre o assunto. Ele, a quem Camille Flammarion chamou de "o bom senso encarnado", explica que, a princípio, estranhou a resposta obtida, pois achava que a continuação da vida de cada um de nós seria no plano espiritual; entretanto, após a insistência das informações, obtidas por vários médiuns, acabou por se convencer de que a equanimidade da justiça divina não poderia agir com cada uma de suas criaturas sem levar em conta os méritos individuais. Por isso mesmo, lemos no Evangelho de Jesus, anotado por Mateus, 16:27 (Bíblia de Jerusalém), a seguinte frase: "a cada um segundo seu comportamento".

Na obra Caminho, Verdade e Vida, psicografada por Chico Xavier, o Espírito Emmanuel faz um comentário estupendo do versículo encontrado em João, 3:7, em que Jesus diz a Nicodemos: "Não te maravilhes de te haver dito: Necessário te é nascer de novo".

Sem a reencarnação, explica Emmanuel, "a existência humana representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho". E, abaixo, continua:

 

O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento. Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos prolongados. A Providência, todavia, corrige amando... Não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana, de modo a se redimirem, uns à frente dos outros (EMMANUEL, 2012, cap. 110).2

 

Por fim, diz o então mentor espiritual de Chico Xavier que tanto o algoz quanto a vítima desconhecem seu passado espiritual, mas Deus "[...] identifica as necessidades de seus filhos e reúne-os, periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos edificantes, a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores do destino, com a bênção de temporário esquecimento" (id. ibid.). 

Também n'O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 11, item 8 de Instruções dos Espíritos, subtítulo A lei do amor, lemos esta frase do Espírito Lázaro:

 

O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Ficai atentos, pois essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz os homens, mas à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e hoje o Espírito tem que resgatar o homem da matéria (KARDEC, op. cit., loc. cit.).3

   

A leitora e o leitor amigos podem ler as narrativas desses dramas reais do Espírito não somente nas obras do Espírito André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, como também nas do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, da psicografia de Divaldo Franco. Este último lançou, há poucos dias, uma obra que explica o que acontece, atualmente, no mundo, em função da pandemia que vivemos, intitulada No rumo do mundo de regeneração.

O dogma da reencarnação é milenar; os Espíritos encarregados por Jesus de torná-lo claro, nas obras de Allan Kardec, vêm simplesmente confirmar o contido no título desta crônica: "Fora da reencarnação, não há justiça divina".

Saúde, paz e bem!

 

Referências

1KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.

2EMMANUEL (Espírito). Caminho, Verdade e Vida (psicografado por Chico Xavier). 1. ed. 3. reimp. Brasília: FEB, 2012.

3KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2018.

 

 

domingo, 11 de abril de 2021

 


8 EM VOSSA PASSAGEM

 (Espírito Cruz e Sousa/médium Dora Incontri)

         Um dos sonetos que mais reflete o estilo de Cruz e Sousa em vida é o psicografado pela professora doutora Dora Incontri. A médium esclarece-nos que, desde 11 anos de idade, era inspirada a escrever poemas que provinham dos Espíritos. Desse modo, resolveu estudar literatura e publicou um livro com seus poemas, segundo Palhano Jr.; Souza (1994), que intitulou Chamas da paz. Entretanto, informou que há uma grande diferença entre o que é de sua própria elaboração (dela) e o que é mediúnico. Neste último caso, os versos surgem espontâneos, sem necessidade de reescrita, e rapidamente. Acresce-se a isso, a identificação do autor ao final da psicografia, que assina o poema. Ao contrário disso, quando é ela a autora, precisa refazer, interromper, repensar as palavras escolhidas, em um tempo muito maior. Nascem de suas reflexões, de suas preocupações, como conclui a professora Incontri.

8.1 Sobre Dora Incontri
 
      Sobre a autora, colhemos na árvore do seu site estas informações:
        
Dora Incontri (2021) é paulistana, nascida em 1962. Jornalista, educadora e escritora. Suas áreas de atuação são Educação, Filosofia, Espiritualidade, Artes, Espiritismo. Tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em Filosofia da Educação pela USP. É sócia-diretora da Editora Comenius e coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita. Coordenadora geral da Universidade Livre Pampédia.
Tem mais de 40 livros publicados sobre Educação, Espiritualidade, Filosofia, livros didáticos; livros psicografados.
Trabalha em prol do diálogo inter-religioso, milita por uma nova educação, que inclua interdisciplinaridade, espiritualidade, autonomia do educando, com mudança radical da escola tradicional. Inspira-se nos grandes clássicos da Educação, como Comenius, Rousseau e Pestalozzi, que tinham uma visão integral do ser humano.
Politicamente, se põe a favor de uma transformação social global em que o ser humano seja o valor principal e acredita que possamos fazer uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna. Anarquista, graças a Deus. De um anarquismo cristão, à moda de Tolstoi e de Gandhi.
 
        
EM VOSSA PASSAGEM
 
Ó almas prisioneiras torturadas,
Peregrinas saudosas do infinito,
Sedentas em desertos de granito,
Sonhando com os sóis de outras estradas!
 
Singrai os mares de pavor aflito,
Exalando canções mesmo caladas,
Conduzindo batéis de mãos aladas,
Convertendo em suspiro vosso grito!
 
Crede e o espinho ser-vos-á perfume!
Amai e estas cadeias serão lume
A expulsar-vos as sombras interiores!
 
Extravasai de vossas rotas vestes
Luzes de paz, azuis, doces, celestes
E passai ofertando fé e flores!
 
(apud PALHANO JÚNIOR; SOUZA, 1994, p. 168)
 
Referências
 
INCONTRI, Dora. Disponível em: https://doraincontri.com/about/. Acesso em 11 de abril de 20121.

PALHANO JÚNIOR, Lamartine; SOUZA, Dalva Silva. A imortalidade dos poetas "mortos". Vitória, ES: FESPE, 1994.

sábado, 10 de abril de 2021

 


14.2 Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?

 

Indo para casa, reuniu-se em torno dele tanta gente, que eles nem mesmo podiam fazer sua refeição. E, quando ouviram isso, seus parentes saíram para o levarem consigo; pois diziam que ele perdera o juízo.

Entretanto, chegaram sua mãe e seus irmãos, e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. As pessoas sentaram-se em torno dele e lhe disseram: Sua mãe e seus irmãos estão chamando-o lá fora. Ele lhes perguntou: Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? E, olhando para os que estavam sentados à sua volta, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe (Marcos; 3:20-21; 31-35 e Mateus, 12:46-50).

 

         Certas palavras parecem estranhas na boca de Jesus, e contrastam com sua bondade e sua inalterável benevolência para com todos. Os incrédulos não deixaram de usar isso como arma, para dizer que ele se contradizia. Um fato irrecusável, porém, é que sua doutrina tem por base essencial, por pedra angular, a lei do amor e da caridade. Ele não podia, pois, destruir de um lado o que estabelecia do outro, donde é imperioso tirar esta consequência rigorosa de que, se certas máximas estão em contradição com aquele princípio, é que as palavras que se lhe atribuem foram mal reproduzidas, mal compreendidas, ou não lhe pertencem.

         Surpreendemo-nos com razão de ver, nessa circunstância, tanta indiferença de Jesus para com os seus parentes, e, de certo modo, renegar a mãe.

         Quanto a seus "irmãos", sabe-se que nunca tiveram simpatia por ele. Espíritos pouco adiantados, não lhe compreendiam a missão. Sua conduta, aos seus olhos, era bizarra, e seus ensinamentos não os haviam tocado, pois nenhum deles se fez seu discípulo. Parece mesmo que eles participavam, até certo ponto, das prevenções de seus inimigos. É certo, então, que o recebiam mais como um estranho do que como um "irmão", quando se apresentava em família. João (7:5) diz, positivamente, que não acreditavam nele. (Aspei, pois é sabido que Jesus não teve irmãos, mas os primos eram tidos como irmãos na época.)

         Quanto a sua mãe, ninguém contestaria sua ternura para com o filho. Mas é necessário convir, também, que ela não parece ter feito uma ideia justa de sua missão, pois jamais se soube que ela lhe seguisse os ensinos, nem que desse testemunho dele, como o fez João Batista. A solicitude maternal era o seu sentimento dominante.

         Quanto a Jesus, supor que houvesse renegado sua mãe, seria desconhecer-lhe o caráter. Tal pensamento não poderia animar aquele que disse: "Honre seu pai e sua mãe". É, pois, necessário procurar outro sentido para suas palavras, quase sempre veladas pela forma alegórica.

         Jesus não desprezava nenhuma ocasião de ensinar. Aproveitou, portanto, a que lhe oferecia a chegada de sua família, para estabelecer a diferença existente entre a parentela corporal e a parentela espiritual.

          Tradução livre da 3ª ed. francesa pelo prof. dr. Jorge Leite de Oliveira.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

 


7 CONVICÇÃO

 (Espírito Cruz e Sousa/médium Gilberto Campista Guarino)

          O soneto a seguir confirma, novamente, a independência da entidade espiritual em relação ao médium. Como pode ser lido, no site referido abaixo, o médium Gilberto Campista Guarino diz que não é familiar à poesia de Cruz e Sousa e, sim, grande apreciador de poesia, que conhece bem, embora nunca tenha se achado capaz de escrever, elaborado por ele mesmo, um único poema.      

 7.1 Sobre Gilberto Campista Guarino

          Outro médium de grande saber. Carioca, nasceu em 17 de junho de 1951. Formou-se em Direito, em 1975, e em 1979 obteve o grau de mestre nas Faculdades Integradas Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Aprovado para o cargo público de Juiz de Direito, exerceu a função, no Estado do Rio de Janeiro, até 2011, quando foi nomeado Desembargador.

       Conferencista e articulista, foi também editor do periódico espírita Obreiros do Bem, vice-presidente da Federação Brasileira de Parapsicologia (FEBRAP), sócio-fundador do Centro da Consciência Contínua (CCC) e do Instituto Metafísico de Estudos Paralelos (IMEP). Como médium, psicografou obra em versos intitulada Centelhas de sabedoria e outra em prosa, sob o título É quase amanhã, além de outras obras.

 CONVICÇÃO

 Há lutuosas lembrança que ainda trago
No cálix de minh'alma combalida.
Pedaços de uma história desmentida
Pelo tempo inclemente, aberto e vago.
 
Já diviso, alvacenta, a mão de um mago,
Agitando o condão da luz perdida...
Mas eis que a sepultura desta vida
Traz-me a dúvida, em auras de pressago.
 
Parece que há mister do todo o empenho,
Se a alma trêfega às rodas desse engenho
Quer entregar o anteontem merencório...
 
E é preciso arrancar do ontem precito
A confissão de que pelo infinito
Somente o Amor é mais que ilusório!
 
(apud PALHANO JÚNIOR; SOUZA, 1994, p. 167)

Referências

 GUARINO, Gilberto Campista. Reflexões no hiperespaço. Sonetos captados pela psicografia e clariaudiência. Disponível em: https://pt.slideshare.net/ SrgioLuis Domingues/rhe. Acesso em 7 abr. 2021.

PALHANO JÚNIOR, Lamartine; SOUZA, Dalva Silva. A imortalidade dos poetas "mortos". Vitória, ES: FESPE, 1994.


 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

 



6 METAMORFOSE 

(Espírito Cruz e Sousa/médium Hernani Trindade Sant'Anna)

            Metamorfose é o título de novo soneto ditado pelo Espírito Cruz e Sousa. Aqui ele deixa clara, metaforicamente, a transformação sofrida pelo ser humano quando reassume sua condição de Espírito, após vencida a prova em sua última existência. As questões 167 e 171 d'O livro dos espíritos, respectivamente, explicam-nos a finalidade e a justiça da reencarnação. Fomos criados para ser perfeitos e, em cada nova encarnação, expurgamos um pouco de nossas imperfeições e adquirimos novas oportunidades de progresso. Pode-se dizer, então, que o ser humano se metamorfoseia. A lagarta torna-se  crisálida e esta, pelo esforço próprio, se libertará do casulo e se alçará aos "céus alcandorados", ou seja, às alturas celestes. É nisso que se baseia o poeta espiritual quando transmite ao novo médium o soneto que este psicografou.

6.1 Sobre Hernani Trindade Sant'Anna

            Hernani nasceu em 2 de novembro de 1926, em Salvador, Bahia. Faleceu em 12 de junho de 2001, no Rio de Janeiro. Foi técnico de contabilidade e bacharel em Direito. Exerceu o cargo de Procurador Autárquico Federal. Publicou diversas obras mediúnicas pela Federação Espírita Brasileira (FEB), entre as quais se destacam: Canções do alvorecer, Correio entre dois mundos, Universo e vida, Notações de um aprendiz e Amar e servir. Pela Editora LAKE, de São Paulo, publicou: A razão e a fé.        

METAMORFOSE

  • Do tempo na encruzada agora agir te vejo,
  • Referto o coração de anseios altanados,
  • No esforço de transpor os pegos torturados
  • Do mal que te afogou outrora em pranto e pejo!
  •  
  • Do amor que apaga e reme todos os pecados
  • Repete até gravar o sublimal solfejo!
  • Fiel serve ao Senhor que te estendeu ensejo
  • De librar-te do abismo a céus alcandorados!
  •  
  • Faz moucos os ouvidos da maldade ao rilho...
  • Atende – por Jesus! – ao rogo que  formulo
  • E firme os pés sangrentos do dever no trilho!
  •  
  • Vê bem que os sonhos d'alma já desato e azulo...
  • Lagarta rastejante já não és, meu filho,
  • Crisálida de gênio no carnal casulo!
  •  
  • (apud PALHANO JÚNIOR; SOUZA, 1994, p. 166) 

 Referências

 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.

PALHANO JÚNIOR, Lamartine; SOUZA, Dalva Silva. A Imortalidade dos Poetas "Mortos". Vitória, ES: FESPE, 1994.

terça-feira, 6 de abril de 2021

 

EM DIA COM O MACHADO 465:

Bezerra de Menezes e a Ciência do Espírito

 



 

            Bezerra de Menezes narra-nos que sua conversão ao Espiritismo ocorreu após a leitura d'O Livro dos Espíritos, que lhe foi ofertada pelo colega, também médico, Joaquim Carlos Travassos. Criado sob orientação católica, Bezerra conhecia profundamente a Bíblia, mas após formar-se em medicina começou a duvidar de alguns dogmas católicos decorrentes da interpretação dogmática da Bíblia.

            Ao ler a primeira das obras básicas escritas por Allan Kardec, sob a supervisão do Espírito de Verdade e seus apóstolos, percebeu que ali estava a explicação de tudo o que não entendera antes no estudo das Sagradas Escrituras. Parecia-lhe, igualmente, que o que ali estava também se encontrava adormecido em sua mente. Tudo lhe era familiar, lógico e verdadeiro. Tudo o que lia, n'O Livro dos Espíritos, lhe confirmava o significado real do simbolismo bíblico, em especial o do Novo Testamento de Jesus.

            Explica Bezerra de Menezes, no artigo publicado em 15 de outubro de 1882, que embora convencido da "verdade do Espiritismo" ainda não havia tentado qualquer "trabalho experimental, confirmativo sequer da comunicação dos Espíritos" (apud SOUZA, 2013, p. 29).

 

OS FATOS

 

1  Atacado de dispepsia, sem que a medicina oficial lhe proporcionasse qualquer alívio, após cinco anos de tratamento, em desespero de causa, resolveu recorrer, anonimamente, ao médium receitista chamado João Gonçalves do Nascimento. Após três meses de tratamento homeopático, recomendado pela entidade espiritual, Bezerra sentia-se bem melhor, e um ano depois já estava completamente curado.

2  Após essa ocorrência, a segunda esposa de Bezerra foi considerada tuberculosa por diversos médicos. Consultado, por terceiro, o médium, como da vez anterior, sem que Nascimento soubesse de quem e do que se tratava, seu mentor espiritual mandou dizer a Bezerra de Menezes que a doença de sua esposa não era tuberculose e, sim, problema uterino. Em poucos meses de tratamento espiritual, a esposa do chamado "Médico dos Pobres" ficou totalmente curada. Dez anos após, ela já era mãe de quatro filhos e nunca mais tivera qualquer incômodo pulmonar.

3  Após esses fatos, Bezerra de Menezes passou a investigar experimentalmente os fenômenos espíritas e convenceu-se de sua realidade. Então, afirmou: "O Espiritismo é para mim uma ciência, cujos postulados são demonstrados tão perfeitamente como se demonstra o peso de um corpo" (op. cit., p. 32).

            Outro caso extraordinário é contado por Bezerra nessa obra, que não cabe nesta crônica, mas que, por isso mesmo, faço questão de referenciar para leitura completa das narrações desse Espírito de escol. Tanto é assim que, ainda hoje, decorridos 121 anos de sua desencarnação, do plano espiritual, continua divulgando o Espiritismo.

            Jesus, igualmente, realizou muitas curas baseadas no magnetismo. Os passes, o tratamento homeopático e outros recursos de cura espiritual, como a oração, proporcionam ao enfermo verdadeiros prodígios, não explicados pela medicina tradicional, chamada alopática. Entretanto, como dizia Jesus, é preciso haver, principalmente, fé de quem recebe o benefício.

            Exemplo claro da importância da fé para a cura encontramos nesta passagem do Evangelho de Marcos, cap. 6, vers. 1- 6:

 

 

1 Saindo dali, foi para a sua pátria e os seus discípulos o seguiram. 2 Vindo o sábado, começou ele a ensinar na sinagoga e numerosos ouvintes ficavam maravilhados, dizendo: “De onde lhe vem tudo isto? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais milagres por suas mãos? 3 Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?” E escandalizavam-se dele. 4 E Jesus lhes dizia: “Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa”. 5 E não podia realizar ali nenhum milagre, a não ser algumas curas de enfermos, impondo-lhes as mãos. 6 E admirou-se da incredulidade deles. E ele percorria os povoados circunvizinhos, ensinando (Bíblia de Jerusalém).

 

                Há pessoas tão orgulhosas e tão iludidas por seus conhecimentos das ciências positivistas, como também por medo do ridículo e de mudar seu modo comodista de vida social, que desdenham do que tem sido confirmado, há milênios, sobre a cura baseada na fé e nos chamados tratamentos alternativos, como os de produtos da natureza e medicina homeopática. Deus, porém, não tem pressa na transformação espiritual de seus filhos. O único inconveniente para esses nossos irmãos é que sua teimosia os fará dispensar a oportunidade de viver melhor e na plenitude da saúde física, mental e espiritual.

            Saúde, paz e bem!

 

Referência

SOUZA, Juvanir Borges de (coord.). Bezerra de Menezes, Ontem e Hoje. SILVA, Maria Alves da; SOARES, Affonso Borges Gallego; CAMPETTI SOBRINHO, Geraldo; WANTUIL, Zêus; MOURA, Marta Antunes (orgs.). 4. ed. 4. imp. Brasília, DF: FEB, 2013.

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...