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sexta-feira, 19 de março de 2021

 

Bom dia, amigos leitores!

Como vocês podem constatar, publiquei antecipadamente a tradução livre d'O Evangelho Segundo o Espiritismo. Um dos motivos é a necessidade de preparar-me adequadamente para falar um pouco, neste domingo, às 17 horas, sobre o tema abaixo:



Convido-os para assistir nossas modestas considerações (que aliás, de nossas só têm as emissões vocálicas e o esforço de pesquisa) sobre o assunto. 

Grande abraço! Deus, Cristo e Caridade é o lema de Kardec, da FEB e nosso.

Saudações fraternais!

Grande abraço.

quinta-feira, 18 de março de 2021

 



13.5.12 Beneficência verdadeira

Pergunta de Allan Kardec

A beneficência é bem compreendida, quando se limita ao círculo de pessoas da mesma opinião, da mesma crença ou do mesmo partido?

Resposta de São Luís

Paris, 1860

Não, é acima de tudo o espírito de seita e de partido que deve ser abolido, porque todos os homens são irmãos. O verdadeiro cristão vê  apenas irmãos em todos os seus semelhantes, e, para socorrer o necessitado, não procura saber antes sua crença ou sua opinião, sobre qualquer coisa. Seguiria ele o preceito de Jesus Cristo, que manda amar até mesmo os inimigos, se repelisse um infeliz, por ter crença diferença da sua? Que o socorra, pois, sem lhe pedir contas à consciência, mesmo porque, se for um inimigo da religião, esse será o meio de fazer que ele a ame. Repelindo-o, só faria que a odiasse.

Tradução livre da 3ª ed. francesa pelo prof. dr. Jorge Leite de Oliveira


terça-feira, 16 de março de 2021

 

EM DIA COM O MACHADO 462

O que é seguir Jesus (Jó)

 


            

            Mateus, 7:21, cita estas palavras de Jesus, que retumbam nos túmulos e nas mentes de milhares dos reprodutores do seu Evangelho: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". E Paulo, em I Coríntios, 15:19, alerta-nos que "Se esperamos em Cristo apenas nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens".

            Refletindo nessas últimas palavras paulinas, o Espírito Emmanuel diz-nos, no capítulo 123 da obra Pão Nosso, que devemos "confiar em Cristo e aguardar n'Ele". Entretanto, prossegue, "[...] que dizer da angústia da alma atormentada no círculo de cuidados terrestres, esperando egoisticamente que Jesus lhe venha satisfazer os caprichos imediatos?"

            O significado da vida, enfatiza, não pode ser confundido com o de "uma vida". Este conceito melhor se aplica a cada existência nossa no corpo físico. A vida, porém, não se restringe à passagem, por todas as etapas, da infância à ancianidade somática.  Pois existir, diz Emmanuel, "´[...] é ser alguém e alguma coisa no concerto do Universo". É permanecer vivo para sempre.

            A morte orgânica não é o fim. É a continuação da vida em plano existencial por ora ainda muito desconhecido por grande  parte da humanidade. Precisamos manter nossa esperança no Cristo, mas "com a noção real da eternidade".

            Infelizmente, porém, muitos de nós ainda vacilamos na crença que pregamos a outrem enfaticamente. Mesmo sabendo da transitoriedade do corpo somático, desculpamo-nos de nossa fraqueza com a justificativa falsa de que temos a eternidade para nos corrigir. Isso nada mais é do que eterna preguiça. Patinhar até que o buraco cavado no gelo de nossa alma nos afogue num mar de lama, donde só sairemos após muito sofrer e clamar misericórdia.  Por isso, Emmanuel nos propõe indagar da própria consciência não somente se estamos, mas se permanecemos com o Cristo.

            E permanecer com Jesus é mais do que falar no bem ou escrever sobre o bem. É pensar no bem. É amar e realizar o bem. É ter a convicção, como conclui esse iluminado Espírito, "[...] de que a esperança legítima não é repouso e sim confiança no trabalho incessante".

            Esta é a senha para entrarmos no reino divino: fazer a vontade do Pai no serviço ao próximo, no amor a todas as suas criaturas. Viver com a certeza de que nada termina com o corpo, mas que conosco segue nossa consciência, que nos cobrará, não somente pelo mal que deixamos de fazer, mas por todo o mal decorrente do bem que não fizermos.

            Por isso mesmo, despeço-me da leitora amiga e do bom leitor com a seguinte trova:

            Quem já sente Jesus presente em sua vida

            Não espera qualquer vantagem no que faz.

            Segue servindo, amando e perdoando, sempre

            Coerente com  Sua Luz e a consciência em paz.

sábado, 13 de março de 2021

 


13.5.11 Benefícios retribuídos com ingratidão

Guia Protetor 

Sens, 1862

 

Que devemos pensar das pessoas que, tendo sido pagas com ingratidão por seus  benefícios, não fazem mais o bem por medo de encontrar ingratos?

 

Essas pessoas têm mais egoísmo do que caridade, porque fazer o bem somente para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer desinteressadamente, e somente o bem desinteressado é agradável a Deus. São também orgulhosas, porque se comprazem na humildade do beneficiado, que vem colocar a seus pés seu testemunho de reconhecimento. Aquele que busca na Terra a recompensa do bem que faz, não a receberá no céu, mas Deus a reservará para o que não a procura no mundo.

Devemos sempre ajudar aos fracos, mesmo sabendo-se de antemão que aqueles a quem fazemos o bem não nos serão gratos. Saibam que, se aquele a quem prestam um serviço esquecer o benefício, Deus terá este mais em conta do que se vocês fossem recompensados pela gratidão daquele. Deus permite que às vezes vocês sejam pagos com a ingratidão, para provar sua perseverança em fazer o bem.

Quem sabe, aliás, se esse benefício, esquecido, momentaneamente, não produzirá mais tarde bons frutos? Fiquem certos, portanto, de que essa é uma semente que germinará com o tempo. Infelizmente, vocês não veem nunca além do presente; trabalham para si mesmos e não pelos outros. Os benefícios acabam por amolecer os corações mais endurecidos; eles podem ficar esquecidos aqui na, Terra, mas quando o Espírito se livrar do corpo, ele se lembrará, e essa lembrança será o seu castigo. Então, ele lamentará a sua ingratidão, desejará reparar sua falta, pagar sua dívida noutra existência, aceitando mesmo, frequentemente, uma vida de devotamento ao seu benfeitor.

É assim que, sem o suspeitarem, vocês terão contribuído para o progresso moral do beneficiado, e reconhecerão então toda a verdade desta máxima: um benefício nunca se perde. Mas vocês terão também trabalhado para si mesmos, pois terão o mérito de haver feito o bem com desinteresse, sem  desanimar com as decepções.

Ah, meus amigos, se vocês conhecessem todos os laços que, na vida atual, os ligam às suas existências anteriores; se pudessem abarcar a multidão das relações que aproximam os seres uns dos outros, para seu progresso mútuo,  vocês admirariam muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que lhes permite renascer para chegarem a Ele.

Tradução livre da 3ª ed. francesa pelo prof. dr. Jorge Leite de Oliveira

terça-feira, 9 de março de 2021

 

  • Em dia com o Machado 461:
  • Devaneios linguísticos de Jó

 


        Amigo leitor, no ano passado, eu estava correndo em pista do Lago Sul, de Brasília, quando levei uma queda. Como a pista era bastante inclinada, uma senhora que subia por ela, de carro, ao me ver cair de ponta-cabeça, imaginou que eu teria fraturado o crânio. Logo, a bondosa dama ligou para a ambulância do Corpo de Bombeiros, que não tardou a chegar.

        Vendo-me sentado no acostamento da pista, cercado pelo zelo da senhora, que lhe passou sua impressão sobre minha queda, um dos três militares que me atenderam iniciou uma série de perguntas. Graças a Deus, respondi com lucidez a todas elas, mas o paramédico ficou espantado com minha trajetória de vida: auxiliar de pintor de paredes, vigia de loja de vizinho evangélico, aos doze ou treze anos de idade, balconista, jornaleiro, vendedor de picolés e, aos dezenove anos, soldado do Exército. Faltavam-me opções, pois ainda nem completara o ensino médio.

        Após promoção, fui transferido para Salvador, onde fiquei durante ano e meio. Depois, para Barreiras, BA, onde me casei e, no ano seguinte, vim com a nova família, agora acrescida da filha primogênita, para Brasília.

        Como aprendera a gostar de poesia e rabiscar meus poemas, ainda em mocidade espírita de Rocha Miranda, no Rio de Janeiro (Mocidade Espírita Irmão Isaac, do Centro Espírita Jesus, Maria e José), ao saber de concurso nacional de poesia, promovido pela Revista Brasília, inscrevi-me.  Para minha surpresa, fui classificado com medalha de bronze, como prêmio ao meu poema intitulado A Marcha.

        Por essa época, eu já havia concluído o ensino médio, aqui na Capital. Então prestei vestibular no Centro de Ensino Unificado de Brasília (UniCEUB) e, cinco anos após, iniciei meu trabalho como professor de língua portuguesa na própria faculdade que me formara e onde também me pós-graduara como especialista em língua portuguesa.

        Em pouco mais de duas décadas, no ensino de português, redação e literatura, conheci as teorias de Roman Jakobson, Henri Saussure e Noam Chomsky sobre a língua e a linguagem. Entretanto, nunca pensei em substituir a alma pela sua faculdade de se comunicar.

        Agora, após ter concluído, na UnB, especialização, mestrado e doutorado em literatura e estar cursando um estágio pós-doutoral, on-line, na Universidade Estadual da Bahia, propuseram-me a leitura de filósofos e teóricos que veem diferente de mim as funções da linguagem propostas por Jakobson. Um deles é Roland Barthes, para quem "a língua é fascista, porque nos obriga a dizer".

        Pelo que sei, o que nos faculta, e não nos obriga a dizer, é a vontade, atributo da alma. Enfim... anotei algumas coisas gostosas ditas por esse emérito professor francês. Uma delas é que "a literatura está onde há sabor nas palavras, pois sabor e saber têm a mesma origem etimológica latina".

        Outra coisa interessante, que contrasta com o gênio conservador francês de sua língua, é que, para Barthes, a escola deveria encorajar a "aprendizagem simultânea de várias línguas com funções diversas, promovidas à igualdade".

        Há mais coisas interessantes em sua excelente obra. Humana como tantas outras que se julgam muito sábias, mas que, com sua ciência igualmente mutante, não decifram o mutante coronavírus. Sua proposta de diversificação do aprendizado linguístico, no entanto, valoriza o que tenho postado aqui, a conta-gotas, semanalmente: a tradução livre de uma página da terceira edição francesa d'O Evangelho Segundo o Espiritismo em terceira pessoa, que é a língua falada, predominantemente, pelo povo.

        À bientôt!

 

 

 

 

 

sábado, 6 de março de 2021

 


 

13.5.10 Os órfãos

Um Espírito Protetor

Paris, 1860

 

Meus irmãos, amem os órfãos! Se vocês soubessem quanto é triste estar só e abandonado, sobretudo na idade infantil! Deus permite que existam órfãos, para nos convidar a lhes servir de pais. Que divina caridade, a de ajudar uma pobre criaturinha abandonada, livrá-la da fome e do frio, orientar sua alma, para que ela não se perca no vício!

Quem estende a mão a uma criança abandonada é agradável a Deus, pois compreende e pratica a sua lei. Lembrem-se também de que, frequentemente, a criança que agora vocês socorrem foi-lhes cara noutra encarnação, e se o pudessem recordar, o que fazem já não seria caridade, mas o cumprimento de um dever.

Assim, portanto, meus amigos, todo sofredor é seu irmão e tem direito a sua caridade. Não a essa caridade que magoa o coração; não a essa esmola que queima a mão de quem a recebe, pois seus óbolos são frequentemente muito amargos! Quantas vezes eles seriam recusados, se no casebre a doença e a privação não os esperassem!

Deem delicadamente, juntem ao benefício o mais precioso de todos: uma boa palavra, uma carícia, um sorriso amigo. Evitem esse ar de proteção, que revolve a lâmina no coração que sangra, e pensem que, ao fazer o bem, trabalham para vocês e para os seus...

Tradução livre da 3ª ed. francesa pelo prof. dr. Jorge Leite de Oliveira

terça-feira, 2 de março de 2021

 

  • EM DIA COM O MACHADO 460:
  • A evolução pede passagem...

 

Mens agitat molem (A mente move a matéria) – Virgílio, Eneida, VI, 727. Apud ANDRADE, Hernani Guimarães. A mente move a matéria. São Paulo: FE Ed. Jornalística Ltda, 2005.

     

Estive refletindo sobre a época atual. Muitas pessoas negam que o mundo evoluiu, moralmente, nos últimos milênios. Isso não é novidade, pois já há quem não creia que o Cristo tenha encarnado na Terra. Negam a história de milhares de cristãos, cruelmente assassinados, mas criticam os absurdos cometidos pela Igreja, quando esta passou a fazer parte do Estado e, consequentemente, da política. No entanto, a Igreja foi criada pelos que sucederam aos mártires cristãos. Outras pessoas pregam a anarquia dos sentidos, pois, segundo seu juízo, ninguém sairá vivo do mundo. Confundem o cérebro, órgão de manifestação do pensamento, com a mente, faculdade da alma que comanda esse órgão.

Tanto umas quanto outras afirmam que todas as filosofias antigas e modernas nada mais são que manifestações de ideias de alguns seres humanos criativos, que desejam manter-se no controle da situação e submeter os fracos às suas elucubrações mentais. Os objetivos são o poder e a riqueza.

Hoje, porém, a consciência humanitária atingiu estágio jamais alcançado. Como exemplo, temos o avanço extraordinário dos meios de comunicação, que nos permitem ver e falar, instantaneamente, com alguém que esteja no outro lado da Terra. A liberdade de manifestação do pensamento e o respeito às diferenças são muito maiores do que em priscas eras, em especial nos países democratas. Mulheres têm seus direitos e dignidade mais respeitados, preconceitos são combatidos, e animais têm seus defensores.

Atualmente, famílias de classe média vivem mais confortavelmente que monarcas de dois séculos atrás. A educação tem alcançado um número de pessoas nunca antes atingido, e a medicina oferece especializações médicas para a terapia de cada órgão corporal. Tratamentos com choque elétrico a doentes mentais foram substituídos por remédios potentes; implantes dentários substituem dentaduras postiças; cirurgias oculares corrigem deficiências visuais; vacinas antiviróticas obtêm resultados altamente eficazes; próteses mecânicas permitem que portadores de necessidades especiais levem vidas normais; serviços públicos e privados contratam essas pessoas etc. etc.

O que falta aos que negam a evolução humana é o estudo e a fé nas três revelações divinas anunciadas há milênios, desprovidas dos preconceitos provenientes das falsas ideologias. Estudo para comprovarem suas manifestações ao longo dos séculos. Fé para libertarem-se dos condicionamentos causados pelos negativistas de todos os tempos, que ainda vivem sob o jugo das paixões e da profunda ignorância espiritual.

Embora sempre tenha havido revelações locais, destinadas a coibirem a brutalidade dos diversos povos, imperam no mundo três principais revelações divinas: a primeira, representada pelos Dez Mandamentos, teve em Moisés seu revelador; a segunda tem em Jesus Cristo a figura central; e a terceira, prometida por este para ficar eternamente entre nós, é o Espiritismo, também chamada Doutrina dos Espíritos, cuja direção central é a de Jesus.

 Reflitamos nestas palavras de Allan Kardec, ao se referir ao "caráter da revelação espírita" no capítulo primeiro d'A Gênese:

 

O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é a consequência direta da sua doutrina. À ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à ideia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a Justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com a mesma aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há diferença entre elas, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão o mesmo fim, mais ou menos rapidamente, conforme seu trabalho e boa vontade.

 

        Diz ele ainda que não há quem esteja deserdado, nem quem seja mais favorecido, pois Deus não privilegiou a criação de seus seres. Tudo evolui, todos estamos submetidos à lei do amor, da justiça e do trabalho; não há quem esteja destinado ao mal e ao sofrimento eternos. Demônios, do grego daimónium, são Espíritos imperfeitos, que tanto praticam o mal, quando encarnados, quanto o praticam no mundo espiritual. Eles também estão sujeitos à lei do progresso. E os chamados anjos nada mais são do que Espíritos que aproveitaram essa lei no bem incessante. Enfim, conclui Kardec, todos somos filhos das próprias obras, mas ninguém é deserdado pelo Pai, que preside toda a Criação: Deus!

              Saúde, paz e bem, amigos leitores!

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...