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quinta-feira, 21 de maio de 2020



Intercâmbio entre duas dimensões de uma só existência

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

 O Espírito Manoel P. de Miranda lembra-nos que o mundo físico é “abençoado campo de aprendizagem e de experimentação dos dons que se encontram em germe” em nós. Mas este mundo, lembra ele, é transitório, o Mundo Espiritual é que “é permanente, real, causal, de onde se origina a vida” e para onde retornamos com o objetivo de avaliar nosso progresso espiritual. Como ocorre “ininterrupta movimentação de seres espirituais em intercâmbio contínuo”, conclui esse Espírito que é “muito difícil dizer-se [...] que são dois mundos diferentes [...]” e sim “que são duas dimensões de constituição específica, uma das quais é a condensação da energia [...] e a outra é de natureza cósmica” (FRANCO, 2005, p. 10, 11).
Desse modo, podemos deduzir que afastados, ainda que temporariamente, os obstáculos materiais, pelo desprendimento do Espírito, nada impede que este seja visto e mesmo converse, estando ou não encarnado, com outras pessoas também encarnadas. Tais acontecimentos são tão conhecidos da Humanidade que diversos autores de filmes e novelas procuram reproduzi-los em suas histórias fictícias, muito parecidas com a realidade mostrada nas obras espíritas.
Esses fatos são muito comuns entre nós. Em quase toda família é conhecido um caso de manifestação de Espírito desencarnado, ou mesmo de alguém encarnado que esteja momentaneamente fora do corpo físico. Apenas não damos muita atenção a isso.
Na questão 413 de O Livro dos Espíritos, pergunta Kardec: “Do princípio da emancipação da alma parece decorrer que temos duas existências simultâneas: a do corpo, que nos permite a vida de relação ostensiva; e a da alma, que nos proporciona a vida de relação oculta. É assim?”
O Espírito responde que a vida da alma sobressai-se no estado de emancipação, mas não existem duas existências e, sim, duas fases da mesma existência. Portanto,  interexistimos com corpo físico e alma, quando encarnados; e com corpo espiritual, ou perispírito, quando desencarnados.
Em qualquer dessas dimensões da vida eterna, afirma o Espírito Joanna de Ângelis:

A finalidade da existência corporal é a conquista dos valores eternos, e o êxito consiste em lograr o equilíbrio entre o que se pensa ter e o que se é realmente, adquirindo a estabilidade emocional para permanecer o mesmo, na alegria como na tristeza, na saúde conforme na enfermidade, no triunfo qual sucede no fracasso (FRANCO, 1990, p. 73).

Na questão 414 de O Livro dos Espíritos, o Espírito informa que as pessoas conhecidas e mesmo as que “julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se” durante o sono. Podemos ter amigos em outro país com os quais nos encontramos no período do sono.
KARDEC (2002) relata que um senhor provinciano, cuja família insistira para que ele se casasse com uma moça, desconhecida dele, residente em cidade próxima, certo dia avistou em seu quarto uma jovem vestida de branco que lhe disse ser sua noiva. O rapaz apertou-lhe a mão que, em um dos dedos, trazia um anel. Em seguida, a moça desapareceu. Um ano depois, ele resolveu ir à cidade onde morava a moça e, imediatamente, se reconheceram. A jovem, que se vestia do mesmo modo que no ano anterior, deu um grito e desmaiou. Voltando a si, disse que havia visto aquele moço um ano antes. Pouco tempo depois, se casaram.
É muito difícil que, durante o sono, mesmo que manifestemos a vontade de encontrar alguém conhecido, isso ocorra, porque quando adormecemos nosso Espírito desperta e, muitas vezes, não está nem um pouco com vontade de fazer o que resolveu antes de dormir. Isso, quando se trata de um Espírito elevado. Os demais, ao adormecerem, entregam-se às suas paixões ou permanecem inativos. Pode até haver esses encontros, mas isso não ocorre pelo simples fato de o desejarmos quando acordados.
Uma questão interessante é a 417, do livro supracitado, a qual nos informa que podemos nos reunir, alegremente, em assembleias com Espíritos amigos de outras vidas, durante o sono. Quando despertamos, guardamos, em forma de intuição, as ideias recebidas nesses contatos, embora não nos lembremos de sua origem.
Por fim, somos informados de que é possível ver em sonho quem considerávamos morto, mas que está vivo. A não ser que tenhamos de passar pela prova de pensar que essa pessoa morreu, ao acordar, podemos ter o pressentimento de que ela se encontra viva.
Há diversos casos comprovados de visitas espíritas entre pessoas vivas, pelo fenômeno mediúnico do desdobramento espiritual, seja durante o dia ou à noite. CASTRO (1965) narra que o pai do frade Antônio de Pádua fora condenado à morte, injustamente, pelo assassinato de um jovem de importante família portuguesa. O rapaz fora morto pelo vizinho e enterrado no quintal do pai do frade, fazendo recair sobre o genitor de Antônio a culpa pelo crime.
Antônio pregava em Pádua, quando foi mediunicamente informado de que seu pai seria decapitado em Lisboa. Imediatamente parou de falar e sustentou-se no púlpito, imóvel, parecendo ter adormecido. Em seguida, apareceu no local onde os representantes da Justiça se achavam, junto à sepultura do assassinado, e, ali mesmo, provou a inocência do seu pai, retornando, imediatamente, ao corpo físico, que se entorpecera a muitas léguas dali. Isso ocorre pelo desligamento parcial do perispírito do médium, que se materializa no local para onde se transporta enquanto o corpo físico fica como se dormisse em seu local de origem.
Eurípedes Barsanulfo foi outro desses médiuns extraordinários. NOVELINO (1979) narra-nos “as ‘viagens’ do professor”. Na época da Primeira Guerra Mundial, Eurípedes desprendia-se facilmente e se transportava, espiritualmente, a distância, quando observava os horrores da guerra. Então, orientava as pessoas enfermas que via na estrada, em desdobramento espiritual, enquanto seu corpo se entorpecia na escola que dirigia longe dali.
Noutra obra, Philomeno de Miranda afirma que “ao Espiritismo compete gigantesca missão: restaurar o Evangelho de Jesus para as criaturas, clarificar o pensamento filosófico da Humanidade e ajudar a Ciência, concitando-a ao estudo das causas nos recessos do espírito, antes que nos seus efeitos” (FRANCO 1981, p. 9).
Tudo se interliga, na obra de Deus, espírito e matéria, causa e efeito. Quando compreendermos melhor essa interrelação e suas consequências, estaremos plenamente capacitados a pôr em prática estes belos conselhos do Espírito Joanna de Ângelis:

Sábio é o homem que discerne melhor, fazendo opções elevadas: trocando o transitório de agora pelo permanente de sempre. No corpo, tudo passa, e rapidamente passa. Apenas as realizações se fixam como convites ao retorno reparador ou concitações a estágios mais altos (FRANCO, 1991, p. 69 e 70).

Conclusão A vida não cessa nunca. Vivemos entre dois planos existenciais. Deus, espírito e matéria formam a trindade universal (O Livro dos Espíritos, q. 27), mas enquanto a matéria nada mais é do que energia densificada, o Espírito, imortal, prossegue em direção Àquele, cuja homenagem Barsanulfo expressa sob o título Deus:

O Universo é obra inteligentíssima, obra que transcende a mais genial inteligência humana. E, como todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, é forçoso inferir que a do Universo é superior a toda inteligência. É a inteligência das inteligências, a causa das causas, a lei das leis, o princípio dos princípios, a razão das razões, a consciência das consciências; é Deus! Deus!... nome mil vezes santo, que Isaac Newton jamais pronunciava sem se descobrir!... [...] (NOVELINO, 1979, capas).

Podemos concluir com as seguintes reflexões: por mais injusto pareça ser o mundo; por mais que nos considerem menos capacitados do que outros; por mais que aparentemente sejamos derrotados nos nossos ideais; por mais que nos considerem velhos e ultrapassados, ou jovens e inexperientes; por mais que riam quando clamamos contra as injustiças atuais, cometidas contra nós, e mesmo duvidem dessas injustiças, não desistamos nunca. Há alguém que crê em nós, atua incessantemente em nós, auxiliado por nossos amigos invisíveis e visíveis: Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida –, que nos conduzirá a Deus, nosso Pai.
Prossigamos na luta por um mundo melhor, a começar pela própria melhoria. E, certamente, nosso mérito nos trará um novo e radioso dia em que possamos ser felizes e ver a felicidade estampada no rosto alheio.
Que Jesus nos conceda saúde e paz!

REFERÊNCIAS

CASTRO, Almerindo Martins de. Antônio de Pádua: sua vida de milagres e prodígios. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1965. p. 56-57.
FRANCO, Divaldo. Entre os dois mundos. Pelo Espírito M. Philomeno de Miranda. Salvador, BA: LEAL, 2005.  
______. O homem integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL, 1990.
 ______. Grilhões partidos. Pelo Espírito M. Philomeno de Miranda. 3. ed. Salvador, BA: LEAL, 1981.
______. Convites da vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 6. ed. Salvador, BA: LEAL, 1991.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 82. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. p. 227-229.
______. O livro dos médiuns. 70. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Seg. Parte, cap. VII, it. 117.
NOVELINO, Corina. Eurípedes, o homem e a missão. 2. ed. Araras, SP: Instituto de Difusão Espírita, 1979.

Revisto e adaptado de • Reformador, maio 2006, p. 18- 20.

terça-feira, 19 de maio de 2020




EM DIA COM O MACHADO 419:
O cientista que mudou o Brasil (Jó)

        Bom dia, queridos leitores! Falo-lhes, hoje, sobre Oswaldo Cruz.
Nascido em 5 de agosto de 1872, na cidade de São Luís de Paraitinga, SP, quando estava com cinco anos de idade, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro. Seu pai era médico, e ele,  aos quinze anos, ingressou na Faculdade de Medicina da então Capital do Brasil.
Oswaldo tinha tanto interesse pela bacteriologia que criou, no porão de sua casa, um minilaboratório. Em 1896, com 24 anos de idade, ele especializou-se em bacteriologia, no Instituto Pasteur de Paris. Onde havia, na época, grandes nomes da ciência.
Ao retornar ao Brasil, em 1900, erradicou a epidemia de peste bubônica, no Porto de Santos, exterminando os ratos, verdadeiros responsáveis pela doença, quando nenhum sanitarista havia pensado nessa possibilidade. A partir de então, já no Rio de Janeiro, participou, com sucesso, de diversas campanhas de saneamento.
Em 1903, foi nomeado Diretor Geral de Saúde Pública, cargo equivalente, na atualidade, ao de Ministro da Saúde. Por esse tempo, o Brasil fora atacado pela epidemiologia da Febre Amarela, que grande número de médicos e a população acreditavam ser causada pelo contato com roupas, sangue, suor e secreções do infectado.
Para incredulidade geral, Oswaldo Cruz afirmou que o transmissor era um mosquito. Suspendeu as desinfecções e implantou brigadas para eliminação dos insetos transmissores. Ruas, casas, jardins eram desinfectados, o que gerou grande reação popular, mas o problema da febre foi resolvido.
Em 1904, quando ocorreu um surto de varíola, Oswaldo determinou a vacinação em massa da população, o que gerou a chamada Revolta da Vacina. Entretanto, a epidemia foi controlada. Seu trabalho foi premiado com medalha de ouro, em 1907, pelo XIV Congresso Interamericano de Higiene e Demografia de Berlim.
Somente em 1909, ou seja, seis anos após sua nomeação, deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública, para dedicar-se ao Instituto Manguinhos, que foi rebatizado com seu nome. Dali, encaminhou ao interior do Brasil diversas "expedições científicas", como a  que erradicou, no Pará, a febre amarela, e a que realizou campanhas de saneamento do Amazonas.
A Academia Brasileira de Letras imortalizou-o em 1913.
A estrada de ferro Madeira-Mamoré só pôde ser concluída após seu combate à malária, que vinha sendo responsável pela morte de muitos dos seus operários.
Oswaldo Cruz ainda foi prefeito de cidade  de Petrópolis, em 1917. Traçou extenso plano de urbanização da cidade, mas não pôde executá-los, pois desencarnou com a idade de 44 anos, de insuficiência renal, em 11 de fevereiro daquele ano.[i]
Qual teria sido sua crença, se é que creu em alguma coisa que transcendesse a matéria? Isso não importa. Cumpriu com seu dever. E, segundo o Espírito Lázaro: "O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo. É, ao mesmo tempo, juiz e escravo em causa própria".[ii]

        


        



[i] Disponível no site do Ministério da Saúde. Fonte: Gabriela Rocha/Blog da Saúde. Acesso em 18 maio 2020.

[ii] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 7. Imp. Brasília: FEB, 2018.

domingo, 17 de maio de 2020



10.3 O sacrifício mais agradável a Deus 

Se, portanto, quando você for colocar sua oferenda no altar, se lembrar de que seu irmão tem qualquer coisa contra você, deixe sua dádiva ao pé do altar, vá reconciliar-se antes com seu irmão, e depois vá fazer sua doação (Mateus, 5:23-24).

Quando Jesus disse: "Vá reconciliar-se com seu irmão,  antes de fazer sua oferta no altar", ensinou que o sacrifício mais agradável ao Senhor é aquele do próprio ressentimento; que, antes de se apresentar a Ele para ser perdoado, é preciso que perdoe aos outros, e que, se algum mal se tiver feito contra um irmão, é necessário havê-lo reparado. Só então a oferenda será  aceita, porque virá de um coração livre de todo mau pensamento.
Ele materializa esse preceito, porque os judeus ofereciam sacrifícios materiais. Ele teve que conformar suas palavras aos costumes do povo.
O cristão não oferece dons materiais, pois espiritualizou o sacrifício, mas o preceito para ele tem mais força. Ele oferece sua alma a Deus, e essa alma deve estar purificada.
Ao entrar no templo do Senhor, deve deixar lá fora todo sentimento de ódio e de animosidade, todo mau pensamento contra seu irmão. Só então sua prece será levada pelos anjos aos pés do Eterno. Eis o que ensina Jesus por estas palavras: "Deixe sua oferenda diante do altar, e vá  reconciliar-se antes com seu irmão", se quiser ser agradável ao Senhor.

Tradução livre, em terceira pessoa, pelo Prof. Dr. Jorge Leite de Oliveira.


sexta-feira, 15 de maio de 2020



O Espiritismo e os dogmas da Igreja
Jorge Leite de Oliveira

            Segundo Wantuil (2007), os primeiros tempos do chamado Neoespiritualismo, nos Estados Unidos e na Inglaterra, atraíram a atenção de pesquisadores e autoridades diversas, como o Juiz John Edmonds, que ficou impressionado com a visão do Espírito de sua falecida esposa. Essas manifestações, exaustivamente pesquisadas, no século XIX, foram testemunhadas também por vários clérigos, alguns deles admitindo, honestamente, a realidade dos fenômenos e até mesmo os considerando “o maior acontecimento do século”, como foi o caso do padre italiano Joaquim Ventura de Raulica (WANTUIL, 2007, p. 203, nota de rodapé 127). Outros clérigos atribuíam-nos às manifestações demoníacas. Não era esse o caso do abade Almignana, doutor em Direito Canônico (op. cit., p. 209), e também do padre Lacordaire, que afirmou, em plena igreja de Notre-Dame de Paris ser o fenômeno mediúnico uma profecia divina cujo fim era “humilhar o orgulho do materialismo” (it. 20, p. 211). E ainda do monsenhor Affre, arcebispo de Paris, que disse a seus fiéis a respeito da afirmação do dominicano Lacordaire o seguinte: “Meus irmãos, foi Deus quem falou pela boca do ilustre dominicano” (op. cit. p. 211).
Para Edmonds, a comprovação da sobrevivência do Espírito, proporcionando ao mundo a certeza da imortalidade da alma e sua comunicação post mortem era uma fonte extraordinária de consolo, pelo que afirmou sobre o conhecimento espírita:

Nele se acha tudo o que consola o triste e conforta o desgraçado; tudo o que nos suaviza a marcha para o túmulo e nos livra dos temores da morte; tudo o que ilumina o ateu e contribui para reformar o viciado; tudo o que premia e anima o virtuoso em meio das provas e vicissitudes da vida, e o que esclarece o homem nos seus deveres e no seu destino, libertando-o da inquietude e da dúvida (Apud WANTUIL, 2007, p. 190).

Ainda nesse excelente livro, reeditado pela Federação Espírita Brasileira (FEB), Zeus Wantuil informa-nos que o conde católico de Richemond, em sua brochura publicada em Paris, intitulada Le mystère de la danse des tables dévoilé par ses rapport avec les manifestations spirituelles d’Amérique, relata os fenômenos mediúnicos extraordinários presenciados por ele, nos Estados Unidos, deixando estupefatos os que tomavam conhecimento desses acontecimentos: frases e páginas completas formadas por batidas à medida que o alfabeto ia sendo citado; os mais variados sons, como os de serras, chuva, trovão, árias de violões e guitarras; movimentos de mesas que rodopiavam pelo quarto, com grande quantidade de livros sobre si, sem que nenhum deles caísse, ainda que a mesa se inclinasse, materializações de mãos que assinavam os nomes de pessoas falecidas e, entre outras coisas, vultos com “formas humanas diáfanas” que falavam.
O conde de Richemond testemunhou tudo isso e até mesmo classificou os médiuns existentes nos EUA. Na época, já “havia médiuns psicógrafos, falantes, audientes, videntes e até mesmo receitistas e passistas”, segundo Wantuil (2007, p. 193). Para o conde, entretanto, Satã comandava todas essas manifestações diabólicas, cuja finalidade era “destruir as religiões cristãs existentes” (id., p. 193). Lamentável, tal cegueira espiritual.
Confundindo a pureza do Cristianismo do primeiro século depois de Cristo com os dogmas criados pelos representantes da Igreja, o conde de Richemond recusava-se a aceitar os adeptos “daquela nova revelação” como cristãos, uma vez que aqueles não aceitavam Jesus como Deus, negavam o pecado original, a existência do demônio e as penas eternas. Tudo isso sem nos referirmos ao repúdio da Igreja à crença na reencarnação,  aceita pelos judeus e primeiros cristãos, principalmente pelos iniciados, ainda que o povo, em geral, não tivesse uma ideia muito clara sobre o assunto, confundindo reencarnação e ressurreição.
Allan Kardec, na Revista Espírita de novembro de 1858, afirma que nem lhe passava pela mente a ideia da reencarnação, quando esta lhe foi ensinada pelos Espíritos. Diz ele que havia elaborado “um sistema completamente diferente, partilhado, aliás, por muitas pessoas”.  E, em vista da importância do que afirmavam os Espíritos, acrescenta que, sob o aspecto reencarnacionista, essa informação, num primeiro momento, o deixou perplexo e contrariou-o bastante. No início da revelação sobre nossas múltiplas existências, diz Kardec, “[...] nós não cedemos ao primeiro choque; combatemos, defendemos nossa opinião, levantamos objeções e só nos rendemos à evidência quando percebemos a insuficiência de nosso sistema para resolver todas as dificuldades levantadas por essa questão” (KARDEC, 2014, p. 434).
Allan Kardec, em tudo o que escreve, demonstra ser o “bom senso encarnado”, conforme afirmou Camille Flamarion sobre ele (2009, p. 38), em seu discurso de despedida junto ao túmulo do Codificador da Doutrina Espírita.  Este descendente de família católica, professor emérito e autor de diversas obras premiadas, na França, comparou a informação dos Espíritos sobre a reencarnação com a ideia de existência única e optou por aquela, que passou a defender, como ocorre na citação abaixo:

Muitos repelem a ideia da reencarnação pelo só motivo de ela não lhes convir. Dizem que uma existência já lhes chega de sobra e que, portanto, não desejariam recomeçar outra semelhante [...]. Uma de duas: ou a reencarnação existe ou não existe; se existe, nada importa que os contrarie; terão de sofrê-la, sem que para isso lhes peça Deus permissão [...]. Diremos, todavia, aos que a formulam que se tranquilizem, que a Doutrina Espírita no tocante à reencarnação, não é tão terrível como a julgam; que, se a tivessem estudado a fundo, não se mostrariam tão horrorizados; saberiam que deles dependem as condições da nova existência, que será feliz ou desgraçada, conforme ao que tiverem feito neste mundo; que desde agora poderão elevar-se tão alto que nova queda no lodaçal não lhes seja mais de temer (KARDEC, 2014, p. 435).

            Assim acontece com todas as ideias novas, que não são bem compreendidas, sobretudo por quem delas somente possui um conhecimento superficial e, muitas vezes, se deixa influenciar por outrem, sem se darem ao trabalho de pesquisarem a fundo aquilo que criticam ou não aceitam. Quantas pessoas não chegam a afirmar: “ainda que visse, não acreditaria”. A elas se referia Jesus, quando disse: “Têm olhos, mas não vêm; têm ouvidos, mas não ouvem”.
É muito cômodo só aceitar aquilo que não traz prejuízo a quem deseja manter as pessoas sob o poder temporal do mundo; mas somos Espíritos eternos e, como tais, não podemos nos acomodar à ideia de uma existência física única, se desejarmos sair da ignorância e começar a alçar voos mais altos, pois todos somos filhos do Altíssimo, como nos afirmou o Cristo: “[...] Não me detenhas porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João, 20:17).
Não é preciso entrar em considerações sobre as diversas passagens bíblicas que, à luz do Espiritismo, nos remetem à ideia clara sobre a necessidade de voltarmos à existência material. Basta que se desafie, a quem quer que seja, provar que ali exista qualquer palavra de Jesus contrária à necessidade da reencarnação para nós, Espíritos imperfeitos, mas fadados à evolução e à conquista da felicidade eternas como coroamento dos nossos esforços e, consequentemente, de nosso merecimento. Não vale interpretação que fuja do sentido literal das palavras de nosso amado Mestre, o Cristo de Deus, nas palavras inspiradas de Pedro (Mateus, 16:16).
 Aos que nos pedirem para provar o contrário, sem necessidade de nos referirmos a outros textos, como o do esclarecimento a Nicodemos, por exemplo, indicamos Mateus, 11, 7 a 14. No versículo 14, ao se referir a João Batista, Jesus diz, com todas as letras: “E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir”. Mais claro do que isso é impossível. Por isso, no versículo seguinte, ele arremata: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.
Todo aquele que estuda e reflete nos ensinamentos sagrados, esclarecidos pelo Espiritismo, percebe que, sem a possibilidade da “expiação, melhoramento progressivo da Humanidade” (KARDEC, 2006, q. 167) não haveria justiça na Lei Divina.  O último profeta do texto bíblico, que antecede os quatro Evangelhos, Malaquias, no capítulo 4, versículo 5, já anunciava o retorno de Elias, que Jesus diz ter sido João, quando o citado profeta diz: “Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor”. Quem ler sobre o nascimento de João, primo de Jesus, assim como o deste, verá que é pela reencarnação que Elias, agora chamado João Batista retorna para anunciar a vinda do Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo.
O nascimento de João é descrito em Lucas, 1:5 a 25. No versículo 17 desse capítulo, lemos: “E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto”. Ora, se João iria “no espírito e virtude de Elias” é porque ele é o próprio, em corpo infantil, e, portanto, ao se tornar adulto, assumiria sua condição de profeta Elias que, tendo mandado matar os profetas de Baal (I Reis, 18:40), em nova encarnação, teria de expiar sua atitude, ao ter sua cabeça decepada e oferecida pela filha de Herodias, em uma bandeja, a Herodes (Mateus, 14: 3 a 11). Antes disso, porém, já cumprira sua missão de precursor e anunciador da presença de Jesus na Terra. Aqui fica claro que, mesmo em missão, não deixamos de expiar os excessos de nossas existências anteriores. Por sua presciência, sabia Jesus da necessidade de esclarecimentos futuros à Humanidade. Por isso, disse aos seus apóstolos estas palavras:

Se me amardes, guardareis os meus mandamentos, E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós (João, 14:15 a 18).

Do exposto, deduz-se que, assim como o Cristo disse: “Não vim modificar a Lei, mas dar-lhe cumprimento.”, o Espiritismo também não veio modificar a Lei Cristã, definitiva para a Humanidade, que completa e liberta da ignorância o ser humano. Pois a Lei a que ambos se referem é a Lei de Deus, de quem todos nós, como dito acima, somos seus filhos muito amados, cujo objetivo da vida é a evolução eterna com base na prática da caridade humilde e desinteressada.
Com relação à criação de anjos, as questões 128 a 131 d’O livro dos espíritos deixam claro que esses Espíritos “percorreram todos os graus” da escala citada por Kardec na centésima questão dessa obra, sendo errôneo acreditar que Deus teria criado seres perfeitos. Perfeição é conquista individual. Imperfeição é resultado do livre-arbítrio mal utilizado, mas ninguém foi criado por Deus para a prática do mal eternamente, donde não existirem seres na condição que a Igreja atribui aos “demônios”. A longa resposta  dada à questão 131 (KARDEC, 2006), resolve essa questão, pelo que remetemos o leitor estudioso a ela.
O dogma do pecado original surgiu de uma doutrina desenvolvida pelo bispo de Hispona, Santo Agostinho. Essa doutrina, adotada pela Igreja, pretende explicar a origem da imperfeição humana, do sofrimento e da existência do mal em virtude da queda do homem. No Judaísmo e no Islamismo, assim como não podia deixar de ser, no Espiritismo não existe esse dogma.
Em cumprimento à promessa de Jesus Cristo, que preside ao advento do Espiritismo, a questão do Céu e do Inferno foi esclarecida n’O livro dos espíritos, parte 4, que trata sobre as “penas e gozos terrenos” e “penas e gozos futuros”. Essa parte dessa obra é desenvolvida no livro intitulado por Kardec O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o espiritismo (KARDEC, 2016).
Quanto à ideia do pecado original, essa é apenas a alegoria que indica a presença, em cada um de nós, do gérmen de nossas paixões e dos vestígios de nossa inferioridade primitiva. É o que nos explica São Luís, na última questão d’O livro dos espíritos, quando nos diz que a alegoria do “[...] pecado original prende-se à natureza ainda imperfeita do homem que, assim, só é responsável por si mesmo, pelos seus próprios erros, e não pelas faltas de seus pais”. O parágrafo final da resposta de São Luís é um alerta sempre atual:

Todos vós, homens de fé e de boa-vontade, trabalhai, pois, com zelo e coragem na grande obra da regeneração, porque colhereis centuplicado o grão que houverdes semeado. Ai dos que fecham os olhos à luz, pois preparam para si mesmos longos séculos de trevas e decepções! Ai dos que fazem dos bens deste mudo a fonte de todas as suas alegrias, pois sofrerão muito mais privações do que os gozos de que desfrutaram! Ai, sobretudo, dos egoístas! Não encontrarão ninguém que os ajude a carregar o fardo de suas misérias. (KARDEC, 2006, q. 1019).

            O pecado original, assim como o céu e o inferno é aquilo que trazemos conosco ou o que fazemos contrariamente ao que nos recomenda nossa consciência, onde se manifesta, em nós, a Lei Divina, conforme nos esclarece a questão 621 da obra de Kardec (2006) citada acima. Somos todos, individualmente, responsáveis pelos nossos atos. Por isso nos recomendava Jesus o “vigiai e orai” (Mateus, 26:41).

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. (bolso). Brasília: FEB, 2016.

______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
 ______. Obras póstumas. Trad. Evandro N. Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

______, Revista Espírita – 1858. Trad. Evandro N. Bezerra. 5. ed. Brasília: FEB, 2014.

WANTUIL, Zêus. As mesas girantes e o espiritismo. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.

(Publicado em Reformador, revista mensal da Federação Espírita Brasileira, em julho de 2017.)

terça-feira, 12 de maio de 2020



EM DIA COM O MACHADO 418:
Family Reunions in Minnesota
Reencontros (Jó)

Nesse tempo de pandemia, refletimos em como nossas vidas são guiadas por Deus e somos levados aonde nossos guias espirituais desejem, no tempo certo, com as pessoas certas e no lugar exato. Ainda que esse local, nessa época de rede mundial de comunicação, seja virtual, e a pessoa tenha sido vista por nós somente em tenra idade, até o momento do reencontro, várias décadas depois.
Esse laço que nos une às pessoas é previsto pelos Espíritos no primeiro livro do chamado pentateuco kardequiano: O Livro dos Espíritos. Na questão 459, Allan Kardec pergunta: "Os Espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos?" E a resposta é a seguinte: "Muito mais do que imaginais, pois frequentemente são eles que vos dirigem".
Mais adiante, na questão 525, Kardec torna a indagar: "Os  Espíritos exercem alguma influência nos acontecimentos da vida?" E obtém esta resposta: "Certamente, pois que vos aconselham".
Logicamente, nosso livre-arbítrio é respeitado, mas em geral não podemos fugir da programação que é traçada, no plano espiritual, antes de reencarnarmos. A Terra, atualmente, ultrapassou 7,6 bilhões de almas humanas viventes. Seria, portanto, normal que, em meio a esse turbilhão de pessoas, dificilmente alguém encontrasse, fora de seu núcleo de parentes conhecidos, e em regiões distantes, novos membros. Entretanto, há inúmeros casos de pessoas que encontram, noutro país, parente que desconheciam ou acreditavam estar mortos.
É o caso que nos foi apresentado, num programa de TV, segundo o qual, Nelma, cabeleireira em Itajubá, MG, engravidara aos quatorze anos. Não desejando que seus pais soubessem sua situação, a futura mãe escondeu a gravidez e, assim que a criança nasceu, entregou-a para adoção a um casal brasileiro que iria morar no Canadá. Algum tempo depois, esse casal, mentindo, disse a Nelma que a filha desta morrera. E nunca mais lhe deu notícia.  
Trinta e um anos depois, a criança, agora moça, chamava-se Ana, estava casada e ficou órfã da mãe adotiva, que nunca lhe escondera sua origem. Então, resolveu pesquisar na internet se sua mãe natural ainda estava viva. Até que, certo dia, emocionada, leu no Google, um poema feito por um amigo de Nelma dedicado a esta. Incentivada pelo marido, Ana escreveu uma carta para um canal de televisão, que promoveu o reencontro entre mãe e filha.
Hoje, se relacionam muito bem ela, sua mãe e as duas irmãs que a genitora tivera depois dela. Ana mantém muito contato com a mãe e, anualmente, passa as férias com a nova família em Minas Gerais.
Outra história curiosa, já citada em crônica  passada, foi a de quando eu e família, que moramos em Brasília, sem nunca antes termos ido a Pernambuco, nos hospedamos, por uma noite, na casa de uma colega de trabalho de meu irmão em Boa Viagem, que não conhecíamos. Ambos trabalharam no mesmo banco, e ela mostrou-nos foto tirada com ele. Por esse tempo, esse irmão  e sua família voltaram a morar no Rio.
Agora, outro caso interessante. Quando criança, eu  tinha um padrinho e uma madrinha de batismo, embora meu pai fosse espírita convicto. É que, nessa época, os espíritas, em sua maioria, provinham de famílias católicas e respeitavam seus rituais.
Curioso é que, atualmente, com 68 anos de idade, eu jamais me lembrara de haver tido outra madrinha, além da já falecida, que morou no Rio de Janeiro, onde eu residira até os 22 anos de idade. Também nenhum de meus seis irmãos tinha qualquer lembrança disso. E minha mãe, viúva aos 40 anos e falecida aos 89, enquanto vivera, nunca se referira ao fato de eu ter outra madrinha, além da que fora minha tia.
Há poucos dias, porém, nossa prima de Tombos, MG, manda uma mensagem para um dos meus irmãos que mora em Boyton Beach, EUA, há anos, com sua família, filhos e netos. A mensagem fonada dizia assim: "Sílvia disse que é madrinha do Jorginho", nome pelo qual eu sempre fui tratado, carinhosamente, em família.
Isso foi o suficiente para que eu me lembrasse do tempo em que, residindo logo abaixo da Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, aos seis anos, fora crismado por uma linda jovem, que depois se casou, foi morar na Alemanha, onde teve um filho, e depois, na Venezuela, onde teve outro. Atualmente, viúva, minha madrinha mora em Juiz de Fora.
Conto esses casos para que os meus amáveis leitores percebam que não existe adeus definitivo. Nossa família, na Terra, é muito maior do que imaginamos. E não há acaso em nossas vidas e, sim, programação dos nossos guias espirituais antes de reencarnarmos.
Podemos mesmo dizer, como falava Jesus, que todos somos filhos do mesmo Pai e, portanto, irmãos criados para se amarem. Assim, ainda que estejamos temporariamente afastados uns dos outros, seja lá qual for o motivo, tudo isso passa. E, quando for o momento certo, voltaremos a nos reunir, pois somos uma grande família interexistente entre dois mundos: o físico e o espiritual.



domingo, 10 de maio de 2020





10.2 Conciliar-se  com os adversários (para 8 maio 2020)

Concilie-se o mais cedo possível com seu adversário, enquanto está a caminho com ele, para que não suceda que ele o entregue ao juiz, e que o juiz não o entregue ao  ministro da justiça, e você seja mandado para a prisão. Em verdade lhe digo que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo (Mateus, 5:25-26).

Há, na prática do perdão, e na prática do bem, em geral, mais do que um efeito moral, há também um efeito material. A morte, como se sabe, não nos livra dos nossos inimigos. Os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, além do túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor. É por isso que o provérbio que diz: "Morta a besta, morto o veneno" é falso quando se aplica ao homem.
O Espírito mau espera que aquele a quem quer mal esteja preso a seu corpo e, assim, menos livre, para o atormentar mais facilmente, ferir nos seus interesses ou nas suas afeições mais caras. Devemos ver nesse fato a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo daqueles que apresentam certa gravidade, como a subjugação e a possessão.
O obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre, vítimas duma vingança anterior, à qual provavelmente deram motivo por sua conduta. Deus o permite, para os punir do mal que eles mesmo fizeram, ou se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar. Importa, pois, do ponto de vista de sua tranquilidade futura, reparar o mais cedo possível os males que você tenha feito a seu próximo, e perdoar aos inimigos, para assim se extinguirem, antes da morte, todos os motivos de desavença, toda causa fundada de animosidade posterior.
Por esse meio, de um inimigo obstinado neste mundo, pode fazer-se, um amigo no outro, ou pelo menos ficar do lado justo, e Deus não admite que aquele que perdoou sofra qualquer vingança. Quando Jesus recomenda que nos conciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não quer apenas evitar as discórdias na vida presente, mas também evitar que elas se perpetuem nas existências futuras. Você não sairá da prisão, disse Ele, enquanto não pagar o último centavo, ou seja, enquanto não houver satisfeito completamente a Justiça de Deus.

Tradução livre, em terceira pessoa, pelo Prof. Dr. Jorge Leite de Oliveira.

sábado, 9 de maio de 2020


Cantinho da poesia

O reencontro com ela
                                 Jorge Leite de Oliveira

Meu amor, nunca me esqueci do dia
Em que te vi pela primeira vez...
Vieste acompanhada e então sorrias,
Ao avistar-me ali, sem altivez.

Senti que há muito já te conhecia
E precisava agir com sensatez,
Mas não pude furtar-me à alegria
De contemplar-te a linda candidez.

Dissimulaste bem teu sentimento,
Mas tua imagem, como fonte viva,
Jorrava sempre no meu pensamento.

Uma atração mais forte que a do vento
Nos enlaçou depois por toda a vida.
Nosso reencontro foi naquele centro...




  Rumo à perfeição   Em nossa luta contra o mal em nós, O mal que não queremos sobreleva Por nossa imersão em densa treva Desde o tempo de n...