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sexta-feira, 22 de março de 2019




O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
"Fora da caridade, não há salvação." - Allan Kardec (22/3/2019)

Continuação da tradução livre da terceira edição francesa por J.L.O.

1.2 Cristo

            Jesus não veio destruir a Lei, isto é, a Lei de Deus. Veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento da humanidade. É por isso que encontramos nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que compõe a base de sua Doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente ditas, ele as modificou profundamente, seja na essência, seja na forma. Havia constantemente combatido o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações. E não podia fazê-las passar por uma reforma mais radical do que reduzindo a estas palavras: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E complementa: Eis aí toda a Lei e os profetas.
            Por estas palavras: O céu e a terra não passarão sem que tudo seja cumprido minuciosamente, Jesus quis dizer que era necessário que a Lei de Deus fosse praticada em toda a Terra na sua total pureza e com o desenvolvimento de todas as suas consequências. De fato, de que serviria haver estabelecido essa Lei, se ela tivesse de ficar como privilégio de algumas pessoas ou mesmo de um só povo? Todos nós somos criaturas de Deus; todos, sem distinção, somos objeto duma mesma solicitude.
            Mas o papel de Jesus não foi simplesmente o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a sua palavra. Ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado o seu advento. Sua autoridade decorria da natureza excepcional do seu Espírito e da natureza divina da sua missão. Veio ensinar-nos que a verdadeira vida não está na Terra, mas no Reino dos Céus. Veio ensinar-nos o caminho que nos conduz a esse Reino, os meios de nos reconciliarmos com Deus, e nos advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos. No entanto, não disse tudo, e sobre muitos pontos limitou-se a lançar o germe de verdades que ele mesmo declarou não poderem ser então compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos explícitos, de maneira que, para entender o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas ideias e novos conhecimentos viessem dar-nos a chave. Essas ideias não podiam surgir antes de um certo grau de maturidade do espírito humano. A ciência deveria contribuir poderosamente para  a eclosão e o desenvolvimento dessas ideias. Seria preciso, pois, dar tempo à ciência para progredir.

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terça-feira, 19 de março de 2019




Em dia com o Machado 359 (Jó)

        
         Já vão distantes os dias de carnaval. Não no Nordeste. Nessa região, os festejos momescos perduram um mês... no mínimo. Algumas pessoas querem que a vida seja uma eterna festa e não se conformam com o término da folia, por vezes dantesca. Entretanto, a quarta-feira é de cinzas; talvez porque a festa seja predominantemente de “confusão, trapalhada e desordem”, na linguagem popular, como registra Aurélio.
        Depois do “fogo”, as “cinzas”, pois nada mais resta do que já foi, qual ocorre em incêndio voraz. E isso ocorre nos dois mundos: no da matéria e no do espírito. O detalhe é que, excetuado quem é vidente, os que estão na matéria não veem o que ocorre fora dela, mas os que estão fora dela veem e influenciam os que nela estão.
        A festa é pagã. Desse modo, seus deuses não são verdadeiros. Talvez por isso mesmo predomine a mentira de quem se esfalfa na farra desses dias. As próprias fantasias imitam o que não se pode ser: princesas, príncipes, rainhas, rei... Momo. Pedras falsas, colares de contas vis. Jovens e idosos querem ser felizes, o que é natural e, mesmo, desejável. Entretanto, nunca é demais lembrar: a festa é de falsos deuses e reais entidades... não as mitológicas, mas as cruéis e vingativas.
        Diz o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, em obra psicografada por Divaldo Pereira Franco, que esses são dias nos quais todos, sem exceção, que participam dessa festa estão “nas fronteiras da loucura”, como indica o título do livro. Entretanto, o sábio Espírito Bezerra de Meneses esclarece-nos, nessa mesma obra, que o carnaval “[...] é o vestígio da barbárie e do primitivismo ainda reinantes, e que um dia desaparecerão da Terra, quando a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real substituírem as paixões do prazer violento e o homem houver despertado para a beleza, a arte, sem agressão nem promiscuidade” (op. cit., 15. ed., LEAL, 2014, p. 69).
        — Não esta “arte” contemporânea, amigo Jó. “A arte — como diz Léon Denis — é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna — a Divina — da qual percebemos, aqui na Terra, apenas um reflexo” (DENIS, L. O Espiritismo na arte. 2. ed. RJ: LD, 2008, p. 21). Em minha crônica de 17 jul. 1895, afirmei: “Os mortos não vão tão depressa, como quer o adágio; mas que eles governam os vivos, é cousa dita, sabida e certa” (A Semana). Nas festas de Momo isso fica claro como água mineral.
        Quando anunciei, em 4 fev. 1894, que não haveria carnaval naquele ano, de início expressei minha tristeza, haja vista que o riso faz parte da natureza humana. Após tecer considerações sobre a suspensão do carnaval, naquele ano, concluí: “A razão de não o termos, este ano, é justa; seria melhor que a proibição não fosse precisa, e viesse do próprio ânimo dos foliões. Mas não se pode pensar em tudo”.
        — Amigo Machado, voltando a Miranda, na citada obra, muitas pessoas que inadvertidamente participam desse tipo de recreação, quando o fazem sem se darem conta do perigo que correm, costumam ser salvas pelos amigos espirituais. Outras, entretanto, perdem os valores materiais e morais, além da própria vida.
— O ideal, Jó, seria buscarmos atividades artísticas diversas que expressassem o belo, a espiritualidade, pois a vida é curta, quando se está na carne. Quando a humanidade estiver plenamente consciente de que a verdadeira alegria, tal como a vida plena, não se realiza na Terra e, sim, no mundo espiritual, certamente, o renascimento da arte far-se-á em todo o seu esplendor. Au revoir.
— Despeçamo-nos, então, amigos leitores, com a esperança de que este tempo já esteja em curso, de acordo com as seguintes palavras:

O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores, aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração (DENIS, L. Op. cit., p. 22).

domingo, 17 de março de 2019




O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO



1 NÃO VIM DESTRUIR A LEI

As três revelações: Moisés; Cristo; Espiritismo. Aliança entre a Ciência e a Religião. Instrução dos Espíritos: a Era Nova

Não pensem que Eu tenha vindo destruir a Lei ou os profetas. Eu não os vim destruir, mas cumpri-los; pois em verdade lhes digo que o Céu e Terra não passarão, sem que tudo o que está na Lei se cumpra, desde as coisas mínimas até o último ponto (Mateus, 5:17- 18).

1.1 Moisés

         Há duas partes distintas na lei mosaica: a Lei de Deus, promulgada sobre o monte Sinai; e a lei civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, modifica-se com o tempo.
         A Lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:
I – Eu sou o Senhor seu Deus, que os tirei do Egito, da casa da servidão. Não tenham outros deuses estrangeiros perante mim. Não façam imagem esculpida, nem figura alguma de tudo que esteja acima, no Céu, e embaixo, na Terra, nem de tudo que esteja nas águas sob a Terra. Não os adorem nem lhes prestem culto.
II – Não pronunciem em vão o nome do Senhor seu Deus.
III – Lembrem-se de santificar o dia de sábado.
IV – Honrem a seu pai e a sua mãe, a fim de viverem longo tempo sobre a Terra que o Senhor seu Deus lhes dará.
V – Não matem.
VI – Não adulterem.
VII – Não roubem.
VIII – Não digam falso testemunho contra seu próximo.
IX – Não desejem a mulher do seu próximo.
X – Não cobicem a casa do seu próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.
         Essa Lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter Divino. Todas as demais são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a manter pelo temor um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha ele de combater arraigados abusos e preconceitos adquiridos durante a escravidão no Egito. Para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina, assim como fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem precisava apoiar-se na autoridade de Deus, mas só a ideia de um Deus terrível podia impressionar homens ignorantes, nos quais o senso moral e o sentimento de uma justiça reta estavam ainda pouco desenvolvidos. É evidente que Aquele que incluíra, entre os Seus mandamentos este: “Não matem; não façam mal ao próximo”, não poderia contradizer-se, fazendo do extermínio um dever. As leis mosaicas, propriamente ditas, tinham, pois, um caráter essencialmente transitório.


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terça-feira, 12 de março de 2019




Em dia com o Machado 358 (Jó)
Aprender e servir para vir a ser

            Há anos, tive a intuição desta frase: viver é aprender. Tempo depois, ao me questionar sobre o sentido da vida e lembrar as palavras de Jesus: “Brilhe a sua luz.”, percebi que, figuradamente, o Mestre quis dizer que somos centelhas divinas criadas para, como as estrelas, fulgurarmos nos espaços, sejam da Terra, sejam dos Céus.
            Tal iluminação, porém, deverá ser tanto mais intensa quanto mais perfeitos formos, haja vista a nova orientação do Cristo: “Seja perfeito, como perfeito é Nosso Pai”. Meu entendimento ficou melhor ainda. Percebi, então, que se a Luz Divina abrange todo o Universo, e nada lhe passa despercebido, necessitamos evoluir infinitamente, pois Deus está no Infinito.
Nessa ascensão infinita, nossa alma, criada como pequena centelha, se expandirá, em foco de luz, eternidade afora. Primeiramente, faísca iluminando nossos próprios pés; em seguida, tocha a clarear os passos dos familiares; mais além, lanterna potente dos caminhos comunitários; depois, poste de luz das residências e comércios povoados; mais tarde ainda, luz feérica e ubíqua dos shoppings, mansões e clubes duma cidade; enfim, claridade duma nação inteira, até espargirmos, como Espíritos puros, nossa luz por todo o globo, quando então passaremos a esses mundos purificados, reiniciando, felizes, nosso desiderato de expansão iluminativa em direção à Luz Maior.
            Ainda assim, restava um “como”. Como fazer para que nossa pequena faísca cresça e se avolume em direção aos páramos evolutivos? Foi então que nos veio nova intuição: Jesus nos ensinou que o mandamento maior é o amor; mas quando ampliou, por seus exemplos, a noção de amor como caridade, teve o objetivo de nos demonstrar que amar é sentir e também agir. É também nossa ação em direção ao próximo e a tudo que existe. Daí surgir esta palavra maravilhosa, com o mesmo significado em latim e inglês: serve; em romeno: servi; em italiano: servire; em espanhol, francês, galego e português: servir.
            Servir é vocábulo formado das sílabas: ser e vir. Se trocarmos a posição delas, obteremos vir e ser. Desse modo, disse-me meu cérebro, que nada mais é do que o computador divino pelo qual se manifesta o Espírito: Se você quiser vir a ser iluminado, é preciso servir; servir para vir a ser. Somente então, sua vida terá sentido.
Nisso, alguém me sussurrou: — Não confunda, porém, servil, cujo significado é servo ou escravo do próximo, palavra próxima de servir, com ser vil: ser reles, ordinário, mesquinho, miserável, desprezível, infame...
            Foi então que percebi que meu cérebro estava conectado com o Machado. Em seguida, o Bruxo recomendou-me: — Sendo vil, ainda que os que se lhe assemelhem o aplaudam, você nada será; servindo é que você virá a ser. Veja, por exemplo, o que ocorreu com aquele ministro que afirmou que não era ministro e sim, que estava ministro. Foi logo demitido, pois o presidente queria alguém que fosse e não que estivesse naquela pasta: a da Educação. Até na classe gramatical de verbo é importante ser, amigo Jó. Quando se está, não se é...
            Porém, se esse vocábulo é substantivo, somos, em parte, imagem e semelhança de Deus, o Ser Supremo do Universo e seus serezinhos: eu e você. A essência divina está em cada um de nós,  filhos de Deus, como nos afirmou nosso irmão maior: Jesus Cristo, o ser mais puro que Nosso Pai nos deu para nos servir de guia e modelo. Então, meu caro, é preciso servir para vir a ser. Adeus!
            — Adeus, meu senhor! obrigado pela prestimosa aula. E, assim, despedimo-nos.
            Tudo isso porque eu pensara em escrever sobre o vídeo enviado pelo Dr. Plotino com excelente palestra de médica geriatra que nos recomenda, em cerca de uma hora, entre outras coisas, as seguintes atitudes para um envelhecimento saudável: cantar, sorrir, amar, persistir, ter autonomia e independência em tudo o que fizer, servir e... aprender sempre, pois, como eu disse no início: viver é aprender.
            Fica para a próxima crônica. Quiçá...

sexta-feira, 8 de março de 2019






Conclusão da Síntese da Doutrina de Sócrates e Platão: itens XVI - XXI

XVI - Chamo de homem vicioso ao amante vulgar, que ama o corpo mais que a alma. O amor está por toda parte na natureza, e convida-nos a exercer a nossa inteligência; nós o encontramos até mesmo no movimento dos astros. É o amor que adorna a natureza com seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa sua morada onde encontra flores e perfumes. É também o amor que traz  paz aos homens,  calma ao mar,  silêncio aos ventos e  sossego à dor.
O amor, que deve unir os homens por um laço fraternal, é uma consequência dessa teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates, por ter dito que "o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande demônio", ou seja, um grande Espírito que preside ao amor universal; essa afirmação foi-lhe sobretudo imputada como crime.

XVII - A virtude não pode ser ensinada; ela vem por dom de Deus aos que a possuem.
É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas se a virtude é um dom de Deus, é um favor, e então pode perguntar-se por que ela não é concedida a todos; de outro lado, se é um dom, não há mérito da parte daquele que a possui. O Espiritismo é mais explícito. Ele diz que aquele que a possui a adquiriu por seus esforços em existências sucessivas, ao se despojar pouco a pouco das suas imperfeições, A graça é a força que Deus concede a todo homem de boa vontade para se livrar do mal e fazer o bem.

XVIII - Há uma disposição natural, em todos nós, para percebermos bem menos os nossos defeitos que os defeitos alheios.
O Evangelho diz: "Você vê a palha no olho do seu vizinho, e não vê a trava que está no seu" (cap. X, its. 9 e 10).

XIX - Se os médicos fracassam no trato da maior parte das doenças, é porque tratam o corpo sem tratarem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que a parte esteja bem.
O Espiritismo oferece a chave das relações que existem entre a alma e o corpo, e prova que há incessante reação entre ambos. Ele abre, assim, novo caminho à ciência. Mostrando-lhe a verdadeira causa de certas doenças, dá-lhe o meio de combatê-las. Quando ela levar em conta a ação do elemento espiritual na economia orgânica, fracassará menos.

XX - Todos os homens, após a infância, fazem mais mal do que bem.

Essas palavras de Sócrates tocam à grave questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da Terra, onde se encontra apenas uma pequena fração da humanidade. Só o Espiritismo lhe dá solução, que é desenvolvida logo adiante, nos capítulos II, III e V.

XXI - Há sabedoria em não supor saber o que ignora.

Isso aplica-se àqueles que criticam as coisas de que, frequentemente, desconhecem as primeiras palavras. Platão completa esse pensamento de Sócrates, ao dizer: "Tentemos primeiro torná-los, se for possível, mais honestos nas palavras; se não conseguirmos, não nos ocupemos mais deles, e não busquemos senão a verdade. Tratemos de nos instruir, mas não nos aborreçamos". É assim que devem agir os espíritas, com relação aos seus contraditores de boa ou má-fé. Se Platão revivesse hoje, encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo, e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse de sua crença nos Espíritos e o tratasse de louco, assim como ao seu discípulo Platão.
Foi por haver professado esses princípios que Sócrates foi primeiro ridicularizado, depois acusado de impiedade e condenado a beber cicuta. Tanto isso é certo que as grandes verdades novas, ao levantarem contra si os interesses e os preconceitos que ferem, não se podem estabelecer sem lutas e sem fazer mártires.

Aviso: na próxima semana, iniciaremos a tradução livre do cap. I dessa obra sem paralelo na literatura espiritual, depois do conteúdo do Antigo e do Novo Testamento. Não estamos sós, os bons Espíritos movimentam-se para suprir nossas deficiências. Um dia, se Deus assim o permitir, concluiremos essa obra, faremos sua revisão e a ofereceremos à nossa amada Federação Espírita Brasileira, se essa for a vontade de Deus, para sua publicação, não em substituição às excelentes traduções dos que nos antecederam, mas como nova opção de estudo em linguagem atual o mais possível fiel à de Allan Kardec.


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terça-feira, 5 de março de 2019




Em dia com o Machado 357 (Jó)
Carnavalescos d’além e d’aquém

Conforme disse em minha última crônica, admiro profundamente a família de Jair, meu primo e, agora retificando o que disse antes, seus quatro irmãos: Altair, Gessy, Conceição e Juracy. Todos filhos de tia Auta, que de alta só tinha mesmo a elevação espiritual.
Jair, que em outubro fará noventa anos, repito, ainda dirige  o boletim Pirilampo, da Fraternidade Espírita Abel Gomes, em Contagem, MG, e realiza ali, semanalmente,  diversos trabalhos doutrinários. Todos os cinco irmãos colaboram, principalmente, no trabalho social espírita.  
Por estes dias, recebi um exemplar de seu novo livro, que Jair enviou-me junto com o exemplar do Pirilampo. Na primeira página, à direita, está estampada sua foto; logo abaixo, à esquerda da página, foto do auditório mineiro da casa espírita, atento à expositora do tema da noite. Na foto do Jair, vemo-lo autografando sua nova obra, rica de “causos” vivenciados por esse abnegado seareiro do Cristo. O título do livro é Trajetória de Luz, como tem sido a desses meus queridíssimos primos, ainda que à distância de nós.
Nesses dias de festa do rei Momo, ao abrir o brinde recebido, curiosamente, o primeiro texto que li foi aquele em que Jair narra suas impressões e conhecimentos espíritas sobre o carnaval. Como todo bom espírita e cristão, o que é a mesma coisa, diz o articulista que não lhe cabe colocar no “índex” essa festa, e muito menos criticar seus adeptos. Em seguida, porém, transcreve alguns fragmentos constantes na obra intitulada Devassando o Invisível, de Yvonne A. Pereira.
Esclarece-nos Yvonne que os carnavalescos são fortemente influenciados por grande número de Espíritos perversos, que os estimulam aos excessos de vária natureza. Aos seus olhos mediunizados, desfilavam criaturas espirituais bizarras capazes de perturbar mentalmente aqueles que as podem enxergar, como é o caso dos médiuns videntes. Em seguida, cita dois desses seres grotescos.
São Espíritos vampiros, diz Jair, que sugam as energias vitais dos foliões, que acabam desencarnando cedo, se acrescentarmos a esses “sanguessugas da vitalidade humana” todos os excessos que suas vítimas são induzidas a praticar. Seja pelo consumo de alcoólicos ou mesmo pelo uso de drogas devastadoras, como a cocaína e outros estupefacientes.
Conclui Jair, com quem concordamos, que “A Doutrina Espírita não é contra ninguém por participar dessa ou daquela festa, já que cada criatura goza do seu sagrado livre-arbítrio, podendo e devendo escolher o que melhor lhe convier”. Entretanto, o próprio Kardec já nos observava: “Diz-me o que pensas, e dir-te-ei com qual companhia espiritual tu estás”. Como essa influenciação ocorre entre Espíritos e encarnados, determinando nossa própria escolha das companhias dentre os últimos, o corolário do pensamento kardequiano é o mesmo do ditado popular: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.


sábado, 2 de março de 2019




O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO


"Fora da caridade, não há salvação." - Allan Kardec

Continuação da tradução livre da terceira edição francesa por J.L.O.

VIII - Se a alma é imaterial, ela deve passar, após esta vida, para um mundo igualmente invisível e imaterial, assim também o corpo, ao se decompor, retorna à matéria. Importa apenas distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se nutre, como Deus, da ciência e de pensamentos, da alma mais ou menos manchada de impurezas materiais, que a impedem de se elevar ao Divino e a retêm nos lugares de sua passagem pela Terra.
Sócrates e Platão, como podemos ver, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Eles insistem sobre as diferenças da situação que resultam para as almas, da sua maior ou menor pureza. O que eles diziam, por intuição, o Espiritismo o prova, pelos numerosos exemplos que nos põe sob os olhos. (O Céu e o Inferno, 2ª parte).
IX - Se a morte fosse a dissolução completa do homem, isso seria de grande vantagem para os maus, após a morte, pois estariam livres, ao mesmo tempo, de seus corpos, de suas almas e de seus vícios. Aquele que ornamentou sua alma, não com enfeites estranhos, mas com os que lhes são próprios, somente esse poderá esperar tranquilamente a hora de sua partida para o outro mundo.
Em outros termos, equivale a dizer que o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação de toda a responsabilidade moral posterior e, por conseguinte é um excitante ao mal; que o mau tem tudo a ganhar com o nada; que o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranquilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo nos mostra, pelos exemplos que diariamente nos põe sob os olhos, quanto é penosa para o mau sua passagem duma a outra vida, sua entrada na vida futura. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, cap. 1°).
X - O corpo conserva bem marcados os vestígios dos cuidados que se teve com ele ou dos acidentes que sofreu. Ocorre o mesmo com a alma. Quando ela se despoja do corpo, conserva os traços evidentes de seu caráter, de suas afeições e as impressões que cada um dos atos de sua vida lhe deixou. Assim, a maior desgraça que pode acontecer a um homem, é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de crimes.  Veja, Cálicles, que nem você, nem Pólux, nem Górgias, poderão provar que devamos seguir outra vida que nos seja útil quando estivermos do outro lado. De tantas opiniões diferentes, só a que permanece inabalável é a de que mais vale receber que cometer uma injustiça, e que, antes de tudo, devemos aplicar-nos, não em parecer, mas em ser um homem de bem. (Conversas de Sócrates com os discípulos na prisão).
Aqui encontramos outro ponto capital, hoje confirmado pela experiência, segundo o qual a alma não purificada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na terra. Esta máxima: mais vale sofrer do que cometer uma injustiça, não é inteiramente crista? É o mesmo pensamento que Jesus expressa por esta figura: "Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe a outra" (cap. 12, itens 7 e 8; Mateus, 5: 38 - 42).
XI - De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem duma alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança, a passagem para um lugar em que os mortos se devem reunir, que felicidade a de ali reencontrar os nossos conhecidos! Meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa morada, e dentre eles distinguir, como aqui, os que são sábios dos que creem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vocês para viverem. (Sócrates a seus juízes).
Segundo Sócrates, os homens que viveram na Terra se encontram após a morte e se reconhecem. O Espiritismo no-los mostra continuando suas relações, de modo que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação contínua.
Se Sócrates e Platão tivessem conhecido os ensinamentos que o Cristo daria quinhentos anos mais tarde, e os que hoje nos dão os Espíritos, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas, e que os Espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de virem para a Terra, para onde as trouxeram; que Sócrates, Platão e os grandes filósofos do seu tempo, bem podem estar entre aqueles que secundaram o Cristo na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreender os seus sublimes ensinos. E que eles podem, por fim, participar hoje da grande plêiade de Espíritos encarregados de vir ensinar aos homens as mesmas verdades.
XII – Jamais se deve retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenham feito. Poucas pessoas, entretanto, admitem esse princípio, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se umas às outras.
Não é este o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?
XIII - É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar toda ação segundo sua produção: chamá-la má, quando dela provenha o mal; e boa quando produz o bem.
Esta máxima: "É pelos frutos que se reconhece a árvore", encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, no Evangelho.
XIV - A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza, não ama nem a si, nem ao que possui, mas a uma coisa que é ainda mais estranha do que aquilo que ele possui. (cap. 16).
XV - As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade, do que uma alma virtuosa que se esforce em se lhe assemelhar. Seria grave se os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Desse modo, os maiores culpados poderiam conquistar seus favores. Mas não, só são verdadeiramente justos e sábios, os que, por suas palavras e seus atos, cumprem seus deveres  para com os deuses e para com os homens. (cap. 10, itens 7 e 8).

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  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...