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terça-feira, 8 de junho de 2021

 

EM DIA COM O MACHADO 474:

A VIDA É JUSTA (Jó)


    Fiquei curioso em assistir a um programa de TV, há poucos dias, intitulado A vida não é justa, que também é o título do livro duma juíza de direito. Disse esta que muitas pessoas, mesmo se esforçando na prática do bem, se dão mal na vida; e, muitas vezes, quem faz o mal se dá bem. Visão unilateral da vida, como veremos mais adiante...

    Os três comentaristas do programa defenderam a ideia dum professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas, situada no Rio de Janeiro, de que as instituições, entre as quais o Judiciário, discriminam os negros, os pobres e as mulheres. Então, disseram  que é preciso haver mais heterogeneidade na ocupação das funções socioeconômicas. 

    Num dado momento, foi informado o resultado da seguinte pergunta feita a populares: Que é justiça para você?

    Uma das pessoas entrevistadas disse que a pergunta é interessante, mas é difícil encontrar uma só resposta para ela.  

    A autora do livro temático discutido no programa, consultada novamente, refletiu sobre a difícil questão do fim do amor entre duas pessoas e da dificuldade em decidir o que seja justo ou injusto nesses casos, quando um relacionamento, que já fora baseado no amor, acaba em separação judicial. Em nosso juízo, o motivo disso é que ainda não aprendemos a distinguir paixão de amor, pois, quando este prevalece, o prazer de estar junto doutrem sempre se renova.

    Também foram mostradas cenas dum filme intitulado Luta por justiça, em que cinco garotos negros foram condenados por estupro que não praticaram. A ideia aí era criticar o preconceito racial como base duma das maiores injustiças no mundo.

    Perguntou-se novamente ao professor: — Como o Estado ou as pessoas podem tornar a sociedade mais justa?  Sua resposta foi lembrar o que está contido na Constituição brasileira: direitos iguais para todos à educação, à saúde, ao acesso à justiça. Moradia, saneamento básico...

    Sou carioca e morei no Rio de Janeiro até os 22 anos de idade. Na época, 1974, pude assistir in loco ao que Machado de Assis, um século antes, via e ironizava: a política servindo como cabide de empregos e favorecimento aos "donos do poder". Nesse tempo, ainda havia um certo respeito pelo policial. Com o passar dos anos, tudo piorou muito.  Haja vista o aumento da migração  de pessoas pobres para os morros, a facilidade na aquisição de drogas e armas, acrescida do descaso do poder público com as classes vulneráveis economicamente. Com isso, cresceram a revolta e a violência...

   Outra proposta do trio televisivo foi a de analisar bem em quem votar e também pensar no papel que a pessoa vai exercer na sociedade. Por fim, foi recomendado assistir ao filme Luta por justiça e a ler outro livro, intitulado Justiça, além da obra que foi tema do programa. Como vemos, "receitas prontas" não nos faltam...

    Não será a chamada "velha política" do "toma lá, dá cá" que resolverá os problemas das injustiças sociais, mas sim o entendimento de que tudo o que nos acontece, de bom ou de mau, é proveniente de nossos pensamentos, palavras e atos, como espíritos eternos que somos. Daí entendermos que, como "o amor cobre a multidão de pecados", nas palavras do Apóstolo Pedro (I Pedro, 4:8), somente quando nos libertarmos da prisão do eu e nos vincularmos à ideia do nós, buscando o bem do próximo e não os seus bens, estaremos quites com a Justiça Divina.

    Os Espíritos ensinam-nos que a Lei de Deus está em nossa consciência. Nada do que sofremos deixa de ter sua razão de ser e função educativa. Não é, pois, somente a aplicação das penas da justiça mundana que corrigirá nossos erros.

   Nesse sentido, o conhecimento da reencarnação é fundamental, como lemos no capítulo 4 d'O Livro dos Espíritos (LE), intitulado Pluralidade das existências. Esse conhecimento é útil, tanto à nossa conformação com os nossos sofrimentos ou venturas, como também à nossa necessidade de agir, cotidianamente, no autoconhecimento e no empenho em estudar, trabalhar e servir com o objetivo da conquista do justo bem-estar.

   A causa dos nossos sofrimentos está em nosso afastamento voluntário das Leis  Divinas, em especial a de "justiça, amor e caridade" (LE, cap. 11), pois o amor caminha lado a lado com a Justiça Divina. Não à toa, disse , 34:11, repetiu Jesus, em Mateus, 16:27, o que Paulo diria aos Romanos, 2:6: "A cada um segundo as suas obras". Quando bem entendermos isso e passarmos a viver em prol da felicidade de nosso semelhante, a alegria cotidiana nos permitirá sentir quanto a vida é justa, pois não há quem faça o bem e não se sinta bem.

 

 

 

 

       

segunda-feira, 7 de junho de 2021

 Cantinho da poesia


As sombras

(Jorge Leite de Oliveira)

 

Eu via sombras quando era criança,

Que minha mãe jamais dava importância...

 

Pressenti muitos vultos do meu lado,

Mas eram sombras, traços já traçados...

 

Eu me assustava quando era pequeno,

Mas tu mantinhas-me sempre sereno.

 

Foste tu quem me socorreste... eu via...

Contigo, a vida sempre me sorria.

 

E, para sempre, ela sorrir-me-á,

Pois teu amor jamais me faltará.

 

Agora os vultos já não mais dão saltos

Como os que via nos tempos transatos.

 

Aquelas marcas que pensei ser minhas

Não eram só as sombras vis, daninhas.

 

Vários espectros vinham de pomares,

Havia tramas da terra e dos mares...

 

Também havia, ali, passos sagrados,

Vultos amigos, de tempos passados...

 

Nem toda sombra que pensei ser minha

Era meu vulto e nem vinha sozinha.

 

Uma era Deus, que nunca me deixou,

E as outras, anjos que Ele me enviou.

domingo, 6 de junho de 2021

 O Céu e o Inferno

 

Allan Kardec

Por: Astolfo Olegário Oliveira Filho 

Parte 6

 

Continuamos o estudo metódico do livro “O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 1ª edição da tradução de João Teixeira de Paula publicada pela Lake.

Caso o leitor queira ter em mãos o texto consolidado dos estudos relativos à presente obra, para acompanhar, pari passu, o presente estudo, basta clicar em http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html#ALLAN e, em seguida, no verbete "O Céu e o Inferno”.

Eis as questões de hoje:

 

41. É preciso permissão de Deus para que as almas dos mortos se comuniquem com os homens? 

Sim. Segundo o Espiritismo, não ocorre manifestação de quaisquer Espíritos, bons ou maus, sem a permissão de Deus, contrariamente ao que diz a Igreja relativamente aos demônios, os quais, conforme o ensino católico oficial, não necessitam de tal permissão. (O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. X, item 14.)

42. Um argumento bem forte opõe a Doutrina Espírita à tese acerca da intervenção dos demônios nas manifestações. Qual é ele?

O argumento espírita diz respeito ao conteúdo das manifestações ditas demoníacas. Ora, a experiência comprova que elas têm reconduzido a Deus os que o renegavam e ao bem os escravizados ao mal. E esses supostos demônios fazem mais: dão-nos o espetáculo de milhões de homens acreditando em Deus por intercessão da suposta potência diabólica. Quantos orgulhosos, egoístas e devassos se tornaram humildes, caridosos e recatados?! E tudo por obra do diabo! Ora, se assim fosse, a toda essa gente o demônio teria prestado melhor serviço que os próprios anjos. (Obra citada, Primeira Parte, cap. X, item 17.)

43. A Igreja nega a realidade das manifestações espíritas?

Não. A Igreja admite-as totalmente, mas as atribui à intervenção dos demônios. (Obra citada, Primeira Parte, cap. XI, item 1.)

44. Por que a Igreja insiste em proibir as evocações?

O supremo argumento utilizado pela Igreja, no tocante às evocações dos Espíritos, é a proibição de Moisés contida no Antigo Testamento. (Obra citada, Primeira Parte, cap. XI, itens 1 e 2.)

45. Qual é o verdadeiro motivo que levou a Igreja a condenar as relações dos homens com os Espíritos?

Todas as razões alegadas para condenar as relações com os Espíritos não resistem a um exame sério. Pelo ardor com que se combate nesse sentido é fácil deduzir o grande interesse ligado ao assunto. Daí a insistência. Em vendo esta cruzada de todos os cultos contra as manifestações, dir-se-ia que delas se atemorizam. O verdadeiro motivo poderia bem ser o receio de que os Espíritos muito esclarecidos viessem instruir os homens sobre pontos que se pretende obscurecer, dando-lhes conhecimento, ao mesmo tempo, da certeza de um outro mundo, a par das verdadeiras condições para nele serem felizes ou desgraçados. (Obra citada, Primeira Parte, cap. XI, itens 13 a 15.)

46. O perispírito se separa da alma em virtude do transe da morte corporal? 

Não. O perispírito é o envoltório da alma e não se separa dela nem antes nem depois da morte. Ele não forma com ela mais que uma só entidade, e nem mesmo se pode conceber uma sem o outro. (Obra citada, Segunda Parte, cap. I, item 3.)

47. Como se dá, após o transe da morte, a separação da alma?

A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma em consequência do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas essa separação nunca é brusca. A separação dá-se de forma gradual. O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo. (Obra citada, Segunda Parte, cap. I, itens 3 e 4.)

48. São quatro as situações extremas que podem ocorrer no instante da morte. Quais são elas? 

Eis as quatro situações extremas dentro de cujos limites há uma infinidade de variantes:

1° - Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito for completo, a alma nada sentirá absolutamente.

2° - Se nesse momento a coesão dos dois elementos estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.

3° - Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.

4° - Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contacto entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça.

Daí resulta que o sofrimento que acompanha a morte está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável. (Obra citada, Segunda Parte, cap. I, item 5.)


Acesse quando quiser:  

1.  blog Espiritismo Século XXI – http://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com.br/

2.  revista O Consolador - http://www.oconsolador.com  

3.  editora EVOC - http://www.oconsolador.com.br/editora/evoc.htm  

sábado, 5 de junho de 2021

 


CAPÍTULO 16 NÃO É POSSÍVEL SERVIR A DEUS E A MAMON
 
Salvação dos ricos - Guardem-se da avareza - Jesus em casa de Zaqueu - Parábola do mau rico - Parábola dos talentos - Utilidade providencial da fortuna – Prova  da riqueza e da miséria -Desigualdade das riquezas - Instruções dos Espíritos: A verdadeira propriedade - Emprego da fortuna - Desprendimento dos bens terrenos – Transmissão da riqueza.
 
16.1 Salvação dos ricos
 
        Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer um e amar o outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vocês não podem servir a Deus e às riquezas (Lucas, 16:13).
       Então, um jovem aproximou-se dele e perguntou-lhe: Bom Mestre, que bem devo fazer para conquistar a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Por que me chama bom? Ninguém há que seja bom senão Deus. Se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos.  Que mandamentos? — perguntou o jovem. Jesus lhe respondeu: Não matar; não adulterar; não furtar; não dar falso testemunho. Honre  seu pai e  sua mãe e ame seu próximo como a si mesmo.
       O jovem lhe disse: Tenho guardado todos esses mandamentos desde a minha mocidade; que me falta ainda? Jesus lhe respondeu: Se quiser ser perfeito, vá, venda o que tem e dê-o aos pobres, e você terá um tesouro no céu; depois venha e siga-me.
     O jovem, ao ouvir essas palavras, retirou-se triste, porque tinha muitos bens. E Jesus disse aos seus discípulos: Em verdade lhes digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. Ainda lhes digo mais: É mais fácil passar um camelo pelo buraco duma agulha, do que entrar um rico no Reino dos Céus.¹ (Mateus, 19:16- 24; Lucas, 17:18- 25; Marcos, 10:17- 25).

______
[1] Nota de Allan Kardec: Esta figura ousada pode parecer um pouco forçada, pois não vemos a relação existente entre um camelo e uma agulha. Isso ocorre porque em hebraico a mesma palavra serve para designar um cabo e um camelo. Na tradução, deram-lhe este último significado. É provável que seja o primeiro significado que estava na mente de Jesus; pelo menos é mais natural.

Tradução livre: Prof. Dr. Jorge Leite de Oliveira 
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/0494890808150275

quinta-feira, 3 de junho de 2021

 Cantinho da cultura filosófico-espiritualista


26 FÉ E CULTURA

            Emmanuel

Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Paulo (Romanos, 14:1).

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.
     Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou os requisitos do progresso.
        A ciência investiga.
        A religião crê.
    Se não é justo que a ciência imponha diretrizes à religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a religião obrigue a ciência à adoção de normas, inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.
    Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os assuntos que se relacionem à fé e à cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.
        Auxiliemo-nos mutuamente.
     Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.
       Diz o Apóstolo Paulo: "Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.

REFERÊNCIA

EMMANUEL (Espírito). Paris (FR), 23 de agosto de 1965. In: VIEIRA, W; XAVIER, F. C. Entre irmãos de outras terras. Brasília: FEB, 1965.


 

 

Espiritualidade e Política

por Alexsandro M. Medeiros

lattes.cnpq.br/6947356140810110

postado em dez. 2017

            O website Sabedoria Política aborda a Ciência Política sob seu aspecto multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar e transpessoal. Isso significa que a Política aqui é considerada a partir de sua relação multifacetada com as diferentes áreas do conhecimento humano, como a FilosofiaEconomiaPsicologia, História e tantas outras áreas do conhecimento, como também aborda a realidade das relações humanas a partir de uma perspectiva integral que entende que o ser humano é algo muito mais do que um simples corpo material, mas inclui uma dimensão psíquica e espiritual que precisa ser levada em consideração sob pena de mutilarmos a realidade na qual vivemos. Tal visão compreende que a “espiritualidade e a política são duas realidades fundamentais da vida [...] ‘No âmbito do interpessoal, no reino de como tu e eu nos relacionamos com o outro como seres sociais, não há áreas mais importantes do que as da espiritualidade e da política’” (OCAÑA, 2016, p. 3).

            Nenhuma ideologia, nenhum sistema político, ordem econômica ou social estará completo e poderá solucionar os grandes problemas que afligem a humanidade enquanto não abordar a realidade humana sob este aspecto integral e transpessoal. A política tal como é entendida hoje, quase que exclusivamente do ponto de vista materialista, precisa completar-se pelos caminhos do espírito. De certo modo concorda-se com Ottaviani (2015, p. 516), quanto este afirma que não basta a reforma das estruturas políticas se esta não for acompanhada de uma visão espiritual “alicerçada num árduo processo da constituição de si enquanto sujeito ético, apoiada ou não em alguma crença religiosa”. E mais adiante: “nenhuma reforma política será suficiente, nenhuma estrutura de poder será honesta e eficaz, se os atores dessa nova e promissora peça não forem mudados ou transmutados” (OTTAVIANI, 2015, p. 521). O conceito que preferimos adotar aqui é o de espiritualidade, ou seja, a justiça social só será possível de ser alcançada quando homens e mulheres trabalharem em prol de sua evolução espiritual (do ponto de vista individual e coletivo).

            Uma visão ampliada da política, que inclui o aspecto espiritual do ser humano e na qual se baseia nossa compreensão, não se funda apenas em pressuposições teóricas e religiosas, mas procura fundamentos científicos e filosóficos que nos permitam pensar a realidade em sua dimensão além da realidade material, que aqui chamamos de espiritual.

            Por isso esta abordagem estaria incompleta se não incluísse uma reflexão em torno do tema da espiritualidade tematizado sob outros enfoques que, embora não necessariamente políticos, são fundamentais para a compreensão da vida em sociedade em toda sua complexidade. Por isso o website inclui uma seção sobre Espiritualidade e Ciência e Espiritualidade e Filosofia, que completam nossa visão de mundo e se liga de forma sinérgica à Ciência Política.

            Além disso essa visão de mundo amplia os horizontes para se pensar a Política e as políticas públicas que afetam diretamente a vida em sociedade considerando a necessidade de pensá-las igualmente a partir da dimensão espiritual. Por isso o site também apresenta seções específicas dedicadas à análise da espiritualidade a partir de políticas públicas como a educação, saúde, meio ambiente, onde estão presente discussões que envolvem a Educação e EspiritualidadeSaúde e EspiritualidadeMeio Ambiente e Espiritualidade.

            Algumas personalidades inspiram-nos a buscar aproximar esse tema que envolve espiritualidade e política. Mahatma GhandiMartin Luther King Jr., além de filósofos e pensadores como PlatãoSócratesHenri BergsonPietro Ubaldi e as ideias da Filosofia Oriental.

            Suas teorias e exemplos de vida devem inspirar não apenas o cidadão de bem, mas também todo aquele que se dispõe a governar e administrar uma cidade. Deve inspirar em cada um de nós o senso do dever, de justiça social, de luta pela transformação da sociedade e “a autêntica finalidade da política, que consiste na busca do bem comum do próprio país e da humanidade” (BAGGIO, 2004, p. 37).

            Inspirados em seus exemplos de vida o cidadão de bem, que pretende fazer da política uma missão, “procura tomar decisões que criam condições para que cada cidadão, e a comunidade como um todo, realize o desígnio de que é portador, a sua missão na história” (BAGGIO, 2004, p. 38). Obedecendo, como Sócrates, a sua própria consciência, o cidadão de bem “vive em contínua atitude de escuta da voz que fala dentro dele, num constante diálogo interior com ela. Por esse hábito de diálogo consigo mesmo, ele aprende a dialogar também com os outros, e os ajuda a descobrir a voz que fala dentro deles” (id., ibidem, p. 38).

            O compromisso do cidadão de bem – que Baggio (2004) chama de o político da unidade, em alusão ao Movimento Político pela Unidade – é com a máxima: ama ao teu próximo como a ti mesmo; ou “Tudo aquilo que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas”. (Mt 7,12). Ampliando a máxima do amor ao próximo e analisando sob o prisma da fraternidade, Lubich (2001, p. 8) – em discurso realizado na Câmara Municipal de Trento/Itália –, pondera que a fraternidade é necessária em todo lugar e, inclusive, na política:

também os políticos são chamados a colocá-la em prática e a sentir-se irmãos entre si, antes mesmo da paixão pelo próprio partido, antes das escolhas que distinguem as diversas opções. O amor fraterno une e ilumina as decisões a serem tomadas e torna as pessoas mais aptas a atingir o objetivo final da própria política, que é o bem comum.

            Um bom governante não é o astuto, que visa seus próprios interesses e se pratica o bem o faz apenas de forma superficial e com objetivos eleitorais. Um bom governante procura usar o poder espiritual que há dentro de si para fazer o bem de forma desinteressada e amorosa. Também não “basta adquirir técnicas de governança. É preciso adquirir a sabedoria para governar e isso passa necessariamente pelo governo de si mesmo, campo aberto para o exercício da espiritualidade” (OTTAVIANI, 2015, p. 521).

            Um governante sábio é alguém que pensa as políticas públicas sob um ponto de vista espiritual e, por isso, pensa a educação, a saúde, o meio ambiente, de forma integral, e não vê oposição entre Saúde e Espiritualidade, Educação e Espiritualidade, mas sim uma consequência lógica e necessária da vida, porque pensa uma espiritualidade centrada na defesa dos direitos humanos, na defesa dos direitos das minorias e de todas as pessoas, sem discriminação de raça ou gênero, na defesa da vida.

 

Espiritualidade versus Religião

            Propositalmente utiliza-se o termo Espiritualidade e Política, ao invés de Religião e Política e, por isso, se faz necessário algumas palavras para explicar essa distinção conceitual. Utiliza-se o conceito de espiritualidade ao invés de Religião por ser um conceito mais amplo e “[...] por incluir também formas não religiosas de lidar com as dimensões profundas da subjetividade” (VASCONCELOS, 2008, p. 315).

Lukoff (1992), por exemplo, distingue religiosidade de espiritualidade, definindo a primeira como adesão a crenças e a práticas relativas a uma igreja ou instituição religiosa organizada, e a segunda como a relação estabelecida por uma pessoa com um ser ou uma força superior na qual ela acredita [...] Worthington, Kurusu e McCullough (1996) definem uma pessoa religiosa como aquela que possui crenças religiosas e que valoriza, em alguma medida, a religião como instituição. Já uma pessoa espiritualizada é aquela que acredita, valoriza ou tem devoção a algum poder considerado superior, mas não necessariamente possui crenças religiosas ou é devoto de alguma religião institucionalizada (apud FARIA; SEIDL, 2005, p. 381).

            De modo geral, a espiritualidade é um aspecto necessariamente presente na religião, mas a religião não está, necessariamente, presente na espiritualidade.

            Quando se fala em espiritualidade não está se referindo a uma religião específica, mas a uma necessidade de vivência existencial que procura uma relação com algo que transcende a realidade, considerando-o sagrado, independente de rótulos religiosos. Neste sentido, qualquer religião que tenha a característica do sagrado e do transcendental é entendida aqui como uma prática espiritual: seja cristã, espírita, hindu, islâmica, umbanda etc.

Disponível em: Blog Oculto Revelado (Acessado em 05/11/2015)

            Cervantes (2015 apud OCAÑA, 2016, p. 4), “define a espiritualidade como experiência de sentir que fazemos parte de algo maior e mais profundo que nós mesmos, algo que nos liga a tudo e a todos, que nos leva a ver todos os seres humanos como irmãos e ao planeta como a casa comum que temos de cuidar”.

            Finalmente podemos dizer que o termo espiritualidade aqui é tomado na mesma acepção do psiquiatra italiano, conhecido como o pai da Psicossíntese, Roberto Assagioli (1888-1974).

 

Falando de espiritualidade, Assagioli (Grof, 1989) esclarece-nos que: uso o termo “espiritual” em sua conotação mais ampla e sempre com referência à experiência humana, empiricamente observável. Nesse sentido, “espiritual” remete não somente às experiências tradicionalmente consideradas religiosas, como também a todos os estados de consciência e a todas as funções e atividades humanas que têm como denominador comum a posse de valores superiores, aos comuns – valores éticos, estéticos, heróicos, humanitários e altruístas (BOCCALANDRO, 2006, p. 77-78).

 

 

Referências Bibliográficas

BAGGIO, Antonio Maria. Espiritualidade da Unidade na Política. Tradução de José Maria de Almeida. ABBA – Revista de Cultura, São Paulo, Vol. VII, n. 3, pp. 35-46. Acesso em 30/10/2017.

BOCCALANDRO, Marina Pereira R. Psicossíntese - um enfoque psicológico positivo-humanista-transpessoalBoletim Academia Paulista de Psicologia, vol. XXVI, núm. 3, p. 74-81, set./dez., 2006.

CERVANTES, Cristóbal. Espiritualidad y política. Kairós, 2015.

FARIA, Juliana Bernardes de; SEIDL, Eliane Maria F. Religiosidade e enfrentamento em contextos de saúde e doença: revisão de literatura. Psicologia: Reflexão e Crítica, vol. 18, n. 3, p. 381-389, 2005. Acessado em 07/11/2015.

LUBICH, Chiara. A Fraternidade no horizonte da cidade. Tradução de José Maria de Almeida. ABBA – Revista de Cultura, São Paulo, Vol. VI, n. 3, pp. 7-17, 2001. Acesso em 30/10/2017.

OCAÑA, Emma. Espiritualidade e Política. Fundação Betânia, 2016.

OTTAVIANI, Edelcio. Espiritualidade e política: considerações sob um ponto de vista filosófico. Revista Pistis & Praxis, Teologia Pastoral, Curitiba, v. 7, n. 2, p. 513-530, mai./ago. 2015. Acesso em 29/10/2017.

VASCONCELOS, Eymard Mourão. Espiritualidade, educação popular e luta política pela saúdeRevista APS, v. 11, n. 3, p. 314-325, jul./set. 2008. Acesso em 29/10/2017.

 

Crônicas Sociais

Beauty Parlour (Salão de Beleza)

28/02/2021 18:33
by Manosh Chowdhury  manosh@juniv.edu Trans. Mrs Krishna Datta             Beauty Parlours attract me. It is not because of the pretty ladies who...

Nunca mais...

13/01/2021 21:45
            Amigos, estive pensando... nunca mais o mundo será o mesmo após a pandemia. Enfocarei, nestas linhas, apenas a situação das igrejas...


Leia mais: https://www.sabedoriapolitica.com.br/espiritualidade-e-politica/

terça-feira, 1 de junho de 2021

 

Em dia com o Machado 473

Medicina não combina com política (Jó)


 

Salve, amigo leitor,

Começo esta crônica informando-o sobre o conceito de saúde criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “O estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. Para tratar, legalmente, a saúde de cada ser, seja ele humano ou animal, é preciso cursar medicina.

Segundo  minha douta amiga Wikipédia, "A medicina é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e a cura das doenças humanas e animais num contexto médico".  

O curso de medicina é um dos mais difíceis e concorridos que conhecemos. Além de seis anos de estudos e práticas regulares, ainda são exigidos do bom médico mais dois duros anos da especialização denominada "residência médica".

Também consultei meu amigo Houaiss no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa sobre o conceito de medicina. Ele informou-me que a  medicina é o “conjunto de conhecimentos relativos à manutenção da saúde, bem como à prevenção, tratamento e cura das doenças, traumatismos e afecções, considerada por alguns como técnica e, por outros, uma ciência". A medicina estende-se a "grupos ou sistemas medicais", tais como: medicina popular e medicina homeopática, entre outras, tratadas como "terapias alternativas".

Essas terapias, como a espiritual, não substituem a medicina tradicional, mas a complementam no aspecto mental, produzindo, muitas vezes, a cura, pois tratam o doente não somente com base nos sinais e sintomas apresentados, mas no seu estado psicossomático. Foi assim que Jesus curou muitas pessoas. Há vários relatos de médicos que, sem esperança de cura da própria enfermidade pela medicina tradicional, curaram-se com a terapia alternativa.

Segundo pessoa da área médica, cujo currículo impressiona, ao longo de 30 anos dedicados à medicina, "Não é o legislativo, nem o judiciário, nem a imprensa que devem dizer como um médico deve tratar seu paciente".

Ao tomar conhecimento do verdadeiro apostolado que é a profissão de médico, não podemos deixar de concordar com ela. O juramento do médico foi formulado por Hipócrates, fundador da medicina no século V a.C. Dessa época aos dias atuais, foi atualizado. É proferido solenemente por todos os formandos em medicina após a conclusão de seus cursos.

Ao médico cabe o cuidado com a saúde do paciente e os esforços para salvar sua vida de tudo aquilo que a ameace, seja de origem física, mental e social. Por isso, quando se forma, ele presta o chamado "juramento de Hipócrates", que é uma promessa do exercício honesto de sua profissão. Vejamos o que diz o atual "juramento do médico":

 

[...] prometo solenemente dedicar minha vida a serviço da humanidade;

a saúde e o bem-estar de meu paciente serão minha primeira consideração;

respeitarei a autonomia e a dignidade do meu paciente;

manterei o maior respeito pela vida humana;

não permitirei discriminações de idade, doença ou deficiência, credo, origem étnica, gênero, nacionalidade, afiliação política, raça, orientação sexual, posição social ou qualquer outro fator que interfira entre meu dever e meu paciente;

respeitarei os segredos que me são confiados, mesmo após o paciente ter morrido;

promoverei minha profissão com consciência e dignidade e de acordo com a boa prática médica;

promoverei a honra e as nobres tradições da profissão médica;

darei aos meus professores, colegas e alunos o respeito e a gratidão que lhes são devidos;

compartilharei meu conhecimento médico em benefício do paciente e o avanço da saúde;

assistirei minha própria saúde, bem-estar e habilidades, a fim de fornecer cuidado no mais alto padrão;

não utilizarei meu conhecimento médico para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;

faço as promessas solenemente, livremente e em minha honra.

 

Pelo que destaquei, amigo leitor, podemos observar que medicina e política não se coadunam. Há médicos que, ao examinarem seu paciente, fazem uma anamnese holística da pessoa cuja saúde está afetada. Não tratam apenas os sinais e sintomas visíveis, mas também o estado psíquico individual observado do doente. Daí a recomendação médica de não nos automedicarmos, haja vista que o mesmo medicamento que pode curar um também pode ser fatal a outro. É um desrespeito, ante o juramento hipocrático, um leigo ou mesmo um especialista manifestar-se, publicamente, contra a conduta de médico ou colega seu. Salvo atitude criminosa comprovada.

Respeitemos a medicina, mas também a ética do médico, e não falemos do que desconhecemos ou do que contraria nossos desejos políticos. Entre os médicos, a residência médica estabelece diversas especializações e cautelas, mesmo entre os próprios especialistas, que poderão optar por tratamentos alternativos reconhecidos como eficazes em alguns de seus pacientes.

Reitero que a medicina não é ciência exata. O que prejudica um paciente pode salvar outro. Daí não ser correto tentar desacreditar publicamente um profissional médico, mormente quando dedica a vida à sua profissão com honestidade e ética. Do exposto, concluo que medicina não combina com política.

  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...