Cantinho da poesia do Jó
O poeta e a esfinge
Que me desculpe, Pessoa,
o poeta nunca finge,
tudo que ele representa
tem a cara de esfinge.
O poeta é gente boa,
pois, nos quadros que ele tinge,
todos podem decifrar
as palavras da esfinge.
Nunca escreve coisa à toa,
nunca mente, nunca finge.
Tudo que o poeta entoa,
na verdade, é o que ele cinge.
Quem não gosta de poema?
Nele, nada se infringe,
ele, em sua sinfonia,
tudo diz, nada restringe.
Seja homem ou mulher,
tudo que o poeta impinge
é amor, é com paixão.
Compaixão também o atinge...
O poeta sente, sim,
a dor que nunca se finge,
a dor sentida do povo
desde a traqueia à laringe.
Quanta mentira se diz
muita cara de esfinge.
E o poeta desmascara
quem na verdade só finge.
Jorge Leite de Oliveira (Jó)
Brasília, DF, 28 de outubro de
2021.
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